Segunda-feira, 11.12.06

ESPELHO DO OUTONO

outono espelhado.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 09:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Domingo, 10.12.06

A POSTA NO ÍNDICE DO WEBLOG

Gosto de rubricas. Não só porque evitam um gajo ter que assinar o nome todo no canto superior direito de cada uma das folhas de uma escritura, mas porque dão um ar muito profissional a qualquer blogue.
E ocorreu-me assim de repente uma novinha em folha. Explico como, para vocês compreenderem a mecânica complexa dos raciocínios de quem se vê obrigado a inventar cenas porreiras para entreter a malta que bloga.
Estava eu a olhar para o índice do Weblog, a sua principal razão de existência depois de tanto tempo a patinar nos Internal Server Errors, o pólo aglutinador (gosto muito desta expressão) de uma comunidade que o é de facto (mesmo que a gente não se conheça uns aos outros de lado algum) e que nos permite aquilatar da produtividade global dos tenazes que não desertam. Bom, pelo menos da produtividade dos que conseguem encontrar a janela de oportunidade de publicação aberta.

Ao contemplar todos aqueles títulos das postas que fazemos (à hora a que escrevo estas linhas estão lá dois títulos de minha lavra), surpreendido por tantos de nós encontrarem ânimo e inspiração para postar num Domingo véspera de dia útil maldito (os que se seguem a um fim-de-semana prolongado), percebi que alguns títulos prestam-se a trocadilhos fixes e acabam por constituir um indicador de quais os temas que absorvem a criatividade de quem bloga no Weblog.

E zás! Vou criar uma rubrica (isto era eu a pensar, todo eufórico por conseguir extrair uma conclusão no final de uma ponderação praí de uns quinze segundos)!

É esta. E como me estiquei na introdução (aprecio-as prolongadas, como os melhores fins-de-semana), passo a citar e comentar os primeiros da série, recordando que não pretende esta rubrica substituir de alguma forma o imobilizado Posto de Escuta ou mesmo de forma parcial o impagável Apdeites.
São só títulos, comentários curtos e o linque dos blogues em causa (naturalmente apenas os alojados nesta plataforma tão única que nunca se sabe quando terei títulos ao dispor para destacar).
Espero que gostem e que seja mais um instrumento de análise à mecânica complexa dos raciocínios de quem se vê obrigado a inventar cenas porreiras para entreter a malta que bloga (eu sei que já disse isto, mas não puxem demais por mim que já esforcei demais a carola para um dia em que até Ele descansou).


Política e Obituário

Pinochet e o milagre com pés de barro – Só podia ser um título do Aspirina B. Esquerdalha gozona, claro. O homem morre (tão novo ainda, coitado) e eles associam-lhe ao nome, como quem não quer a coisa, a palavra “milagre”. Uns ateus do camandro, vê-se logo que é mesmo para debochar com a trágica perda que a direita mundial sofreu.
Esperem pelo troco quando se apagar o Fidel…
E mais: o milagre tem pés de barro. É um milagre fraquinho, incapaz de se aguentar no estatuto que a divindade inerente ao conceito lhe confere. Porquê? Vê-se logo que é porque o homem demorou a bater a bota, é um milagrezinho da treta (para ser um milagre com pés de betão, teria que ter falecido pelo menos uns setenta anos antes).
Só quem não acompanha o Aspirina não topa estas manhas nas entrelinhas dos seus títulos.


Culinária e Flatulência

Feijoada à Brasileira Completa – Ter-me-ia passado despercebido este título do Culinária Daqui e Dali, não fora a palavra “completa”.
Qualquer português sabe que uma feijoada só fica completa quando lhe associamos o efeito póstumo, a reacção orgânica que obriga as escritoras portuguesas da moda a acenderem cigarros nas ocasiões mais impróprias.
Por outro lado, e um título é um mundo de possibilidades, se associarmos o “completa” não à feijoada mas à brasileira temos todo um samba visual sobre a mesa.
A malta (nós gajos) pensa em “brasileira completa” e vem-nos logo à ideia um manjar de iguarias…
Daí a distinção que confiro a este título. Completíssimo.


