Terça-feira, 23.01.07

DA OPÇÃO INTIMISTA

Um dos maiores desafios com que me deparo de cada vez que faço uma posta é o da pertinência. Não me basta escrever o que me apetece, não porque me sinta privado da liberdade de o fazer mas porque tento sempre pôr-me na vossa pele.
E sinto-me na obrigação de buscar algo que soe de alguma forma interessante ou possa constituir um argumento para justificar o tempo que me oferecem em troca dos retalhos de homem que vos dou assim.

Não me interpretem mal, não abdico da liberdade criativa ou mesmo do direito a impôr-vos uma seca de vez em quando (voilá!). Faz parte das regras deste jogo no qual desempenhamos diferentes papéis.
Eu disputo a vossa atenção para o que sou capaz de mostrar e vocês confirmam se o consegui, com os vossos comentários ou apenas com a visita registada nos contadores.

Não escrevo para mim, embora não me imagine sem o fazer. Escrevo porque preciso, porque adoro. E só faz sentido fazê-lo porque existe com quem o partilhar.
É neste equilíbrio entre a minha necessidade de exibir o que faço e a de justificar a vossa visita que gira o meu estilo blogueiro.
O que disse até agora explica-vos porque reparo tanto no que comentam e na evolução da estatística que me confirma se vos agrada a forma como me dou.
E explica também porque opto tantas vezes pelo strip de mim mesmo, um risco aparentemente idiota que acarreta dissabores e más interpretações. Uma opção que fragiliza a imagem de quem a expõe, tanto no assumir das fraquezas que nos fazem menores como no dos aspectos que nos possam "engrandecer".
Aos olhos implacáveis de quem se está nas tintas somos apenas fracos ou vaidosos, débeis ou arrogantes, incultos ou fanfarrões.

Todavia, tudo isso faz parte do preço a pagar por quem se predispõe a blogar sem rede.
É como balouçar num trapézio, blogar sem um tema concreto no qual possamos evidenciar o nosso domínio e brilhar à luz da especialidade que nos distingue, ou sem o refúgio da paródia que nos preserva e evidencia o lado simpático, ou ainda sem o recurso a um estilo rígido e imutável que nos defende à priori mas cedo ou tarde acaba por entediar em definitivo quem nos lê.

Por isso não prevalecem nos topes que todos desdenham os blogues pessoais, intimistas, onde o culto da personalidade se sobrepõe a tudo o resto e abafa de tédio os umbigos de fora.
É esse o risco maior e mais difícil de gerir quando queremos em simultâneo cativar quem nos aprecia, oferecendo-nos em demasia, e escapar ao umbiguismo doentio.
Por isso me esforço por diversificar o registo, alternar a temática e ser tão versátil aqui como tento ser lá fora.

Quero, exijo, fazer diferente. Rejeito o recurso à decalcomania da poesia dos outros (que fica sempre tão bem e dá pala), à preguiça audiovisual do You Tube, à dissertação estafada acerca dos clássicos sempre na moda onde não me acredito capaz de inovar.
Evito a política, onde outros já cumprem a função com mestria, a literatura pela mesma razão, e fujo dos temas onde dou ou dei provas no mundo analógico e nada mais tenho a provar.

E depois confronto-me com o desafio que enunciei na abertura deste lençol, limitado à partida pelas opções (exclusões) que me imponho para justificar o meu lugar nesta comunidade exigente que não perdoa falhas, não tolera baldas e rejeita, rigorosa, as fases de menor inspiração. Um público maioritariamente constituído por colegas e que não hesita desertar de todos os espaços caídos na desgraça da vulgarização.
É essa a verdade nua e crua reflectida nos nossos contadores.

