Domingo, 08.10.06

A POSTA PARA VER

233_3347.JPG

Foto: Shark
publicado por shark às 13:59 | linque da posta | sou todo ouvidos

PALAVRAS AO VENTO

A brisa, discreta na proveniência como uma inadvertida flatulência, cumpriu o seu papel anónimo e soprou aos ouvidos sedentos de uma das correntes de ar que lhe alimentavam o ego, um concubino cego que guinchava pelas frinchas das janelas como um violino triste que só tocava a solidão que sentia porque a brisa não lhe concedia outra hipótese de sonhar.

Mas a brisa não sabia amar, apenas soprava histórias de encantar (aos que não conseguia alcançar) que lhe ocultavam a natureza foleira, umas histórias à maneira, vira-bicos, mais uns pequenos arrufos para exibir uma indignação que provinha apenas da frustração de ver cada vez mais reduzido o seu harém imaginário, as hipóteses em aberto que mantinha com o poder que detinha sobre a circulação do ar nas mentes adormecidas dos ventos que adoravam a máscara e ignoravam a essência por detrás.

A brisa parecia capaz, assim o soprava, de ser aquilo que esperava quem dava ouvidos à sua música celestial. Mas tinha pouca paciência quando a sua inconsistência se expunha descarada e alguns ventos se revelavam furacões, contrariavam as ilusões de manter amarradas as trelas nas pernas da cadeira feita trono onde sentava a sua pose superior.
Mas desconhecia o amor e a amizade também. Não considerava ninguém capaz de lhe justificar um desvio do olhar embevecido com que mirava o seu reflexo invertido, aquilo que gostava de se pintar.

Fútil, afinal. Desdenhosa, buscava uma saída airosa sempre que o vento soprava mais forte e denunciava a sua incapacidade para gostar a sério dos objectos do seu culto de personalidade frustrada de uma brisa enamorada pelo som da sua passagem. E nada mais.
Também sabia gostar das manifestações de si, tudo aquilo que conotava com a sua alma de fingir. Refugiava-se nas poucas realidades que não lhe podiam escapar, as suas.
Errante pelas ruas de uma amargura que consolidava em cada fracasso da sua estratégia inevitavelmente individual.
Queria soprar sozinha, a brisa comezinha incapaz de ocultar a falta de substrato nos aspectos essenciais.

Impunha regras, ditadora, e punha o rabinho de fora sempre que chegava o momento de provar o seu valor. Desculpava-se com o mal nos outros, sua alteza, e nunca reunia a franqueza bastante para assumir as suas falhas, imaculada na sua sensibilidade de fachada que a traía no momento de se provar capaz e de responder ponto por ponto, cobardolas.
Sempre muito concentrada noutra coisa qualquer, distracções. As suas precisões de loba solitária sem tempo nem motivação para atender aos males da alcateia estúpida que uivava e assim incomodava o silêncio resignado que melhor lhe servia os propósitos de brisa autónoma. Heterónima de um vendaval feito de azedume e de pó.

Nunca acabaria só, claro, habilidosa na arte de insuflar pela surra as correntes de ar que a iluminavam ou construíam, idolatravam e seguiam até ao dia em que a brisa parava de soprar as melodias de embalar e o seu desprezo ecoava com o som de um trovão.

Buscava então, como quem não quer a coisa, as alternativas que se perfilavam no horizonte deserto de emoção, depois de esgotada a utilidade subserviente dos que a adoravam em vão.

Soprava promessas, escondia premissas, varria pecados de uma memória irregular que apenas registava o suficiente para agradar o gosto dos outros e o seu.

Aquilo que pareceu. Mas nunca conseguiu demonstrar.
Tags:
publicado por shark às 13:50 | linque da posta | sou todo ouvidos

VERSÃO CONTEMPORÂNEA

sono eterno.JPG
Foto:Shark

A garina tá feita porque o bacano deu de frosques.
Foi curtir uma onda menos sonífera...
publicado por shark às 11:57 | linque da posta | sou todo ouvidos

PESSOAS ASSIM

Acredito nas pessoas generosas, capazes até de abdicarem de si próprias em prol de alguém de quem gostam. Capazes de identificar os momentos certos para se transcenderem e conseguirem reunir as poucas forças que lhes restam numa atitude generosa e sensível.
Acredito nessas pessoas porque são as únicas que valem a pena, não reduzem ao paleio politicamente correcto a sua intervenção nas vidas dos outros. Intervêm de facto, proactivas, fazem a diferença com a exibição clara de que não vivem afogadas no seu umbigo colossal.

