Sexta-feira, 18.12.09

FLOWER POWER

inclinação para o branco

Foto: Shark 

publicado por shark às 18:19 | linque da posta | sou todo ouvidos

PH NEUTRO

Eu sei que há umas décadas atrás correria o risco de escrever pharmácia, mas continuo sem pachorra nenhuma para o acordo ortográfico e é um facto (sem gravata) que terei que me assumir arcaico na escrita e velho do restelo no que respeita a esta idiotice talhada para me enervar ainda mais do que o desaparecimento dos contos de réis.

 

Contudo, e para contrabalançar, sou um dos poucos cidadãos a quem os pruridos relativos ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e, acima de tudo, à adopção por parte desses casais nem aquece nem arrefece.

É mesmo uma questão simples para mim. No que respeita ao sexo, ao amor e a tudo quanto diz respeito a direitos, liberdades e garantias não há géneros. Em nada me atormenta o casamento que formaliza uma união que de facto o é, entre pessoas (o assunto morre aqui) do mesmo sexo (isto é um detalhe que só chateia empatas).

E ainda menos me preocupa o direito a pessoas adoptarem crianças se for clara a sua aptidão para o acto.

 

Era só o que faltava, sentir-me no direito de proibir (ou mesmo julgar) seja quem for de usufruir de direitos que temos enquanto cidadãos e não perdemos em função das nossas preferências sexuais tal como em função do nosso estatuto de fumadores.

Só quem nunca visitou um orfanato ou não consegue vestir a pele de uma criança entregue a essas generosas (mas impotentes) instituições pode beliscar sequer o mérito de uma legislação que abra as portas à adopção por parte de mais pessoas e, note-se, mais interessadas por todos os motivos em darem o seu melhor para se provarem capazes perante esta sociedade de responsabilidade ilimitada no que concerne à castração da felicidade do outro.

 

Quando, daqui a uns anos, for gozado, marginalizado até, por me recusar a deixar cair os cês e os pês (tal como já vai acontecendo quando falo em cinco contos no lugar de 25 euros) que mesmo a associação dos professores de português tem pressa em ver imposto (o malfadado - malfodido?- acordo) irei sentir na pele essa tendência(zinha) portuga para buzinar as diferenças dos outros (outros são toda e qualquer minoria).

 

Mas para já, que ainda posso adoptar sem restrições a língua pátria que me ensinaram e as crianças que bem gostaria de poder ajudar a crescer num país livre destas merdas, sinto-me feliz com o facto de o Governo que escolhi ter na mesma altura acabado com uma vaca sagrada dos botas de elástico (a proibição dos casamentos entre homossexuais) e adiado a aplicação do cavalo de batalha daqueles para quem a adoção de uma nova língua é de fato uma coisa muito modernaça (ou agora é com dois ésses?).

publicado por shark às 14:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Quinta-feira, 17.12.09

VETERANO DE 69

Sim, eu acordei com o abanão. Seis na escala de Richter, o bastante para me assarapantar a meio de um sono profundo.
No meu tempo de vida experimentei por meia dúzia de vezes a sensação desagradável de o chão se transformar em água (no movimento) e de o tecto se tornar subitamente uma ameaça potencial. Um exagero, bem o sei, mas cada um tem os seus medos.
E o maior dos meus decidiu dar-me um olá nesta madrugada fria...

 

Muita gente, sobretudo no Algarve (o epicentro foi na zona do Cabo de São Vicente), acordou como eu com aquele que, na minha estatística pessoal, foi o segundo mais prolongado e o terceiro mais intenso tremor de terra que experimentei.
Uma coisinha de nada, apenas o bastante para agitar o corpo no colchão. O desta noite foi suave na oscilação e nada caiu das prateleiras. Mas foi o bastante para me reavivar de forma instantânea a cábula dos procedimentos a tomar mais as atitudes a evitar em tais circunstâncias, pois nunca se sabe quando os abalos mansinhos anunciam o pior para vir.

 

Eu estava mesmo a dormir quando a terra começou a oscilar e acordei. Algo em mim, um receio instintivo que descobri em 69 (estavam a pensar o quê, quanto ao título da posta? Na Guerra do Ultramar, "amor de mãe"?) quando sem saber sequer que os sismos existiam acordei com o maior que Lisboa sentiu no século passado.
Um candeeiro com pingentes em vidro que se fingiam cristal, imitação de classe média baixa dos candelabros de palácios e chalés muito em voga na época (os candeeiros), começou a tocar uma música estranha inspirada pelo balanço do edifício.