É esse o camartelo que finto como posso, em ziguezagues sucessivos que visam tornar-me uma vossa companhia indispensável, habitual. Sois rainhas e reis das minhas decisões blogueiras, pois sem a vossa anuência (o privilégio da vossa presença) não faria sentido para mim investir tanto numa "linha editorial" que vos "obrigue" a voltarem amanhã para verem o que inventei dessa vez para não vos desiludir e não acabar por sucumbir perdido no meio da imensa e crescente multidão.

Isso constituiria inevitavelmente o golpe de misericórdia na minha motivação de bobo da corte anónimo, zé-ninguém sem projecção mediática ou estatuto social ou qualquer outra coisa que me distinga senão esta paixão pelo acto de comunicar.
Sem margem de manobra para sonhar milagres ou alimentar quaisquer ilusões associadas à minha intervenção neste insano mundo virtual que, porém, alberga também pessoas de excepção.

Resta-me e basta-me a constatação dos factos que são os números que me provam acertado no caminho que trilhei até aqui. Capaz de cativar dezenas de pessoas todos os dias em torno daquilo que faço por gosto mas não desresponsabilizo na obrigação (de fazer sempre o melhor que posso e que sei).

Se insisto em justificar-me ciclicamente perante vós é porque preciso de apresentar-me justificações também. E porque acredito que posso influenciar os que aterrem entretanto, à toa como eu quando me meti nesta aventura onde escasseiam de facto as compensações e sobram os desgostos que nos damos sempre que nos confrontamos com os desgostos que os outros nos dão em troca da nossa azelhice, da nossa palermice ou apenas de meia-dúzia de momentos menos bons ou de más interpretações do que afirmamos.

E esse é sem dúvida o preço mais alto a pagar quando a barra do trapézio nos escapa por entre as mãos.
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publicado por shark às 09:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Segunda-feira, 22.01.07

FLOWER POWER

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Foto: Shark
publicado por shark às 15:01 | linque da posta | sou todo ouvidos

STÔRA MORCELA NA CASA DE ALTERNE

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Como tinha anunciado, a Casa de Alterne vai conhecer diversas novidades ao longo de 2007.
E porque começa a faltar-me a pedalada para dar assistência a dois blogues, convidei uma velha amiga para dar uma mãozinha no outro lado da minha presença blogueira.

As Escolhas da Stôra Morcela passam a estar disponíveis todas as semanas e esperamos que vos arranquem alguns sorrisos e boa disposição. A minha nova colega blogueira prometeu-me que tentará postar de vez em quando fora do âmbito daquilo a que se comprometeu, pelo que vale a pena dar um pulinho de vez em quando para ver o que ela arranjou para nos surpreender.

Desejo-lhe aqui as boas vindas e espero que gostem da nova alma que ela dará à Casa.
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publicado por shark às 11:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 20.01.07

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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Foto: Shark
publicado por shark às 20:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

QUERO MAIS

São os seios que explodem nos meus olhos ou apenas o som quente de uma voz diferente que actua como rastilho da imaginação.
E eu transformo-me feiticeiro no amante que o mundo inteiro reclama, um corpo possante numa cama onde se sonha cada uma das mulheres que me queiram ou desejo possuír.

Mãos cheias de peles macias na tesão de fantasias arrojadas onde a minha imagem se transfigura na de um mestre do prazer.
Mulheres arrebatadas pelo toque incandescente da minha língua e pelo apelo irresistível do meu porte viril. À mercê da minha vontade insana de satisfazer, servil, cada uma das suas propostas de fêmea descontrolada pela sede de se sentir amada enquanto o seu corpo desfalece nos meus braços em orgasmos múltiplos gritados pelo meu primeiro nome.

E eu mato a fome de macho tentador, prisioneiro e libertador de forças poderosas nas mentes libidinosas concentradas no meu desempenho. Cada toque convertido num intenso arrepio. Aceito qualquer desafio, boca no peito e fogo no olhar que despe a alma de preconceito e a toma de assalto, conquistando o derradeiro bastião da resistência inútil ao meu encanto sedutor.

