Sexta-feira, 11.08.06

A POSTA SÓ PARA TI

incomum.JPG


Sabes que é a ti que dirijo estas palavras. Se calhar, alguns dos que lêem (porque não quero esconder) também presumem que és tu o alvo da homenagem que te rendo, mesmo sem preencher o espaço no envelope virtual onde constaria o teu nome em letras garrafais.
Mas a certeza absoluta só tu e eu poderemos invocar. Porque escrevo estas linhas em resposta a um gesto teu que me agradou e que me provou seres das poucas pessoas que se dão ao trabalho de me ler por detrás das minhas evidentes limitações. E sabes que só por condicionalismos que conheces ou adivinhas não te louvo com o dedo apontado à tua imagem que em muito construí pela força de tantas palavras tuas que li.

Nem sempre fui digno da tua confiança ou mesmo da consideração que alguns gestos teus manifestam. Sou aquilo que estou farto de me expor, inconstante, alternando como tantos o melhor e o pior. Sofrível, na média.
Mas sou capaz de valorizar as pequenas coisas que me oferecem como penhor discreto, impulso do momento, da fé que não perdem naquilo que sou também, nos bastidores da capa que me cobre tantas vezes com a cor da desilusão.

Quando menos espero, por que menos terei feito para o merecer, avanças voluntária com uma prova extraordinária da tua paciência, da inesgotável persistência com que apostas sem euforias na manutenção do que nos liga sem nos amarrar.
Coisas pequenas, candidatas a irrelevantes no teu contexto como no meu. Sobrevalorizadas por serem raras no rol de indiferenças que cada novo dia traz à (da) maioria das pessoas que sobrevivem atordoadas pela pressão. Sem tempo nem disposição para os pequenos quase-nadas que arrancam aquele sorriso impossível no meio de um tempo que nos alucina e afasta da importância, da extrema relevância dos mais insignificantes sinais que nos dão.

Sobrevalorização, assumida. E uma euforia contida pela necessidade de não dar azo a especulações desnecessárias, falatório, a reacções ilegítimas da parte de quem nada tem a ver com aquilo que se passar ou não entre nós. E também para não te intimidar com o espalhafato habitual que o meu entusiasmo infantil induz. Tenho os pés bem assentes no chão e não alimento fantasias.
Mas tinha que te dizer o quanto o teu gesto me agradou e esta é uma forma tão boa como outra qualquer e assim partilho com outras pessoas a minha alegria por saber que existe gente como tu, fora do comum.

E essas pessoas saberão por inerência que não são para elas estas palavras e terão a consciência de que existes algures e que o meu discurso deixa bem claro o quanto essa existência é especial para mim por algum motivo que só a nós interessa e entre nós ficará.

Fizeste toda a diferença.
Agradeço o sorriso que a tua interferência me ofereceu.
publicado por shark às 13:27 | linque da posta | sou todo ouvidos

OS DIAS DO TUBARÃO

shark nas calmas.JPG


Ontem foi um dia preenchido e multifacetado.
Confrontei-me, entre outros episódios, com o erro de palmatória de um chico-esperto, com o desmazelo reincidente de uma pseudo-amiga e com um gesto admirável de um mulherão.

Dias assim dão pica.

Mal posso esperar pelo que o de amanhã me reserva.
publicado por shark às 00:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 10.08.06

O CHARCO NO BLOGÓMETRO EDITADO






Top 100 por média diária de visitas



















pos.nometotal visitas média visitas total páginas média páginas
1
40CHARQUINHO (stats)85002 512 138473 790
41murcon (stats)324299 508 549952 886
42Zé Povinho (stats)48906 484 110300 1390
43Dias com árvores (stats)218067 482 373989 755
44O Vilacondense (stats)274230 480 428151 570
45Exacto (stats)223110 462 325214 616
46Bola na Rede B (stats)240563 455 455193 643
47rititi (stats)304254 441 564413 712
48A Natureza do Mal (stats)364521 441 550742 646
49A Baixa do Porto (stats)126819 438 214213 739
50Pobo do Norte: o pobo mais forte (stats)78205 436 98205 566
51Silêncio (stats)412185 432 533943 573
52Ma-Schamba (stats)208789 425 372143 655
53Kontratempos (stats)41835 422 70777 633
54Afixe (stats)917281 422 1395061 523
55(o vento lá fora) (stats)345589 413 501081 821
56Praça da República (stats)173240 404 250449 618


Lista feita em 2006-08-10 03:48:25.


Tags:
publicado por shark às 18:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA PRA VER

cavalo de pau.JPG


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Fotos: Shark
publicado por shark às 17:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NA BELEZA INTERIOR

belas salsichas.JPG
Foto: Shark (foi só para afinar o zoom da máquina...)