Claro que já nessa altura, bem pequeno, manifestei a inteligência rara que ainda hoje me caracteriza e entendi que o local mais seguro para enfrentar a situação seria debaixo dos lençóis (continuo a apreciar particularmente o conforto desse refúgio), acabando por pregar um cagaço no meu pai que, no meio da confusão, não percebeu de imediato que eu já estava a salvo junto aos pés da cama quando chegou para me resgatar daquele pesadelo.

Desceu do quinto andar comigo ao colo, em cuecas, e foi assim que desembocou no meio da vizinhança em pijama e roupão, pronto para embicar para o aeroporto (o ponto de referência que diziam ser o mais seguro para enfrentar cataclismos daquela natureza) a bordo de um Fiat 850 com uma cor inenarrável.
Aprendi nessa madrugada várias lições que fui reforçando ao longo da vida, fascinado com o tema. Sim, vi o filme em sensurround com o Charlton Heston, no São Jorge. E sim, prefiro dez consultas non stop no dentista a repetir essa experiência foleira que só vivi em Lisboa e em Mombaça (o segundo mais forte mas sem dúvida o mais curto do meu top five, ao ponto de mais ninguém á minha volta o ter percebido na condição).

 

O ano de 69 ficou assim gravado na minha memória até que me cortem a corrente aos neurónios e serve de referência, de marco histórico que muito me marcou (em vários sentidos) e me incutiu este alarme interior que dispara à mínima abanadela.

 

Foi fraquito, eu sei. Mas bastou para me interromper um sonho no qual, às tantas, até poderia existir uma bizarra premonição por associação de ideias...

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publicado por shark às 10:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Terça-feira, 15.12.09

SAUDADE DO VERÃO

meeting point

Foto: Shark 

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publicado por shark às 19:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

PATÉTICO

Como uma criança que faz palhaçadas diante dos adultos para chamar a sua atenção.
Como um animal de estimação que reclama o mimo.

 

Como um homem sem rumo, com o orgulho perdido no buraco negro de um umbigo que entretanto o devorou.

publicado por shark às 19:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A ANGÚSTIA DO BLOGUEIRO NO MOMENTO DE PUBLICAR

Sou eu, a angústia. Estou aqui porque não há no google images fotos minhas e o autor tinha que dar um sentido qualquer à posta, por causa do título que lhe saiu.

Espero que tenham ficado elucidados/as.

 

Cumprimentos,

 

A angústia (no momento de publicar)

publicado por shark às 19:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

MAIS ADIANTE, MAIS ACIMA

Caminha sobre as águas rebentadas que anunciam o parto, águas agitadas, e tu dizes eu fico e avanças sem medo sobre o fogo, sobre aquilo que tiveres que percorrer até chegares onde tiver que ser para ser tua a vitória final.

 

Caminha pela glória total e nada menos exijas do que o estatuto de ganhador, sempre que esteja em causa um amor.

 

Caminha sem olhares o chão que cada pé pisar, aproveita.

Em cada paixão existe uma fórmula secreta que te ensina a voar. 

publicado por shark às 00:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 14.12.09

(LIS)BOA NOITE

doca alcântara

Foto: Shark 

publicado por shark às 21:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

CAMBADA DE MERDOSOS QUE ANDAM POR AÍ...

O tipo é dono de, pelo menos, um edifício. Desse edifício, negligenciado em matéria de obras de conservação, caiu um pedaço que partiu o vidro pára-brisas de um dos meus carros. Já lá vão quase três semanas.

Logrei obter o número de telemóvel do fulano e tenho vindo a tentar resolver o problema (com o carro parado à porta desde então) a bem. Primeiro tentou descartar a responsabilidade para um empreiteiro que tinha lá andado em obras numa fracção (por conta do inquilino!), depois e por perceber que eu lhe ligava de hora a hora para o telemóvel, acabou por dizer que sim que ia participar à sua seguradora e era só eu arranjar uma foto do sítio de onde tinha caído o tal pedaço.

Fiz a foto há quase uma semana e desde então tem mantido o telemóvel desligado quase a tempo inteiro.