Cinema e Jogo “a doer”

Puseram o pano verde e agora não vão a jogo – Confesso que não li ainda este post do Ideias Soltas, mas o título já é quase um post.
O que nos ocorre assim de repente? Casino Royale, o mais recente Bond. Um tema muito actual, portanto, como é mais ou menos regra na blogosfera. Porém, a referência ao “pano verde” pode suscitar uma alusão subreptícia ao recente desaire leonino nas competições europeias de futebol. Pela cor do pano, logo seguida da alusão ao facto de agora não irem a jogo (uma clara paródia à ausência de uma bolinha a dizer Sporting Lissabon no próximo sorteio da Liga dos Campeões. E da Taça Uefa. E de qualquer competição futebolística de dimensão europeia na época que ainda mal começou).
Cruel. E ainda por cima, não há coincidências, ouvi dizer que o autor do blogue tem simpatias portistas…

E por hoje não me alongo mais para não esgotar a pilha e para ver como é que a malta reage à coisa. Se acharem piada, insisto. Senão, arrepio caminho que nisto da guerra blogueira de audiências um gajo não pode apostar nos cavalos errados.
Sobretudo agora que já puseram o pano verde e tudo…
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publicado por shark às 23:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

ISTO É CULTURA!

Se dúvidas havia acerca do cariz literário de todos os produtos blogueiros com a assinatura Sharkinho e considerando o mais badalado lançamento livreiro do momento em Portugal, digam lá se o nome da casa alternativa de Eu, Sharkinho não diz tudo o que os cépticos precisam de saber acerca da literacia, da cultura, do amor incondicional às letras deste vosso humilde escriba...
publicado por shark às 22:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

LA REVUELTA DE LOS PASTELES DE NATA

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Foto: Shark

Agora mesmo, na Dois, uma fulana popularucha chamada Ana Brito e Cunha (só com uma das grandes podia chegar ali, considerando a sua intervenção) dissertava acerca das relações Portugal-Espanha na sequência de um sketch do programa A Revolta dos Pastéis de Nata.
O apresentador referia a proliferação de empresas espanholas em Portugal, por contraponto à inversa.

E a Aninhas, muito gira sei lá, a avançar para as câmaras com a sua explicação indignada para contrapor à paródia "xenófoba": a Espanha é duas vezes maior do que Portugal...

Bruá na assistência e o apresentador a não conter o riso. "Duas?" - perguntou ele a dar uma goela à Aninhas, muito gira sei lá, para emendar a calinada.
E ela: duas ou três.

E repetiu: "Duas ou três".

O apresentador teve misericórdia e deixou-a prosseguir sem se desmanchar às gargalhadas.
Eu não.
Fica aqui o registo, para memória futura.

(Já agora, who the fuck is Ana Brito e Cunha?)
publicado por shark às 19:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA QUE É CLARO QUE FICO CHATEADO

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Desde pequeno dou atenção à publicidade e parece-me que não sou o único, a avaliar pela forma como alguns anúncios se agarram às tolas da malta durante décadas.
Estou a exagerar? “Dundum é o fim!” (Digam lá se não se lembram da música associada?). “Claro que fico chateado!” (Nunca usaram esta expressão com o mesmo tom do Ricardo?).

E não preciso de ser mais exaustivo. São muitos os spots que se agarram a nós como lapas e até servem para nos referenciar momentos do passado que incluíam a publicidade aos produtos mais badalados de cada época.
É a prova mais simples da importância que a publicidade conquistou na sociedade da minha geração e mantém na que lhe sucedeu.
Por isso continuo a observar a publicidade e a ver como ela reflecte em boa medida cada tempo que se anuncia, tal como denuncia o perfil do consumidor de cada época. A pasta medicinal Couto (que andava na boca de toda a gente) e o restaurador Olex (um preto de cabelo louro ou um branco de carapinha) são espelhos do tempo em que se popularizaram na então relativamente jovem têvê.
Agora basta uma vista de olhos nos cromos da bola (o Abel Xavier) ou da música (o Marco Paulo dos primeiros dias) para encontrarmos aquilo que os criativos da altura consideravam uma impossibilidade (uma aberração?).
E os publicitários já não são descarados a impingirem os produtos associando-os à capacidade de girar uma cadeira pelo ar, presa pelos dentes de um malabarista.

Contudo, é flagrante a forma como, por exemplo, as grandes superfícies tipificavam tempos atrás os seus alvos de mercado como uns imbecis ou totós. Tal como é claro na nova campanha da Tv Cabo (por €15,50/mês uma família desertora, incluindo a empregada doméstica - cujo sotaque nortenho é obsoleto e deveria ser mais em tons tovarich…) e na inefável Dareway (um veículo farsola que é anunciado por dois fedelhos “cheios de classe”, vestidos e maquilhados como uma dupla gótica) que os tempos são outros e a publicidade abardinou.