São pessoas que interpretam as dores dos outros e as tomam como suas, não se limitam a proferir (papaguear) afirmações que as envernizem aos olhos dos outros. São, não fazem de conta.
E nunca se limitam ao essencial, tentam ir mais além e merecem retribuição, merecem toda a estima que lhes dão em troca dessa oferta de si próprias nos momentos cruciais.
Valem pelo que são e não pelo que afirmam ser. Não são secas, de plástico, falsas emocionais. Têm garra, não a apregoam.

Tenho tido a grata experiência nestes dias de contar com gente capaz de me conferir mais atenção do que lhes mereci. Generosas na disponibilidade que encontram no seu tempo para nele me incluírem, honestas na franqueza que transparece das suas palavras e, acima de tudo, sensíveis às questões alheias ao ponto de as tornarem prioritárias (ainda que de aparente irrelevância, as questões e as pessoas) sobre todas as outras coisas que poderiam fazer nesse instante em que se dão.

Admiro pessoas assim.

E gostava de estar sempre à sua altura.
publicado por shark às 01:01 | linque da posta | sou todo ouvidos

EM TONS DE AZUL

entrada.jpg


saida.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 00:55 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 07.10.06

NUNCA MAIS

Desperdiçarei contigo palavras para além das estritamente necessárias.
publicado por shark às 23:33 | linque da posta | sou todo ouvidos

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

cor urbana.jpg


destes jah nao se fazem.JPG

Fotos: Shark
publicado por shark às 23:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

VERY BUSY

Tomei duche. Vesti-me. Fui levar a minha filha a uma festa de aniversário de uma colega. Desenrasquei dois clientes em situações morosas e impossíveis de resolver em qualquer outro lugar numa tarde de sábado. Fui resolver um problema mecânico do meu carro. Fui ao supermercado. Respondi a dois ou três comentários no charco. Tratei do jantar da miúda. Comentei dois blogues. Postei. E ainda arranjei tempo para responder a dois emails-lençol de alguém que precisava de uma palavra amiga.

E o meu sábado ainda não acabou…
publicado por shark às 22:39 | linque da posta | sou todo ouvidos

H2O

agua de outono.jpg


agua viva.jpg


peixe na agua.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 21:10 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 06.10.06

SERÁ CORRECTO AFIRMAR...

...Que De vagares, devagarinhos, o Aspirina B está cada vez mais (A)fixe?
publicado por shark às 22:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

MAR(IO) ENCRESPADO

sic.gif

Dos melhores momentos televisivos a que assisti, ver o relativamente circunspecto Mário Crespo escangalhado de riso a encerrar o noticiário da SIC Notícias, minutos atrás.
Em causa estavam umas passarolas que vão desfilar na Avenida da Liberdade.

Será que o homem confundiu passarolas com passarinhas?
publicado por shark às 22:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

SAUDADES DO VERÃO

agua mole.jpg


praia de prata.jpg


praia de baixo.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 17:30 | linque da posta | sou todo ouvidos

ENSURDECEDOR

Encontro no teu silêncio a explicação para a minha surdez.
publicado por shark às 17:23 | linque da posta | sou todo ouvidos

RACIOCINIOS DESNECESSARIOS 2

Escrever o amor de uma forma “universal” é quase um santo Graal para quem investe na emoção e inclui as palavras nessa definição do que de mais profundo conseguimos sentir.
E isso aplica-se tanto ao amor sereno que adormece nos braços de alguém depois de um momento irrepetível como ao amor explosivo, arrebatado, que se contorce de ira às mãos do ciúme ou conduz um amante às raias da loucura.

Por muito que esse arquétipo ornamente alguns devaneios literários e fantasias de casal, nem o próprio amor possui uma alma gémea. Não existem dois amores iguais, duas formas semelhantes de sentir e de exprimir uma paixão e as suas grandezas e misérias.
Cada pessoa valoriza o amor numa escala que é a sua e opta por um caminho para o usufruir que jogue certo com a sua sensibilidade e o seu grau de carência. Por isso chamam egoísta ao amor, por prevalecer sempre a “nossa” percepção. A que muitas vezes nos tolda à diferença que caracteriza os/as destinatários/as desse ar sem o qual ninguém respira em condições.

O amor é fundamental, nem que baseado apenas numa reciprocidade ilusória ou mesmo num erro grosseiro de interpretação da nossa inteligência emocional.
Escrevemo-lo, os que conseguem, sempre de acordo com a intensidade que nos absorve enquanto o pensamos para o traduzir em palavras. Por vezes, tantas vezes, bem melhor do que o conseguimos por outra forma. Numa conversa telefónica. Na cama, até.
E sempre de uma forma subjectiva, seja no modo como descrevemos o nosso sentir ou como interpretamos o das outras pessoas.

Por isso vão sempre existir tentativas frustradas de “globalizar” em palavras o que nunca poderá definir-se de uma maneira que encaixe em todas as noções possíveis de entre as variáveis sem fim que cada ser humano em cada conjuntura produz.

A prová-lo, basta repararmos nos exemplos de sintonia perfeita nesse domínio entre uma multidão de dois.

É por isso que me senti tentado a repetir agora a última frase da posta anterior.
publicado por shark às 15:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

RACIOCÍNIOS DESNECESSÁRIOS

Tomamos a maioria das decisões que influenciam o rumo das nossas vidas sem a noção do impacto das mesmas, de forma leviana. E o mesmo se aplica às decisões que deixamos por tomar, preguiçosos ou apenas inconscientes das repercussões que os adiamentos podem implicar.
Não pretendo com isto generalizar um padrão de comportamento, até porque todos nos esforçamos (uns mais do que os outros) para racionalizar de alguma forma as (poucas) escolhas que a vida nos concede.

No entanto, a maioria das histórias de existência que conheci no meu tempo de vida, a minha também, fazem-se de equívocos menores que assumem proporções colossais e de desmazelos aparentemente inconsequentes que se traduzem depois em perdas infelizes e desnecessárias.
Parece que não temos a percepção da realidade quando a projectamos no futuro, naquele instante em que tentamos sopesar os prós e os contras desta ou daquela atitude ou omissão. E depois é sempre tarde demais para arrepiar caminho.

Estranho é percebermos muitas vezes que nos deixamos levar por impulsos irracionais, o feitio e essas cenas, com a consciência de que não vamos no melhor sentido e avançamos mesmo assim. Depois logo se vê. E vê-se, à nossa custa e à custa de todos quantos sejam afectados pelas nossas decisões.
A nossa vida acaba assim por seguir rumos que muitas vezes não correspondem ao que desejamos, nem sempre por obra de um acaso infeliz mas pela nossa intervenção ou alheamento desastrados. A tal leviandade que nos trai.

Por isso é quase um milagre que algum ser humano consiga ser a todo o tempo verdadeiramente feliz.
publicado por shark às 13:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA NUM DIA BOM

sol na frente.jpg


ventoinhas alentejanas.jpg


sol na cidade.JPG

Fotos: Shark
publicado por shark às 09:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 05.10.06

A POSTA NO EXAME ORAL

Meteu a ferramenta na boca dela e aguardou uma reacção. Ela assentiu com um piscar de olhos e ele deu início a um suave rodeio nas bordas daquele buraco que lhe competia tapar.
Sentia-a tensa, receosa, e tentou tranquilizá-la com o olhar enquanto prosseguia o movimento delicado. Entrava e saía daquela boca sem um pingo de emoção, alheio aos pequenos saltos que o corpo dela produzia quando ele avançava um pouco mais.

Esteve naquilo um bocado, até que decidiu ir mais fundo na questão. De imediato ela gemeu.
Perguntou-lhe se doeu e ela fez que sim com a cabeça.
Decidiu então abordar outro orifício, aproveitando o ensejo de a ter disponível para a função. Sabia-a medrosa, raramente a conseguia apanhar naqueles propósitos e empenhou-se em dar o seu melhor para aproveitar ao máximo a situação.

Ela gemia enquanto o seu corpo se contorcia, ele abrandava um pouco e depois recomeçava o acto. Cada vez mais apressado pela pressão do tempo que passava. A outra, que se seguiria, aguardava impaciente na sala contígua o momento de abrir a boca para o receber. E ele temia o adiamento, privava-o do sustento que obtinha daquela forma, insaciável no seu furor invasivo.

Alternou entre os buracos à disposição, consoante os sinais que ela lhe transmitia. Um gemido mais forte, uma mão que se erguia pedindo clemência, um pouco mais de paciência para com as suas hesitações. E ele concentrava noutra cavidade o seu talento reconhecido, a sua exímia destreza para cobrir com uma substância esbranquiçada qualquer espaço necessitado de um tratamento eficaz.

Meia hora mais tarde deu por terminado o serviço, satisfeito com o resultado obtido.
Olhou-a com um sorriso, deu-lhe os parabéns pelo comportamento exemplar.

E depois, olhando o relógio, apressou-a.

Mandou-a bochechar.

-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
tapa buracos.gif
publicado por shark às 13:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

PROVA DOS NOVE

Se cortarmos um princípio rigorosamente ao meio justifica-se que obtenhamos dois fins absolutamente iguais.
Ou seja, a multiplicação dos fins obtida por meio da divisão dos princípios não adiciona necessariamente algo de novo no leque de opções.

E diminui sem dúvida a margem de acerto de qualquer previsão.
publicado por shark às 11:56 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA PRA VER

sao jorge.JPG


ride with the wind.JPG


paisagem baril.JPG
publicado por shark às 11:20 | linque da posta | sou todo ouvidos

GATO ESCONDIDO

gato escondido.gif
publicado por shark às 11:17 | linque da posta | sou todo ouvidos

INOCULADA PREVENÇÃO

Temia ver-se de novo debilitado por aquela estranha doença que quase o destruíra. Tremia de pavor quando os sintomas se manifestavam e o alertavam para uma iminente recaída, receava a dor.
Mas rejeitava, cobarde ou comodista, a medicação prescrita e arriscava assim o recrudescimento do mal que lhe trazia aflição.

Deixou-se andar assim, convencido de que não existia uma solução para o problema que trazia em si. Não vivia, convalescia. Arrastava-se pelo mundo como se todos os caminhos tivessem contornos de corredores de hospital.
Parecia que combatia uma gripe todo nu numa varanda à mercê da invernia, estúpido voluntário para o sofrimento desnecessário às mãos de um padecimento com cura possível.

Porém, enquanto combatia uma ressaca com a mesma substância que a provocara, terapia de substituição, descobriu, ideias associadas, a abordagem preventiva que nunca lhe ocorrera como hipótese de uma solução que desacreditara existir.

E afinal a vacina resultou.
publicado por shark às 11:10 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 04.10.06

A POSTA NAS PONTES

omnipresente.JPG


passado presente.JPG


teia.JPG

Fotos: Shark
publicado por shark às 20:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

POSTA À SUPERFÍCIE

numa boa.jpg

O meu dia, como os dias de cada um/a de vós, perfila no horizonte um conjunto de desafios. Começo por esclarecer que o conceito de desafio é descaradamente subjectivo, pois o acto de apanhar a roupa antes que chova pode constituir para mim uma dura provação e não passar de uma banalidade para quem, por exemplo, enfrenta o nascer do sol a bordo de uma traineira ou aos quadradinhos, no Linhó.
Isto a propósito de um desafio diário que enfrento e que consiste basicamente em encontrar algo decente para vos receber neste espaço da minha inteira responsabilidade.

Faz-me lembrar o Pires da drogaria da Gomes Pereira, que todos os dias carregava centenas de vassouras, piassabas, alguidares e o diabo a sete para fora do estabelecimento, sabendo de antemão que no final do horário de expediente teria que enfiar a mercadoria toda lá para dentro outra vez.
Era um ritual próprio do ramo, inerente à função. E o Pires aceitava aquilo como um facto da (sua) vida e fazia-o com um sorriso nos lábios, mesmo que os putos como eu estarrecessem perante a aparente inutilidade daquele esforço quotidiano de que o homem nunca abdicava.

Connosco, os que blogam, qualquer que seja a natureza do dia que nos espera há um compromisso que não falha. Algures, um gajo tem que se desunhar e postar para não desiludir o freguês (que é como quem diz o utente deste serviço privado que se publica).
Tudo isto adquire proporções ainda mais complexas quando nem sabemos se não deu uma macacoa à plataforma e ficamos com a posta pendurada à espera que o “server” resolva o seu “error” no seu “internal” seja o que for.

Claro que isto não passa de um assunto trivial, coitado do rapaz e das suas preocupações comezinhas, à luz do que enfrentam alguns concidadãos dos quais uma ínfima parcela investe neste charco uma porção sempre generosa do seu tempo escasso e da sua paciência limitada.
Contudo, quando um gajo pensa para que serve esta treta e porque nos dispomos a acartar palavras e/ou fotos para a entrada do tasco mesmo sabendo que no final do dia já são peças de arquivo a que ninguém liga nenhuma, acrescendo o facto de o Pires orientar a vidinha dessa forma enquanto o Shark a desorienta com mais esta ocupação, um gajo sente-se no direito de partilhar estes raciocínios com quem lhe atura a dimensão virtual da existência.
Coisa séria, portanto.

É por isso que na definição de critérios que orientam a actividade blogueira temos sempre em conta a opção aligeirada que consiste em fazer incidir, pelo menos de vez em quando, a nossa prosa em temas que só interessam ao umbigo que manda para lá deste “Marão”. É um recurso legítimo, como se o Pires acordasse com uma pontada nas costas e decidisse meter à porta apenas os objectos mais leves do seu hipermercado miniatura.

É por isso que concluo agora uma posta cuja leitura não enriquecerá de forma alguma quem se predispôs a ler o lençol até ao fim, pois não é de todo uma posta “profunda”, como se espera de um blogueiro tão culto (sim, o humor também faz parte da cena), nem empenhada e pujante (não, não estou a falar de sexo).

E por isso vos devo, levando a sério a missão que abraça quem se mete nestas coisas, um sincero pedido de desculpa. Com os votos de um dia excelente, com boas hipóteses à partida por se tratar da véspera de um dia dos que a malta gosta.

Dia de encher chouriço...
Tags:
publicado por shark às 10:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Terça-feira, 03.10.06

VISTA GROSSA

conde.gif

Entreabre-se nas frestas involuntárias que o obrigam a suportar a luz. A dor no olhar habituado à escuridão. E de repente um clarão, inesperado. Um olhar semicerrado em busca da salvação menos iluminada, um alçapão para o andar abaixo, as trevas mais lúgubres onde pudesse mergulhar a visão.

Procura a cegueira com o desespero de quem nunca viu e receia gostar daquilo que os olhos transmitem, mesmo que lhe doa, masoquista.
Tapa com rigor as provas de amor que se soltam do seu invólucro de múmia, o casulo, esgueirando-se malditas pelos buracos que irrompem e o obrigam a aperceber-se da existência de um mundo exterior.

Armadura de cimento, opaca, congelar o pensamento numa realidade perdida ou num sonho impossível de concretizar. Talvez a luz de um luar, suave, contornos difusos de sombras errantes pelo chão. Assombrado o seu castelo pelo fantasma da princesa nas ameias inseguras que a deitaram a perder.
Recordações enclausuradas na masmorra mais remota, no interior do mais negro e esquecido baú.

A nuvem salvadora que reinstala o breu.
E ele evade-se de novo para o seu centro de detenção.
publicado por shark às 19:22 | linque da posta | sou todo ouvidos

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

sete rios.jpg


casino lisboa.jpg


campo das cebolas.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 15:59 | linque da posta | sou todo ouvidos

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2019:

 J F M A M J J A S O N D

2018:

 J F M A M J J A S O N D

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

A verdade inconveniente

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO