Domingo, 23.11.08

SÁ(I) FERNANDES

Entre o Sá Fernandes que deu cabo da cabeça a Carmona Rodrigues e o que agora parece no céu com António Costa vai uma diferença substancial.

Mas convenhamos que entre o Bloco de Esquerda que em Junho ensaiou esta titubeante mas clara manifestação de solidariedade institucional ao seu “menino de ouro” caído em desgraça e o que se prepara para lhe retirar a confiança política também são mais quilómetros do que os da frente ribeirinha que constituiu a última gota no (complicado) matrimónio que agora se prepara para um divórcio previsível.

 
A política é assim, sinusoidal. Um dia está-se em cima, na crista da onda, e no dia seguinte pode-se facilmente mergulhar de cabeça em plena rebentação. E isto aplica-se tanto aos protagonistas deste jogo para equilibristas (e cada vez mais para malabaristas e prestidigitadores, sem ofensa pela comparação) como às organizações que os acolhem e os promovem e depois arcam com as consequências dos seus erros de casting, tão próprios da cegueira do apelo eleitoralista que todos, à direita como à esquerda, são tão lestos a negar.
 
publicado por shark às 21:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A POSTA QUE TAMBÉM ME LEMBRO COMO SE FOSSE ONTEM

 

Se eu vos disser que me lembro perfeitamente de no dia 5 de Abril de 1984 às quatro horas e dezasseis minutos ter dito a um fulano para ele tomar conta do dinheiro de alguém, esse fulano (que se calhar nem se lembra do que almoçou ontem) vai ter uma tarefa difícil para credibilizar a sua versão de que eu fui lá pedir-lhe que fizesse vista curta para podermos todos continuar no gamanço.
Teoricamente é assim, mas é esse o problema de quem gozou de impunidade excessiva por tempo demais: o conto de fadas dilui a percepção da realidade e a pessoa começa a pensar que os outros são todos uns plebeus iletrados e amnésicos e que pode impingir-lhes qualquer história de encantar, bastando situá-la cronologicamente com o máximo detalhe.
 
Mas o Pinóquio também tem cara de pau e a malta até simpatiza com o boneco, não é?
 
publicado por shark às 12:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sábado, 22.11.08

TONS ALENTEJANOS

casa da avó

Foto: Shark

publicado por shark às 21:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA NO SI(S)MULACRO

Por duas vezes senti a terra tremer a sério debaixo dos pés e muito sinceramente não gostei nada da experiência. Aliás, a primeira aconteceu tinha eu quatro anos e lembro-me de quase tudo como se tivesse acontecido ontem.

 
O simulacro de sismo que está a decorrer nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal não é (ou não deve) ser encarado de ânimo leve, apesar dos sorrisos que possam suscitar as dramatizações das vítimas simuladas.
Num país onde tudo é resolvido em cima do joelho e impera a arte do desenrasque todas as oportunidades para testarmos os meios e a capacidade de resposta em caso de tragédia podem revelar-se vitais se vier a acontecer “a bronca”.
 
São muitos os profetas da desgraça que auguram uma repetição de 1755 por esta altura, mais ano, menos ano. De acordo com os mais atentos a esta realidade terrível que são os tremores de terra (ou sismos), e embora estes sejam quase imprevisíveis – recorde-se a excepção de Haicheng, na China, em 1975, onde a monitorização dos movimentos da crosta terrestre permitiram antecipar a ocorrência – os mais pessimistas coincidem nos cálculos que apontam para um grande sismo na zona de Lisboa a cada 250 anos.
O último foi em 1755.
É fazer a conta.
 
Se podemos, por via da escassa fiabilidade das previsões acima, descartar a “certeza” de tal ameaça, uma análise descuidada ao registo dos sismos a nível mundial prova-nos que podem acontecer a qualquer momento e praticamente em qualquer lugar.
E podem, como o terror do recente tsunami evidenciou, afectar áreas de milhares de quilómetros.
O terramoto de 1755 fez-se sentir no Brasil e o respectivo maremoto, originado pela localização do epicentro desse safanão estimado em 8,75 na escala de Richter, terá atingido Antígua, a mais de 6000 km de Lisboa.
 