E por abardinou quero mesmo dizer avacalhou, sendo hoje possível assistir mais do que nunca a anúncios dos quais ninguém percebe o alcance, a outros que nos deixam atónitos pelo teor paupérrimo da sua concepção e a alguns que vendem mensagens com pouco de politicamente correcto – não são raras as ocasiões em que os publicitários “remodelam” os seus spots depois de se aperceberem da estupidez e da falta de bom gosto neles reflectida.

Vejam a nova e insistente campanha de natal da TMN, por exemplo. A vanguarda da piroseira móvel, sem pés nem cabeça, num ambiente pseudo-futurista e descaradamente desprovido de uma imaginação coerente com a inteligência de quem produziu algo que bombardeia os telespectadores em doses intoleráveis.
Ou mesmo a da concorrente Vodafone, ainda a explorar o “filão” dos gajos roucos de tanto falar mas com um spot baseado nos Reis Magos que, francamente, a mim não convenceu a comprar seja o que for.

Claro que o objectivo destes colossos das comunicações é cravar-nos o logótipo na mona como se fossemos vacas acéfalas no curral consumista. Mas não vejo porque desperdiçam recursos a massacrar as audiências com cenas idiotas quando podem seguir excelentes exemplos da publicidade que vemos ganhar concursos lá fora. Como alguns a que temos o prazer de assistir, baseados numa estética agradável e apelativa ou numa abordagem inteligente que nos leva a comprar a ideia sem abdicar do nosso bom gosto. E não estou necessariamente a falar das pernas da polaca loura que transformou a Pluma da Galp na bilha mais leve e memorável da publicidade portuguesa.

Onde quero eu chegar com esta palheta toda? Ao facto de ser um desperdício a forma como (uma parte d)os criativos não possuem ou deixam que os anunciantes lhes restrinjam a capacidade de anunciar com brio, com respeito por quem vai levar com o resultado do seu trabalho a cada esquina e em quase todos os pontos onde nos pousa a vista.

É que no meio das dezenas de spots que as televisões me impõem nos intervalos das suas séries, filmes, ou programas chachada da moda não encontro mais do que meia dúzia concebidos com aquele cuidado e talento que me fizeram fixar até hoje a Bic laranja mais a Bic cristal ou os fechos de correr Polylon (que já entalavam pilas há mais de trinta anos).

E sempre gostava de perguntar na cara do gajo que criou a Leopoldina, um pássaro vestido à fiel de armazém, se ele acredita que aquilo é uma referência decente para o Natal dos ávidos aprendizes de consumista que estamos a criar nesta altura.
publicado por shark às 18:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark
publicado por shark às 13:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

DEIXA-ME ENTRAR

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Foto: Shark


Como uma ligação à corrente, energia pulsante que se apodera de mim.
Como uma calma aparente, uma pose distante, que controla o frenesim.
No interior a batalha disputada em silêncio, abafada no seu fragor para não incomodar as palavras que saltitam como notas vivas nas pautas mágicas de uma sinfonia.

Como um raio de luz libertado do seio da escuridão, relâmpago e trovão.
Como a ponta da varinha de uma fada madrinha que me toca e enfeitiça.
Lá fora a paz oferecida em miríades de tons, a alegria nos sons estridentes das crianças que brincam a felicidade tão espontânea numa idade onde um sorriso pode bastar.

A visão do paraíso no céu do teu olhar.

O coração a galope na pradaria, a emoção de uma fantasia que realizamos a dois.
E regressamos depois ao ponto de partida, a nossa pele despida das roupas e a alma nua de falsos pudores. Os braços que te apertam nos sonhos que te alertam para a urgência de me amares enquanto respirares e, quem sabe, para lá do que julgamos um fim.

A visão do paraíso tão perto de mim.

Como um destino traçado num quadro pintado pelos anjos da guarda que zelam por nós.
Como uma profecia soprada pelos deuses ao vento que canta nas folhas o som da sua voz.
Ao longe no horizonte o sol que representas no amor que me sustentas, a viagem que mal começou nesta vida que me embarcou rumo ao porto da sorte que sorri.

