Quinta-feira, 08.05.08

PRAZER EM CONHECER

in your dreams

 

Descobre-me.
Com os olhos que me perscrutam como se quisessem ler-me a alma enquanto buscam no meu corpo os argumentos que expliquem esse brilho diferente que lhes confere a tentação. E não temas utilizar o coração nessa sondagem daquilo que te inspira tudo o resto que me faz ser o eleito, neste curto lapso de tempo, a ambicionar escrever a direito pelas linhas curvas que a tua sombra desenha na parede por detrás.
Mostra-me que és capaz de decifrar tudo aquilo que tenho para dar, nas entrelinhas das minhas palavras ou na realidade impossível de esconder por detrás deste olhar que te acaricia e tenta envolver como se os olhares tivessem mãos.
 
Toca-me.
Como se a minha pele fosse a tua, a verdade toda nua da promessa que não te fiz mas tomaste por garantida, a tesão noutra parte de mim, despida pela tua vontade de sentir depressa tudo aquilo que te antecipou a imaginação enquanto me degustavas em simultâneo com cada sabor que essa boca tão exigente te proporcionou, do outro lado de uma mesa de madeira que não criou mais do que uma distância artificial e temporária.
A força da atracção sublimada em cada reacção aos estímulos que nos lançamos enquanto parece que dançamos em perfeita sintonia na cama onde o ritmo se marca com o som de duas respirações.
 
Sorve-me.
Como se a eternidade deste momento só fosse possível de assegurar pela osmose que resulta do prazer a fluir pelas partes dos corpos que nos oferecemos à dádiva das sensações, as bocas convertidas em alçapões para a entrada de pequenos pedaços de nós nos jardins secretos onde a magia se produz.
Tudo aquilo a que se reduz, simplificada, a essência de uma pessoa apaixonada ou apenas rendida a um apelo superior quando se entrega sem nada a perder, garantida a confiança que antes se construiu, passo a passo, desde o primeiro instante em que se descobriu no outro tudo aquilo que nos arrasta sem travão pela auto-estrada da emoção que absorvemos aqui.
 
E agora conduz-me estrada fora até ao ponto mais distante que alcanço no horizonte com o olhar, onde a terra parece beijar este céu que o teu corpo me apresentou.
publicado por shark às 12:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (26)

WINDOWS XPto

uma janela portuguesa concerteza

Foto: Shark

publicado por shark às 09:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

EM SLIDE PELO DIA POSITIVO

Hoje, para além dos afazeres normais e das surpresas que o meu modo de vida sempre produz, consegui encaixar no meu dia dois contactos importantes que me permitiram lavar a face perante dois gajos a quem devia satisfações por compromissos que não honrei.

 

Eu gosto da cara lavada, embora me custe como a qualquer outra pessoa tão orgulhosa como eu, no limiar da arrogância, oferecer os flancos à vergastada.

Correu bem e assim expurguei o desconforto que as duas situações me andavam a provocar, dando a cara sem merdas e com soluções e contrapartidas.

 

E sei que pelo menos naquela dupla consegui desfazer a imagem negativa que me acarretam alguns lados menos positivos do homem que efectivamente sou, por vezes um baldas cheio de boas intenções.

 

Só partilho convosco esta história banal porque me sinto feliz por hoje ter sido o homem que gostaria de ser todos os dias da minha existência.

E porque não me ocorreu coisa melhor para vos oferecer.  

publicado por shark às 00:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quarta-feira, 07.05.08

O MEU RIO CHAMA-SE TEJO

ponte ao longo do tejo

Foto: Shark

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publicado por shark às 10:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)

TRÊS FIGURÕES E UMA FIGURINHA

Precisamente neste instante, Pedro Passos Coelho acabou de conceder uma entrevista à SIC Notícias. E se não vos vou maçar (e a mim próprio) com a dissecação, com a análise política do projecto deste candidato à liderança laranja (coisa que qualquer tipo que bloga faz com uma perna às costas), tenho que partilhar a minha impressão superficial (à superfície do lodaçal) acerca do que me inspira esta visão do ex-líder da JSD a sorrir (enquanto a entrevistadora – Ana Lourenço - o desconcentrava com um ataque de tosse que a deixou a meio caminho de ficar afónica em directo).
 