O sexo e o amor, lado a lado, o fulgor assim beijado que alterna entre a força masculina e o culto meigo da vagina no trono no topo do mais imponente pedestal.
Cada amante uma rainha que exige ser a minha no instante em que tombam como pétalas as suas vestes no chão. A pista de uma valsa palaciana ou de uma salsa mundana, ou em cima daquele leito a música das bocas que se absorvem como loucas e gemem as notas finais de um tango bem dançado, pelas ancas agarrado o meu par a quem só apetece gritar não pares agora.

E o meu corpo que devora, fantasia minha, o desejo proibido da menina que o meu beijo incendiário desperta no corpo da mulher. Tudo aquilo que ela quer num homem a sério, tal e qual me sonhei. Aquilo que lhe dei, retribuido. O prazer bem repartido em sessões contínuas de satisfação, o meu troféu de machão naquelas nádegas apalpadas com vigor.

O olhar lânguido depois da entrega total ao instinto animal que correu pela floresta florida no auge de uma festa despida. E a fragrância no ar dos corpos a latejar, os ecos de mil emoções e as inesperadas sensações que brotam espontâneas nos sorrisos cúmplices que trocamos sob a luz envergonhada de um nascer do sol.

E eu cubro com o lençol aquele tesouro adormecido e depois parto enamorado em busca de outra marca assinalada no mapa da viagem sonhada ao mundo das riquezas sem fim que as mulheres constituem para mim.
publicado por shark às 16:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Sexta-feira, 19.01.07

JÁ SAIU

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Foto: Shark
publicado por shark às 17:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

SAUDADES DE SUA ALTEZA O REI SALOMÃO

Existe uma família portuguesa sob ataque do sistema judicial, a ser liminarmente destroçada pela estupidez de uma legislação digna de um país de acéfalos e interpretada por um juiz cujo juizo deve pecar por defeito.
Por princípio sou avesso à anarquia, tanto quanto ao excesso de zelo na imposição da disciplina. Acredito que é na moderação, no equilíbrio e no senso comum que devem assentar as leis e respectiva concepção e aplicação.
E sempre, mas sempre, no superior interesse dos cidadãos que um sistema judicial digno desse nome deve acautelar.

A decisão tomada relativamente à custódia de uma criança de cinco anos de idade que um casal de bem adoptou e um dador de esperma (podem chamar-lhe pai biológico, se preferirem) entendeu de repente reclamar é grotesca, desumana e imbecil.
E eu, que faço a apologia do respeito pela autoridade que um Estado de Direito deve possuir, defendo neste caso concreto a pura e simples desobediência. Ou seja, admiro e muito a reacção dos pais (podem chamar-lhes adoptivos, se preferirem) em defesa da filha que o sistema judicial ameaça com a sua postura autista, deliberando no sentido de tratar a menina como um objecto cuja propriedade alguém reclamou.

Mas que tipo de formação humana recebem juizes como o/a que entendeu prender um homem por seis anos nestas circunstâncias, num país onde um violador não cumpre tal pena e onde não faltam exemplos de crianças mortas na sequência de decisões erradas na atribuição da custódia?
Afinal qual é o conceito da Justiça acerca das palavras "pai", "mãe", "filho" e "família"?
E bom senso, que interpretação lhe atribuem na Escola Superior de Magistratura?

A questão em causa não pode ser encarada de forma tão leviana como a que presidiu à decisão judicial em causa. É que estamos a falar de um poder independente de todos os outros (exceptuando talvez o do futebol...) e que pode interferir de forma terrível na vida das pessoas, sem que restem alternativas de recurso exteriores ao próprio sistema capaz de produzir aberrações assim.

É aterrador, na minha perspectiva, porque mina a confiança e gera justificado receio da população quanto à legislação que a orienta e, sobretudo, quanto ao discernimento de quem a pode aplicar de uma forma tão isenta de humanismo, de sensibilidade e de ponderação.
Claro que a desautorização de um juiz é algo de inconcebível numa sociedade com regras. Contudo, esta é claramente uma excepção que as confirma de caras: é unânime o espanto e a indignação de quem avalia a situação em apreço.

