Segunda-feira, 24.09.07

SINE DIE

Estou quase, quase pronto para entregar a minha declaração de IRS relativa aos rendimentos do ano passado.
Exactamente como estava há dois meses atrás...
publicado por shark às 17:51 | linque da posta | sou todo ouvidos

NOTA CURTA

Consigo entender (e até apreciar) o sexo sem amor e a entrega ou a partilha desapaixonada.
Mas não funciono de todo quando constato a evidente ausência de uma qualquer emoção, ainda que controlada.
publicado por shark às 17:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

BLACK & WHITE

corno manso.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 09:09 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 23.09.07

A MAGIA DA BLOGOSFERA

Pode ilustrar-se de forma literal com este milagre de um blogue da casa encerrado desde Fevereiro(!) obter o terceiro lugar entre os blogues mais comentados da plataforma.

Pasmem como eu, percebendo como aconteceu, com uma visita ao post maravilha do Professor Manu.
Tags:
publicado por shark às 22:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

O RESPEITINHO É MUITO BONITO...

martelo rebelo de sousa.gif

E bastou avistarem um jovem (e por isso praticamente inofensivo) esqualo como o da gravura acima para evacuarem à pressa as águas e hastearem a bandeira vermelha na praia de Sesimbra.

(Curiosamente ninguém evacua as ruas quando nelas se avista um pitbull sem açaime, um bicho responsável por muito mais mortes humanas do que as directamente provocadas pelos tubarões...)
publicado por shark às 22:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

DE UMA RELEVÂNCIA CAPITAL

O sol encoberto por uma nuvem de pombos assustados pelo grito de um pregão. A luz reflectida no branco sempre mais branco que o das vizinhas no lençol desfraldado num minúsculo e ferrugento estendal. Os pescadores amadores à beira do rio, olhares distraídos numa regata de veleiros que recorta no horizonte a outra margem no extremo da ponte com nome de revolução.

A cidade desnivelada, pelas colinas espalhada em misturas de estilos que o tempo esculpiu em betão. Mulheres à janela em busca de uma alternativa à novela nas vidas dos que as vivem do outro lado da rua, tão perto, à mercê da indiscrição de paredes com ouvidos e de pessoas curiosas com olhares de falcão.
E os maridos reunidos, todos eles bem bebidos, na esquina de um edifício ou à porta de uma taberna ou de um café.

Crianças que brincam num jardim e eu a lembrar-me de mim tão pequeno como eles na minha infância alfacinha, na existência que caminha sempre depressa para os dias nostálgicos de quem busca no que passou a força para aquilo que lhe resta viver.
E eu a lembrar-me da promessa de nunca aceitar qualquer passado a assombrar o futuro que desejasse diferente neste momento presente que me compete moldar à medida dos meus sonhos de então.

O fim de uma tarde de Verão neste Outono que começa.

E eu a cumprir a promessa, cada vez mais distante da influência nefasta que um passado arrasta quando lhe concedemos demasiada atenção no instante em que preparamos o melhor caminho a percorrer amanhã, se tal existir, ou mesmo depois, se a vida o permitir, sem tempo para gastar com memórias que só empatam a criação das novas histórias que o tempo igualmente cuidará de arquivar num canto do baú.

A luz inconfundível desta Lisboa que às vezes me atordoa com uma ou outra imagem impossível de repetir. Mas que me obriga a decidir, iluminado pelas decisões do meu passado, que este é o melhor momento da vida (porque está a acontecer) e tudo aquilo que fizer faço-o agora e não num tempo irrepetível ou num outro, imprevisível, com o qual não posso alimentar mais do que ambições que podem tornar-se ilusões quando não concretizadas em consonância com as expectativas criadas sempre cedo demais.

O tempo da mudança de folha no caderno como nas árvores deste Outono que hoje não esteve presente na Lisboa que se ofereceu luminosa e se revelou igualmente generosa na inspiração daquilo que a razão às vezes não faculta mas o instinto, pela surra, nos diz.

E o meu insiste, quase me empurra, para as pessoas e os locais que me fazem sentir sem reservas (pela luz que nos afasta das trevas) um lisboeta que se acredita mesmo muito capaz de ser feliz.
publicado por shark às 21:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

CICLO AZUL (6)

wild blue.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 16:55 | linque da posta | sou todo ouvidos

CICLO AZUL (5)

shadow in blue.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 16:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

CICLO AZUL (4)

pigeon in blue.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 16:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

CICLO AZUL (3)

céu pouco nublado.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 16:22 | linque da posta | sou todo ouvidos

CICLO AZUL (2)

filha de peixe.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 16:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

CICLO AZUL

uma cruz.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos

TENDÊNCIAS (3)

São cada vez mais as pessoas que só sabem de mim aquilo que lêem ou julgam perceber a partir do que sou neste blogue.

E basta-lhes.

Mas a mim não.
publicado por shark às 13:15 | linque da posta | sou todo ouvidos

TENDÊNCIAS (2)

Ontem descobri o fim de mais um blogue colectivo e dois individuais.
E percebi a morte anunciada de mais uns quantos, todos da blogosfera que tenho vindo a acompanhar.

Ainda não obtive conclusões, mas consigo identificar um desconfortável paralelo na evolução deste espaço e o optimismo desaparece como opção razoável.
Tags:
publicado por shark às 13:13 | linque da posta | sou todo ouvidos

TENDÊNCIAS

Uma imagem fixe pode moldar-se na boa com meia dúzia de pequenas readaptações.
Mas uma imagem foleira cristaliza e agarra-se à pele de uma forma irreversível, no matter what.
publicado por shark às 13:06 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 22.09.07

FANTASIAS

vais ser minha.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 23:45 | linque da posta | sou todo ouvidos

VERSOS NUS

Aquilo que a Bianca publicou aqui sofreu uma alteração que podem consultar ali.
publicado por shark às 18:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

MAIORIA ABSOLUTA

unexpected.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 18:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

POR HERANÇA A MALDIÇÃO

Ignorava o suor que lhe caía rosto abaixo e sorria enquanto sonhava que as suas mãos calejadas talhariam na madeira a fantasia para o filho ou a filha que estava para nascer.
Cada mão era escrava de um patrão, os manos Silveira, a dupla mais temida de empregadores do concelho.
Mas agora ele olhava para a mão, a esquerda ou a direita, e só via a mais resplandecente magia que a sua arte de carpinteiro seria a varinha de condão. Para encanto da menina, um passarinho, um rouxinol. E viesse um rapagão, que ele olhava para cada mão e libertava-as as duas para um mundo onde os Silveira não conseguiam entrar.
Precisava das horas extra pela família a aumentar e só por isso aturava os brutos, antigos campinos, cuja fortuna se dizia em voz baixa ter sido legada por uma tia de quem mal haviam ouvido falar. Eram na altura gente do povo, remediados, mas o dinheiro deixou-os estragados ao ponto de tratarem os antigos amigos e vizinhos como verdadeiros animais.
E ninguém refilava, com mais medo dos pides que frequentavam os bastidores nas patuscadas que aumentavam a fome com o cheiro nas narinas suadas dos homens mais pobres de Vila do Chão.

Ele chamava-se João e tudo suportava para não perder o lugar e talvez vir a sofrer as pressões que empurravam outros, mais fortes ou mais fracos, não o sabia nem queria saber, para a longínqua França ou outro exílio qualquer.

Ouviu no alto da ladeira a voz estridente da jovem cunhada e pediu licença com toda a reverência ao Silveira mais novo que era dos manos o menos mau. E ele não a deu, apressado que estava de lucrar sem parar à custa dos que precisavam e por isso calavam os gemidos com que imploravam aquilo que a revolta abafada queria berrar.
Mesmo assim, vergado sobre a bancada, conseguiria ouvir o recado da cunhada que lhe dizia “ela está a parir”.

E o João transpirava, mas sorria fechado em si próprio no mundo à parte onde o deixavam ser feliz. Espreitava clandestino uma frincha na parede e aguardava notícias, frenético, produção acelerada para cumprir o objectivo impossível imposto pelo mais velho, terrível, a meta definida para o momento da libertação relativa daquela prisão onde as grades se embutiam nas janelas da alma de cada pessoa explorada que, de qualquer forma, estava ali porque não sabia para onde fugir.

