Domingo, 16.04.06

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 18:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 15.04.06

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Foto: sharkinho


A gravidade é um conceito muito relativo. É grave atribuir demasiada importância a problemas que o tempo se encarrega de arrumar no devido lugar da escala de impacto nas nossas existências. É quando o problemão se transforma num probleminha, às vezes quase numa anedota para partilhar com os amigos na esplanada.
A gravidade depende não só do contexto como da disposição. E da comparação com outros eventos ou preocupações, os nossos e os dos outros. É a relatividade que se impõe, energia desperdiçada numa matéria sobrevalorizada que noutras circunstâncias nem seria alvo da nossa atenção.
A gravidade da situação reside no quanto nos desvia da felicidade essa tendência para a concentração nas pequenas mariquices do quotidiano. Palermices que nos ameaçam a boa disposição. Mas só mais tarde descobrimos a verdadeira dimensão da asneira que nos consumiu. E que muitas vezes nos afasta do que é prioritário, aquela perseguição da utopia que nos transmite a ilusão de ser feliz.

Para se ser feliz, se calhar bastava nascermos ensinados a substituir o tempo por antecipação, na devida arrumação dos transtornos no armário das memórias das histórias menos agradáveis. Muito mais saudáveis, os dias encarados dessa forma mais ligeira...
Seria mesmo à maneira, para evitar a gravidade da distracção que nos provocam tantos desgostos supérfluos acrescentados sem razão às cicatrizes desnecessárias das lágrimas vertidas em vão. Ou os gritos de arrelia a destruírem a alegria que só as coisas verdadeiramente importantes nos dão.

A gravidade é relativa. Atrai-nos de forma depressiva da alegria de um voo no céu para a tristeza ao nível do chão.
Quase sempre sem razão, agarramo-nos aos problemas de forma indiscriminada (mesmo aos que ainda estão para vir).

Quando afinal, na maioria dos casos, o melhor é mesmo deixar cair...
publicado por shark às 20:37 | linque da posta | sou todo ouvidos

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 15:13 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 14.04.06

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Foto: sharkinho
publicado por shark às 14:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 13.04.06

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Foto: sharkinho


No silêncio encontro as respostas. Pelas perguntas que a ausência suscita, pelas coisas que explica o consentimento de quem cala. Permito-me especular quando me falta a explicação devida para os mistérios e as contradições. O sentido que preciso encontrar para aplacar o desassossego instilado pela tendência paranóica que me empurra para as dúvidas (des)necessárias e para os esclarecimentos necessariamente perturbadores. É esse o motor da suspeita, o temor da falsidade que a desconfiança inventa. Ou acelera na revelação das verdades que preferiríamos nem conhecer.

No silêncio da omissão, a manobra de diversão, escondem-se os fantasmas do engano, os esqueletos no armário que expostos à luz do dia convertem em adversário o aliado que antes merecia a confiança que a escuridão do segredo proporciona.
Jardins secretos onde se ocultam na vegetação as informações prejudiciais à imagem que se pretende pintar.

No silêncio da negligência, a medida da importância que alguém nos atribui, camuflam-se as perdas em consequência do fenómeno de erosão. Morre a vontade de comunicar quando se extingue a necessidade de uma efectiva proximidade que apenas se cultiva por tradição.

No silêncio da ressaca de um momento constrangedor, um episódio desolador que desmotiva o contacto, obliteram-se as hipóteses de uma reconciliação fundamentada. A conversa adiada é um sintoma de desinteresse, um problema que carece de algo mais para se resolver. Deitar tudo a perder pela falta de comunicação, uma óbvia solução de recurso para criar a distância intransponível alimentada pela interrogação deixada no ar.

Mas no silêncio encontro igualmente a paz, poupado às agressões dos sons que me desiludem, das coisas que me dizem de propósito para testar o cabedal que invoco nas arremetidas de fanfarrão. Fico sossegado assim, fechado em mim, isolado do exterior.