A visão do paraíso.
E eu a caminho de ti.
publicado por shark às 01:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)
Sábado, 09.12.06

WONDERLAND

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Foto: Shark
publicado por shark às 11:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 08.12.06

A INVENÇÃO DE GARDEL

tango magic.jpg

Existem pessoas cuja passagem pelo mundo deixa um rasto mais intenso, uma marca indelével que muitas vezes nem associamos a alguém em concreto mas que acaba por influenciar aspectos importantes da nossa vida.
Alguns dedicaram-se a salvar vidas, a mudar o rumo da História ou a contribuir com o seu génio para enriquecer a Cultura.
Outros apenas contaram com a dedicação extrema a uma qualquer actividade humana.

Foi o caso de Carlos Gardel (Charles Romuald Gardés), que se presume argentino mas terá nascido em França (Toulouse). E essa conotação imediata deste nome com a terra das pampas deriva precisamente do facto de ele ser a maior referência mundial quando se fala de tango.
E se é incerta a verdadeira origem deste género musical e de dança dita de salão que se atribui aos prostíbulos de Buenos Aires do início do Séc. XX, ninguém pode negar à memória de Gardel o facto de ter sido sua a invenção do tango tal como hoje o admiramos.

O tango representa acima de tudo romance, paixão intensa, harmonia perfeita entre uma mulher e um homem que se desenham na pista ao ritmo de uma música que fala de sedução. E é aqui que entra a figura do señor Tango, um homem que abraçou esta forma de expressão com um charme latino e com um empenho que o imortalizou por imediata associação de ideias.
Cantor e actor, El Morocho conferiu ao tango a aura romântica que ainda perdura. Se à valsa ligamos a dança “nas nuvens” sob a luz dos candelabros palacianos, o tango é a expressão mais carnal e intensa da magia que emana de um par mergulhado num ritmo e numa forma de estar.

E por forma de estar entendo aquela que distingue os latinos dos restantes no que concerne ao amor e à sensualidade, reconhecida globalmente, e que urge preservar como qualquer outro traço que nos diferencia de entre a população mundial.
Nessa perspectiva, o tango é um símbolo que se ouve e se dança.

Com um olhar em chamas e uma alma incendiária.
publicado por shark às 22:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

CALMARIA

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Foto: Shark
publicado por shark às 16:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

DIVORCIADOS DA RAZÃO

Estavam casados há uns anos e a coisa não resultou. Cada um para o seu lado, o dia ganho pelo advogado no litígio que depressa assumiu o descontrolo da situação. O costume, em boa parte das relações conjugais que se apagam como velas ainda cheias de cera e de pavio. Sopradas pelo vendaval da discussão.

Foi ela quem saiu, coisa rara, e não cuidou de alterar a morada nos contratos que só a si interessavam. O seguro do carro, por exemplo. Cujo aviso de pagamento ele terá recebido na caixa de correio que ambos partilharam enquanto a harmonia reinou. Tudo se esfumou ao vento, as coisas boas também, tábua rasa. O aviso não chegou às mãos a que se destinava e o seguro caducou.
Ela não reparou até ao dia em que se viu culpada de um acidente de viação.

O ex, que terá talvez todas as razões válidas para a odiar (e nem isso justificaria um acto/omissão tão irresponsável), comportou-se de uma forma ingrata, infantil e leviana. Canalha, se quiserem. E é fácil de ver porquê.
As relações entre as pessoas são difíceis de manter, sobretudo quando às diferenças se somam as divergências, o despertar sem maquilhagem, o wc partilhado e o fim do amor ou da pachorra. Por isso as relações podem acabar, de uma forma tão natural como começaram. E entretanto acontecem uma data de coisas boas e outra data de coisas más.

Nenhuma delas pode justificar o risco de mandar alguém que um dia no passado uniu o destino com o seu, a fé que nos move até que a vida os separe, para uma armadilha que pode implicar coima pesada, apreensão do veículo e, se as coisas correrem mesmo mal, uma pena de prisão.
Não consigo encontrar sentido numa "vingança" assim.

Gosto de pessoas. Mas ele há dias...
publicado por shark às 01:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Quinta-feira, 07.12.06

SAIL AWAY

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Foto: Shark
publicado por shark às 15:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

GRITO DE GUERRA

revolta maior.gif

Receber o impacto no peito e desafiar o agressor. Por não vacilar, escudado o medo por detrás do orgulho couraçado e da fraqueza feita força capaz de aguentar uma nova investida.
Assentes os pés na terra, gravidade aumentada. A coragem duplicada que gera uma raiz para prender o tronco ao chão quando deflagra a segunda explosão destinada a demolir a resistência feroz.