O tempo a passar cada vez mais devagar porque as notícias não chegavam de casa, o calor que arrasa mais os nervos que se apoderavam aos poucos do pacato João. E ele contava as unidades produzidas, em silêncio com o olhar, pois aprendera a contar sem nunca ter pisado o chão de uma escola. Trabalhava ou pedia esmola, como o pai lhe dera a escolher no dia em que o ensinou a contar porque era tudo quanto precisava para sobreviver na realidade que lhe deixaria por herança no dia em que a vida o enforcou no telhado do celeiro.

O João precisava de dinheiro para oferecer uma vida que queria melhor para o herdeiro que a cunhada no cimo da ladeira gritava agora estar entalado na mãe, virado ao contrário, e a parteira improvisada não conseguia resolver.
Começou a temer o pior e virou-se para os Silveira, conscientes do que se passava pelo que conseguiam ouvir, e pediu licença para sair, pela emergência, argumentando com a voz embargada que já tinha excedido a sua quota de produção e tudo.

Acabaria troçado pelos dois, os parodiantes de circunstância tão divertidos no usufruto do direito ao abuso de poder.
O João pedia por tudo, pelos seus filhos e suas mães ou mesmo por Deus. Que o deixassem sair agora para poder juntar-se ao sacristão numa desesperada oração por quem lhe restava na vida de merda que lhe competia agradecer.
E eles insistiam no não, que diziam ser obrigação para evitar maus exemplos para o resto do pessoal.

O João, alucinado, aguardava um novo recado da miúda mais nova das sete irmãs da mãe de um filho que era o seu. Mas aguardava calado demais e os colegas perceberam algo de errado no seu olhar que parecia prever o pior e eles nada podiam fazer quando a moça na ladeira lavada em lágrimas nem precisou de gritar.
O João que decidira espreitar na pior altura, a verdade que era tão dura e os Silveira às gargalhadas por outro motivo qualquer e ele pensou que era da sua mulher que escarneciam.

Voou para um machado antes que alguém conseguisse deitar-lhe a mão e a força louca do João abriu a cabeça ao patrão, o mais novo, como já vira fazer a uma melancia de Almeirim e outro, que entretanto fugia, sentiu o aço nas costas e depois deitou-se de bruços para morrer.

E o João não parou de correr até ao celeiro, onde a vida ajustava as contas com cada devedor.

E na ponta da corda o sinistro balanço anunciava o eterno descanso de mais um desgraçado com saldo perdedor.
Tags:
publicado por shark às 01:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 21.09.07

O VERÃO ESTÁ POR UM FIO...

winter time.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 19:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

LIBERDADE QUANDO NÃO NOS TOCA

Por coincidência encontrei nos arquivos de três blogues de outros tantos defensores acérrimos da liberdade de expressão total e sem controlo, ainda a propósito das caricaturas de mau gosto, o mesmo vigor a defenderem a hipótese de os donos dos blogues poderem ser criminalmente responsáveis pelos comentários difamatórios (ou insultuosos) deixados por alguém nas suas caixas de comentários.

Há aqui alguma forma de lógica e de coerência que me escapa?
publicado por shark às 16:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

EU GOSTO DE PESSOAS

a rigor.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 14:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

POR NORMA FAZ-SE ASSIM

O meu ofício viu-se apanhado nas malhas das normas comunitárias que nos impõem regras que qualquer portuga consegue instintivamente adivinhar impraticáveis. Somos diferentes, somos rebeldes (nem que a essa rebeldia corresponda apenas o talento inato para contornar com grande limpeza as leis que nos atrapalham).
Mas desta vez o pacote legislativo revolucionário fazia-se acompanhar de algumas exigências em matéria de formalidade burocrática virtual.