 

Deixei-lhe hoje uma mensagem a informá-lo que (e para já apenas pelos meios que a Lei me disponibiliza) vou dedicar boa parte da minha vida a infernizar-lhe a existência até assumir a responsabilidade que lhe compete.

 

Agora digam lá: faz algum sentido um gajo ter que chegar a este ponto só para o ressarcirem dos prejuízos que lhe provocam, isto para já nem falar do transtorno inevitável?

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publicado por shark às 15:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

A POSTA ABUSADORA

As empresas fintam deliberadamente os mecanismos de protecção ao consumidor com estratagemas indignos, com actuações sem ética, contribuindo em muito para a destruição do próprio planeta com as suas poluições mais as suas pressões sobre governantes sem escrúpulos.

E vivemos uma crise financeira capaz de dar cabo da vida de muitas pessoas e famílias à conta dos excessos e das golpadas a que se permitiram ao longo de anos as fulanas e os fulanos com a faca e o queijo na mão, abusando da nossa passividade.

 

Os Estados albergam exércitos de parasitas que sugam os recursos disponíveis, os que lhe disponibilizamos, em proveito próprio e de uma seita de cúmplices que raramente são apanhados e quase nunca pagam o preço da sua ganância, negligenciando aspectos tão sensíveis como a segurança dos cidadãos ou a qualidade do seu Ensino ou assistência médica, abusando do poder e da nossa tolerância excessiva.

 

A Justiça é cada vez mais cega, não na isenção das suas práticas mas na honra aos seus princípios, tornando-se aos poucos num papão que intimida por se revelar mais severa com os fracos do que com os poderosos que por vezes a controlam, abusando da nossa obediência.

 

As igrejas comportam-se como empresas, cada uma com os seus esquemas de financiamento que prevalecem demasiadas vezes sobre a motivação que deveria orientar a sua actuação social. Incapazes de controlarem os seus representantes, semeiam não raras vezes uma colheita de ódio, de dor ou de revolta em vítimas directas ou indirectas dos seus jogos de poder ou da canalhice de gente sem princípios camuflada por uma máscara clerical, abusando da nossa fé.

 

E todos nós, cidadãos, passamos pela vida anestesiados por tudo quanto nos possa afastar do receio de algum dia nos tocar à porta um azar que nos prive da única defesa possível contra os males que podemos evitar, o dinheiro ou o estatuto, que se somem aos dramas e tragédias inesperados, cada vez mais permeáveis a condutas que antes nos envergonhariam.

 

Abusando da nossa condição de seres humanos com dignidade em prol da manutenção de um sistema desenhado, como aconteceu no passado, para nos transformar aos poucos em carne para canhão de todos os poderes conjugados para a nossa exploração sistemática.

publicado por shark às 11:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 13.12.09

CORES DO OUTONO

dois outonos

Foto: Shark 

publicado por shark às 22:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Sexta-feira, 11.12.09

A GENTE SECRETA

Como os predadores ou as aves de rapina. A atenção à debilidade inesperada, a rapidez de reacção depois de detectada, a paciência e a persistência dos que seguem determinado objectivo com um espírito de missão, características essenciais dos parasitas emocionais que aguardam na sombra um indicador de fragilidade que lhes facilite o caminho até à presa marcada por um motivo, um capricho qualquer.

 

Gente que sabe bem o que quer e não desiste desse direito que assiste ao mais forte na selva, de acordo com a lei. Gente que não fala e que não sente, movida por uma sede de vingança, em resultado de uma obsessão ou apenas porque se sabem numa posição mais favorável do que os oponentes de circunstância, os entraves a eliminar com infinita paciência em pequenos golpes que fazem sangrar até o sangue se esgotar no coração ou na cabeça fraca.

 

A presa que se marca para abater, sem pressa de o fazer, à espera na sombra por um dia ideal, um momento especial pela negativa, aproveitado como uma porta aberta para um ladrão ou uma ferida escancarada para germinar uma infecção, a presa debilitada pelos rigores de uma vida mais invernosa ou de uma desilusão amorosa, à mercê daquilo que qualquer oportunista vê se mantiver a concentração e vestir a pele de camaleão que mais se adequa à conjuntura propícia para atacar, como um falcão em voo picado no céu.

Gente que sabe bem o que quer.