Quando cheguei à mesa da esplanada onde as minhas duas amigas me aguardavam, o debate incidia sobre o facto de um pénis ser mais belo erecto ou em repouso.
Percebi de imediato que iria ser arrastado para um assunto onde a minha intervenção só poderia baralhar ainda mais as conclusões possíveis.
No meu caso concreto existia a certeza inabalável da ausência de um critério estético a propósito desse controverso rolo de carne que faz toda a diferença numa data de merdas mas que, no meu modesto entender, não prima pela beleza sob prisma algum.

A maioria das pessoas com as quais debati a mesma questão acerca da vagina e do seu impacto visual apontou invariavelmente no sentido de que “são todas iguais”. Nunca concordei, como é óbvio, e só mesmo quem nunca olhou com olhos de ver consegue afirmar tal coisa.
São todas diferentes e algumas bem bonitas até. Tem a ver com uma data de aspectos que não vou aqui referir para não me tornar exaustivo e estender-me num inacabável lençol.

Contudo, as minhas amigas falavam de pilas e aí já a minha porca torce outro rabo. É que embora seja evidente que as pilas não são todas iguais (a minha, como já referi, tem uma inclinação à esquerda e outras têm inclinação à direita, existem as que inclinam para cima ou para baixo e ainda há as que raramente inclinam seja em que sentido for), para mim são todas igualmente feias. Acho até que uma parte do corpo tão importante para a felicidade de tantas pessoas merecia ser bonita, deslumbrante.
Mas não é.

E foi isso que joguei sobre o tampo da mesa encharcada de cerveja entornada e da água que escorria do exterior dos copos de imperial. Desculpem lá, dizia eu, mas é inócuo discutir se o Quasímodo é mais ou menos horrível a dormir ou acordado.
É feio, ponto. E quanto a isso, batatas…

A primeira reacção delas foi consensual. Qual quê, qual feio, e porque assim e porque assado e cada uma tentou reproduzir em poucas palavras a sua convicção da beleza do penduricalho que fica tão bem na estatuária mas, tenham dó, surge a meio do corpo masculino como um apêndice sem nexo. Talvez ainda mais absurdo quando arrebita as orelhas e se assume como uma espécie de morcela com manias de periscópio.
(E aqui lixei-me, pois caçaram-me na manifestação de um pendor e assumiram-me a tomar partido pelo belo escalope ao pendurão em detrimento do encantador galho de pessegueiro que desponta à toa um nadinha abaixo do umbigo de uma pessoa).


coisa linda.jpg


A conversa ainda rendeu algumas tiradas que proporcionaram gargalhadas das que se gosta nestas ocasiões. Porém, até elas acabaram por se render em parte ao facto de, feio ama bonito lhe parece, uma pila só poder ser dotada de algum tipo de beleza interior, oculta, que nasce na cabeça de quem a usufrua de facto ou apenas o anseie.
Eu gosto da minha porque se tem revelado capaz no exercício das funções que lhe estão consignadas. Nunca por achá-la digna de figurar num álbum de fotografias ou de justificar alguma espécie de louvor ao quanto fica bem vista de perfil.

Ainda assim, gostos não se discutem e tal, fico sensibilizado com o carinho que o coiso inspira em quem até consegue admirá-lo por atributos que manifestamente não possui. É saudável e só dignifica quem aprecia dessa forma empenhada o todo de que qualquer parte se faz.

Mas falando de assuntos sérios, já repararam bem na conjugação perfeita dos elementos de que uma vagina é composta? A harmonia, a beleza discreta, a analogia tão fácil, à primeira vista, com um beijo quente e acolhedor, com um abraço terno ou com as flores que embelezam o mundo inteiro?

Isso sim, é um assunto acerca do qual vale sempre a pena trocar umas impressões.


porta do ceu.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 12:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quarta-feira, 09.08.06

UM GAJO PERCEBE

Que se está a tornar num empresário de sucesso (com tudo o que isso implica de bom e de mau) quando de repente deixa de ter tempo pra fazer a posta do dia em pleno mês de Agosto...
Mas será que esta malta não vai de férias?
publicado por shark às 17:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Terça-feira, 08.08.06

DIÁRIO DE BORDO

caravela.jpg
Foto: Shark


Circunscrevo a custo o incêndio a bordo do corpo caravela que te circum-navega à bolina, vela latina enfunada pelo sopro ofegante do teu incandescente desejo suão.
publicado por shark às 20:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA PRA VER

fifty fifty.JPG


anos sessenta.jpg


castelo serpa.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 11:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Segunda-feira, 07.08.06

GENTE QUE BLOGA - MAR

mar alto.jpg
Foto: Shark

É incontornável para mim, o linque da minha antiga sócia. São poucos os dias em que não visito o seu espaço, até porque a ligação emocional que mantivemos ao longo de um ano deixou rasto numa relação de amizade que não tem cedido aos sintomas normais das ressacas de uma alteração de figurino como a que a nossa ligação enfrentou.
A Mar prendeu a minha atenção pela sua escrita no Espelho Mágico e embora tenha diminuído a sua produtividade blogueira, continua a justificar essa atenção dos primeiros dias pois incluo muitos dos seus posts no que de melhor se escreve no feminino na blogosfera que tenho frequentado.
E tem sido uma indefectível do charco, gente da casa, ao ponto de já ter aqui postado ao longo de algum tempo.

