CARAS DE PAU!
E não, não estou a falar do pinóquio...
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E não, não estou a falar do pinóquio...
Apesar de toda a gente suspeitar que esta é a última oportunidade antes da que virá tarde demais e mesmo depositando enorme fé num Presidente dos E.U.A. que parecia capaz de remediar a vergonhosa actuação do seu antecessor em Quioto, não cheira a que em Copenhaga se faça algo de concreto para inverter a situação que nos envenena aos poucos.
Muita palheta, montes de boas intenções. Mas o inferno está cheio delas e prepara-se para se instalar por todo o planeta sob a forma de alterações climáticas tão profundas que ameaçam a sobrevivência de muitas espécies que povoam a Terra.
E uma dessas espécies é precisamente a dos burros que permitirão mais um rato parido pela montanha de falácias que os líderes mundiais inventam para encobrirem o seu estatuto de reféns das indústrias poluidoras.

Foto: Shark
Palavra que sei. Palavra que não digo. O segredo morre comigo, como a palavra que guardarei.
Palavra que ouvi e palavra que escondi. Conhecimento proibido, pelo acaso fornecido, em forma de palavra, palavra que não digo porque não devo ou não me deixam, essa palavra de que se queixam quando não a conhecem, palavra que não digo, palavra que ignoram porque jamais a divulgarei.
E palavra, palavra que sei.
Gritos de horror na masmorra de um tempo enterrado. Gente oprimida pela mordaça de um passado doentio que matava pela fome, pela doença e pelo frio e agora é um tempo sepultado pela diferença que a Liberdade faz, a lembrança na lápide (ali jaz) para que não se esqueça tudo aquilo que não admitimos ressuscitar.
Gritos de amor na cama de um momento apaixonado. Gente que se ama num presente oferecido que é o futuro daquele passado que a Liberdade provou ser capaz de alterar, nesta paz em que podemos amar sem o medo da prisão ou do degredo que as cicatrizes da História não permitem esquecer.
Gritos de ódio nas ruas invadidas pelo terror. Gente subjugada e sem tempo para o amor, obrigada a fugir se não quiser engolir em seco o domínio imposto por uma força qualquer, no mesmo tempo, sem um motivo sequer que não a conjuntura desfavorável que alimenta uma revolta imparável quando a força da união, blindada pela razão, faz acontecer a Liberdade de pensar que é a mola da vontade de reagir e assim nasce uma Revolução.
Gritos de alegria que anunciam o parto no meio da rua. Gente que se assume amante da Liberdade conquistada e a garante protegida para ter tempo de crescer, num tempo em queremos fazer o amor sem restrição com as ideias à solta na mente e as palavras que voam da boca, enviadas pelo coração.

Foto: Shark
Penso que é sempre necessário colocar em algum lugar um poder social superior a todos os outros, mas acredito que a liberdade corre perigo quando esse poder não encontra diante de si nenhum obstáculo que possa conter a sua marcha e dar-lhe tempo de se moderar a si mesmo. A omnipotência parece-me em si uma coisa ruim e perigosa.
Alexis de Tocqueville
Em Democracia, nomeadamente a que parece imperar nesta União Europeia a que pertencemos, a ideia da omnipotência pode soar disparatada. No entanto, a percepção cada vez mais forte do distanciamento progressivo do poder político europeu relativamente aos cerca de 500 milhões de pessoas que o sustentam intimida nessa perspectiva.
O Tratado de Lisboa, que os políticos (e só eles) tanto se esforçaram por nos impor (sem referendo ou com referendos sucessivos para forçar o sim é disso que se trata), constitui um dos sinais mais óbvios de que o poder está cada vez mais a criar mecanismos para que o sistema democrático o facilite mais do que atrapalha.
A História oferece de bandeja os exemplos de como o poder, esse bicho medonho quando mal governado, se organiza em classes, de forma espontânea, adquirindo com relativa facilidade contornos exagerados que na prática geram as desigualdades e os excessos cujas consequências são sempre suportadas pelas populações tuteladas.
A diferença está apenas nas conjunturas. Seja pela força, pelo acaso ou, como a Democracia obriga, pela esperteza saloia de índole corporativa, o poder encontra forma de contornar obstáculos e limitações quando estão em causa valores elevados para quem o controla. E estou a falar em valores no sentido de verbas, aquelas a que um poder legítimo (legitimado) permite aceder por via da criação de estruturas que oferecem cargos a toda uma classe de cidadãos que se coloca a si própria num patamar acima dos riscos inerentes à sua inépcia na gestão dos interesses comuns.
E estou a falar de comuns no sentido de os outros, os que se deixam alhear dos mecanismos que foram criados para nos protegerem dessas associações interesseiras.
Ao longo das celebrações que os políticos promoveram, perante a indiferença generalizada, para conferirem alguma importância à viabilização do Tratado de Lisboa que poucos conhecem no teor ou nas repercussões, deu para perceber que até eles se surpreendiam com a quantidade de presidências que o protocolo os forçava a citar no início dos respectivos discursos.
A União Europeia a 27, que alegadamente só o Tratado permitiria viabilizar na governação, está a tornar-se num monstro que explora a debilidade económica das nações para as aliciar à adesão a um poder que depois as esmaga, como nos casos da Irlanda e da República Checa se viu de forma descarada e nos dos países onde as populações dispensaram a consulta popular se adivinha pela apatia, pela indiferença resignada.
Não acredito nos mecanismos de regulação de poder criados pelo próprio. Ou seja, os filtros da moderação a que Tocqueville faz alusão nas suas palavras que acima reproduzi são apenas um produto desse poder que os cria como mais uma célula onde se arrumam favorecidos, políticos quiçá mais contestatários que amansam perante as mordomias que os cargos em causa implicam.
Os impostos, cada vez mais pesados, constituem o sustentáculo de todas essas estruturas criadas à revelia depois de o povo votar (cada vez menos) nas opções (cada vez mais escassas) que a democracia de fachada lhe faculta.
E até a Imprensa, vergada por outro tipo de poder ainda mais pernicioso, dá cada vez menos conta do recado no seu papel de fiscal independente desta farsa colossal em que não são devidamente punidos pela Justiça mesmo aqueles que dão mais nas vistas.
Temo pelo futuro de uma sociedade à mercê deste poder com cara lavada pela legitimidade teórica que o sufrágio lhe confere, sobretudo quando é mais do que óbvia a irrelevância das ideologias que o modelo criado por realidades como a União Europeia necessariamente subordina.
E esse receio bebo-o na proliferação de escândalos, de prepotências, de manifestações suaves do abuso de poder do qual só conhecemos ainda a face embrionária da impunidade que o prenuncia.

Foto: Shark
Ainda muitos se interrogam o que teria levado o antigo guarda-redes benfiquista, Robert Enke, a suicidar-se aos 32 anos vítima de uma depressão e outra figura pública, a actriz brasileira Leila Lopes, aparece morta por suicídio, alegadamente por overdose de anti-depressivos.
A depressão continua a matar e não apenas pessoas conhecidas do grande público.
Não dá para não levar esta doença a sério e para negligenciar os sintomas nos outros e em nós mesmos.
O preço a pagar pode ou não aparecer nas parangonas. Mas é sempre elevado.
Demais.
Ambos querem regressar ao banco.
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