Uma lei, qualquer lei, pode ser confrontada com um caso concreto que a torne injusta ou mesmo absurda. E se um juiz não tem em conta os contornos específicos de cada caso e aplica os códigos com vistas curtas e de forma literal mais vale confiar as decisões à frieza incorruptível de um autómato ou de um computador.

As leis aplicam-se por e a pessoas.
E se errar é humano, juiz algum pode arvorar-se o direito de nunca dar o braço a torcer.
publicado por shark às 12:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

HAVE A NICE DAY!

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Foto: Shark
publicado por shark às 09:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 18.01.07

PORQUE VOTO SIM...

No prometido futuro referendo acerca da despenalização do consumo das drogas leves:


1 - Porque está na hora de distinguirmos com clareza os diferentes tipos de substâncias em causa e os respectivos efeitos a nível social e outros;

2 - Porque pessoas de indiscutível valor, reconhecido a nível mundial, como Karl Sagan, Robert Mitchum ou David Gilmour nunca esconderam o seu viciozinho de boca e os factos estão à vista;

3 - Porque está cada vez mais difícil de arranjar bom material, pois as autoridades insistem em anunciar com pompa as grandes apreensões de chamon para nos deitar serradura para os olhos enquanto a coca ou o ecstasy circulam na boa por todo o lado;

4 - Porque a questão de princípio é precisamente a mesma (no que concerne à liberdade de escolha e ao controlo sobre o próprio corpo) que andamos a debater nesta altura;

5 - Porque toda a gente anda a falar do mesmo assunto e eu gosto de variar.


LEGALIZE IT!
publicado por shark às 19:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

FERNÃO CAPELO

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Foto: Shark
publicado por shark às 18:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

ERA UMA VEZ...

Pelo menos.
Bem conversadinho, talvez fossem duas.

As histórias. De encantar.
publicado por shark às 18:41 | linque da posta | sou todo ouvidos

NA PALMA DAS NOSSAS MÃOS

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Confiem ao vento as cinzas do que tentam em vão ressuscitar. Espalhem pelo mundo esse pó e deixem-no voar por si só, ao colo das brisas que carreguem para o infinito esse sonho proscrito que apenas adormeceu.
Libertem a utopia e não lhe chorem o fim, pois dentro de mim a Primavera acontece a toda a hora numa redoma intocável junto à nascente inesgotável de fantasias e de ilusões onde as mortes são renovações e todos os ciclos se perpetuam. Nas vossas também.

E testemunhem em silêncio o bailado da poeira desenhado no céu e aceitem esta maneira peculiar de percorrer a vida com o olhar de quem acredita na reencarnação da mais bela emoção de qualquer existência, nada mais.
Tomem consciência da imortalidade garantida na ressaca da dor mais profunda que apenas marca uma nova etapa do amor que se reproduz, infindo. Que renasce para o mundo, inevitável, como a constante maravilha que surge a cada dia quando brilha no horizonte, de novo, um sol.

Assistam ao renascimento da luz nesse momento de simples transição, de constante renovação da esperança justificada. E não percam a confiança nesse amigo que nos sopra ao ouvido a certeza de que conhece bem a estrada a percorrer pelas cinzas que transporta para outra dimensão.
Nunca se despeçam dos dias que anoiteçam, sorriam-lhes apenas e sussurrem um até já e acolham as estrelas mais a lua reflectida no vosso olhar agradecido.
A beleza para observar a todo o tempo que se tem e se ignora esquecido quando nos entregamos à ingratidão injustificada.

A vida que nos é dada como uma oferenda milagrosa, o desabrochar de uma rosa plantada por um deus ou outra entidade superior a quem foi confiada a missão de cuidar deste jardim suspenso.
E o amor é tão intenso que não consegue morrer mas apenas transitar, como a alma, para novos paradeiros nos instantes derradeiros de uma calma mudança, a eterna renascença do fogo fátuo embutido em cada um.
Eu não consigo abandonar esta vontade de amar sem freio algum.