Um passo atrás, pela onda de choque da detonação. Ranger os dentes, vencer a dor. Avançar teimoso e recuperar a posição original, olhos nos olhos da besta infernal. Cada vez maior na sua percepção distorcida de uma vítima enfraquecida que se agiganta, animal ferido, em cada golpe da baixeza de um chicote frustrado pela falência da humilhação presumida.
Escravo rebelde, insurrecto. As marcas no peito de outras pancadas que a vida lhe deu, cicatrizadas.

A cura improvável na constituição vulnerável de um mero pigmeu, saradas pelo desespero essas feridas que o tempo tratou. Reforçado pela sobrevivência, inesperado na persistência das suas lides de forcado às marradas de um quotidiano traidor.
O poder do amor e o tónico da esperança que alimenta a confiança, espada reluzente imaginada numa das mãos daqueles braços abertos. Como galhos erectos naquele tronco nu.
Como armas letais, as palavras escritas. A guerra que gritas tu, resistente, no campo de batalha onde jazem apenas os que desistiram de lutar.

A vontade de vingar a perda sofrida, a dor infligida pelos golpes cada vez menos fortes que a experiência decifrou. A mazela que calejou, endurecimento a cada tormento enfrentado de pé. Olhos nos olhos da besta até a vergar, insistir em minar a sua arrogância por renegar a desistência prevista no plano boicotado assim.
Suportar até ao fim as suas bicadas de rapina e devolver-lhe com dentadas de surpresa, semear a incerteza onde antes residia o dado adquirido do triunfo final.

O combate desigual sem vencidos ou vencedores. O empate que adia a questão até ao dia da sublevação generalizada dos lutadores.
A força imparável de uma revolução inseminada pelo exemplo que se deu.

O sonho que se perdeu na desilusão de um mau dia.
Renascido invencível do ventre de uma utopia.
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publicado por shark às 10:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quarta-feira, 06.12.06

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

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outono lx.JPG

Fotos: Shark
publicado por shark às 13:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA NA DIREITA REACCIONÁRIA (E SALOIA)

Como se previa, Hugo Chavez foi reeleito. E também seria fácil de antever a dor cotovelar da direita reaccionária (e saloia) que, como é tradição, excita o paleio ao ponto de evidenciar uma “cultura democrática” que oscila entre o bronco clássico e o pseudo-fascista refinado.
Nem costumo enveredar pelo discurso mais radical, até porque pouco me ralo com as idiossincrasias alheias quando estas não passam de vozes incapazes de atingirem o céu.
Porém, o exagero boçal em que a direita reaccionária (e saloia) incorre quando sofre um desgosto daqueles que os povos que votam (uma chatice, pois é) sabem proporcionar, nomeadamente a fantochada pictórica com associações de ideias próprias de uma visão política Neandertal, obriga-me a puxar pelos galões da esquerdalha e dar-lhes no toutiço sem misericórdia.
Hugo Chavez foi reeleito. Ou seja, governou e a maioria do seu povo entendeu que governou bem.
Obteve mais de sessenta por cento dos votos contados. Quer isto dizer que o candidato derrotado nem tem margem de manobra para contestar os resultados com base na habitual alegação de fraude na contagem.
E foi sistematicamente atacado por uma Imprensa hostil, o que em qualquer ponto do mundo pode influenciar sobremaneira o pendor de uma eleição. O que implica duas coisas: a liberdade de expressão concedida à Comunicação Social venezuelana e a politização do eleitorado que não se deixou manobrar.

Por tudo isto, irrita-me a boçalidade má perdedora da direita reaccionária (e saloia) que vai longe demais nos seus considerandos e nas suas brincadeiras de mau gosto, trocadilhos parvalhões e afins, quando se refere a um processo democrático sem mácula que resistiu, entre outras pressões directas e indirectas, às manobras de bastidores que os sequazes de mister danger sempre orquestram e financiam.
E também à influência interna de grupos tão poderosos (sobretudo numerosos) como a comunidade portuguesa radicada (instalada) naquele país.

Comparar Hugo Chavez a símbolos históricos da ditadura, pegando pelos papões de algo que não se verifica de todo (o homem foi eleito democraticamente e até a um golpe de estado resistiu, porra!) é típico das mentalidadezinhas medíocres que prefeririam uma América Latina dominada por canalhas tiranos como o fóssil decrépito que (ainda não foi desta) tarda em prestar contas com o Criador pelas três mil vidas que a sua falange assassina dizimou.