Esta “rubrica” do Gente que Bloga serve para eu ir aos poucos constituindo os linques do charco e qualquer blogue da Mar fará sempre parte dos meus imprescindíveis.
Gosto da forma como bloga e é público que temos partilhado momentos especiais na blogosfera como fora.

Isso bastaria para a incluir neste lote dos meus “favoritos”. Contudo, visitem o Ponto sem Nó e estou certo de que encontrarão motivos de sobra para justificarem esta minha referência.

E outras, que certamente surgirão neste espaço.
publicado por shark às 12:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

AUTO-RETRATO

Hoje acordei assim:

dromestica me.JPG

(A foto é minha, na autoria também)
publicado por shark às 11:11 | linque da posta | sou todo ouvidos

AGORA VARREU-SE-ME...

Que nome se dá à tendência que as pessoas têm para usarem os outros como pretexto, como atenuante, como desculpabilização para os seus impulsos menos dignos ou menos suportáveis nas suas consciências?

Aquela cena do “se tu fizeste eu também posso fazer” e assim…
publicado por shark às 10:58 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NAS ESCOLHAS VIRTUAIS

viva a multidao.JPG
Foto: Shark

Às vezes parece que dá mais pica partilhar a nossa vida, as nossas impressões, com um grupo quase inteiramente anónimo que nos lê do que com pessoas que nos são próximas. É a sensação que isto de blogar nos dá, sobretudo quando comparamos o que damos de nós aos amigos e à família com o que preferimos divulgar por esta via.
Dei comigo a constatar que digo muito mais de mim nestas postas, a cada pessoa que me lê, do que pessoalmente, por email ou por telefone a quem considero amigo/a. E o fenómeno não é um exclusivo meu. Muita gente que bloga prefere investir o seu tempo num post do que a dizer o mesmo a alguém disposto a ouvir ou a ler as mesmas impressões em privado.

Julgo que é nestas alturas que entendemos o que valemos para os outros e o que os outros valem para nós. E por outros refiro-me às pessoas que temos como mais próximas, a quem não oferecemos tanto do que temos para dizer como a quem calha passar num blogue para nos ler.
Preferimos divulgar ao mundo em primeira mão tudo o que nos interessa, em detrimento das pessoas que deveriam estar destinadas a partilharem connosco essas palavras, esse pedaço do nosso tempo que optamos por esgotar diante de um teclado e de um monitor.

E é mesmo de uma escolha que se trata, pois enquanto blogamos não podemos comunicar de outra forma e damos connosco a fazer resumos apressados aos “analógicos”, para cumprir calendário, daquilo que depois explanamos à larga “para inglês virtual ver”. Dá que pensar em matéria do valor que as pessoas mais chegadas assumem na nossa consciência e na nossa vontade de darmos de nós. Porque damos mais aqui, a quem passa, a andarilhos que cruzam os nossos caminhos por coincidência e depois seguem à vida, não nos aturam as birras, as insolências, os desabafos e outras merdas que reservamos para o tempo que damos a quem nos quer bem.
O resto, preferimos blogar.

Para toda a gente nos partilhar.
Tags:
publicado por shark às 00:49 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA TELEGRÁFICA

Detesto telegramas.
publicado por shark às 00:19 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 06.08.06

CADA VEZ MAIS ALENTEJO

uma casa portuguesa concerteza.jpg


calor no asfalto.JPG

Fotos: Shark
publicado por shark às 20:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA OU TEIMA?

Sou pessimista. Ou pelo menos desconfiado o bastante para nunca ter nada como adquirido, mesmo depois de ter esse nada diante do nariz.
Por isso mesmo, é raro criar expectativas e quando as crio dou-me mal. O mesmo se passa com os planos para o futuro que acaba por acontecer sempre como o passado e o presente impõem.

Atrevo-me a sonhar, faz parte de mim, mas nunca fora do plano da pura fantasia. E até posso lutar pela concretização desse sonho, mas só acredito quando o vejo acontecer e não acordo com um beliscão certificador.
Gosto de sonhar acordado e isso obriga-me a confrontar-me a toda a hora com a realidade como ela é, sem grande margem de manobra para ilusões. As que perseguimos, imensas, e as que vivemos, escassas, quase nos passam despercebidas no meio da confusão quotidiana.

Tenho os pés assentes no chão em matéria do que acredito plausível, mesmo quando arrisco um devaneio qualquer. Nunca dou como certa a minha reacção e o mesmo critério se aplica às das outras pessoas (que nunca cessam de me surpreender).

Só tenho a morte por garantida e uma mão cheia de recordações que ela cuidará de apagar.

Tudo o resto é apenas pó que algum vento irá soprar um dia.
publicado por shark às 00:00 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 05.08.06

A POSTA SARAIVADA

Como poderão constatar na caixa de comentários da posta anterior, tenho um amigo fotógrafo (daqueles a sério). O que nos aproxima, como o péssimo feitio que partilhamos, é o mesmo que nos afasta. E os nossos caminhos cruzaram-se por acaso, devido apenas à lamentável coincidência de termos trabalhado em tempos na mesma revista e, ainda pior, em equipa por diversas ocasiões.

Isto para vos explicar o teor da nossa ligação cujos contornos transpiram do clima que o bacano cria de cada vez que intervém a meu respeito. A porra é que o gajo é bom na cena (já falei do assunto neste pasquim mais de uma vez) e eu não consigo deixar de lhe dar mais atenção do que merece e muito mais do que eu tenho para lhe dispensar.

Feito o intróito, passo a explicar a lengalenga que o fulano (Pedro Saraiva) debitou no seu enigmático comentário.
Por ironia do destino, o pouco que fizemos juntos saiu bem. Nem ele nem eu entendemos como nem porquê, mas as minhas palavras vestiram bem alguns dos seus excelentes momentos na publicação onde ambos desempenhámos diferentes funções.
Daí, agora que ele já é um artista que expõe e tudo e eu continuo o mesmo moinante com algum jeito para palavrar surgiu-lhe a ideia peregrina de me convidar para debitar umas prosas acerca de cada uma das fotos em exposição num local (magnífico) que vos referirei mais adiante.

Com todas as limitações e disfunções que a sua intervenção abaixo denuncia, o Saraiva é um fotógrafo que me prende a atenção. Gosto do que ele faz e sinto-me lisonjeado pela sua insistência numa parceria que, espero, pode proporcionar momentos agradáveis para quem lhe possa observar os resultados.

Logo que (à trigésima tentativa) eu consiga debitar textos que satisfaçam os elevados padrões de Sua Senhoria ao ponto de poderem acompanhar o seu trabalho exposto no número 17 da Rua das Pedras Negras (à Sé, em Lisboa), o Work&Shop que eles (ele e a sua sócia) criaram para acolher quem gosta de artesanato, fotografia e outras coisas dessas que a malta não dispensa, darei conta desse facto e depois vocês vêem se arranjam pachorra para ir dar uma vista de olhos na cena.

Até pode ser que sintam que valeu a pena.
publicado por shark às 11:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 04.08.06

A POSTA PRA VER

fachada monumental.JPG


baloon.JPG


arco iris.JPG

Fotos: Shark
publicado por shark às 14:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A LOUCURA DOS QUARENTA

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<img alt="parapente.JPG" src="http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/parapente.JPG" width="410" height="307" /

<strong>Depois dos quarenta</strong> sofri, como julgo que aconteça com os outros machos da espécie, algumas transformações subtis daquelas que se instalam na nossa forma de ser e de estar como softwares marados, insidiosos e piratas, que aterram no disco sem darmos por ela.
Coisas pequenas, quase imperceptíveis no dia-a-dia, mas que influenciam bastante o comportamento de um gajo quando se manifestam de forma automática, involuntária, e assim nos apanham de surpresa.

Com a idade passei a sentir mais na pele as mudanças do clima. Variações bruscas da temperatura que antes eram inofensivas, começaram a fazer-se notar no meu esqueleto e acima de tudo na minha predisposição para determinadas actividades humanas. Como jogar à bola, um pouco mais complicado quando emperram as juntas.
Contudo, o “clima” assumiu igual preponderância. Passei a dar mais atenção às questões de pormenor, mais permeável a essas diferenças térmicas que um diálogo mais quente ou um ambiente propício podem proporcionar.
<img alt="a noite que me comanda.jpg" src="http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/a%20noite%20que%20me%20comanda.jpg" width="512" height="384" />
<em>Foto: Shark</em>

O envelhecimento (ou a maturidade, para quem preferir) desperta-nos para a vida que acontece nos detalhes. Das pessoas também. Um ombro desnudo, um olhar apelativo, uma indumentária especial. E a atitude, o empenho, a frase certa, o gesto adequado.
As pequenas coisas que de repente passam a fazer a diferença na subida ou na descida do mercúrio no nosso termómetro interior. Uma delícia, confesso, um gajo dar consigo a saborear estas cenas que antes passavam despercebidas no meio da gula desenfreada.

Tudo adquire uma nova dimensão, mais sensual. Como se em vez de emborcar a água aos golos pelo gargalo de uma garrafa, sedento, desatento ao diferente sabor que as águas assumem, me desse para absorver o líquido precioso gota a gota. Até ao fim, na mesma, mas empenhado na degustação como se esta constituísse uma forma de sede acessória, alternativa, indispensável, complementar.
A pele mais sensível, mais atenta às sensações. E a cabeça no lugar, confiante, livre dos medos e das vergonhas, dos anseios e das hesitações.