Enquanto sopro em vão esta cinza teimosa na palma da minha mão.
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publicado por shark às 12:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

HAVE A NICE DAY!

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Foto: Shark
publicado por shark às 09:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 17.01.07

BUSINESS AS USUAL

Um gajo nisto dos negócios não se pode dar ao luxo de ser sentimental, dizia-me o rapaz à guiza de consolo por me ter dado com os pés nuns quantos contratos por meia dúzia de euros de diferença relativamente à proposta de um concorrente.
Eu nem tenho veia de mercenário, pois nunca ambicionei fazer fortuna a trabalhar (uma ilusão). Por isso mesmo, confesso que pouco me afecta a perda dos trocos em causa. Porém, são estas ocasiões que me deixam renitente quanto à minha faceta de mercador. E porquê?

Precisamente porque dou-me ao luxo de ser sentimental em tudo o que faço, mesmo que isso acarrete algumas perdas e acima de tudo desgostos como o que este sujeito a quem nunca neguei qualquer favor, mesmo fora do âmbito das minhas funções, me deu, a par com o chá que usou para se desculpabilizar por uma decisão acertada do ponto de vista financeiro mas sem dúvida mesquinha pelo valor irrisório em causa.
E pela suposta relação de amizade que nos unia ao fim de diversos anos de ligação comercial próxima e imaculada.

É viver e aprender, pois a vida é mestre na arte de nos ilustrar a verdade dos factos sempre que nos deixamos embalar por romantismos que já não se usam.

E talvez se aproxime a passos largos a hora ideal para eu mudar a minha.
publicado por shark às 18:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

HAVE A NICE DAY!

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Foto: Shark
publicado por shark às 09:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

DEITAR CEDO E CEDO ERGUER...

Dá bocejos e faz perder (a pica a um gajo).
publicado por shark às 09:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 16.01.07

FADE AWAY

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Foto: Shark
publicado por shark às 11:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

SEPARAR AS ÁGUAS

Já não é a primeira vez que sou acusado de dirigir ataques a pessoas que blogam e que não identifico com clareza nas minhas postas. Por vezes faço-o por mera delicadeza, confinando a mim e aos visados o alcance dos meus desabafos, outras vezes faço-o para imitar o exemplo de quem o faz dessa forma (quando riposto) e ainda existem os casos em que utilizo o meu blogue para expurgar situações que me afectam mas não dizem respeito a blogueiros/as e por isso não faria sentido nomear quem me incomodou.

Por diversas vezes aquilo que escrevo é interpretado de forma errada por quem veste carapuças que não lhe servem sequer. Tenho tido diversos dissabores dessa natureza, precisamente porque existem coincidências que conduzem ao equívoco ou porque existem precedentes da minha parte que indiciam uma repetição de erros que confesso mas não tenciono repetir.

E este esclarecimento visa apenas deixar claro, e o passado recente tem comprovado esta premissa, que é pouco provável que venha a utilizar o charco para dirigir atoardas a pessoas que blogam. Abri há pouco uma única excepção (a propósito de uma chatice com um comentador) e voltei a confirmar que não é boa política e só me acarreta perdas e dissabores. Além de que não interessa de todo a quem visita este espaço e nada tem a ver com os meus desentendimentos seja com quem for.
Claro que isso não invalida que eu me sinta no direito de recorrer ao meu blogue para desabafar situações da minha vida pessoal e que nada tenham a ver com esta realidade virtual onde pretendo, repito, manter-me distante de um modo de agir que só me traz problemas acrescidos e oferece a terceiros(as) oportunidades para me citarem como um fulano sem coragem ou outros mimos que sempre atraí.