 

E raramente não conquista o troféu.

publicado por shark às 14:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A LEI DO RUÍDO

É uma das minhas preferidas. Mas tem uma lacuna importante: não prevê o quanto alguns silêncios se podem tornar ensurdecedores. 

publicado por shark às 10:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 10.12.09

PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL

perseguição implacável

Foto: Shark 

publicado por shark às 22:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

INCONDICIONAL? NÃO HÁ CONDIÇÕES...

Sempre me causou aflição perceber o dilema de alguém entalado pela lealdade que um amor supostamente acarreta.
Em causa está o tipo de situação que envolve pessoas e/ou coisas que por algum motivo entram em rota de colisão e de alguma forma implicam tomar partidos que, sem os vínculos interferirem, nunca corresponderiam à decisão que a pessoa entalada abraçaria.

 

Um amor não pode nem deve ter como regra a obediência cega a qualquer pressuposto que se sobreponha à verdadeira natureza das pessoas envolvidas. Ou seja, ninguém deve ser ou mesmo sentir-se compelido a abraçar causas nas quais não acredita apenas para respeitar uma ligação amorosa. O respeito não se mede dessa forma tal como o amor que deve ser sempre superior, invulnerável às divergências pontuais que forçam as tais manifestações solidárias.
O vínculo que o amor estabelece apenas deve impedir a traição (não estou a falar de infidelidade, claro) aos princípios elementares de qualquer relação humana.
E esses, no amor como na amizade séria, não englobam a obrigação de aderir a causas unilaterais quando (e acima de tudo) estas chocam com as crenças ou as reacções expectáveis por parte de quem se vê entre dois fogos numa qualquer disputa ou quezília. Ou mesmo quando simplesmente deixam a pessoa sem saber para que lado cair e, nesse caso, só pode assumir uma postura neutra.

 

Sei por experiência própria que o primeiro impulso quando amamos alguém é comprarmos as suas dores, contra tudo e contra todos, mesmo correndo o risco de abdicar da coerência ou mesmo de coisas e de valores que se têm por importantes. O amor cega ao ponto de nem ponderarmos as razões e agirmos em função das emoções e dos tais pressupostos a que acima faço referência.
Contudo, esse é um excelente caminho para um dia nos arrependermos e apresentarmos a factura.


Um amor, qualquer amor, não implica a anulação seja de quem for ou mesmo a sua mobilização para as guerras que lhe sejam alheias sobretudo quando estão em causa nos extremos da contenda pessoas de quem se goste e/ou razões que não se perfilham neste ou naquele aspecto.
É bonito, teoricamente, e eu já vesti ambas as peles – a de quem dá e a de quem recebe essa solidariedade incondicional, dedicar a alguém um amor tão forte que nos obriga a abraçar sempre a causa que lhe diga respeito.
Mas pode ser contraproducente à posteriori e entretanto constitui-se como um dilema que ninguém tem que enfrentar pois todos temos o direito a pensar e agir de acordo com a nossa própria consciência.

 

O romantismo de pacotilha, o que mede os amores em função da abnegação e da abdicação de nós mesmos em função do outro, deixou de fazer sentido no dia em que alguém percebeu que as pessoas têm sempre o direito de decidir pelas suas próprias cabeças e que esse direito se sobrepõe à força das emoções mais poderosas pois estas valem por si e, por esse e outros motivos óbvios, não precisam de qualquer ratificação.

publicado por shark às 15:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

O CIRCO DAS FERAS

Eu gosto de pessoas desbocadas. Por norma são sinceras e não se põem com florinhas quando sentem vontade de desatinar.

Porém, sempre me deu a ideia de que existem alguns locais e funções para as quais essas pessoas não são compatíveis. Se calhar estou a ser um cota no discurso, a malta até aprecia umas cobóiadas e tem imensa piada ver os deputados da Coreia ou da Argentina ou assim de uma terra pequena e distante à porrada num hemiciclo. Os telejornais nunca falham essas cenas e a malta até pára de mastigar a entremeada no restaurante quando passam na tv esses números artísticos.

Mas se calhar sou só eu que não acho piada quando os protagonistas são pagos por mim e por outros papalvos para nos representarem de forma condigna nas instituições que nos governam.

 

Ouvir uma tia deputada chamar palhaço a um colega de outra bancada pode até dar vontade de rir. E dá com toda a certeza, se ambos estiverem num tasco em amena cavaqueira diante de um pires de caracóis. No entanto, vendo bem as coisas e tendo em conta a responsabilidade dos cargos que ocupam e o quanto nos custam em salários, mordomias, reformas chorudas e afins talvez às tantas um gajo perca um nadinha a vontade de arreganhar a tacha perante quem não sabe sequer respeitar as inerências do tacho que alguém, desmazeladamente, lhe disponibilizou.