O clima que se cria em torno de uma dada situação. O charme, o calor, a calma necessária para aguardar o momento ideal que se constrói passo a passo, como um lego, sem pressa que torne despercebida uma fresta por onde o frio possa penetrar. A temperatura amena, com tendência a subir. Meteorologia rigorosa, como a que se aplica a um vinho de excelência para o apreciar melhor. A medição com os ouvidos, pelas palavras, com os olhos, pelos gestos e pelas expressões, e em certas circunstâncias, pela reacção epidérmica ao toque suave de uma mão.

<img alt="outro a nascer.jpg" src="http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/outro%20a%20nascer.jpg" width="512" height="384" />
<em>Foto: Shark</em>

A sensacional revelação de que a passagem do tempo não faz esmorecer o entusiasmo (tá bem, a tesão também…), antes o sublima e doseia nas devidas proporções. Quando é preciso (o entusiasmo), está lá. Atento aos tais pormenores, os estímulos insuspeitos, imprevistos, que nos fazem disparar a adrenalina. A graciosidade de um enrolar do cabelo nas pontas dos dedos, o botão desapertado na blusa, a lingerie criada por quem entende como é bonito um corpo de mulher e como um pedaço de tecido se transforma num motor de explosão. A ignição no nosso olhar encantado por miríades de impulsos agradáveis, o milagre da multiplicação da vontade mais um toque de serenidade que nos permite merecer pelo empenho tanta fartura de pequenas emoções.
Os preliminares de si próprios, anunciados aos poucos na subida gradual da atracção.

Aos quarenta, queremos que valha sempre a pena. Que seja sempre muito bom. Exigimos mais e melhor, de nós e das situações que queremos explorar, na cama sobretudo.
Perdemos, falo por mim, a paciência para catraias. As expectativas elevadas têm maior correspondência no comportamento felino de uma mulher madura, exigente, ela própria concentrada em potenciar os momentos especiais.
Trabalho de equipa, parceria, acontece a magia prolongada, a emoção despoletada desde o primeiro instante (quando se recebe o impacto visual de alguém que se preparou por dentro e por fora para nos agradar).

E o mais giro é que também funciona na perfeição quando o termómetro rebenta escaldado e mandamos as medições às urtigas, roupa espalhada pelo chão.
Não morre em nós a capacidade de resposta imediata, se tem que ser agora mesmo a malta pode entreter-se a “preliminar” depois, nem que seja numa agradável e bem disposta, mais atrevida, sessão de palheta. Dá para tudo, esta disposição de quarentão que me tem surpreendido pela positiva e não dá mostras de querer abrandar.

<img alt="ocasos especiais.jpg" src="http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/ocasos%20especiais.jpg" width="384" height="512" />
<em>Foto: Shark</em>


Sinto-me melhor, em muitos aspectos, do que há vinte anos atrás (sim, no entusiasmo também). Mais consciente de mim e dos outros e das outras que são a alma do que chamo ser feliz. E sou, sempre que (re)encontro a paz comigo próprio e me posso dar ao luxo de ser como sempre me gostei. Sem merdas e sem vontade de conflituar ou de me embaraçar com atitudes menos próprias de mim.
E disso dou conta para que os chavalos que me leiam possam em simultâneo perspectivar o futuro com razões para não o temerem e percebam que vale a pena tentar antecipar alguns dos prazeres que só a idade nos traz.

A pele da vida que se agarra com a mesma sofreguidão, ou maior, porque o tempo anuncia-se mais curto na cabeça grisalha, mas acariciada por prazer com os dedos, com os lábios, com tudo o que temos para oferecer mais uma espécie de gratidão muda pelo que de bom a vida nos dá em troca. No sorriso de um filho que cresceu ou de uma mulher transpirada pelo ardor do amor que recebeu.

O amor que damos, refinado, quando vibramos por dentro mas conseguimos transmitir e absorver o desejo, a paixão e o prazer com o requinte dos entendedores que só a experiência de vida consegue moldar.
Aos vinte era fixe, mas aos quarenta fica tudo melhor. Antes, durante e depois.

Se pudesse recuar no tempo ia lá buscar-me para curtirmos os dois.

<img alt="vinte e muitos.JPG" src="http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/vinte%20e%20muitos.JPG" width="122" height="93" />
publicado por shark às 12:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quinta-feira, 03.08.06

FATO E GRAVATA (repost)

autocarro.jpg
Foto: Shark

Deitou-se arrasado, depois de um dia interminável. Nem comeu.
Sentia-se tão cansado que não tinha sono, apenas uma enorme vontade de dormir. Deitou-se de costas sobre a cama e fixou o tecto, tentando encontrar na monotonia daquele padrão ondulado a sonolência que tanto sentia precisar. Passados alguns minutos, constatou que a receita não resultava. Suspirou.
Lembrou-se de um clássico. Projectou com a imaginação uma cerca e um apreciável lote de ovídeos que se disporia a contar, até à exaustão. De cada vez que imaginava uma daquelas bolas de lã com patas a pular como um cavalo educado na melhor escola de equitação, bufava. Mas nem uma vez bocejou.
Trocou os cordeiros pela mais diversa bicharada. Cangurus e coelhos, pulgas e gafanhotos. Nem um elefante faltou à chamada, mas esse não saltou. Antes destruiu a vedação imaginada e com ela a esperança de que o expediente resultasse num sono repousante e feliz.

Acabou por se levantar, foi à janela espreitar o resto do mundo que dormia e invejar em silêncio, vento frio a soprar-lhe entre as orelhas e a gola do pijama, o descanso imprescindível que até uma cidade enorme se permitia usufruir. Sacudiu-se num arrepio. Todavia, insistiu em enfrentar a brisa glaciar daquela madrugada de final de Outono.
Estava bonito, o céu. Carregado de nuvens iluminadas pelo reflexo laranja da iluminação urbana, parecia abraçar a superfície abaixo, como uma gigantesca almofada onde os anjos dormiam ferrados e sonhavam o dia a seguir.
Ele pensava o dia acordado, gelado, em discreta vigília do sossego nocturno da totalidade dos habitantes daquela rua. Nem um gato vadio quebrava a paz daquele momento tranquilo, todos ressonavam bem alto e faziam pirraça ao protagonista sonâmbulo de um pesadelo vulgar. Acendeu um cigarro. Assim mantinha entretida a boca que reprimia a vontade de berrar o desagrado, de acordar à força a vizinhança e torná-la solidária num período difícil da vida de qualquer cidadão. Sentir-se-ia menos só, se pudesse trocar umas impressões sinceras com o pianista do lado ou com a doméstica de cima, tanto fazia, acerca das broncas que lhe atormentavam a vida e lhe tiravam o sono. Os problemas que o despertavam para a falta que faziam os outros em hora de aflição. Esta era a sua.

O relógio na cabeceira, implacável, contava em taques os segundos que se escoavam rumo à hora de levantar outra vez, os tiques diários, apressado ritual de pequenas tarefas que todas somadas pareciam inventadas só para o atrasar. Ele corria, vida em contra-relógio, sempre com medo de faltar à chamada do autocarro, carreira vinte e um, que passava na rua detrás precisamente às oito horas. Nem mais um minuto, motorista cumpridor de um raio que o parta, o seguinte só passado um quarto de hora e o patrão não perdoava tanta desculpa igual. Como se fosse obrigação de alguém ter pressa de chegar à merda de emprego que sua alteza se encarregara de providenciar. Era a aventesma do patrão que o privava de dormir, com a miséria de ordenado que não compensava o serviço de qualidade superior que lhe prestava aquele magnífico funcionário que merecia uma promoção. Mas isso, o sacana não apressava. Filho da mãe!

Sentiu o sangue fluir pelo corpo, rompendo a custo as barreiras de mau colestrol que haviam de o conduzir ao enfarte de miocárdio tradicional do operário urbano, moderno, atascado em papelada num agitado escritório. Morriam novos, as estatísticas o diziam, os trabalhadores do terciário mais empenhados em singrarem na vida, em progredir. Sobretudo os que não dormiam, pensou. E sentiu ainda mais o frio da madrugada, apagou o cigarro e enfiou nos lençóis a carcaça dorida, já o sol rasgava a noite por detrás do horizonte de betão. Precisava mesmo de dormir.

Mal teve tempo de encostar o rosto no travesseiro, em sonhos, que o maldito despertador desatou numa berraria. A insónia era mentira e estivera sempre a dormir. Deitado de costas, fato e gravata, tal e qual adormecera, acordou mil vezes mais fatigado que no dia anterior.
Acabou por se atrasar a sair para a rua, tentando remediar sem sucesso os vincos na indumentária.

Do outro lado da cidade, nesse mesmo dia ao jantar, um menino contou aos pais, impressionado, como no caminho para a escola, pelo vidro da traseira do vinte e um, viu pela primeira vez na sua vida um homem crescido a chorar, ajoelhado num abraço a uma paragem de autocarro vazia.
publicado por shark às 18:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA PRA VER

vento alazao.JPG


em paz.JPG


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Fotos: Shark
publicado por shark às 11:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Quarta-feira, 02.08.06

FIEL AO AMOR QUE TE DOU

telhados sem vidro.JPG
Foto: Shark

Quero que pares de verter lágrimas, por favor. Não chores nem te revoltes quando fazemos amor como o fazes sentida pela minha repetida ausência ou por algo que não te caia bem.
O teu soluçar, a tua revolta, acaba por rasgar uma fina película que me cobre o coração e o resguarda da consciência da desilusão que posso constituir.
E eu não quero admitir o meu papel de algoz, soa-me atroz este desgosto que manifestas nas minhas costas ou no momento em que te entregas, por baixo ou mesmo por cima de mim.
Quero que não entendas esta afirmação como uma inconcebível proibição mas apenas como uma súplica que te faço para me poupar a tudo o que resultar de negativo da minha presença na tua existência tão importante para mim.
Tu conheces-me assim, desregrado, facilmente desviado daquilo que não passam de previsões falíveis. Apelos irresistíveis que se apoderam da minha vontade, maluqueiras, e eu perco as estribeiras quando me temo cativo de um constrangimento qualquer.
Não faças planos, mulher, pois sou imprevisível e acho inconcebível uma vida definida por antecipação.

Sou um filho da ilusão, amante da utopia. Bastardo da liberdade reprimida que nunca aceitarei como herança. Não sou de confiança para quem me anseia tutelado por imperativos morais alheios à minha convicção de que a força de uma paixão é superior a todas as razões apregoadas pelo ícone conservador. Dizem-me que o amor só é puro e aceitável quando o tornamos enquadrável num determinado padrão.
Mas este meu coração renega todos os pressupostos e não alinha nos gostos instituídos como um uniforme que nos disciplina. Este homem não atina com as regras que o seu mundo tem.
O amor é rebeldia também. Parte da sua magia deriva da irreverência. Confundem consistência com uma espécie de estabilidade governativa sentimental.

O amor é revolução, agita. Porque acredita na liberdade sem restrições, instintivo, e não se aceita cativo de modelos que não o permitam activo, disponível. Não tolera que lhe digam ser possível existir um amor em demasia, vive na fantasia de uma perfeição condicionada pela educação castrada que transforma o ciúme num contrato vitalício em regime de propriedade horizontal.
O amor não pode ser visto como um mal, sempre que extravasa as suas alegadas competências. Contos de fadas, fidelidade canina, de uma forma genuína aos olhos de uma sociedade que o ordena mas nunca cuidou de o aprender.

E dói a valer essa humidade no olhar que me dedicas, quando sentes que abdicas de algo essencial em prol desse amor que gostaria de me impor um recolher obrigatório das emoções tresmalhadas.
O meu rebanho emocional é feito de alazões que a pele de ovelhas nunca consegue cobrir. Apenas disfarça o meu sentir como uma mezinha caseira para atenuar uma maleita. Mas eu não sinto doente a minha forma de amar alguém. Sou amante, sou amigo, sou um homem nascido para viver a felicidade espontânea que nasce nas árvores como musgo, imprevista, podendo fluir em simultâneo como a água na nascente de um rio.
Contudo, a minha forma de ser feliz implica a tua felicidade por inerência. Implica a obediência aos dogmas de uma doutrina que não se coaduna com aquilo que se produz onde não alcança o longo braço de lei alguma, incontrolável.
Por isso te peço que me ames tal e qual como sou, na certeza de que não vou desertar da minha forma de te amar nem a permito conspurcada por um sentimento marginal. É sempre legal a razão que um coração invocar e o meu pertence a quem o souber conquistar sem a violência de barreiras ou imposições.

Parece libertinagem mas é uma vantagem entender esta parte da minha essência que cria uma distância que se expõe artificial. É muito natural que existam pessoas como eu, diferentes para pior na óptica de quem me preferiria um pouco mais igual à maioria dos que afinal apenas se afirmam melhores porque libertam nos bastidores, às escondidas, os seus amores clandestinos que lhes traem as posturas apregoadas.
Mas eu sou um gajo desbocado, não me quero privado pela mentira da liberdade que reclamo na tua presença com a mesma sinceridade que escrevo aqui.

E tu, destinatária, és todas as mulheres que amei, que amo ou amarei no futuro. É muito mais seguro saberes com o que podes contar e poderes assim rejeitar a tempo o impulso desnorteado que em má hora te empurre para mim.
Sou uma péssima escolha se buscas uma solução tranquila e fiável.

O meu amor é indomável.

Mas algo no teu interior jogará a meu favor.
O teu coração consegue ver com clareza o que a lógica desmente com a certeza de uma tipificação absurda que nunca me definirá como pessoa incapaz de te amar como nunca alguém conseguiu.

As lágrimas que deitas ou a forma como me rejeitas, aqui e além, são produto de uma visão distorcida pelos contornos de uma vida que nos cega o instinto e amordaça a voz cristalina do amor sem mácula ou dor que não se subordina a padrões.
A verdade das emoções sorri, divertida, sempre que se assume foragida de condicionalismos exteriores.

Na intensidade dos meus amores, na sua força incontida, nasce a argumentação plausível quando acredito no impossível e abraço sem hesitar alguém que apaixonar a minha tentação libertária.

E me ofereça de bandeja a oportunidade que deseja quem vive o amor como ele se sente e não como ele se diz.

Correndo à solta pela planície, puro-sangue.
Livre.

E acima de tudo feliz.
publicado por shark às 14:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Terça-feira, 01.08.06

A POSTA NA PRIVACIDADE VIRTUAL

Não sendo anónimo, já por diversas vezes aqui publiquei o meu rosto e o meu nome (alguém por mim publicou o resto que falta para todos saberem quem sou se o quiserem), fico sempre espantado quando alguém que não conheço me contacta por email. Mulheres, sobretudo, pelo estigma associado a uma cultura absurda de culpabilização da gaja que toma iniciativas.
Essa culpa assenta na interpretação doutrinada de que quando uma mulher toma a iniciativa é seguramente uma puta.