Fica então este esclarecimento e a certeza de que não me falta assunto para postar e por isso não contem comigo para lavar aqui a "roupa suja" que tenha directa ou indirectamente a ver com quem me leia ou simplesmente não confie na integridade do gajo que sou e que, verdade se diga, nunca primou pelo consenso nas avaliações exteriores.
publicado por shark às 11:19 | linque da posta | sou todo ouvidos

FLOWER POWER

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Foto: Shark
publicado por shark às 09:51 | linque da posta | sou todo ouvidos

MAS TAMBÉM

Existem seres humanos encantadores, que dão tudo em troca de coisa alguma.
Recebi ontem uma prova de amizade e dedicação como há muito não me tocava e admito que pouco ou nada fiz por merecer.
A estima a valer, daquela que nos faz sentir prioritários, importantes, especiais.

É fantástica a forma como a vida busca o equilíbrio e nos fornece compensações, aproveitando para nos alertar acerca das prioridades tal como as devemos definir.

A vida é mesmo uma permanente lição.
publicado por shark às 09:43 | linque da posta | sou todo ouvidos

SINAIS DE FUMO

Há pessoas que possuem o condão de serem tão mais desagradáveis ou apenas negligentes quanto mais nos aproximamos e tentamos fazer a diferença. Parece que fazem de propósito para nos fazerem sentir pequenos, irrelevantes, inferiores.
E às vezes conseguem, com pormenores que parecem inócuos mas que sabem obter o resultado que tanto parece agradar à sua forma enviezada de agir. Sobretudo porque lhes dá ainda mais pica quando em simultâneo obtêm uma exibição pública desse seu pequenino poder, sabe-se lá com que objectivo por detrás.

Resta-nos aprender a lidar com essas características das pessoas e jogar à defesa, evitando no mínimo o embaraço às claras e confinando ao privado as pequenas humilhações perante os terceiros que nestas coisas saem sempre ganhadores.
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publicado por shark às 09:37 | linque da posta | sou todo ouvidos
Segunda-feira, 15.01.07

BLACK & WHITE

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Foto: Shark
publicado por shark às 16:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA NA FUTEBOSTA

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O cerne da questão nem está no futebol, mas podia. Também não está no vacilar do meu benfiquismo, nem eu o admitiria.
Mas está sem margem para dúvidas no estado deplorável da justiça portuguesa, não apenas na atitude de boa parte dos intérpretes daquilo a que chamamos Sistema Judicial mas no próprio conceito que o termo "justiça" implica.

Um futebolista brasileiro foi apanhado pela polícia a conduzir com uma taxa de alcoolemia quase três vezes superior ao limite que a Lei impõe. Poderia (deveria) ser inibido de conduzir durante seis meses e até arriscava uma pena de prisão.
Por ser quem é, e nenhuma outra razão o justifica, foi condenado a 40 horas (!) de serviço comunitário (a fazer de apanha-bolas num jogo da selecção nacional, ou assim...) e não lhe apreenderam a carta, tudo isto por sugestão de um delegado do Ministério Público (MP).

Já me insurgi contra o facto de se distinguirem os criminosos com base na sua raça ou nacionalidade. Fi-lo propositadamente mais acima para relevar o conceito díspar de justiça, por analogia com o tratamento que o MP daria, por exemplo, a um qualquer operário moldavo da construção civil apanhado nas mesmas condições do internacional benfiquista da selecção canarinha de futebol.
E não está em causa o "falso moralismo" que o treinador do Glorioso invocou na sua trôpega defesa do atleta prevaricador, pois sou daqueles que não podem mandar a primeira pedra nessa questão. Mas assumir as responsabilidades quando somos "caçados" só fica bem a qualquer um, sobretudo quando auferimos um ordenado milionário e temos que o justificar com um comportamento à altura desse benefício e que o estatuto de figura pública amplifica.