E claro, ver o virgem ofendido a sugerir que a colega é uma meretriz ideológica também pode não cair bem, sobretudo quando um camarada seu já havia sugerido a esquizofrenia dos seus pares na oposição.

 

Ainda há dias o Primeiro-Ministro, farto das traquinices de um deputado chavalito, um tal de Portas, lhe dizia para ter juizinho ou coisa que o valha, tratando-o como um fedelho na escola. Isto passou-se no mesmo palco onde um Ministro da Economia também muito espontâneo e sincero simulou um par de cornos para brindar um deputado comuna que o incomodou, por coincidência no local de trabalho dos outros manjericos que citei no parágrafo acima.

E claro, ficou nos anais o desafio para a porrada entre dois deputados que se desentenderam em plena AR meses atrás.

 

Tudo isto que citei não faz parte do dia a dia político do Uzbequistão ou do Zimbabué, países onde os circos ainda podem recorrer a animais selvagens para divertir a audiência, mas sim numa nação integrada na União Europeia (a Europa dos ricos e tal...) e cheia de tiques e de vaidades associados a esse nobre estatuto.

 

E eu não consigo perceber se me incomoda mais o péssimo sinal do estado a que deixámos chegar as instituições que este circo instalado expõe ou o facto de fazer parte dos ursos e dos camelos contribuintes que, ficando de fora a assistir ao show, ficarão soterrados nos escombros no dia em que desabar a tenda.

 

 

publicado por shark às 11:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 09.12.09

EU GOSTO DE ANIMAIS

pombo na pedra

Foto: Shark 

publicado por shark às 17:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA NO LEITE DERRAMADO (OU NO CALDO ENTORNADO, TANTO FAZ)

Há um ponto a partir do qual é perfeitamente natural que se deitem às urtigas alguns pruridos e hesitações. Chamem-lhe crise da meia-idade, PDI ou outra coisa qualquer. Por mim até podem chamar-lhe um assobio, mas na prática trata-se de um momento de excepção para qualquer um/a que de repente percebe que a vida são dois dias, o carnaval são três e ao quarto uma pessoa descansa em paz e por isso não se pode renegar o tal ponto em que um impulso qualquer nos leva a passar por cima de algumas convenções e a abraçar uma forma menos tensa de enfrentar, por exemplo, os muitos proibidos que a vida em sociedade nos vai impondo.

 

Sempre tentei manter algum nível daquilo que a maioria apelida de sanidade mental mas para mim constitui apenas um conjunto de normas imbecis que só servem para atrapalhar os nossos caminhos e empatar as fadas que tanto se esforçam por nos mostrar como a vida é bela sem o espartilho dos costumes.
Isso não se deve fazer, aquilo não se pode dizer, apenas porque sim. E eu questiono-me sempre: e porque não?


Em causa estão aqueles compromissos assumidos por inerência mas que nunca entendemos muito bem para que servem se apenas nos complicam ainda mais o trocadilho. Coisas simples, como um gajo assumir algumas cenas suas ou borrifar-se na boa para as tradições que castram o prazer de viver aquilo que nos resta quando a juventude já ardeu.

Ah e tal, porque não devemos ser assim ou assado porque senão...
Mas porque senão o quê? Levamos tautau? Executam-nos uma penhora? Apontam-nos o dedo como maus exemplos a seguir?
Ora, esse não só é o lado para o qual eu durmo melhor como é também um lado que nunca me fez perder o sono. Tanto faz se me baptizam de excêntrico ou de maluco ou mesmo de radical.


Sou uma pessoa normal que se esforça por romper as barreiras artificiais que nos impõe a ditadura do politicamente correcto, do tanto melhor quanto mais discreto, que nos empurra para uma existência parcialmente clandestina em abono da mais perfeita integração no grande grupo que na hora da verdade nos vira as costas e nos deixa cair.

É assim, doa a quem doer, e eu já tenho calo o bastante para o afirmar com conhecimento de causa, com o saber de experiência feito que é a compensação para os estragos que a passagem do tempo entretanto provoca.
Ninguém me tente açaimar ou amordaçar quando à razão propriamente dita consigo somar uma porrada de argumentos para justificar as minhas opções sem medos ou vergonhas.
Vergonha é roubar ou, ainda pior, deixar-se apanhar em flagrante. E isso nunca me aconteceu.


Há um conjunto de merdinhas que define quem sou eu, aos olhos críticos dos outros mas acima de tudo aos meus, aqueles que confrontam o espelho e têm que se aguentar à bronca com o resultado final das minhas reflexões.

Abomino determinadas convenções que só servem para nos afastar da felicidade possível neste mundo cão. Violo deliberadamente as que mais me entravam o caminho e com isso vou adquirindo um estatuto semi-marginal em meia-dúzia de círculos onde a vida me encaixou.
Mas eu não sou um ponto fixo, estagnado, em círculo algum. Prefiro-me imprevisível, aleatório, igual a mim mesmo quando a mostarda me sobe ao nariz ou desatino com uma limitação disparatada.


Respeito apenas a liberdade dos outros de serem aquilo que lhes incutiram ou, raramente, aquilo que se sentem mais confortáveis a fazer (ou exibir). São escolhas individuais, decisões que tomamos em função daquilo a que nos podemos ou queremos permitir.
E a partir de um certo ponto no tempo, talvez como manifestação tardia de uma puberdade oprimida pelas regras impostas pelos pais, descobrimos uma faceta da maturidade que sentimos no peito como um momento libertador.

 

Eu quero viver o amor e a amizade e o resto que verdadeiramente importa de acordo com as minhas regras e fantasias, tal como exijo de mim próprio a contenção necessária para não deixar que o feitio irreverente comprometa em demasia o meu futuro profissional ou a integração social e é essa a contrapartida que me imponho, o esforço maior.
De tudo o resto retenho apenas o que me protege da rejeição absoluta por parte de muitos filhos da puta de quem dependo, ocasionalmente, por isto ou por aquilo e apenas até ao momento em que decido dizer basta à dependência ou à tradição. À bruta e sem lubrificação, pois pauto as minhas posições por um misto de instinto básico com o cuidado do respeito pela sensibilidade alheia, o freio embutido que me leva sempre a evitar cruzar os limites sem moderação.

 

Acho que é mais do que o suficiente para garantir o respeito e a consideração por parte de quem se cruze no meu caminho e entenda investir algum do seu tempo na avaliação deste gajo cheio de coisas estranhas e até perturbadoras para alguns mas igual a toda a gente nos méritos e nas qualidades que possam servir de compensação.

E quem não veja a coisa assim tem bom remédio e não faltam por aí cabeças mais atinadas para desbundar.

 

Prometo que não fico a chorar...

publicado por shark às 15:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

ORA AQUI ESTÁ UMA EXCELENTE INICIATIVA

Recomendo-vos este blogue sapolas caso levem a sério e queiram acompanhar de perto a Cimeira de Copenhaga.

publicado por shark às 11:41 | linque da posta | sou todo ouvidos

BIG FOOT, NÃO ERA O NOME DA CENA?

 

Há quem tenha dado trinta euros para se enfiar num pavilhão e respirar a gasolina de motos e de carros e levar com a barulheira infernal de motores em acrobacias maradas.

Ah, e a ver um veículo com rodas gigantes a esmagar chassos...

 

Tá bem.

 

publicado por shark às 00:38 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 08.12.09

FLOWER POWER

canteiro felino

Foto: Shark 

publicado por shark às 21:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

MOMENTOS ASSIM

Momentos vividos, momentos guardados nos arquivos (com)passados de onde nos chegam imagens e cheiros ou ritmos e sons. Momentos maus e momentos bons, de uma vida que aconteça.

Uma vida que jamais desfaleça no torpor da ausência da amizade e do amor, das emoções que sentimos e das reacções que lamentamos mas fazem parte de um caminho marcado pela interacção.

 

Momentos sentidos no coração, momentos vividos que não queremos esquecidos pois assim serão perdidos e esse seria o seu fim. Momentos incríveis e provações terríveis que recordamos, coisas ligadas às pessoas que amamos ou apenas nos marcam algures pelo caminho.

 

Momentos por viver com imenso carinho, momentos para aproveitar enquanto duram. As coisas que nos encantam ou nos magoam, sensações. Momentos inesquecíveis ou imensas desilusões, aprendizagem. Momentos que fazem parte de uma passagem sem regressos ou repetições, valiosos. Tudo o que somos nesses arquivos que precisamos alimentar com urgência ao longo de uma existência que um dia acabará nesta dimensão.