Exilado, solitário nas cogitações, na frágil redoma que poupa aos de fora o dispensável calvário das minhas limitações.
publicado por shark às 12:00 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 12.04.06

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foto: joana

Porque as pessoas-exemplo têm que ser enaltecidas. Mostradas ao mundo.
Porque, repito, recupero ainda um resto de fé nas pessoas, em todas as vezes que me lembro dela.


Mar
publicado por shark às 17:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Terça-feira, 11.04.06

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aqui

ou como iludir a realidade que nos esmaga, imaginando que esmagamos nós aqueles que, aos nossos olhos, nos superaram. Há quem só saiba viver assim.
Teria sido tão simples, pensam, bastava apenas que não tivesse aparecido quem desviou o rumo das águas, da baía que melhor as acolheria.
Há quem o faça a dormir, outros acordados, uns por desporto, outros compulsivamente.
A meio de uma celebração nunca tinha visto.

Mar
publicado por shark às 09:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 10.04.06

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Ele há dias em que não acerto uma. São dias interessantes, ao longo dos quais vou aprendendo diversas lições de vida à bruta. Conclusões que se extraem das reacções das outras pessoas. Falsos pressupostos desconjuntados, desabados sobre as certezas como entulho de raciocínios no vazio.
Mas um gajo retém aquilo que interessa, sobretudo a mudança nas atitudes e nas preocupações (que variam, como o rumo do vento, ao sabor do pensamento e das emoções que o agitam – ou não). E orienta as acções em função das novas correntes que se formam.

É que a malta cresce, amadurece, desenvolve perspectivas consentâneas com a dimensão do presente tal como o aceitam e não com a do passado que rejeitam sem querer, nos pequenos pormenores que escapam (os que me desacertam a pontaria nas intervenções).
E eu cristalizo nas últimas percepções, avanço com um sorriso e arreganham-me a dentuça. A mudança acontecida e uma pessoa distraída a ser como dantes seria.

Aprende-se assim a arte da flexibilidade e da readaptação. Jogo de ancas e golpe de rins, pontapé encaixado no ego amolgado e ecoa no ringue o momento final de outro assalto no difícil combate de lidar com pessoas. Como um camaleão, enxotado enquanto verde e abraçado em tom vermelhão. Isso ou o ar contrariado de quem nos ouve no passado e reage no futuro que o presente nos ilustrou. Confuso, por vezes, mas esgota rápido a paciência de quem não nos tolera um equívoco na forma ou no conteúdo. Uma espécie de Entrudo, todos os dias, mascarado daquilo que os outros são capazes de nos aceitar. Tudo menos os entusiasmos juvenis, a nossa essência, que manda a prudência que resguardemos a euforia. Uma velha mania dos que sonharam algures com um padrão consensual, imutável.

Mas a vida acontece em permanente transformação. Nas pessoas também. E nas suas embirrações, modeladas pelas ligações frágeis que se estabelecem às apalpadelas. Ainda agora era assim. Entretanto mudou. E um gajo esbarrou com a realidade nas ventas, a sério que ainda te apoquentas com merdas assim? Que ganda palerma, não passas de um totó…

Recuso-me a aceitar a factura da inconstância, aumento a distância para melhor resguardar um mínimo de convicção. Baralham-me as alterações sucessivas, as atenções obsessivas convertidas por milagre em factores sem relevância alguma. Perturba-me nunca saber como agir bem, perseguir sem sucesso a melhor actuação. Mas acabo por aceitar as regras impostas, desabafo nas postas e calibro melhor a arma social. Esgrimo então os argumentos que servem os propósitos da minha integração, que se lixe, ou espreito pela mira de uma espingarda de brincar e apenas digo pum. Ou solto mesmo um, nas melhores instalações sanitárias, enquanto cogito acerca do sentido da vida e da importância que a gente lhes dá. Aos outros, que nos aceitam apenas nas ondas serenas da aparente perfeição, nos intervalos da sua irritação abafada.