A direita reaccionária sonsa (e saloia) não sabe perder e possui uma visão muito periférica destas questões da democracia que tanto os incomoda porque raramente beneficia as suas concepções de como uma sociedade se deve gerir.

O fascismo encapotado, hipócrita, tem destas debilidades. Quando a coisa dá pró torto, as baratas tontas começam logo a destapar as suas essências camufladas e revelam a propensão para o disparate nos argumentos e para a desorientação nas atitudes que lhes desmascaram a postura impostora por detrás da bonomia de um discurso aparentemente equilibrado e cordial.

Quarenta e oito anos deixam marcas, pois é…
publicado por shark às 11:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

EU GOSTO DE ANIMAIS

cao no terraco.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 11:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

A POSTA NO DESPORTO REI

Apetece-me falar um pouco de futebol. Nem que seja apenas por ser gajo e, regra geral, nós gajos ligamos a esse incontornável fenómeno. Nem que seja só para chatear quem insiste em apontar esse magnífico desporto como uma espécie de palhaçada para entreter iletrados e outros burgessos, numa abordagem rasteira equivalente a avaliar o cinema com base nas opiniões de quem só viu o Cantiflas ou emitir opinião acerca do nível dos actores portugueses com base nos episódios da Floribella.

Eu aprecio futebol com a moderação de quem mantém uma prudente distância do folclore habitual que o rodeia. E dos estádios, que raramente frequento (há uns anos atrás ia à bola umas trinta vezes por ano). Sou benfiquista, contam-me, por influência do meu padrinho (grande impulsionador do antigo Lar do Benfica, onde até o Eusébio pernoitava). E joguei muito futebol, na rua, no liceu e como federado nos clubes do bairro e da freguesia (o ilustre "fófó").

Tudo isto para que não estranhem, não se perturbem ou se enojem pelo facto de esta ser uma posta dedicada ao futebol. E não será filha única.

É que hoje o Sporting sofreu uma das mais inesperadas e incompreensíveis derrotas da sua história como clube, sendo afastado das competições europeias da modalidade por uma equipa russa que já havia provado ser muito inferior à dos leoninos.
E eu, mesmo lampião, não gosto mesmo nada de assistir a uma derrota dos vizinhos da segunda circular perante equipas estrangeiras. Não gosto e sofro quase tanto como se fosse o Glorioso a tombar dessa forma escusada. Isto não é hipocrisia, quem me conhece sabe que a primeira vez que chorei num jogo de futebol foi quando os lagartos foram eliminados no velho José de Alvalade pelo Barcelona (2-1).

O futebol não se resume aos Pintos da Costa, aos Majores Valentins, aos José Veigas e outros figurões do lado pimba da coisa. É um fenómeno à escala mundial, muito mais importante para a vida de milhões de cidadãos do que a maioria dos assuntos com que enchemos os nossos posts. Doa a quem doer.
É uma delícia, quando os mais exímios praticantes logram um desempenho livre dos condicionalismos que a pressão da Imprensa, do dinheiro e dos vários poderes que atrofiam talentos e falseiam resultados exercem.

Mas não quero fugir ao tema principal. O Sporting perdeu porque mereceu perder e não devia. Mas eu sinto-me desolado por esse facto e insisto em deixar aqui a minha solidariedade para todos os leitores adeptos do antigo rival e agora companheiro de desdita.

Ah pois... É que amanhã não escrevo sobre o assunto quase de certeza...
publicado por shark às 01:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA PRA VER

sea of gold.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 00:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Terça-feira, 05.12.06

É QUANDO EU QUERO

E não quando o Weblog deixa.
Daí, a minha posta de hoje está AQUI.
E de futuro, sempre que estranharem a ausência de uma posta é bem provável que a encontrem no espaço supra.
Quem tinha o linque da CASA DE ALTERNE, agora ocupado pela malta do Viagra, basta adicionar um 2 a seguir à palavra "charquinho". Fica então: http://charquinho2.blogspot.com.
Somando o funcionamento irregular das caixas de comentários à aberração de estar horas sem conseguir aceder à edição do blogue, é cada vez mais tentadora a publicação em plataforma alternativa.