 

Momentos sempre intensos, os melhores condimentos para os saborearmos com paixão.   

publicado por shark às 19:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA NO COGUMELO MÁGICO DO BAIRRO ALTO

smart shop bairro alto 

Foto: Shark

 

Tempos atrás, quando falei (aqui, e aqui) da loja Cogumelo Mágico de Aveiro, tive várias reacções na caixa de comentários e na sequência das mesmas prometi falar da versão lisboeta.
Precisava, contudo, de conhecer o estabelecimento e, naturalmente, experimentar algumas das respectivas propostas.
Assim fiz. Rumei ao Bairro Alto e visitei a Magic Mushroom, a tua loja de drogas legais.

Escolhi uma hora de pouco movimento, para poder dar uma vista de olhos em condições.

E dei.


A loja não é muito grande e num instante conseguimos percorrer as prateleiras carregadas de iguarias para a carola mais uma carrada de acessórios ligados ao respectivo consumo.
A sensação é porreira, sobretudo pela disponibilidade de quem lá trabalha para nos aconselhar com um saber de experiência feito que ajuda a orientar as nossas decisões.
O interior do espaço faz lembrar o de uma loja de artigos de magia, fazendo jus ao nome, e tem boa onda.
O problema está no preço das guloseimas para o toutiço, que em matéria das especialidades da minha preferência coloca a coisa na fasquia dos dez euros por grama.

Pulse, Samurai e agora a novidade Dragon. Foram essas as minhas escolhas, em função do que mais se adequa ao meu perfil de consumidor (gosto de cogumelos mas é no bife com natas).


O Pulse foi-me apresentado como mais suave e de efeito mais prolongado e com efeitos afrodisíacos. Estes últimos não os senti, pois em mim tratar-se-ia de uma redundância. Mas é agradável de fumar e suave como dizem.
O Samurai é mais forte, mais próximo ao efeito da erva tradicional e tem um sabor fixe.
Do Dragon ainda estou em fase experimental e pouco posso adiantar nesta altura.

Em qualquer caso, estas opções que a lei não proíbe mas um estranho pudor qualquer obriga a vender em embalagens que o referem como apenas para uso como incenso e não para consumo humano não constituem um substituto do material proibido.


Não contem com uma moca descomunal, embora possam ter como certo que a cena bate.
E com a vantagem de não implicar os riscos associados à legislação idiota que facilita a vida a intermediários oportunistas.
É legal e a prová-lo está o facto de ser vendido numa loja a dezenas de metros de uma esquadra da polícia.

 

A Magic Mushroom, como a Smart Shop de Aveiro, tem um site a partir do qual é possível encomendar para qualquer ponto do país, à cobrança. E a coisa funciona. Cerca de 48 horas depois de feita a encomenda a mercadoria é entregue num embrulho discreto, o tal pudor a funcionar, e mais fácil não pode haver.
Funciona de segunda a sábado entre o meio dia e a meia noite, no 29 da Rua Luz Soriano, em pleno Bairro Alto, e constitui uma alternativa excelente ao caldo knorr que os espertalhões do circuito ilegal nos impingem a cada esquina.
Podem ligar para o 213467238 se quiserem esclarecer alguma dúvida, eles são simpáticos e atenciosos.

 

E vão lá conhecer a loja e provar os “incensos” ou mesmo outra das muitas especialidades que a natureza oferece e a lei tacanha entendeu não proibir.
Mal não faz. Posso afiançar.

 

publicado por shark às 13:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)
Segunda-feira, 07.12.09

LUZ VERDE PARA UMA FÉ

porto da fé

Foto: Shark 

publicado por shark às 19:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

RENDIÇÃO

Sinto-me desarmado perante a força desse teu sorriso encantado, como eu fico, presente de fadas ou de deuses para o mundo que felizmente me inclui.

O risco de ser hipnotizado como eu fui, à solta pelas ruas, uma boca feiticeira que ilumina uma cidade inteira quando se abre numa expressão de alegria ou de satisfação, cada um que a sorte bafeja com a visão dessa boca que um dia vi e que, é mesmo assim, beija ainda melhor do que sorri.

 

publicado por shark às 19:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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