A POSTA PARA MIM

Aviso: esta posta é extensa, o tema não interessa a ninguém senão a mim próprio (apenas o meu umbigo é tido em consideração) e a caixa está fechada porque não busco críticas, palpites, opiniões ou palmadinhas nas costas.
Ou seja, quem se predispuser a ler esta conversa com os meus botões não pode depois vir queixar-se que sou chato, esquizofrénico, paranóico, imbecil, sem gosto para pijamas ou outra merda dessas.
Esta treta é um blogue individual, intimista, aquilo que quiserem chamar-lhe. Mas é meu e ponho cá o que me der na bolha. Só lê quem estiver praí virado ou padecer de insónias.

Para evitar o transtorno basta não clicarem onde diz continue a ler a posta para mim.


É fácil, não é?
Nada do que eu diga, escreva ou faça de errado é susceptível de suscitar a compreensão, o perdão ou o simples benefício da dúvida seja da parte de quem for. E muitas vezes no que faço acertado também.
Sou um gajo fácil de diabolizar, por uma data de motivos que quem me detesta não deixará de enumerar mentalmente perante esta posta.

Contudo, o mesmo não se passa de mim para com muitas outras pessoas. Gosto de acreditar, esforço-me por entender as razões que assistem aos outros e, salvo raras excepções, consegui sempre encontrar uma forma de dar a volta às traições e às desconsiderações que, como qualquer pessoa, já causei como já sofri.
Fiz alguns amigos assim e até recuperei dois ou três amores (anos atrás).

Mas comigo não. Faço merda, levo nas trombas e fico logo até à morte com a canga do vilão. Isso não me faz perder o sono, até porque em última análise quem me deixa cair de forma tão simples afinal nunca se ralou pevas comigo ou com as minhas razões ou momentos menos maus.
Ou seja, podem tirar o cavalinho da chuva se vos dava mais jeito interpretar isto no sentido calimero da coisa. Cada vez mais aceito que mais vale só do que mal acompanhado e não é a primeira vez que assumo essa opção, embora me doa como a qualquer outro ser humano e, por inerência, animal social.

É que um gajo farta-se de ver o seu feitio apontado a dedo à mínima falha, as suas acções colocadas em causa por hipotéticas segundas intenções ou porras do género e, acima de tudo, as suas palavras distorcidas sob qualquer pretexto como se fosse impossível alguma vez ter razão no que sinto ou penso.
Às vezes é quase como se eu não tivesse o direito de existir para algumas pessoas, como se tudo em mim fosse desenhado para agredir a Humanidade inteira e nada de meu possa ser considerado algo de bom.

Passo de bestial a besta a toda a hora e Deus me livre de aplicar essa filosofia a qualquer outra pessoa. Heresia. O cabrão tem a mania e merece desprezo, desconfiança, punição. O cabrão sou eu, nesta história. E se não concedo a ninguém oportunidade de comentar esta reflexão não é porque tema as larachas jocosas seja de quem for (e já estou farto de o provar a quem duvida), mas apenas porque com toda a sinceridade estou-me nas tintas para a opinião de terceiros relativamente a este particular.

Ainda assim, e embora reconheça as inúmeras máculas na minha estrutura, nomeadamente a minha permeabilidade a algumas emoções que me perturbam e desnorteiam, recuso o estatuto sistemático de mau da fita que me oferecem na maioria dos guiões, como se todos os figurantes da película fossem os anjos e eu o inevitável pecador.

De vez em quando preciso de uma comédia. E estou certo de que esta posta será um excelente pretexto para muitos de vós soltarem, no mínimo, um sorriso que faz tão bem às pessoas, mesmo que mal intencionado ou movido pelo escárnio fácil de quem se empertiga perante as fragilidades alheias. É mais um trunfo que vos dou, certo que estou de mim e da minha inquebrantável capacidade de resistência a essas merdas. E até depende da minha disposição do momento, a forma como reajo. Na boa ou à bruta, nos extremos de mim.

Porque tal como os outros, possuo coisas boas e coisas más. Mas medo não tenho.
E não admito ser julgado a toda a hora sob falsas premissas ou punido como uma criança por cada uma das minhas falhas, com as contrapartidas que dou a serem sempre encaradas de forma ligeira como uma mera obrigação.
Como um detalhe menor.

Quem não gostar do embrulho tem a porta sempre escancarada. Só fazem falta os que cá estão (na blogosfera e fora dela) na condição de pessoas como eu, inconstantes, imprevisíveis, alternando a perfeição com a inevitabilidade da sua frágil condição humana que a atrapalha ou impossibilita.
Valho o que valho e nunca prometi um milagre de criatura. Mas repito que não admito a canga do vilão, sobretudo a quem não possua razões de queixa e queira apenas embirrar ou a quem tenha ou possa ter tido acesso ao contrabalanço das minhas macacoas.

E agora não me venham chatear a porta com o tamanho do lençol ou o seu cariz umbiguista ou a porra.

Ver acima, se tiver falhas de memória.
publicado por shark às 22:32 | linque da posta | sou todo ouvidos