A formalidade burocrática virtual, pensamos nós todos os ingénuos que acreditam que a net constitui o golpe de misericórdia na velha máquina da papelada e das tradições enraizadas nas repartições por esse país fora, aterrou no colo dos mangas de alpaca veteranos como um papão.
Contudo, portugas também, a herrenwolk administrativa não tardou a encontrar a forma de adaptar as modernices europeias à sua interpretação de como a coisa deve funcionar para poderem perpetuar os seus feudozinhos onde exercem um poder que, na maioria dos casos, nos lixa.
Então, o bom do Shark, muito antes do prazo previsto (mais de 24 horas de antecedência) lá arrisca a décima tentativa de reinscrição no site institucional do organismo do Estado que tutela a minha presença no mercado.
Vou cingir-me ao essencial porque o resto vocês adivinham na essência.
Dos vários formulários a preencher online para depois imprimir em papel com cariz obrigatório contavam inúmeras inutilidades visíveis, gritantes, inenarráveis.
Mas o maior desafio não passava por aí.

Depois de várias mensagens a vermelho por as respostas não jogarem certo com as pretendidas surgiu a mais intrigante:
A morada não pode coincidir com a localidade fornecida. Em termos simples: o nome da rua, praça, praceta, beco ou avenida não pode coincidir com a localidade que consta do respectivo código postal.
Azar. A minha coincide mesmo. E após alguns insucessos, lá me decidi (porque entretanto o prazo terminou) a roubar a última letra do nome da rua para finalmente ser dada por aceite a dita reinscrição.

Passados alguns dias atendi o telefone e a coisa passou-se assim:

- Está? É do escritório do senhor Shark?
- Sim, sou o próprio.
- Fala do Instituto e é para dizer que o seu certificado não é emitido porque falta uma letra no nome da rua e assim a morada não fica correcta.


Expliquei à senhora o que me levou ao furto da letrinha. E ela:

- Desculpe mas isso não é possível.
- Mas aconteceu perante testemunhas, pelo que terá que acreditar na minha palavra e ter em conta que eu nada ganharia só com a poupança de uma letrinha. Foi a mensagem que apareceu e não me permitia encerrar o processo sem resolver esse problema.
- Desculpe mas isso não é possível. Tem que corrigir a morada para podermos emitir o certificado.
- Mas eu estou a dizer-lhe que o vosso sistema não a aceita. Insiste em chamar-me mentiroso por tabela ou aceita a minha explicação e encontra uma solução para o problema?
- Olhe, aguarde um instante em linha por favor.


Um instante, em termos de organismos públicos, corresponde a uma eternidade na vida real “cá fora”. E eu esperei. E continuei a esperar. Até que surgiu em linha a “superiora”, pessoa de um trato que as normas comunitárias jamais consignarão no meio das suas imposições excessivas:

- Olhe, aquilo que a minha colega tentou fazer foi poupar-lhe cerca de 50 euros que lhe custaria o pedido de correcção à morada em data posterior. O senhor não quer poupar essa quantia, não proceda à alteração agora e aguarde que lhe seja enviada a documentação necessária para o efeito. Bom dia.

Até hoje, meses depois, continuo sem receber o dito certificado que me confirma legalmente habilitado para ganhar a vida desta forma.

As conclusões tirem-nas vocês, pois este lençol já esticou quase tanto como a corda imaginária que simboliza a minha paciência…
publicado por shark às 12:30 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 20.09.07

PUBLICIDADE EM MOVIMENTO

triciclo esprit.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 21:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

RAÍZES PELO CORPO TODO

A poesia está em mim mancha o meu peito, e o meu sangue rima raízes pelo meu corpo todo (sic).

É assim que se apresenta o nosso esforçado colega e autor DESTE BLOGUE que, no meu modesto entender, prova para lá de qualquer dúvida razoável que a blogosfera é, digamos, uma caixinha de surpresas.
Chamo a vossa atenção para os pormenores gráficos deste espaço tão... singular que, para enorme pena minha, parece desactivado desde Fevereiro (só morrem os bons...).

Quando lá estiverem, tomem cuidado com o "fogo cruzado" dos amorosos arqueiros. Nunca se sabe onde estas coisas nos atingem...
Tags:
publicado por shark às 20:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2018:

 J F M A M J J A S O N D

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO