A POSTA NA ECONOMIA DE PACOTILHA

Aqui há dias, num daqueles programas com mais de duas horas que passam nas televisões que não transmitem jogos do mundial, mas que nem por isso perdem de vista a mama dos patrocinadores milionários da competição, ouvi um daqueles “ilustres” comentadores do costume (um economista do qual nem me ocorre o nome) afirmar a um jornalista, em tom jocoso, que “nem que Portugal fosse campeão do mundo isso traria algo de novo para a economia nacional”.
E o jornalista, claro, toca a vestir a pele e a alinhar na opinião incontestada mas nunca inquestionável do “seu” guru de serviço.

Nunca me deu para estudar economia, mas já percebi pelos resultados que há algo de errado nos modelos que estes esforçados cidadãos elaboram. A minha conta bancária é um exemplo flagrante desta premissa…
Ainda assim, ao longo dos anos universitários e mesmo depois, fui aprendendo com o que li e com o que vi a extrair algumas conclusões que não encaixam de todo em algumas destas “doutrinas” que os supra sumos da batata frita económica nos impingem.

Vou pegar pelo exemplo que refiro.

Portugal, e isso é mais do que evidente, não consegue promover a sua imagem no exterior o bastante para conseguir sequer acabar com a ideia generalizada de que somos uma província de Espanha (o que é falso, excepto na província alentejana de Olivença).
E mesmo os economistas que não percebem de bola puderam observar o impacto do Europeu 2004 no nosso país e nos dos outros.
Assim sendo, quando o tal economista afirma que “quando muito, o futebol gera consumo. Mas investimento não”, eu pergunto-me em que domínio ele enquadra os proventos do turismo (se o nome do país é mais divulgado, há mais hipóteses de ser uma alternativa turística, ou não?).

E a construção de estádios e das respectivas ligações, não tem impacto nos índices relativos à actividade da Construção Civil (esse “consumo” exorbitante de cimento)?

E a confiança de potenciais investidores externos num pequeno país de que antes nunca ouviram falar e que, nessa feliz hipótese, passaria a estar nas bocas da esmagadora maioria da população mundial por ter obtido um feito que, queira-se ou não, é entendido como muito mais representativo da capacidade de um povo do que, por exemplo, um Prémio Nobel da Literatura?

O que é que me escapa no raciocínio daquele fulano a quem dão tamanho crédito que até influencia a perspectiva dos jornalistas? Um país ser campeão mundial não influencia em nada o rumo da sua economia, nem mesmo a produtividade e os índices de confiança da respectiva população?

Mas em que raio de escolas obtêm estes tipos as suas licenciaturas?
publicado por shark às 17:01 | linque da posta | sou todo ouvidos