Pecado sem perdão, errado quem não sabe a resposta à pergunta que ninguém ousa fazer. E a gente a aprender, à nossa custa e à dos outros também. Lealdade incondicional que um dia vira fatal, como o destino. Aos berros na nossa cabeça, os estandartes da revolução que sempre acaba por acontecer na nossa percepção das coisas, vista do lado de quem as aprecia. Maturidade ou calo no cu. Não sei bem…

Mas nunca falto às aulas. The truth is out there.
publicado por shark às 23:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

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Preferia falar-vos do aquecimento global do corpo na sequência de uma noite intensa na cama. Porém, os factos entram pelos olhos e distraem-nos com a dureza das conclusões a extrair.
O ciclone Larry, que atingiu a Austrália com ventos próximos dos trezentos quilómetros/hora, é apenas um de entre os sinais que se multiplicam ao ponto de já nem constituírem notícia de abertura nos telejornais.

Já nem podemos virar a cara para o outro lado, pois tanto derrete o Pólo Norte como o Pólo Sul. E as marcas visíveis da ameaça que pende sobre o nosso futuro fazem-se sentir em todo o planeta. Em Portugal, e apesar de os optimistas considerarem normal (com base na análise das estatísticas de períodos longos que, naturalmente, diluem nas médias a quantidade e a dimensão das catástrofes da última década – a negação “política” que evita o alarmismo tão pernicioso para a sacrossanta economia), a seca recente e os tornados espontâneos cada vez mais frequentes constituem o nosso quinhão da factura worldwide.

Uma enxurrada de inundações, um rodopio de furacões, animais a alterarem hábitos milenares ou a lançarem-se, como as baleias e os golfinhos, para a morte e assim contrariarem um dos instintos mais básicos com que a Natureza os dotou. Mas também nós, humanos idiotas, parecemos ter perdido algures o gosto pela sobrevivência e envenenamos o clima com a nossa estupidez por omissão.
Omitimos o bom senso na forma como nos comportamos, como permitimos que crápulas como o Mister Danger boicotem os tratados que podem salvar-nos da hecatombe (ou apenas adiá-la). E este não é um termo bombástico, quando se fala em seis ou sete metros de aumento do nível do mar e passamos a conceber um litoral em conformidade. Em Serpa, ou em Mangualde…

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El Niño, recordam-se? Entretanto fez-se um “homenzinho” e continua a fazer estragos na temperatura dos oceanos e na comunicação destes com a atmosfera. O processo não desacelera, como o comprovam os números da última década e as tempestades de nível cinco em catadupas.
Ardem florestas no mundo inteiro (até no interior do Alasca…). Espécies com milhões de anos de evolução extinguem-se, sucumbem às alterações climáticas que lhes destroem o habitat e forçam a fuga para zonas livres do calor ou as tornam vulneráveis a maleitas que antes enfrentavam com as suas defesas naturais.

É o caso de várias espécies de sapo, cerca de dois terços das variedades existentes na América Central e do Sul, desaparecidas devido a doenças que parecem mais tenazes a afectarem os anfíbios do planeta. E de muitas outras, condenadas pelos efeitos desta insanidade de proporções industriais que já se faz sentir nos sistemas respiratórios da espécie humana. E nas consequências da exposição ao sol (a camada de ozono, recordam-se?). E nem sabemos ainda em quantas outras surpresas que os cientistas não conseguem explicar e ainda menos combater com eficácia.

Temos mesmo que levar a sério esta questão. O aquecimento global não é um papão do futuro dos nossos filhos ou netos, é uma realidade presente que está a dar cabo de tudo o que nos rodeia.
Se não conseguimos moderar a nossa intervenção negativa individual, que sejamos no mínimo capazes de pressionar os vários poderes que possuem meios para uma imposição coerciva das restrições e das obrigações dos que mais poluem. E para a aposta feroz nas energias alternativas.

Não vêem, pelas falinhas mansas e pelo discurso “ecológico”, que até as petrolíferas já acordaram para o problema?

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publicado por shark às 12:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 09.04.06

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 18:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 08.04.06

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A luz e a cor primaveris tomaram conta desta manhã. Do meu terraço, a Primavera vê-se assim:


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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 21:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

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Proibido na Indonésia

A Playboy foi vendida pela primeira vez no país onde um beijo com duração superior a cinco minutos dá pena de prisão. Nem um seio para amostra, o que deixou claramente frustrados os leitores da edição indonésia da mais famosa revista “para homens” do mundo inteiro. Mas mesmo assim uma heresia para o sector radical do islamismo daquela nação pouco reconhecida pela tolerância.
Apesar de os impostos sobre o tabaco serem um sustentáculo importante do orçamento do Ministério da Saúde português, vai ser proibido fumar em quase todos os espaços com telhado e paredes. E para reforçar a ideia do punho de ferro com que o assunto passará a ser tratado no nosso país, os maços de tabaco vão incluir sugestivas fotos de cadáveres e/ou órgãos internos danificados pelo consumo da nicotina.

Estes dois assuntos não têm nada a ver um com o outro? Pois, reconheço que teria que existir uma associação de ideias muito forçada…
De resto, enquanto a Indonésia deu um passo tímido na aproximação a uma parte da liberdade de escolha e de expressão ocidental, Portugal avança em passo de corrida para a colagem ao exemplo pouco louvável dos puritanos que permitem a venda de pistolas-metralhadoras em supermercados mas rejeitam a ameaça temível dos cigarros-bazucas nas esplanadas dos cafés.

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Proibido na Indonésia

O absurdo faz a ligação dos dois temas que me inspiram nesta posta. Assumo-me advogado do diabo em ambas as questões, pois reconheço tão válido o direito indonésio à nudez de um beijo apaixonado como o meu direito a partilhar um espaço arejado com pessoas mais espertas do que eu (as que não fumam).
Vou ser claro: estamos a falar de fundamentalistas. Os que fundamentam o seu receio às fotos de mulheres nuas por temerem que a tesão seja nociva para a fé e os que justificam a vocação proibicionista com base em números (as mortes de “fumadores passivos”) difíceis de comprovar (o que é um “fumador passivo” nas estatísticas? Uma vítima de cancro de pulmão que tinha comprovadas más companhias – fumadores assassinos?). E ainda nos acenam com o fantasma da impotência, nos recados impressos nas embalagens “ilegais” (o que seria péssimo para o negócio da Playboy nacional).

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Proibido na Indonésia

Detesto que a minha liberdade colida com a das outras pessoas. Mas não entendo que uma elite da sociedade (os que não fumam) tenha o direito de frequentar espaços que agora me são interditados (por pertencer à casta inferior, os que fumam), caso não queira aceitar a penosa privação de um cigarrinho imediatamente após a refeição.
Faz todo o sentido que existam condições para que quem não fuma possa evitar essas companhias indesejáveis. Mas também soa disparatado que quem fuma não possa frequentar uma discoteca sem passar o tempo a ir à rua para evitar uma sova dos seguranças por acender uma beata clandestina (que pode custar um dinheirão em multas aos respectivos patrões).
Ok, na Indonésia nem poderia beijá-la…

Mas porra, não poder fumar no local de trabalho???
Tal como acontece hoje com as drogas leves, um papão temível nas mentes esclarecidas de quem atribui às coisas o peso que a lei lhes dá, o tabaco será amanhã um símbolo de marginalidade, um rótulo pejorativo para qualquer cidadão. Não há volta a dar. Se é proibido, facilmente censurável e até tem fotografias de gente morta, um maço de tabaco será no futuro tão comprometedor para a imagem de alguém como um flagra no meio de uma ganza.

E este é só o início do processo que acelerará a conversão portuguesa aos novos fundamentalismos não religiosos que brotam como cogumelos na alucinação ocidental, a bushalização que nos transformará nos imbecis que sonharão embevecidos com o prazer proibido de uma baforada de SG à sobremesa.
Entretanto, na Indonésia, os apreciadores deixam de ter que sonhar às escondidas com um futuro mais risonho e liberal, repleto de maminhas destapadas.

Não me safo, marginal viciado, em nenhum dos países que citei...
publicado por shark às 12:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 07.04.06

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...Imagens dos bichos que tanto apreciamos (também) aqui no charco, colega.


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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 08:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quinta-feira, 06.04.06

A POSTA NUM HOMEM QUE EU VI

walking naked.gif

Devagar, como a chuva que escorre pela vidraça como uma ameaça latente que nos espera. O perigo lá fora, a água que molha a alma com gotas de vida sentida, olhos semicerrados, os lábios molhados pelos beijos do céu.
Nas calmas, a degustar o sabor ausente da chuvada cadente iluminada pela teimosia do sol. Arco-íris miniatura, pintado no reflexo de um rosto que se ama, num sorriso que se deu.

Sem medo de sentir, a chuva na cara e no corpo, cabelo encharcado de promessas da bonança que qualquer tempestade anuncia. Lá fora, a ameaça velada de uma semana engripada que só atormenta conformados de pele tão seca como o respectivo coração.
A porta que se transpõe para outra dimensão, entreaberta pela vontade de ir um tudo nada mais além. Rebeldia condicionada pelo guarda-chuva da contenção. Parece mal, apanhar uma molha. Coisa de maluquinho.
E ele assume sozinho o risco da euforia, abraça a alegria e espalha o pólen do amor pelas flores em seu redor.

Ele parece um homem feliz, assim desenhado na rua, rosto virado para as nuvens num desafio. Impermeável, determinado, indomável, apaixonado. Pela vida também e pelos privilégios que ela tem, a felicidade a chuviscar e a emoção a transbordar pelos poros alagados como numa tarde de amor no pino do Verão.
Parece um homem em paz, sossegado. Parece saber-se amado e dá ares de amar alguém. A vida também, em toda a sua grandeza, manifestada na beleza que atribui, mesmo aos mais insignificantes pormenores. Coisas simples, aliás, da existência que se faz pela soma das sensações. O preço das ilusões e a sua contrapartida, numa suave readaptação das utopias que se materializam, logo de seguida, em relações especiais. E duradouras.

Um ciclo que se completa com a consciência que desperta para uma atitude mais (eco)lógica. Reciclagem cuidada de sentimentos e de atenção, a prestada ao essencial em detrimento do supérfluo. Separadas as águas de um único rio com o leito vazio porque são outros os caminhos, alternativos, percorridos na fúria incontrolável da enxurrada. Sedimento de emoção excessiva, depositado no final de uma estrada com duas faixas que começa precisamente no ponto onde o sentido se inverteu. Sem princípio nem fim, subida e descida, o ponto de partida na meta que se alcançou.
Uma vitória, afinal, celebrada de braços abertos à chuva que tombou.

Aquele homem lá fora, ensopado, é um príncipe encantado pelas fadas-madrinhas que lhe tocaram a varinha para lhe oferecer um condão. Cada fada que deu, presentes passados, momentos preservados pela magia que recebeu. Cada instante no coração, gravado, cuidadosamente arquivado para nunca se poder banalizar. Especial.

A serenidade que ele transpira é uma fonte de inspiração, salpica-me o repuxo colorido da água que o baptiza em nome do deus maior que cada pessoa tem.

Eu chamo-lhe Amor. E Amizade também.
publicado por shark às 10:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 05.04.06

Abril

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aqui


Há iniciativas que vale a pena destacar. As que têm como objectivo preservar a memória, como a que a nossa Emiéle está a levar a cabo no Pópulo, já secundada pela Isabel no Troll, para além do mais, prestam um importante favor a todos nós: reviver Abril. Obrigada, amigas.
Há retalhos da nossa História que merecem parangonas de jornal e molduras a guardar imagens de cravos e cantigas de amigo.

Porque não se pode esquecer. Porque se deve contar a quem não sabe. Porque vale a pena viver em liberdade. Porque nunca, nunca vai ser demais celebrar.

Mar
publicado por shark às 13:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

DIAS ESPECIAIS... (II)

...Cheiram a maresia.

petalas onduladas.JPG


mar tirio.JPG


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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 09:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Terça-feira, 04.04.06

A POSTA NAS QUOTAS

Exercício 1 - Para além de ser um infeliz, o Sr. Manuel Serrão é um crápula da pior espécie e alguém devia criar uma lei que proibisse aos crápulas de qualquer espécie o articulismo obsceno na imprensa portuguesa. Nem que seja por uma questão de higiene pública.