Muita gente pensa dessa forma e assume tal interpretação, o que pode suscitar faltas de respeito ou abusos de confiança. Ou ainda pior, se tivermos em conta que normalmente desconhecemos de todo o fulano do outro lado da linha.

Por isso me surpreende esse gesto quando se verifica. Pela coragem ou pela certeza que deve exigir a quem na prática abre uma nova via, privada, para a comunicação com alguém.
Desconheço o impulso que leva algumas pessoas a abrirem essa porta a estranhos, embora seja óbvio que essa porta pode fechar-se em qualquer altura (normalmente não é isso que se verifica). Sobretudo quando nem sabem ao que se expõem, pois é fácil pintarmo-nos por escrito de todas as cores na paleta.

O que está em causa é o tal estigma da iniciativa, um horror muito macho a essas coisas que constituem um privilégio de gajo e que, se calhar, até está na origem das tais interpretações erradas: “Olha, a gaja mandou-me um email. De certeza que anda à procura de qualquer coisa”. E afins.

Eu admiro a coragem de quem mete para trás das costas os medos e as falsas questões e assume um comportamento que qualquer pessoa de ambos os sexos deve por princípio ser livre de escolher. Porque reconheço o dilema subjacente, ainda que o objectivo desse contacto “arrojado” seja apelativo o bastante para vencer a renitência. Até pode ser apenas um assunto banal, uma questão menor que se pretende esclarecida fora dos olhos de outras pessoas.
Em privado, longe dos olhares que não se querem demasiado a par daquilo que temos em vista.

Isto pode soar imbecil, pois é voz corrente que já ninguém liga a estas tretas. Mas eu continuo a constatar os tais desvios que conduzem às interpretações levianas e preocupa-me que as reacções menos correctas a esses contactos possam constituir um factor de desmotivação para quem os arrisca.

Por outro lado, muitos romances secretos têm início assim, escondidas as palavras de outros olhares que não os dos interessados.

E isso por si só já basta para justificar essa aposta.
publicado por shark às 22:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

AGARRADA PELAS ANCAS

ceu espelhado.jpg
Foto: Shark

Olhar a vida que se escapa à socapa por entre os dedos, como areia na ampulheta que nos engana com a ilusão de podermos medir o tempo que nos resta pelo tempo que se escoou.
Olhar aquilo que passou e sentir que agora é sempre o momento melhor porque se antecipa o sabor do que podemos viver amanhã.

A esperança a encher-nos o peito como ar fresco do final da madrugada. A dúvida dissipada como a neblina instalada por instantes sobre o espelho de água que tão bem reflecte o céu. Um sopro de calor que as afasta com a certeza de que vale a pena lutar pelo que importa conservar, no contexto da felicidade tal como se apresenta ao nosso olhar sobre a vida que não queremos de partida.

A nossa e a dos outros, apenas uns poucos, preciosa. Quem connosco partilha as coisas de que uma vida se faz, lágrimas e sorrisos importantes, pessoas deslumbrantes porque nos arrastam seus ao longo de um caminho que exigimos comum.

Os filhos que fazemos e assim lhes oferecemos o milagre de uma vida para olhar. O amor que dedicamos, tão intenso, e aquilo que recebemos de volta como um sonho que a realidade corporiza. A tangibilidade da nossa presença nos olhos de quem observa a vida num lado de lá que é dentro de nós afinal.
A simbiose total, de vez em quando. Ou o amargo sabor de uma penosa separação. Acontecimentos que nos fazem a história contada em momentos de introspecção partilhada com a confiança que queremos depositar em alguém.

Muitos filhos da mãe, como chacais, envergam os seus punhais, traiçoeiros, e cravam-nos nas costas da alma as exclamações de medo e as reticências que nos intimidam como um gigantesco ponto de interrogação. Quantos mais se cruzarão, insuspeitos, pelo raio de visão de que dispomos sobre a vida que o acaso nos determina e apenas influenciamos nas decisões menores?

A vida com diferentes sabores, amargo e doce, salgado e picante, de todas as cores, amigo ou amante, segmento ou parcela, compete-nos vivê-la como se esta existência tão valiosa estivesse prestes a chegar ao fim.
Faz todo o sentido quando a pensamos assim, efémera, porque nos alerta para a emergência de aproveitar todo o tempo para amar.
Outras pessoas e a nossa essência também.

A vida que se tem, para olhar, usar e abusar antes que escape sorrateira. A folha derradeira no calendário que outras mãos irão rasgar um dia. O tempo parado porque fica esgotado na percepção de que podemos usufruir.

Admito partir mas exijo-me agarrado a este lado com a tenacidade desta indómita vontade de absorver aquilo que me oferecer o destino que alguém traçou (ou não) para mim.

Quero-me assim, incondicional.
Nesta vida que sinto e aprecio como uma mulher especial.

Com as duas mãos.
publicado por shark às 15:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS 2

carreira 28.jpg


apolo 70.jpg


garedooriente.jpg


aquario vasco da gama.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 11:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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