A CASA DE ALTERNE (reloaded, para ser mais in) passa a constituir a opção sempre que o Weblog falhar. Adivinho que passarei bastante tempo no editor do blogger (que no caso não é beto).
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publicado por shark às 17:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 04.12.06

BLACK & WHITE

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Foto: Shark
publicado por shark às 11:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

A POSTA NA TEMÍVEL CRÍTICA BLOGUEIRA

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Isto um gajo quando posta é sempre preso por ter cão e preso por não ter.
Se falamos de nós e da nossa santa vidinha somos uns vaidosos, umbiguistas, só temos trampa na carola, mania que somos bons e o camandro. Olhó gajo, anónimo da treta, deve julgar que interessa a alguém se foi à bola ou se gostou de dormir com uma fulana ou o raio que o parta. Bom, vocês já sabem do que estou a falar.
Por outro lado, se tentamos evitar a raiva de quem nos detesta tanto que nem consegue deixar de clicar no linque odioso só para poder chamar-nos nomes ou escrever muito depressa (para publicar uns dias depois para evitar dar nas vistas) um post a insultar a nossa mania das grandezas e a reduzir-nos a pó virtual, se fugimos a essa tentação de usar o nosso blogue para falar do dono e enveredamos pelos temas de noticiário, coisas triviais, cai-nos logo em cima uma meia dúzia de coléricos/as.
Olhó gajo, sem piada nenhuma, a falar de cenas de treta. Sonífero, sem interesse, corriqueiro, só banalidades, a refugiar-se prá malta não lhe topar as emoções.
Pila mole, cobardolas.

Sobra-nos, e muitos/as adoptam essa saída de recurso, buscar na Cultura o refúgio sagrado para postas agradáveis e que até nos permitem angariar uma reputação muito intelectual. Ninguém tem pachorra para os nossos espichos (que os intelectuais a sério, as pessoas cultas, têm mais o que fazer do que escrever blogues) e temos o contador às moscas, mas sempre se aproveitam os linques nos blogues como o nosso (muito cultos) e aproveitamos para encafuar mais uns pós de sabedoria de algibeira na nossa cachimónia e nas dos básicos que blogam acerca de si próprios ou de temas sem nexo como política, gajas ou futebol.
Mas nem assim nos livramos de uma trollitada de um/a colega daqueles/as que nos detestam tanto que têm mesmo que acompanhar o nosso percurso para poderem depois denunciar a arrogância com que enveredamos pelo armar ao pingarelho.
Olhó gajo a citar o Kafka e a dissertar acerca de um quadro do Van Gogh. Deve ter a mania que é o Abrupto dos pequeninos…

Claro que um tipo fica a bater mal e sem saber como ocupar o tempo de antena minúsculo (cerca de um minuto por visita, em média) que meia dúzia de pessoas investem na apreciação do que nos dá uma trabalheira do caraças e milagres como o do Gato Fedorento só acontecem aos muita bons e às muita amigas das pessoas certas.
Muitos/as de nós ficam tão desprovidos/as de opções que investem na citação sistemática do que outros fizeram. Letras de canções, fotografias, poemas, frases célebres, vale tudo para manter entretida a audiência sem termos que nos entalar perante a temível crítica blogueira.
Esta é a abordagem mais sensata, no meu entender, pois defende-nos de todo o tipo de ataque pessoal (nada de nosso transparece no blogue) e “profissional” (se o que publicamos é da autoria dos outros – até os lincamos ou citamos – se estiver mal feito a culpa é deles).

Contudo, e gajos estupidamente teimosos reservam sempre um porém, um todavia ou um contudo na manga, uma das poucas coisas de que um gajo se pode gabar quando cria e mantém activo um blogue é precisamente ser ele a mandar na cena. Podemos não mandar na mulher, nos filhos, no chefe, no patrão, na assembleia de condóminos ou seja no que for. Mas no blogue podemos exercer o poder, somos os editores, mandamos à brava e ninguém pode fazer nada para nos impedir de fazermos o que nos dá na gana.
É uma sensação magnífica, esta de escrever uma posta e zás! Ou de tirar uma foto e zás outra vez!
Umas atrás das outras, tudo nosso, bom ou mau, toma qué práprenderes ò pessoa que me detesta mas tá sempre caídinha no charco, ah poizé, ou pessoa que até me grama mas tem que se achantrar quando a cena não tá muito baril pois esta treta é oferecida, completamente grátis, e a posta dada não se olha o dente, a vida é mesmo assim.

Claro que a pessoa, nem que seja para dificultar a vida à temível crítica blogueira, esforça-se para fornecer (totalmente “à pala”, de bórliu) material em condições, dentro da medida do possível.
E essa medida só é possível se for a nossa, o que verdadeiramente valemos e o que bem ou mal somos mesmo capazes de fazer. Se for a menos, não enchemos as medidas a ninguém. E se for a mais transborda, como um lençol deste tamanho (por exemplo) ou uma treta muito elaborada mas que toda a gente percebe (consultando os arquivos, por exemplo outra vez) que ou foi plagiado, ou foi adaptado, ou foi outra coisa qualquer que não nós mesmos (a bagagem não aparece de repente à porta dos/as incapazes e a malta estranha logo os rasgos isolados de génios por descobrir).

Mas mesmo esta paupérrima reflexão acerca de um tema pacífico (porra, se um gajo não pode escrever sobre a blogosfera…) é susceptível de despoletar o rancor da temível crítica blogueira.
Olhó gajo a escrever uma carrada de linhas acerca de coisa nenhuma. Tanto paleio, tanta converseta e afinal nicles. Nem uma conclusão para o (alegado) raciocínio que nos ocupou praí uns dois minutos e picos. É mesmo uma nódoa, a mim nunca enganou…

É verdade. Com um décimo das palavras podia ter dito a mesma coisa e encerrar com chave de ouro com a tal conclusão que nos confere legitimidade blogueira perante a temível crítica da especialidade.
Até o fazia com menos, querem ver:

É só para dizer que o Charquinho é o meu blogue, publico o que me apetecer, só aceito críticas fundamentadas no que faço e não no que sou e nunca sob o manto cobarde do anonimato de quem, bem vistas as coisas (e essas coisas vêem-se), se estivesse ocupado/a a fazer melhor do que eu não teria tempo para vestir a pele da temível crítica blogueira e escarnecer o trabalho dos outros para disfarçar a sua confrangedora inépcia de gente que não interessa nem ao menino Jesus.

Dizia o mesmo, mas dava-me menos gozo. E sem esse, então é que esta cena não tem mesmo ponta por onde se pegue.
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publicado por shark às 09:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Sábado, 02.12.06

TUDO DITO

talvez sim talvez nao.gif
publicado por shark às 02:05 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 01.12.06

A POSTA FORA DA LEI

Já há uns meses que o grupo congemina um plano para que nada possa correr mal. Detalhes acertados em diálogos cifrados para despistar as escutas, tudo definido ao pormenor. Um esquema traçado por verdadeiros profissionais da coisa, calejados por situações precedentes em que o resultado…
Bom, o resultado foi sempre o mesmo e todos escapámos impunes.

Amanhã vou de novo fazer parte de um comité que executará a sentença letal, numa cerimónia sangrenta. E ilegal.

Nada me move contra o alvo seleccionado. Aliás, nenhum dos membros deste gang improvisado possui questões pessoais ou outras que possam justificar o acto que, sem dúvida, praticaremos com a limpeza do costume. Tudo muito rápido, eficaz, implacável e assassino.
Não se pode hesitar, agora que a vítima potencial já se encontra em nosso poder. Cativa num espaço exíguo onde vive neste momento as suas horas derradeiras, ignorando o destino que lhe está reservado. Um final marcado para as primeiras horas da manhã.

Não sei se pressentirá o momento da agonia pouco antes de o arrastarmos ao cadafalso, pouco me interessa. O seu último suspiro acontecerá minutos depois.
E de seguida o ritual macabro de esquartejamento da única prova do crime que algum dia existirá.
Ninguém saberá, excepto os envolvidos, o que está na origem do seu desaparecimento.
Ninguém saberá como morreu numa manhã escolhida ao acaso pelos seus algozes de avental, gente anónima e comum. Clandestinos, como eu o serei na ocasião.

Confio plenamente nos meus cúmplices nesta matança, não há chibos entre nós.
E estou certo de que o porco, mesmo que conheça a legislação comunitária que o pouparia a tal fim, não conseguirá gritar alto o bastante para nos denunciar.

Jorrará o sangue nos alguidares e depois fazemos uns chouriços, umas morcelas, umas febras. Tudo bem regado com um tinto regional…


NOTA: Esta era a posta de ontem. Não foi publicada pelo motivo do costume. Se não sabem que motivo é esse, perguntem à malta que cuida do Weblog.
publicado por shark às 23:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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