Exercício 2 - As mulheres não são uma etnia. Por todos os deuses do número, as mulheres não são uma minoria. E todos os homens de sã masculinidade sabem que as mulheres não precisam de ajuda. As mulheres valem-se. As mulheres não carecem de préstimos insuflados e justificações de coxa estatística para seguirem a carreira da política. As mulheres não são maioritárias na política como não são minoritárias nas maternidades. As mulheres têm competências!
condicao feminina.gif
No parlamento do charco é fifty-fifty...


Os dois exercícios acima fazem parte de um conjunto que retirei, com a devida (mas cautelosa) vénia ao meu amigo e colega blogueiro Paulo Hasse Paixão.
Se no primeiro fiquei impressionado pela frontalidade com que o Paulo chama os bois pelos nomes (algo que às vezes uma pessoa reprime a custo), no segundo encontrei uma pista para o debate, que julgo necessário, acerca desta deplorável (por existirem justificações para a mesma) questão das quotas femininas na política.

Apesar das diferenças ideológicas que nos colocam nos antípodas do espectro político-partidário, eu e o Paulo partilhamos o desenquadramento relativamente a muitos dogmas das nossas “correntes”.
Daí, nem sempre alinhamos posições com a versão oficial emanada das cartilhas que nos impingem como baseadas em algo que não os interesses imediatos de quem as congemina.
Nesta questão das quotas hesito. Porque se é verdade (quase) tudo quanto o Paulo afirma quando aplicado aos grandes núcleos urbanos, basta considerarmos o interior e as pequenas localidades para que o filme seja outro, bem diferente. E as leis são para aplicar à totalidade de um país onde grassa um nível heterogéneo de evolução de mentalidades.

Por outro lado, a questão da maternidade não é irrelevante na criação de desequilíbrios na paridade. E isso não se manifesta apenas na política. Qualquer conselho de administração de grandes empresas em Portugal terá uma, talvez duas mulheres na sua composição. Ou mesmo nenhuma. Carreira e família são incompatíveis porque, bem ou mal, são as mulheres quem assume por regra a responsabilidade pela gestão da família, em quase todas as vertentes que a compõem.
Na hora de seleccionar os nomes para os cargos, muitas mulheres capazes e interessadas estão de volta dos tachos, dos filhos ou de homens de merda que as atrofiam na sua (verdadeira) condição. Mal servem para “tapar os buracos” nas listas depois de esgotados os candidatos preferenciais, pelo simples facto de nem se colocar tal questão em muitos meios menos liberais e “académicos”.

Se é inegável que o processo de transformação desta realidade é irreversível, não é menos verdade que em muitos domínios tudo acontece a passo de caracol. E não se pode desperdiçar nem mais uma geração de mulheres capazes.
Só por isso hesito em apontar o dedo ao princípio em causa, o que se viola, com esta imposição de xis ou ípsilon fêmeas para enfeitar os poleiros dos seus companheiros de luta. Porque é óbvio que se o mérito deve entrar nos critérios, garantindo a igualdade de oportunidades em teoria, esse argumento tomba diante da verdade dos números e da falta de mérito que a realidade actual traduziria, se assumida com esses contornos.

Eu não acredito nas diferenças de capacidade entre géneros, tal como desconfio que a generalidade dos machos lusitanos desta nação semi-neanderthal abdique da sua Maria no estendal para a deixarem ir à reunião da assembleia de freguesia.

Por isso, inclino-me mais para engolir o sapo da equiparação “à bruta” do que para gregoriar perante o nível dos cavalheiros que vão trepando na hierarquia à conta destas deformações culturais e muito efectivas e pragmáticas no condicionamento do acesso das mulheres à vida política activa.

Mas agora falta uma lei que obrigue os machos da espécie a aprenderem a executar as tarefas que elas deixarão de cumprir.
E a perceberem porquê.
publicado por shark às 17:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

Desportos Radicais

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Ontem, seis da tarde, um semáforo cá do burgo.
Não consegui perceber o insistente olhar jocoso por parte do ocupante do jipe - ligeiramente mais alto que o meu carro - parado ao meu lado à espera de mudar de direcção, até que olhei para o lado oposto e constatei que, enquanto uns quantos, de headphones nas orelhas, exercitavam corpos e mentes em caminhadas ritmadas pelo passeio pedonal, eu ouvia música sentada ao volante e deitava abaixo, energicamente, um pacote recém-comprado de Doritos Tex-Mex...