Mas este verdadeiro terror para a indústria seguradora, e que recentemente deu origem a alterações – para pior na perspectiva dos titulares de apólices com esta cobertura – que derivam do recuo das grandes resseguradoras mundiais perante os efeitos devastadores dos mais recentes sismos de que há memória, pode assumir actualmente proporções dantescas.
Em causa não está um aumento significativo da frequência dos abanões mas as suas repercussões nas colossais zonas urbanas que não existiam no Séc. XVIII e agora constituem a maior dor de cabeça para os serviços de Protecção Civil.
 
A malha urbana da Grande Lisboa não será propriamente colossal à escala planetária mas constitui o ponto de concentração de cerca de um terço da população portuguesa. Por outro lado, catástrofes de menores dimensões como as cíclicas inundações que paralisam parcialmente diversos pontos críticos provam o quanto estamos vulneráveis perante a conjugação dos erros de palmatória a nível de planeamento e de prevenção (a qualidade de construção dos edifícios, por exemplo, pode esconder armadilhas que só um sismo sério trará a lume) com a escassez de meios e a tradicional balda optimista lusitana.
 
É esse o principal argumento para justificar a realização de simulacros como o que decorre e parece envolver cerca de 5 mil pessoas empenhadas em testarem a capacidade de resposta perante uma repetição de um sismo forte nesta região.
No vale inferior do Tejo (em 1909 a vila de Benavente foi arrasada por um abalo) situa-se um dos pontos críticos da chamada sismicidade intraplaca, existindo também essa característica desconfortável no vale submarino do Sado e na região do Algarve (a 200 km do Cabo de S. Vicente) encontra-se o temível Banco do Gorringe de onde costumam partir os maiores abanões nacionais.
 

Nomeadamente o que destruiu Lisboa e que as autoridades tentam agora prevenir e minorar nas hipotéticas consequências da única forma possível.   

 

 

Nota: se quiserem aprender qualquer coisinha acerca do assunto, recomendo-vos uma vista de olhos neste site.

publicado por shark às 11:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 21.11.08

PALAVRAS SEM RESTO

Como a garrafa que o mar arrasta para parte incerta, talvez para uma praia deserta, cheia da esperança contida numa mensagem enviada por alguém sem medo de sonhar.

Como o pombo que não se perde no ar, direccionado para um ponto fixo no horizonte, um destinatário tão distante para o pedido de auxílio enrolado por alguém com medo de morrer numa sangrenta batalha qualquer, travestido o correio alado numa improvisada pomba da paz.
Como a carta perdida ao longo do caminho num daqueles caprichos do destino que promovem a desilusão em alguém que aguarda notícias há tempo demais e se sente como que abandonado num cais e de repente pousa a vista num gargalo brilhante à deriva na ondulação e estende uma mão para o agarrar.
 
Lá dentro as palavras de amor há tanto tempo ansiadas, as emoções desenroladas num pergaminho que encontrou o seu caminho para um final quase feliz.
No sorriso de alguém que espreita o que diz nessa emoção anónima, bisbilhoteira, naquela coincidência certeira que quase se acredita propositada para que a trégua desejada aconteça seja onde for.
Multipliquem-se as palavras de amor que urge escrever, em histórias coloridas pelas mais arrebatadas paixões, para que essas mensagens de esperança jamais se possam perder encalhadas nos bancos das memórias que aceleram as batidas dos corações.
 
Todas as palavras apaixonadas por escrever são como beijos que ficam por dar.
São como garrafas vazias lançadas ao oceano de costas voltadas ao destino que assim nos resta abraçar.
 

Quando renegamos a necessidade de partilhar a felicidade que às vezes desperta, algures numa praia deserta, uma alma entorpecida pela saudade ou pela dor, uma vontade até então reprimida pelo receio de insistir no amor que não podemos, de todo, silenciar.

 

message in a bottle

publicado por shark às 12:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

BOM DIA!

não deixes de voltar

Foto: Shark

publicado por shark às 10:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)
Quinta-feira, 20.11.08

A POSTA NO OLIVEIRA E COSTA

Será que ainda o vamos ver, ao bom estilo Fátima Felgueiras, festejar um dia a sua pseudo-condenação?

publicado por shark às 23:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

BLACK & WHITE

porta aberta

Foto: Shark

publicado por shark às 10:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A SÚBITA AFLIÇÃO DO GESTOR DE FORTUNAS

Eu cada vez percebo menos disto.

Então o crédito é que alegadamente arrastou a banca para o aperto e afinal é o Banco Privado Português o primeiro a recorrer ao balão de soro estatal?

publicado por shark às 09:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

PORTUGAL 2 - BRASIL 6

(E não, não estou a falar de um jogo de hóquei em patins de há mais de 50 anos...)

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publicado por shark às 09:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 19.11.08

PARECE QUE ESCASSEIAM POR AÍ...

é preciso tê-los

Foto: Shark

publicado por shark às 15:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

A POSTA QUE A MIM, LAMPIÃO DA ESQUERDALHA, ATÉ DÁ JEITO...

Acho admirável a pachorra dos portugueses para com os seus líderes ou responsáveis por qualquer sector. Podem até dizer cobras e lagartos de quem os chefia ou apenas assenta no topo da pirâmide de uma organização qualquer, mas deixamos a coisa correr mesmo quando é evidente o erro de casting.

Vejo esse fenómeno espelhado na insistência do Sporting numa dupla de cretinos, presidente e treinador, que estão a escavacar o popular clube lisboeta. Mas ainda o vejo mais nítido na forma como o PSD atura os desmandos da sua Manuela tonta.
É que se num clube desportivo, sabendo todos aquilo que está em causa, não chovem os candidatos à liderança, no maior partido da oposição seria no mínimo confrangedor chegarem à conclusão que têm mesmo que amparar uma líder manca.
 
Das várias e cada vez mais infelizes declarações daquela que parecia ser uma promessa adiada dos laranjas, a de ontem (a que fiz alusão numa posta mais abaixo) foi a mais grave de todas.
E isso não passa apenas pelo teor desastrado (descarado?) da intervenção de Manuela Ferreira Leite, embora isso já constitua um péssimo augúrio para o acto eleitoral que se aproxima.
Do ponto de vista político, a calinada da líder do PSD constitui um revés igualmente na forma como o protagonismo de MFL abafou por completo a oportunidade que as declarações do Banco de Portugal a propósito da situação real da economia (que desmentem de forma flagrante as previsões “optimistas” com que o Governo se escuda aos efeitos secundários da crise financeira global) constituíam para poderem finalmente fazer oposição a sério.
 
Nesta perspectiva, a líder do PSD não se limitou a dar um tiro no próprio pé. Atirou também para o ar a distracção perfeita para a secundarização do que verdadeiramente interessava ao seu partido em termos de estratégia político-partidária.
 
E se eu não percebo como é que os adeptos leoninos assistem impávidos à desagregação do seu clube às mãos dos lorpas, ainda menos consigo entender a reacção amorfa das gentes do maior partido da oposição num país subordinado a uma maioria absoluta perante os desvelos da sua péssima escolha.
Sobretudo jamais lhes perdoarei se permitirem a recandidatura à Câmara de Lisboa por parte do imbecil que privou a minha filha e a mim próprio da Feira Popular que tanta falta nos faz.
 
Essa afronta já não entra naquilo que se pode esperar no domínio natural de um grupo passivo de alimárias capazes de engolirem em seco tanta tolice, entra directamente no que entendo por prejudicial aos interesses na Nação no seu todo pelo que está em causa.
O preço a pagar, nas urnas, poderá ser o prenúncio do funeral social-democrata em matéria eleitoral por vários anos.
 

E se ao Sporting agito com um fantasma chamado Boavista, ao PSD aceno com uma nova ASDI mas muito mais desmobilizadora e certamente bem mais apetrechada de argumentos e de pessoas.

publicado por shark às 15:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

PALAVRAS SEM ROSTO

Sai cara, a palavra (e o resto), quando a proibimos num texto e pagamos a coima interior da arrogância de nos presumirmos capazes de recorrer a essa palavra ou a outra qualquer sem pruridos ou hesitações.

Pode custar-nos milhões na divisa que utilizamos nas despesas que efectuamos no coração e na cabeça, os lucros escassos de um negócio que pouco compensa na fraca cotação de cada gesto, de cada acção que nos sirva de indicador.
 
Sai cara, aparvalhada, a promessa apalavrada na consciência quando ardemos no sagrado inferno das melhores intenções.
Pode custar-nos as ilusões mais necessárias para fazermos das nossas histórias um guião com um final feliz, o sucesso da película na bilheteira de uma existência à maneira e livre de colapsos inesperados de partes da estrutura que nos sustenta a convicção de sermos os protagonistas de um filme realizado por antecipação.
 