Ideias à parte, e peripécias televisivas também, a galeria de candidatos à liderança dos sociais-democratas oferece este rapaz que o partido viu crescer (e cresceu, o puto…) para a política até a crise interna o transformar num imprevisto “calmeirão”. Sem o currículo de outros notáveis, este antigo “internacional sub-21” surge cada vez melhor colocado nesta sua estreia no campeonato dos seniores.
 
Depois temos a figura austera de Manuela Ferreira Leite, um apelo irresistível para portugas habituados a reclamar contra a bandalheira. E os militantes do PSD, coitados, sentir-se-ão com razões para reclamarem a dobrar.
Nesse contexto de salvadora da pátria laranja, os analistas mais conceituados da praça (os que normalmente são apanhados de calças na mão como a eleição de Luís Filipe Menezes comprovou) atribuem-lhe um avanço maior do que o Porto conseguiu na Primeira Liga.
E eu arrisco o palpite contrário: atribuo-lhe a mesma desdita do meu Benfica que se anunciou candidato ao título e já anda pelo quarto lugar.
 
E ainda sobra espaço para o mais surpreendente dos candidatos, o homem do PPD/PSD, talvez o rosto mais lembrado da caldeirada em que Durão Barroso deixou o partido e o país quando aceitou ir pregar para uma paróquia mais populosa.
Santana Lopes, o Crónico, surge em cena sempre que a vida lhe oferece um novo mandato para deixar por cumprir.
É uma espécie de animador mediático laranja, saindo sempre ganhador em matéria de cobertura jornalística. Tão persistente que às vezes ganha…
 
Por fim, o meu mais desejado, Alberto João Jardim. Aquele que até nesta pseudo-pré-candidatura consegue incutir episódios de antologia em matéria de humor conseguiria, digo eu e apesar do seu estatuto de cacique predominantemente local, transformar este momento laranja num acontecimento de dimensão verdadeiramente nacional.
Sem ele, a esmagadora maioria da população não assistirá ao jogo, limitando-se a saber mais tarde o resultado da partida, neste caso do partido, num noticiário qualquer.
 
Ah, e falta-me falar do primeiro a avançar dos que ainda (ou já) estão na luta que se adivinha.
 
E Antão, Patinha?
publicado por shark às 00:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Terça-feira, 06.05.08

O MALANDRO DO BOB GELDOF...

Estalou o verniz politicamente correcto do BES quando Bob Geldof, esse desbocado, decidiu durante uma iniciativa tão bonita e que se pretendia morna e sorridente chamar criminosos aos líderes angolanos.

 

Isso é coisa que se faça, seu maroto? Depois dos balúrdios investidos em canapés e outros habitués nestes convívios que se querem vistosos mas nada polémicos, um enorme sacrifício financeiro da instituição, e tu, tu...

 

O que é que as pessoas vão pensar? Até parece que lá por um dos homens mais ricos do mundo ser o Presidente de um país onde a fome e a miséria marcam presença, só isso, uma coisa tem logo a ver com a outra.

 

Estou mesmo contrariado. Podem ver os pormenores deste horror AQUI.

publicado por shark às 20:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

DIAS ASSIM

miradouros

Foto: Shark

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publicado por shark às 20:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

EM QUE FICAMOS?

De acordo com a voz do povo, sobretudo o povo mais entradote, as relações modernas sucumbem à superficialidade das emoções e à leviandade dos compromissos.

No entanto, cada uma das três últimas relações aparentemente sólidas que vi terminadas tiveram por mote o ciúme. E é quase sempre esse o pretexto para as separações de que vou tomando conhecimento.

 

Quem terá a razão afinal?

publicado por shark às 12:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (43)

FLOWER POWER

avenida da liberdade lx

Foto: Shark

publicado por shark às 09:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

AS FÉRIAS DE VERÃO OU O PRÓXIMO FILÃO

No final de Outubro, como quem não quer a coisa, começam a surgir os primeiros. Depois aparecem outros e mais. De repente, com um mês e picos de antecedência, os putos estão mergulhados em doses maciças de alternativas para os pais e familiares mais próximos buscarem ansiosos nas prateleiras meio despidas dos hipermercados, previamente anunciados nos canais juvenis para abrilhantarem o Natal burguês.
 
Alguns criativos publicitários, não me apanham tão depressa na armadilha da generalização, andam cada vez mais a reboque do dinheiro fácil que resulta da aflição ou da ganância dos seus clientes mercadores. É vê-los cultivarem todas as datas possíveis, todas as celebrações passíveis de se transformarem pela insistência em modas e pela persistência em autênticas tradições. As suas, aliás, tantos tão empenhados em aproveitar um mote para a galinha dos ovos de ouro se baldar de forma cíclica, verdadeira unidade fabril produtora de pretextos porreiros para motivar consumidores.
Uma criatividade febril, acicatada pela dimensão das campanhas calendarizadas em função de uma quadra, de um evento, de qualquer sitting duck para alvejarem com tudo aquilo que os pagadores ambicionam nas mentes influenciáveis dos potenciais compradores.
 
Já todos reparámos que depois de decidido o campeonato da casa começaram a fazer-se notar as respeitáveis cores da bandeira nacional. Os primeiros. E depois cada vez mais outros, patriotas de circunstância a cavalo no acontecimento a que todas as marcas procuram associação.
É a alma de campeão que nos molda a vontade de adquirir os produtos conotados com a sede de vencer. O Europeu de Futebol, bandeiras por todo o lado, o espírito exaltado por ídolos que falam com os pés e aproveitam o que lhes toca da mama gigantesca que compete ao cidadão comum sustentar.
.
Dias santos
.
O Dia do Pai e o Dia da Mãe. O Dia dos Namorados e o das Bruxas também. A Páscoa e o Natal, o início das férias e o regresso às aulas, as competições desportivas e as caras mais vistas nas capas das revistas e acima de tudo no sagrado ecrã dos televisores.
 
As marcas na agenda que nos impomos seguir porque cedemos ao choro da criança, ao sorriso (ok, ok…) da pessoa bonita no anúncio ou simplesmente à porra da tentação que nos acelera o cartão para o crédito que o bom senso certamente teimaria contrariar, os ciclos do comércio adoptados como regra pela maioria da população (não apenas a mais urbana) que se desdobra em sacrifícios para acompanhar a pedalada da exigência assumida como social.
Porque todos sabemos como parece mal rejeitarmos essas ondas colectivas das massas compelidas a investir naquilo que esteja a dar na altura, a prenda para o amor que não dura se resistirmos à aparente necessidade de o comprar.
 
Agora é da selecção que vamos falar a toda a hora pois aos ciclos publicitários ninguém consegue escapar, nem os jornalistas (que nunca esquecem a notícia alusiva no alinhamento “por encomenda”), os blogueiros (desmintam-me, se puderem), todos quantos possam alimentar, nem que seja pela anuência, a dinâmica muito bem escalpelizada de qualquer multidão.
 
Eu gosto muito da selecção. Mas assim corro o risco de a enjoar.
 
Também.
publicado por shark às 00:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Segunda-feira, 05.05.08

EU GOSTO DE PESSOAS

face me

Foto: Shark

publicado por shark às 14:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

UM AMOR ESPACIAL

Apenas o ruído do vento na folhagem do arvoredo quebrava o silêncio que se instalou de permeio entre o som da paixão que ecoava naqueles olhares.
Ele lia um sinal de partida naquele brilho reflectido, o indicador para o momento certo de avançar com o beijo que imaginava enquanto ela se preparava para o acolher.
 
Apaixonado, hipnotizado, ele viu como que um halo luminoso envolvendo a silhueta da sua amada que, olhos fechados, unia os lábios num desenho que o encantou.
Parecia que levitava, pensou ele enquanto a seguia com o olhar quando ela pareceu elevar-se ao céu.
 
Foi então que ela desapareceu na parte inferior do ovni que a levou, rasgando a noite estrelada com um traço de luz.  
publicado por shark às 13:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

PARA ASSISTÊNCIA TÉCNICA CANON

Pelo menos na parte das máquinas fotográficas digitais, não percam o vosso tempo em chamadas e em buscas na net como eu perdi:

 

Se precisarem de reparar uma Canon liguem: 214714551 (Megapixel, junto ao IKEA Alfragide).

 

Ainda não fui lá entregar o equipamento avariado, mas não só foram os únicos que atenderam a chamada como fui atendido por uma moça muito simpática, eficiente e prestável.

 

 

publicado por shark às 12:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)

VOU AGARRAR A SEMANA PELOS

tomatada

Foto: Shark

publicado por shark às 09:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Domingo, 04.05.08

ENTARDECER

outro céu

Foto: Shark

publicado por shark às 21:53 | linque da posta | sou todo ouvidos

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Quantos dos portugueses que contribuiram com generosidade para o Banco Alimentar Contra a Fome virão, mais mês menos mês, a ter que recorrer ao auxílio dessa importantíssima instituição?
publicado por shark às 21:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

VAI JÁ PARA O TEU QUARTO!

O Benfica empatou com o Amadora e dificilmente chegará ao terceiro lugar que lhe permitiria sonhar com uma presença na Liga dos Campeões.

 

Castigo merecido, depois de uma época a todos os títulos miserável.

publicado por shark às 21:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

DIA DA MÃE

dia da mãe

Foto: Shark

publicado por shark às 09:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Sábado, 03.05.08

SAUDADE DO VERÃO

por esta estrada fora

Foto: Shark

publicado por shark às 23:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

EFEITOS ESPECIAIS

Ao contrário do que seria de esperar, os meus sinais de alerta de crise disparam quando uma fatia substancial dos economistas enfatizam os indicadores de recuperação em pleno germinar da bronca.
Isto explica-se pelo enorme cepticismo que o desacerto histórico das suas previsões me inspira. Mesmo reconhecendo que, no actual sistema, sem previsões não pode haver decisões não consigo alhear-me ao facto de as medidas mais importantes em matéria económica serem baseadas em projecções.
E o futuro, por muito que nos doa, continua a ser um terreno movediço precisamente porque nessa área sabemos tanto, economistas ou não, como acerca da vida no Além.
 
Se existe ou não um erro colossal nos princípios basilares do funcionamento da coisa é algo que não saberia fundamentar, excepto pela boca de alguns analistas de peso que começam a perceber o paradoxo que tantas vezes tem trocado as voltas aos mais optimistas. E esses são precisamente aqueles a quem mais interessa defender o sistema que os sustenta, os que só nos anunciam a bronca quando se multiplicam nas portas dos vizinhos as notificações de penhora.
 
À catástrofe que não aconteceu na sequência do 11 de Setembro e da subsequente e desastrada intervenção dos EUA no Iraque sobreveio uma aparente descontracção dos políticos e dos mercados que se prova agora não passar de um adiamento da factura que está agora a surgir nos horizontes financeiros na sequência da badalada crise imobiliária norte-americana e reflecte-se igualmente na subida do preço do petróleo e em todas as outras indicações de maleita séria à escala global. São os pequenos sismos que prenunciam a erupção, no entender de alguns.
 
O cenário mais pessimista arrastará para a falência muitos bancos, muitas empresas e acima de tudo imensas pessoas como eu ou quem me lê. Há bancos portugueses a fecharem a torneira do crédito e isso só pode constituir um claro aviso à navegação: da próxima vez que precisemos de bater à porta do banco para encontrar soluções de recurso, balões de soro, é quase certo que ela permanecerá fechada.
Conhecendo a forma como as crises financeiras se espalham pelos cidadãos com uma eficácia epidémica, num contágio inevitável de aflições, e apesar de serem impopulares todos os arautos da desgraça, vaticino tempos conturbados ainda no decorrer de 2008 (o que para alguns explica, por exemplo, a proliferação de candidatos/as à liderança do PSD…).
 
Mas mesmo sabendo o desconforto causado pela alusão ao efeito dominó que nos empurra para o colapso, arrisco-o em detrimento do efeito Cassandra que explica o cepticismo que referi no parágrafo inicial.
publicado por shark às 23:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

LEGALIZE IT!

A propósito da Marcha pela Legalização da Cannabis, que hoje mobilizou cidadãos de mais de 200 cidades (incluindo Coimbra, Lisboa e Porto), vejo referir que em Portugal é permitida a posse de pequenas quantidades de haxixe, por exemplo, mas são proibidas a compra, a venda e o cultivo.

Ou seja, a pessoa pode ter mas não pode cultivar nem comprar? Então de onde vêm as tais pequenas quantidades que se "purificam" da ilegalidade por estarem "na posse"?

Isto faz-me lembrar aquela magnífica interpretação do Marcelo, a propósito da questão do aborto, que o Ricardo Araújo Pereira magistralmente concebeu.

 

E eu pergunto-me: será que ninguém dá pela estupidez disto tudo?

publicado por shark às 20:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

FLOWER POWER

ancorado no jardim

Foto: Shark

publicado por shark às 11:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

BRUTEBOL AMADOR

Vinte e seis pessoas, entre jogadores e dirigentes, foram suspensas na sequência de desacatos ocorridos durante uma partida de futebol.
Esta punição, provavelmente digna do livro dos (tristes) recordes do desporto-rei em Portugal, indicia uma cena de pancadaria absolutamente descontrolada e à qual só a intervenção da GNR conseguiu a custo pôr termo.
 
Em causa estava um jogo do campeonato distrital de Santarém, entre o primeiro classificado (Alcanenense) e o segundo (União de Almeirim), com ambas as equipas já apuradas para o escalão superior, praticamente “a feijões”.
 
Parece que o jogo terminou empatado.
Já na porrada, sinceramente, não vos sei dizer…
publicado por shark às 00:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 02.05.08

NÃO VEJAS QUE DÓI

Dou comigo a desistir dos noticiários a meio, sempre que a minha filha lhes presta alguma atenção.
E aí concluo rapidamente que ainda não decidi, enquanto pai, se devo enveredar por poupá-la à perda de boa parte da sua inocência (a que se esvai nas inevitáveis contextualizações das faces do mal que se revelam no ecrã como fracturas expostas) ou, em alternativa, se devo embicar pelo tratamento de choque, pelo apoio na criação das necessárias defesas psicológicas para enfrentar o que a espera.
 
Mesmo quem apenas lida com putos deve perceber a natureza do dilema que, de resto, não consigo encarar de ânimo leve. Em causa está uma opção talvez determinante e, no fundo, similar à eterna escolha entre mergulhar os recém-nascidos em água gelada para nunca mais saberem o que é uma gripe ou abafá-los em agasalhos excessivos que os convertem em flores de estufa à mercê das estirpes mutantes dos bicharocos. Parecida também com a que enfrentarei num futuro próximo, quando tiver que escolher entre a postura pai severo que não deixa a miúda sair de casa (leia-se da redoma) e a inevitável ordem de soltura que a lança sem mim num mundo onde acontecem todas as coisas feias que fazem as delícias dos telejornais.
 
Confesso, contudo, que não sei como explicar a uma criança de oito anos que tanto adoro o que leva um psicopata a tornar refém a própria filha para a transformar num objecto sexual alternativo e tão secreto como muitos dos pormenores que rodeiam a parangona do momento.
Igualmente me falha a voz quando me pede explicações acerca da Maddie, da Mariluz e das outras crianças que ouve referir como desaparecidas, violadas, abusadas e mais uma data de expressões a que consegui poupá-la até agora.
Sobretudo desde o dia em que ela só adormeceu perto das duas da manhã, atormentada pela lenta digestão de uma cabeça infantil perante o assassinato ocorrido perto de casa, num local que lhe é bastante familiar.
Esse, não consegui esconder…
 
Para já, tenho oscilado entre o pontapé para canto, não ligues a isso anda brincar com o pai, e a filtragem da informação que lhe chega, adocicando quanto possível a realidade foleira com que ela me confronta e por quanto eu encubra lhe será transmitida à bruta nas palavras ingénuas mas cruéis dos colegas mais avançados no processo ou apenas mais deixados à solta diante do mundo cruel que lhes dá a conhecer a televisão, enquanto os pais se ocupam de outros afazeres.
 
E sinceramente, busco em tudo quanto posso a informação necessária, mais a dose prudente de amor paternal, mais a sensibilidade que a um adulto se exige na educação de um menor, tudo quanto me possa iluminar o caminho até ao ponto de equilíbrio ideal, seja qual for, que melhor a sirva agora e amanhã.
 
Enquanto não o descubro, refugio os meus receios num botão milagroso do comando à distância da janela que cada vez mais torna transparente o tecido imaginário, patético, do mais próximo que consigo chegar ao pudor e ao alívio ilusório de uma cortina.
 
Ou mesmo de um véu.
publicado por shark às 23:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

ENTARDECER

entardecer no areal

Foto: Shark

publicado por shark às 17:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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