Este caso de excepção envergonha (mais uma vez) o tal Sistema Judicial no seu todo, pois é inevitável que aos olhos do cidadão comum esteja constituído um precedente que desculpabiliza todos quantos decidam fazer-se à estrada no mesmo estado de embriaguez do fulano em causa. E que esse precedente nasce apenas da fragilidade do sistema às mãos das pressões dos vários poderes que o instrumentalizam.

A impunidade deste (mau) exemplo mediático constitui, como o Dr. António Marinho em boa hora frisou perante as câmaras da SIC Notícias, um rude golpe em quaisquer campanhas de prevenção rodoviária ou nas veleidades bem intencionadas de moralizar a atitude dos condutores portugueses (ou estrangeiros...) perante a questão da bebida ao volante.

Fico a torcer para que o tal Luisão (que aos meus olhos não passa agora de um luisinho) não reincida dentro dos tais seis meses em que deveria ser obrigado a andar de táxi e que, se tal vier a acontecer, não mate ou estropie alguma vítima inocente desta bandalheira que o seu caso ilustra.

Mas temo que só dessa forma trágica os protagonistas desta vergonha tomem consciência do mal que fizeram e das consequências que, no futuro, qualquer familiar de uma das muitas vítimas dos Luisões das estradas portuguesas deverão, em última análise, imputar-lhes directamente.

E com toda a Justiça, tal como a maioria de nós a interpreta.
publicado por shark às 12:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

OS GRANDES PORTUGUESES DA TRETA

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Foto: Shark

Confesso que não vi aquilo até ao fim, não sei quem ganhou e nem me interessa.
A sério, farto-me de rir com a lista dos "grandes portugueses" que a RTP ontem divulgou. Tantos séculos de História, tantas histórias para contar e a maioria dos nomes são originários do Séc. XX???
Mas que teve de especial o século passado em matéria de portugueses e do seu impacto na grandeza do país, sobretudo quando comparado com os séculos anteriores?

É uma palermice pegada, um disparate que só nos achincalha (ouvi dizer que até o bimbo-mor, o "cai-da-cadeira", obteve destaque nesta paródia), isto de nos arvorarmos isentos o bastante para proceder ao julgamento, à avaliação dos melhores de sempre de entre nós.

Não me lixem: querem convencer-me de que um gajo que dá umas biqueiradas numa bola de couro é um português "mais grande" do que a padeira que distribuiu pazadas nos toutiços dos castelhanos para defender esta Pátria ingrata? Ou que um espertalhão das dúzias que utiliza tácticas mais do que vistas numa peleja de onze contra onze (e nem consegue que uma super equipa como o Chelsea seja Campeão Europeu na boa) é tão importante como um que inventou a táctica do quadrado e assim recambiou um exército bem mais numeroso do que o nosso de volta para a terra das paellas?

E o Cristóvão Colombo, esse insigne navegador alentejano tão bom que até os spaguettis querem pintar genovês? E tantos outros que fizeram de facto algo de relevante para sermos o Portugal que somos e não uma república das bananas qualquer ou apenas uma província espanhola como a História tanto insistiu em conseguir e apenas os verdadeiros Grandes conseguiram impedir com a sua coragem, a sua inteligência e a sua determinação...

Por isso só posso achar que estão a brincar com coisas sérias e desejar que as pessoas não se deixem influenciar por estas touradas audiovisuais que em nada contribuem para distinguir os que merecem (e isto não se deve ao facto de se terem esquecido do esqualo na listagem, juro) e sobrevalorizam os que afinal pouco ou nada fizeram de relevante no contexto do Portugal que somos em detrimento dos que nos deixaram pistas para o Portugal que poderíamos e deveríamos ser.

Contrós figurões, marchar, marchar...
publicado por shark às 11:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)

HAVE A NICE DAY!

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Foto: Shark

Desejo-vos uma semana à maneira!
(Vale a pena ter umas cópias num cêdê, para estas emergências. E eu tinha, sem o saber.)
publicado por shark às 09:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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