IN SONO VERITAS

Ontem tive um sonho esquisito. Sonhei que estava a ver televisão, um noticiário, se o subconsciente não me falha.
Muito realista este sonho, o pivô até descrevia o teor da peça que iria entrar de seguida.
Tratava-se de uma medida do governo e consistia no seguinte: o Estado iria pagar mais de 500 euros aos advogados pela tarefa de dissuadir os cidadãos de recorrerem aos tribunais. Em alternativa, ou seja, se o advogado levasse o cidadão teimoso a tribunal, o Estado pagaria apenas pouco mais de 80 euros pela tarefa.
Fartei-me de rir quando acordei. Essa ia ser gira. Lembrou-me aquele anúncio de um banco que mostra os funcionários da concorrência a pedirem ao cliente que não vá à instituição anunciada. Please dont go. Não vá. Imaginam um causídico, expressão séria, olhos postos no seu cliente:

- Ò senhor Fagundes, que ideia mais disparatada. Ir a tribunal por uma coisinha de nada? Entupir ainda mais o sistema judicial da nossa Nação? Ora, ora. Mais automóvel, menos automóvel. Faça lá as pazes com o rapaz que conduzia ébrio e sem carta e que lhe destruiu a viatura sem querer. Seja misericordioso, vá...

Ou então, se tal notícia fosse verdadeira, qualquer dia teríamos os médicos a receberem as cem mocas por afastarem o pessoal das urgências e das listas de espera:

- Atão, o que temos aqui? Uma perninha cortada, foi? Acidente de trabalho...pois. Mas olhe que isso passa, deixe lá. Tem que dar tempo ao tempo. Dói-lhe muito e deita imenso sangue, é? Ó senhora enfermeira, traga-me aí uma garrafa de bagaço e duas embalagens de pensos rápidos, por favor! E peça aos administrativos para irem preenchendo a papelada para dar alta a este ferido ligeiro.

Ou ainda mais caricato, as forças da autoridade a receberem os tais 500 euros para dissuadirem os condutores de circularem nas estradas, para acabar de vez com os engarrafamentos. Assim do género obrigarem o pessoal a ficar sem carta por estacionarem nas passadeiras e nos passeios, multarem-nos por deitar a beata pela janela na Avenida da República ou bloquearem e rebocarem os carros depois da pessoa pagar o estacionamento numa zona controlada por um parquímetro que não funciona (que recebe a massa mas não emite talão).
As coisas que a nossa carola inventa...
publicado por shark às 11:57 | linque da posta | sou todo ouvidos