Sai cara, a desilusão, quando essa palavra constitui uma traição às mais elementares expectativas.
Pode custar-nos a perda das vidas que investimos num dado sentido que só descobrimos invertido quando a vida nos apanha desprevenidos em contramão e o choque frontal nos fractura o pedestal da confiança e nos sangra boa parte da esperança até o futuro nos parecer exangue de tons rosa.
 
Sai cara, cada linha de prosa arrancada aos pedaços de entre os farrapos das palavras castigadas num doloroso processo mental que não admite epidural alguma.
Pode custar-nos, afinal, uma fortuna impossível de reaver ao longo deste tremendo desafio.
 
Em palavras que fazem doer na sua cesariana a sangue frio.
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publicado por shark às 01:12 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 18.11.08

BLUE MOON

hyde and seek

Foto: Shark

publicado por shark às 22:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

ESPECTÁCULO, MANELA!

A gente suspende a Democracia por seis meses, fazem-se as reformas todas na boa.

E de caminho aproveitamos para nomear uma nova Primeira-Ministra, certo?

publicado por shark às 19:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

PALAVRAS SEM RASTO

Rastejem, palavras, nesse espaço onde são nadas que se acreditam capazes de preencher qualquer tipo de vazio.

Rastejem anos a fio sob o peso do silêncio que vos mata na clausura do pensamento a que vos condena a insensatez de só por serem palavras se atreverem a falar demais.
Desprezo-vos, palavras escondidas por detrás de uma caixa de papelão simulada, a parede de uma ossada que um dia vos arrastará para a última palavra que é o fim.
Palavra que vos desprezo assim, tanto que quase me tento a calar-vos de vez com a mordaça do esquecimento garantido às palavras que as leva o vento para paradeiro desconhecido quando são ditas e não se safam por serem escritas se deixaram para trás as palavras necessárias para cumprirem a sua função.
 
A verdade que ocultam, rastejantes, palavras ocas, orelhas moucas, quando se disfarçam no meio das coisas que ficam por dizer e essas coisas são palavras cobardes ou hipócritas que sabem, no fundo, que podiam dizer tudo mas reservam-se o direito de definir quando é que estão a dizer apenas muito e mesmo assim acham demais.
Rastejem, palavras pequenas e confinadas a esse espaço onde são nadas que se atribuem importância e afinal a vossa relevância é nenhuma quando ficam por ser ditas porque se escondem com medo das consequências de uma liberdade que assim se torna palavra vã.
 
A falta de honestidade implícita nessa vossa deliberada ausência colide com a essência da frontalidade que as próprias palavras reconhecem como atitude mais correcta a tomar. Mas palavras que preferem calar o seu sentido, omitidas, são palavras que se dão por perdidas e de pouco valem a quem as pensar.
 
De rastos, é como vos quero. Condenadas ao desespero de uma prisão, na cabeça ou no coração, mortas à nascença porque as palavras só vivem de facto depois de libertadas sob a forma de um som ou gritadas na exclamação pontuada numa folha de papel ou no espaço de um monitor.
Sejam palavras de ódio ou palavras de amor, sucumbem ao que apelidamos de sensatez ou ponderação. São palavras emudecidas com base na razão que sirva de desculpa para as poupar ao embaraço de serem ditas tal e qual o impulso emocional que as gerou.
 

Rastejem pois, para sempre, todas as palavras que alguém calou.

publicado por shark às 16:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

DESINFESTEM-ME A LINHA, PÁ!

Primeiro foi da mundi-não-sei-quantos. Queriam oferecer-me uma estadia não sei onde a propósito não sei do quê.

Depois foi de uma “empresa de deficientes” que vende rolos de papel higiénico(?) e que a avaliar pelas respostas às questões que levantei só tem deficiências na construção do busto com que impingem a mercadoria em causa. Conversa de merda, naturalmente.
O desespero de causa seria mais evidente na terceira tentativa de me convencerem a aderir a um cartão de crédito que possuo há mais de um ano.
E ainda faltavam os melgas do MEO, que não me largam a porta apesar de já ter berrado por várias vezes ao telefone para me desampararem a loja.
 
Desde aquelas empresas que ofereciam este mundo e o outro em troca de uma visita às instalações deles onde no meio do barulho das garrafas de espumante tentavam vender já nem me lembro o quê que não me lembro de um assédio telefónico tão persistente e desorganizado.
Irrita, sentirmo-nos alvo destas organizações que deitam a mão a bases de dados onde o nosso número acaba sempre por ir parar por mais que tentemos evitá-lo.
 
Estas sanguessugas que investem em call centers onde encafuam dezenas de infelizes que passam o dia a recitar uma ladainha qualquer e a levarem com os maus modos da maioria, os que como eu já não os suportam, são uma praga e só servem para dar cabo do humor de um gajo sem pachorra para levar com este filme a toda a hora.
 
E eu não sei o que mais fazer para me largarem da mão.
publicado por shark às 12:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

TONS ALENTEJANOS

a caminho do mar

Foto: Shark

publicado por shark às 10:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 17.11.08

A POSTA NO DESABAFO LAMPIÃO

A glória de um clube desportivo mede-se pelo brilhantismo das suas conquistas, do número de troféus alcançado. Mas a sua grandeza depende em muito do calibre da sua massa associativa, dos adeptos que enchem estádios e estimulam os seus atletas com a força de uma voz em uníssono e com o peso dos milhões que a sua atenção aos feitos do clube geram em torno, acima de tudo, de uma modalidade específica.

O futebol acaba por se sobrepor a tudo o resto e nenhuma glória alcança a notoriedade de uma obtida naquele que se assume como o desporto rei.
E os dirigentes de qualquer clube tornam-se reféns do circo montado, obrigados a fomentá-lo a todo o custo e a engolirem (ou a obrigarem outros a fazê-lo) sapos do tamanho de uma claque “institucional”.
 
Eu frequentei estádios sobrelotados, nomeadamente o da Luz, onde o entusiasmo se fazia sentir muito mais do que hoje e em nada dependia de qualquer claque organizada. Era assim, a malta gostava e a malta apoiava e mesmo quando as coisas não corriam tão bem no balanço de uma época, ganhavam outros, a glória saía um nadinha beliscada mas a grandeza era reforçada, por exemplo, pelo ruído de fundo do saudoso Terceiro Anel.
 
Nos anos recentes tenho sofrido, como qualquer benfiquista, o desalento de sucessivos fracassos que ameaçam fossilizar as glórias que no passado o meu Glorioso conheceu. Em nada esmoreceu o meu benfiquismo, mesmo quando me apercebi do rumo desastroso que as Direcções do clube estavam a traçar e começaram a surgir a lume as broncas financeiras que explicaram os desaires desportivos e os tornaram quase inevitáveis no contexto daquilo a que alguém baptizou de o “sistema”.
 
Contudo, não existe sistema capaz de ameaçar a grandeza de um clube desportivo. Nem mesmo quando a derrocada de um clube atinge o ponto de o retirar do principal palco do futebol, a Primeira Divisão que hoje chamam a Liga. Exemplos não faltam, como o da Académica, do Leixões ou mesmo do Belenenses, agremiações que penaram em dado momento da sua história e viram ofuscada a sua glória mas nunca perderam a grandeza que lhes está associada.
Curiosamente, ou talvez não, as claques destes clubes não costumam surgir associadas aos desacatos cada vez mais frequentes nas parangonas.
 
As claques são indissociáveis do clube que apoiam e a recíproca é verdadeira. Por isso mesmo, sempre que os elementos de uma claque assumem o papel de desordeiros é inevitável uma associação de ideias que jamais poderá beneficiar a imagem seja de que clube for. Em menos palavras, as claques como as vemos hoje prejudicam claramente um clube naquilo que mais o sustenta: a sua grandeza.
Porquê? Porque vulgarizam a colectividade, porque afastam pessoas decentes dos estádios, porque criam uma falsa percepção de que o seu clube é um antro de rufiões.
Este é o paradoxo com que os dirigentes desportivos se confrontam, a sua pescadinha-de-rabo-na-boca: se hostilizam as claques, para além de terem que as enfrentar no lado menos simpático arriscam-se a ver ainda mais clareiras nos estádios que as claques muito ajudam a esvaziar. E se as apoiam acabam por criar as condições para que estas se tornem cada vez mais importantes para a manutenção da tal grandeza que os números nas bancadas também representam.
 
Mas qual é a dimensão de um clube representado por grupos organizados de gente violenta, capaz de protagonizar os acontecimentos que ainda hoje as televisões divulgaram? Como pode qualquer benfiquista acreditar que estas imagens beneficiam o clube de alguma forma?
Claro, o fenómeno não é exclusivo do meu Benfica. Nem sequer se trata de um exclusivo nacional. Mas com os males dos outros podemos nós, lampiões, que teremos sempre vaidade numa claque capaz de pintar as bancadas de vermelho, mesmo quando a equipa perde, mas nunca poderemos vangloriar-nos de termos connosco os melhores incendiários de autocarros, vândalos de bombas de gasolina ou agressores de jornalistas.
 
É que não existe glória possível nessas ignomínias.

E a grandeza do clube esboroa-se um pouco de cada vez que são estas as chamadas de capa associadas ao seu emblema.

publicado por shark às 23:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

EU GOSTO DE PESSOAS

on the rocks

Foto: Shark

publicado por shark às 16:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

NÃO FAZ DE CONTA

Quando precisares que te dê a mão para te puxar do poço onde por azar ou cegueira temporária caíste ou te empurraram, estarei lá com uma corda bem grossa para que não me escorregues do pulso. Mas depois, não esperes que te lamente e que brade quão coitadinha estarás. O mais provável é levares uma chapada nas ventas. E dar-te-ei colo a seguir se para aí estiver virada.
E eu também te gosto sim embora enquanto o diga não dê saltinhos.

publicado por shark às 16:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

HÁ FOGO NAS TECLAS

Não estou a favor de actos grunhos mas acho que eles nos fazem falta. Andamos todos os dias com essa treta do correcto e do justo e do ético, estamos formatados para agir no acto limpinho e depois até as maiores sacanices parecem menos sacanices dessa forma. Portanto, que se lixe o correcto e o ético, que nesse ritmo do fode-mansinho tornamo-nos nuns conas sem sangue.

 

 

 

 

publicado por shark às 15:55 | linque da posta | sou todo ouvidos

CATO VENTOS

catavento shark

Foto: Shark

publicado por shark às 11:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Domingo, 16.11.08

CANTAS BEM MAS NÃO ME ALEGRAS

Perdeu o momento certo quando logo a seguir às eleições presidenciais deixou pendurado o movimento de cidadãos que quase o fez eleger, recusando-se a assumir um projecto político autónomo com base nesse conjunto de cidadãos.

Agora volta a descartar-se da hipótese de liderar um novo partido que possa nascer no espaço da esquerda que não se revê no PS e não acredita nas alternativas comunista e bloquista.
E não consegue combater no interior do partido os males que denuncia como se já estivesse fora, sem no entanto assumir a ruptura com os tomates que gosta de alardear.
 
Manuel Alegre, o candidato em que votei nas últimas presidenciais, faz-me lembrar os gajos que hesitam entre duas paixões e como não sabem para que lado cair inventam desculpas.
Fala grosso, aponta o dedo, mas depois remete-se a um silêncio discreto enquanto tudo acontece à sua volta.
E não faltariam as espingardas disponíveis na contagem dos apoios que poderia reunir se de facto ainda restasse nele algo do homem de Abril que parecia capaz de mover montanhas pela liberdade e pela democracia, como o provaram os resultados nas presidenciais como os da Câmara de Lisboa.
Com muito menos do que isso, o copinho de leite Monteiro conseguiu acautelar a sobrevivência política (moribunda, mas enfim…).
 
Mas o lutador Alegre parece limitar-se aos murros no ar e às atoardas inconsequentes de quem na hora da verdade foge ao ringue como o diabo da cruz. Não ata nem desata, limita-se a ser uma espécie de marreta que manda umas bocas do camarote, de vez em quando, sem que a isso corresponda a necessária acção política directa e frontal que jogaria certo com a sua pala de inconformado.
 
Falar é fácil, como outro ilustre barbudo (o que bloga) confirma.
Contudo, se alguém com condições políticas para avançar (a oposição apenas gatinha), com razões de queixa para lamentar (pelo menos dá para encher umas entrevistas) e com fama de combatente (mais do que o proveito nesta altura) se resguarda numa postura prudente de “vão-se a eles que eu fico a ver”, a mensagem que fica é de que ninguém de facto ousará contestar o poder absoluto da actual maioria rosa. Mesmo que ela descambe para os excessos que aqui e além dão à tona.
 
Falta-me a pachorra para contestatários de bancada, até porque ocupam um espaço privilegiado da blogosfera, e não acredito em desabafos sem consequências práticas.
 

Por isso acredito que talvez o poeta com pose de pugilista devesse ponderar a hipótese de abraçar a palavra escrita e de, na política, arrumar definitivamente as luvas.

publicado por shark às 19:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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