Sexta-feira, 22.12.06

IMAGENS DE UM NATAL DIFERENTE

O Natal depois do almoço.jpg
Depois do almoço

Foto: Shark
publicado por shark às 15:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

O CONTO DE REIS - Uma Novela no Espírito do Quadro

santanu.jpg


O vento soprava a neve lá fora enquanto o velho Nicolau terminava a decoração do seu pinheirinho. Tinha começado a tarefa onze meses atrás, pois a sua provecta idade já não lhe permitia acelerar em demasia e o médico de família até já lhe tinha proibido o consumo dos milagrosos comprimidos azuis.
O tempo não perdoava, Nicolau bem o sabia. E por isso só fazia aquilo que o corpo deixava, nas calmas, pois as costas davam-lhe cabo da boa disposição e a sua maria há muito o havia avisado que os tempos eram outros e se não se punha a pau dava de frosques e ele tinha que se desenrascar na cozinha se quisesse comer uma filhós.

Só ao terceiro berro da esposa o velho Nicolau percebeu que alguém tocara os sininhos da porta.
“A esta hora?” – pensou, enquanto fazia ranger as articulações pelo esforço de se levantar do chão.

- Ò Natália, onde é que está o gorro?
E ela lá de dentro resmungava que o gorro sempre ficava no sítio do costume.

- Ò Natália, onde é que puseste o roupão?
E ela, possessa, disparava um palavrão. E depois a ladainha habitual, “és sempre a mesma coisa, nunca sabes de nada, deixas tudo em todo o lado, blá blá blá, blá blá blᅔ

Mas Nicolau já não a ouvia e depressa desistia de a questionar acerca dos óculos sem os quais via pior do que uma toupeira. “Já vai, já vai!”, gritava ele enquanto se arrastava até à porta onde os sinos não paravam de tilintar.
Quando lá chegou e finalmente a abriu apenas distinguiu umas manchas à distância, perdidas no meio do breu.
- Afinal é só um pastor, querida, mais as suas ovelhinhas…

- Tás cada vez mais pitosga, méne! Aquilo é o gajo da DHL com os sacos das encomendas…

Estremeceu com o susto e dirigiu o olhar para baixo. Sob um halo de luz, um lindo bebé sorria encaixotado nas palhinhas deitado (que o stock de esferovite esgotou).

- Ò Natália, é um milagre! – dizia o ancião, emocionado pela chegada do filho ambicionado que a vida sempre lhe negou.

“Pitosga e senil, é todos os anos a mesma merda…”. Concluiu em silêncio o bebé, cada vez mais enregelado. Fixou Nicolau nas cataratas e esclareceu:

- Olha lá, méne: E que tal levares-me para dentro que está um barbeiro do caraças e eu não quero passar o Natal ao relento! Ou deixaram-me na sede da CAIS por engano, hã?

(Continua)


Nota: Qualquer semelhança entre os eventos e os personagens de ficção desta novela e quaisquer outros eventos e personagens de ficção resultam apenas dos insondáveis desígnios do acaso, são pura coincidência e não dão abébias para processos judiciais, excomungação por heresia ou outras modernices que só servem para atafulhar ainda mais o Sistema Judicial.
publicado por shark às 11:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quinta-feira, 21.12.06

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

torre das nações.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 22:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA QUE ISTO NÃO É COMO COMEÇA...

small step.gif


Um gajo começa o dia com a tola cheia de problemas para abordar, com uma carrada de broncas para enfrentar e arranja uns minutos para se sentar diante do computador. Tenta visitar o seu blogue e toma lá qué práprenderes: 503 SERVICE UNAVAILABLE. Ou seja, é grupo, não há charco e, por inerência, também não haverá Weblog.
Porreiro, pensa um gajo.

Posto isto, toca de mentalizar a mona e partir em busca dos linques para colegas com blogues daqueles que funcionam. Nem de propósito: a placa TMN, quase tão irregular como a plataforma onde se aloja o charco, cortou-me o pio.
Net? Nicles. Desse por onde desse.
Ainda mais porreiro, continua um gajo a pensar com os seus botões enquanto os cobre de palavrões daqueles assim mesmo à Charquinho (o Bairro).

E pronto, resignado voltei à labuta (essa meretriz) até há uns minutos atrás. Meia dúzia de berlaitadas na placa (às vezes só à manivela como as arrastadeiras da Citroen) e a net lá arrancou outra vez.
Vamos ver como está o charco e tal, responder a comentários e consultar o email.

Aqui a coisa muda completamente de figura. Três mensagens, todas de pessoas cinco estrelas. E se uma dessas pessoas me surpreendeu agradavelmente com uma revelação de todo imprevista e outra me fez sorrir por sabê-la em vias de uma mudança que só pode fazer-lhe bem, a terceira vinha apenas dar-me os parabéns por algo que certamente me escaparia e que soube ainda melhor por me ter chegado desta forma.
O Charquinho surge hoje no Blogómetro entre os trinta blogues mais visitados e também nos trinta mais lidos dessa tabela cuja fiabilidade ainda ninguém contestou. Parece irrelevante mas não é.

São muitas as ocasiões em que um gajo entra numa de “praquié que me chateio com esta merda?”, sobretudo quando tem o blogue alojado num servidor que é próquelhedá (perdoem-me estes contraplacados de palavras). Saber que o nosso trabalho foi mais visitado do que os espaços de colegas como a Bomba Inteligente, o Murcon ou mesmo o Mar Salgado (só para citar alguns) e que está a apenas cerca de 60 visitas diárias do blogue colectivo que o elegeu como um dos piores de 2006 é gratificante e confere sentido ao esforço e à paciência que esta actividade nos exige.

Partilho convosco esta minha satisfação porque ela deve-se por inteiro à vossa receptividade, à vossa insistência em espreitarem aquilo de que sou capaz nesta nova forma de expressão ao dispor de quem bloga.

E porque esta é a única forma de dirigir a cada um de vós que me aturam a personalidade virtual o agradecimento sincero de quem encontra nos comentários que deixam e no registo das visitas que fazem o único estímulo para insistir em bulir de borla…

Pelo gosto que tenho na vossa presença até vou mais longe.
Pago pelo privilégio.
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publicado por shark às 17:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Quarta-feira, 20.12.06

A POSTA PRA VER

ponte amanhecer.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 17:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

OLHOS DESERTOS

arte de talião.gif

Pálpebras abertas à força, os olhos não podiam fugir à realidade que não queriam transmitir a um cérebro cansado da vergasta que a verdade empunhava.
A visão inevitável da razão impossível de ignorar depois, quando a mente processava a informação e concluía um desgosto que a cobardia evitava a custo sob as cotoveladas nervosas da lucidez.

E os olhos abertos recebiam o impacto das imagens a sangue frio, coração apertado pelo terrível resultado do raciocínio mais elementar. A vida a revelar a verdadeira dimensão do problema no focinho de cada hiena disfarçada que lhe oferecia outra dentada numa ferida por sarar.
A mente não conseguia abraçar a hipocrisia necessária para impor aos lábios o sorriso circunstancial e depois todos levavam a mal os desabafos sinceros que atraíam outros animais, predadores, em busca de fraquezas por explorar.

Não conseguia imaginar uma realidade alternativa e pintar cor-de-rosa a parede da masmorra onde aprisionava a sua vontade de ripostar. Amordaçada a boca que silenciava a revolta e os olhos proibidos de lacrimejar, vendados por dentro para filtrar o nojo crescente que lhe inspirava aquela gente que encenava sentimentos de brincar.
E afinal era a sério que doía o desmascarar da fantasia que se diz no instante em que se reabre a cicatriz com o cutelo de uma reiterada traição a um princípio qualquer.

Aquilo que lhe dava a ver o mundo, um cenário hediondo que incitava a fugir perante as bocas a sorrir que lhe mostravam as fauces aguçadas, pouco ou nada dissimuladas, por detrás da primeira fila da dentição. Os rostos da desilusão que frustrava por não ser capaz de a esconder.
A vida a doer em cada episódio da novela sem graça, os contornos da farsa que parecia alastrar como uma epidemia global.

A vitória do mal que se esgueirava pelas janelas entreabertas de quem ignorava os alertas que o instinto produzia, a trincheira que se abatia sobre as tropas que enfrentavam o inimigo de peito aberto, desarmadas, e se viam soterradas pela avalancha de constatações.
Somavam-se caveiras na fuselagem dos aviões imaginários que bombardeavam os mais otários na rectaguarda das suas linhas Maginot.
E os olhos fechados para sempre já não informavam a mente alienada da morte anunciada em cada etapa do calvário social.

O óbito da esperança em cada gesto foleiro, em cada impulso traiçoeiro que suscitava a rapina das emoções alheias. A cedência às tentações mais feias que depois urgia cobrir sob um cândido capote cuja água se sacode com uma mentira piedosa ou um falso pretexto de ocasião.

O milagre da ressurreição da alma envenenada pela mensagem inquinada que anuncia a banha da cobra redentora que se alega professora da arte de sobreviver a um pecado qualquer, imaculado por uma espécie de benzina a fingir. E nem a pior nódoa lhe consegue resistir, perdoada a ofensa pela contrapartida que quase equilibra a parada na consciência de cada prevaricador.

As desculpas de mau pagador que os falsos espertos utilizam para fintar o espanto da razão.

Mas os olhos abertos reagiram e não lhe permitiram ignorar o desencanto do coração.
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publicado por shark às 12:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Terça-feira, 19.12.06

A POSTA TRICOLOR

mau humor.jpg


folha seca.jpg


parede alentejana.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 18:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Segunda-feira, 18.12.06

É SÓ PARA AVISAR

Que nesta altura o Weblog está outra vez com a filoxera no sistema de comentários.
Mais vale tentarem mais logo...
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publicado por shark às 15:02 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE PESSOAS

topless relax.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 10:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA NA CRISE NOTICIADA

news flash.gif

Um dos destaques da manhã noticiosa é a revelação de que neste Natal os consumidores estão a usar mais dinheiro vivo e menos cartões de crédito.

Olha a novidade...
As lojas do chinês não aceitam visa...
publicado por shark às 09:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 17.12.06

FERNÃO CAPELO

mais perto do ceu.jpg
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<strong<em>>Foto: Shark</em></strong>
publicado por shark às 23:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

TAVA CAPAZ

De escarrapachar aqui um desabafo foleiro, mas vou conter-me pelo espírito da Quadra.
Talvez o guarde para a CASA DE ALTERNE, onde vou postando mas não tanto quanto deveria...

Aproveito para vos desejar uma boa entrada na última semana de trabalho antes da carga de trabalhos propriamente dita.
publicado por shark às 23:23 | linque da posta | sou todo ouvidos

BLACK & WHITE

estendaleiro.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 18:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

TRUE COLORS

ceu encharcado.jpg
Foto: Shark

Tenho medo que as palavras acabem. Por isso as falo e as escrevo enquanto duram, as palavras que ainda são minhas mas podem um dia acabar com esta relação como acontece em qualquer grande amor (é disso que se trata, afinal).
Por isso as falo e as escrevo. Quantas vezes demais.

As palavras, enquanto duram, podem trair. No amor também pode acontecer a traição. Mas as palavras, que são mesmo minhas, merecem que nelas deposite inteira confiança. Até porque esse é um dos valores sagrados na amizade. Como no amor.

Falo da confiança que as palavras traem, sempre que me denunciam como um homem com fraquezas que outros conseguem esconder. Porque não as falam, não as escrevem, não lhes entregam de forma honesta a integridade das suas emoções, boas ou más. Se calhar não as amam como eu, mantêm uma relação prudente, sempre com um pé atrás, para evitarem o percalço de uma inconfidência que desvende mistérios que pretendem esconder.
Preferem não as falar ou escrever, abdicam dos momentos de paixão nas camas que façam para nelas não terem que se deitar depois. Sem mais palavras para dizer, silenciadas pela vergonha, censuradas pelo medo de falarem demais.
Preferem um silêncio (que nem parece) comprometedor.

Eu exponho-me ao mal que as palavras podem fazer quando a elas nos entregamos. Deixo-as viver à sua maneira, livres para cumprirem a sua função.
Enquanto duram, as minhas (que o são). E o seu único sentido não é o proibido que as cala mas o obrigatório que as justifica enquanto palavras para dizer. Mesmo que se possam virar contra nós, estupidamente sinceras na euforia da libertação que constitui a verdadeira razão para a sua existência.
As palavras são felizes na liberdade que só a verdade lhes oferece e definham no degredo das omissões.

Por isso as prefiro todas escritas ou faladas.
Tenho medo que acabem caladas.
Como acabam tantas paixões.
publicado por shark às 02:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Sábado, 16.12.06

EU GOSTO DE AVIÕES

aviao lunar.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 19:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sexta-feira, 15.12.06

ARRUMA DOR

homem so.jpg
Foto: Shark

Reparei no teu olhar perdido, o tempo esquecido na manhã de outro dia igual ao anterior.
E receio por instinto que um dia também me falte o amor, aquele de que abdicaste quando finalmente aceitaste a sina que te leu a cigana na palma das mãos que há muito não tocam outro rosto que não o teu.
A tua expressão zangada, represália pela vida alheada de uma presença que não lograste feliz. A indiferença de quem passa diante do teu nariz e te faz sentir transparente, inferior, destroço de gente que não interessa reparar.

A multidão a passar, hora de ponta, e o teu tempo esquecido no turbilhão de uma bebedeira. Anestesias uma vida inteira, esgotada a resistência à dor que o passado te deixou quando o cenário mudou e reparaste finalmente que já nada existia em teu redor daquilo que tinhas por sagrado mas foste desleixado e deixaste escapar.
Arrependimento de nada serviu. Essa vida partiu e tu juntas os cacos da alma com andrajos da consciência atolada de mágoa e com cola fingida da solidão que insistes cuspir mas não te larga da mão.

A tua companhia derradeira, no final de uma vida quase inteira a escorraçar quem te quis bem. Os filhos primeiro e logo depois a mãe, saturados da tua atitude quando estavas na plenitude da capacidade que decidiste desperdiçar.
Agora sentes vontade de amar, mas vê-se que entendes ser tarde demais.

Sentado num banco qualquer, à espera de coisa nenhuma. A esmola que vier de outro carro que alguém estaciona. A decadência que te aprisionou e agora te corrompe aos poucos a vontade e te exibe a verdade que tentas ocultar.

Nas costas de um espelho onde refugias esse olhar.

Porque recusas a imagem do homem que pelo caminho se perdeu.
E mergulhas numa viagem sem destino que o tempo há muito esqueceu.
publicado por shark às 12:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (29)

ASSIM SENDO:

good morning.jpg
Foto: Shark

BOM DIA!
publicado por shark às 10:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)

ERA SÓ PARA...

...Ver se isto hoje funciona. So it seems.
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publicado por shark às 10:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 14.12.06

SAUDADE DO VERÃO

la plage.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 15:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

A POSTA NO FÚTILBOL

clube shark.jpg

Há muito tempo que não pousava a vista num jornal desportivo.
De resto, o meu divórcio com os jornais desportivos começou quando topei a “panelinha” de silêncios comprometedores que denuncia uma relação pouco saudável entre os jornalistas e o lado sórdido dos bastidores do futebol.
Ainda assim, retive alguns tópicos que no meu entender prenunciam o fim do fenómeno futebolístico em Portugal tal como o conhecemos até agora.
O Miguel Sousa Tavares, insigne adepto do FCP, deixou cair o dragão-mor. Sugere até o pedido de demissão de Pinto da Costa.
Coerente e louvável.

Um juiz daqueles que tiveram a desdita de se deixarem atrair para um mundo que sistematicamente os conspurca revelou, na sequência do episódio Carolina, que uma jornalista serviu de pombo-correio para uma ameaça velada por parte de um árbitro internacional ainda no activo.
De acordo com o juiz, cujo nome me escapa, estaria em causa um tratamento semelhante ao aplicado a um autarca de Gondomar que fala demais.
O silêncio é de ouro no decrépito planeta do futebol de tasca.

Ainda n’A Bola encontrei um trabalho meritório do Delgado (um dos futebolistas menos matarruanos que passaram pelos relvados portugueses nas duas últimas décadas) acerca da agonia aritmética dos nossos estádios.
Diz ele que nem chegou a trinta mil o número de espectadores que assistiram ao vivo a um total de oito partidas da última jornada da Liga. E mais: o jogo mais presenciado do campeonato nacional teve pouco maior assistência do que o menos frequentado do campeonato escocês.
Levantam-se diversas questões de imediato, nomeadamente de onde virá agora aquilo com que se compram os (caríssimos) melões que o futebol movimenta.
Se não é das receitas de bilheteira, só pode vir da alienação do património dos clubes e da publicidade (televisiva).
Junte-se estes dois ingredientes e some-se o impacto devastador de um estádio vazio no empenho dos protagonistas e temos a receita ideal para equiparar num futuro próximo o futebol português ao voleibol de praia.
E tanto estádio xpto que o Europeu nos ofereceu…

Mas o tema futebol também atraiu a minha atenção quando, durante a minha hora de almoço, reparei que o noticiário da RTP (o alegado serviço público de televisão) estava a dar muito mais tempo de antena ao desporto rei do que se justificaria numa quarta-feira sem competições intercalares (demasiado distante dos jogos já disputados e dos ainda por disputar).

Tentei perceber que tipo de assunto encheria o chouriço na dinâmica pimba que os telejornais vêm assumindo (fait divers, futebol e, a fechar, a inevitável passagem de modelos ocorrida algures – excepção feita aos primeiros dias de cada ano onde levamos sempre com imagens do fogo de artifício de Sydney e de Tóquio).

E percebi. Fiquei a saber que Portugal é um país tão desinteressante do ponto de vista da cobertura noticiosa que a RTP teve que nos informar que o Aloísio, um futebolista brasileiro que representou o Futebol Clube do Porto há não sei quantos anos atrás, é o novo treinador do Vila Meã.

Do Vila Meã, imagine-se. Ora, se o Aloísio já arrumou as botas há tempo suficiente para ser tão relevante como o Seninho ou o Teófilo Cubillas não é ele o enfoque da notícia.
Por outro lado, o Vila Meã, certamente um clube cheio de mérito mas pertencente aos escalões secundários do futebol luso, não constitui nestes dias um foco de atenção da audiência televisiva (mesmo a que liga alguma importância ao futebol). Também não é por aí que se mobiliza uma equipa de reportagem…
Então o assunto só pode ser o FCP, o clube que o tal Aloísio representou ao longo de umas épocas do passado (que em matéria de futebol só assume relevância para nós benfiquistas, os outros podem concentrar-se nas suas glórias do presente e nas expectativas do futuro).

Alguém adivinha porque é que tudo o que possa ser relacionado com o Porto, mesmo o novo treinador do Vila Meã, constitui nesta altura uma prioridade para os tontinhos que desenham a agenda dos telejornais? Aposto que Ela, Carolina sabe…
publicado por shark às 10:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 13.12.06

IMAGEM CHOCANTE

carrinho de choque.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 17:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

GRÃO A GRÃO

ovelhas e pouco mais.JPG
Foto: Shark


Onde acabam aquelas estradas, autênticos caminhos de cabras que pisamos no ponto de intersecção?
Porque nos coloca num cruzamento, indecisão, o capricho do acaso que nos transforma em marionetas?
E restam poucas escolhas certas relativamente ao melhor rumo a tomar.

E a vida, caprichosa, gosta muito de brincar. Connosco, gente que sente vontade de gerir o seu destino e afinal é um desatino dar de trombas a toda a hora com as escolhas mal feitas originadas pela imprecisão dos mecanismos ao nosso dispor.
Cegamos pelo amor e por outras coisas também. Tentamos ser perfeitos e descobrimo-nos filhos da mãe, apanhados em contra-pé pelo exagero das expectativas criadas.

As vidas desperdiçadas na deambulação, o sentido de orientação inexistente. Acabamos perdidos no meio de tanta gente, confinados ao percurso aleatório de um rebanho qualquer. Ninguém nos diz o que fazer no severo manual da sobrevivência social, apenas ensinam a decifrar o capítulo das exclusões. Ter consciência das vedações instaladas na pastagem, rasgada a paisagem pelo arame farpado proibicionista.

Um espaço limitado pela gestão equilibrista num ponto qualquer da pirâmide em que nos posicionamos, hierarquia, por aquilo que nos acham ou pelo talento para nos sabermos vender. A imagem. E o poder. O dinheiro que nos compra um espacinho maior, estatuto, mais acima de alguém. A corrida desenfreada da felicidade desbaratada no imobiliário das influências, o topo das preferências ambicionado por igual.

O que temos, o que somos. O que seremos e o que no balanço ficará por fazer. Esquecemo-nos de dizer às pessoas que as amamos enquanto desertamos no meio da fuga em frente aos medos que nos incutiram tempos atrás. Passa palavra, sexo é pecado, estar bem instalado num tacho que nada fazemos por merecer. Sempre a aprender as regras do jogo que só muda no tom.
As mesmas premissas idiotas, as festas janotas para disfarçar a tristeza e substituir a franqueza com que poderíamos desabafar as nossas preocupações.

Ocultamos as limitações que fragilizam perante as ameaças do exterior. Maquilhamos o valor para que nos aceitem tal e qual a sua própria pintura, inflados como balões, sobreavaliados. E afinal desesperados, a maioria, por nos vermos apanhados pela correria global. Incapazes de combater o sistema que nos trai, drenada a energia da única fonte de alimentação interior.

A falta de amor e da amizade também.
Uns filhos da mãe, presumidos inocentes.

Mas sempre conscientes do erro colossal.
O tempo na ampulheta, é mais do que certo, nesta estúpida travessia do deserto num imenso areal, vai escoar-se de repente.
Só aí nos arrependemos.

Quando nos escapa por entre os dedos da mão aquele que percebemos ser o último grão.
publicado por shark às 15:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (30)
Terça-feira, 12.12.06

BLACK & WHITE

jingle bell.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 22:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

RAINHA POR UM DIA

piores.jpg

De entre milhares de candidatos, o Charquinho foi seleccionado como um dos piores blogues de 2006.
Esta distinção resultou da escolha pessoal do Luís Rainha mais umas sugestões recebidas pelos mais variados meios (sic).

A categoria onde este espaço obteve o destaque em causa foi a de "Escrita Mais Pomposa".
O Luís, meu antigo parceiro no Afixe, explica porquê.
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publicado por shark às 12:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)
Segunda-feira, 11.12.06

FAROESTE SICILIANO

apito dourado.gif


No país do faz de conta que ninguém vê, uma fulana provavelmente despeitada decide meter a boca no trombone. Escreve(?) um livro, não faz a coisa por menos, e conta a toda a gente um crime no qual foi conivente e silenciou até lhe dar na bolha.
Ora bem: a pessoa em causa assume-se pagadora de um serviço prestado a outrem. Esse serviço constava de um espancamento a um autarca como castigo por denúncias suas que entalavam o mandante da vingança a que a senhora, agora devidamente sacralizada pela confissão pública da sua baixeza, deu seguimento.

Posto isto (por escrito e com ampla cobertura mediática) temos um cenário curioso.
E não estou a falar da curiosidade de nenhuma investigação ter apurado o que a cúmplice agora revelou, mas sim do cenário previsível para o futuro desta situação.

Temos um agredido. Temos um mandante identificado. Temos uma cúmplice directamente implicada por confissão pública (o que, por inerência, garante que teremos conhecimento da identidade de quem executou a “sentença” mafiosa).

Temos mais uma vergonha impune (e muito lucrativa para a denunciante) na forja.

É o país que temos.
publicado por shark às 16:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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