São estes instantâneos do quotidiano que me fascinam.

Aviso: Não tentar isto em casa. É claro que, só uma gaja giríssima, chiquíssima, magríssima, elegantérrima como eu, se pode dar ao luxo de praticar este diferente conceito de modalidade desportiva.

Mar
publicado por shark às 12:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

CADA UM TEM... (III)

...Os Heróis que merece.

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Aristides Sousa Mendes
publicado por shark às 09:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 03.04.06

A POSTA NAS NUVENS

Como uma flor na areia do deserto. Sobrevivente, ansiosa pela gota milagrosa da salvação. Firme na vontade e inabalável na convicção. Teimosa na luta, persistente.

Serei a nuvem que a cuidará.


Texto e Fotos: sharkinho

olimite.jpg


imponencia.JPG


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publicado por shark às 17:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Serviço Público

Quando um gajo tem uns minutos de tempo morto entre duas obrigações profissionais e descontrai em deambulações por esta vastidão de oceano que é a net, damos com este tipo de cena fixe



ou esta



Os fans, quando são mesmo muito fans, inventam todo o tipo de coisas giras e criativas.

é serviço público, sim senhor! ou só se atribui essa classificação quando a malta é encaminhada para sites semi-porno e assim, hein? Humpf!

Mar
publicado por shark às 12:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Domingo, 02.04.06

A POSTA NO FUNGÁGÁ DA BICHARADA

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(fotos de bovinos/as indisponíveis por ruptura de stock)

Os bovinos, como a testa indica, são animais que adoram marrar. Mesmo quando tal ímpeto se revela desastroso, como popularizou a frase que inclui o comboio de Chelas. Podem manter-se em sossego no pasto e ninguém dá nada por eles. Mas a qualquer momento soltam bramidos de redondel (como se um par de bandarilhas lhes tivesse sido cravado no dorso) e ala que aí vai bife a galope pela planície, mesmo sem pretexto que o justifique.

Por isso mesmo, ninguém pode fiar-se no seu ar de ruminante pachola e qualquer campino em início de carreira sabe de antemão que deve evitar a cor vermelha que tanto lhes assarapanta os cornos.

Apesar do horror que tal espectáculo inspira aos amantes dos animais, os bois adoram touradas. Isto porque é na arena que muitas vezes conhecem a chocalheira da sua vida, a fêmea que nunca ousariam sonhar e lhes aterra na vista como um euroboizões caído do céu. Sentem-se uns príncipes, cada vez que a sua memória fotográfica lhes reporta a imagem da bezerra que algures os beijou e assim os transformou (na sua mioleira desengonçada) em bichos dignos da melhor faena. E assim se esforçam por impressionar as tetas da sua eleição, arriscando umas picadelas na picanha, ao enfiarem o focinho a eito nas pegas que, de caras, não são as suas.

Acabam pegados de cernelha, coitados, agitando as hastes (de que muito se orgulham, pois a BSE banalizou as loucuras das cornúpetas) como baratas tontas. São, afinal, vítimas de uma impulsividade ancestral que caracteriza a espécie e os arrasta invariavelmente para corridas de merda em praças de segunda categoria.
Nem assim despertam para o final programado num rodízio qualquer. Acreditam-se paladinos e revolvem os intestinos em busca da marrada mais fina, à antiga portuguesa, confundem-se com os cavaleiros que os lidam e roçam os cascos no pó armados em matadores.

O perigo para estes animais de porte tão majestoso é embicarem para o capote sem lhe poderem depois sacudir a água que metem pelo caminho e lhes ensopa o pelo por tabela.

É que o signo de um touro é acabar no prato de alguém. E quanto mais bravo se volteia, mais depressa lhe trincham uma costoleta. Ou um naco do acém…

(Nota do autor: se depararem com alguém a ruminar de forma prolongada este texto em busca de algo mais que não uma conversa acerca de quadrúpedes propriamente ditos, digam a esse alguém que pare de olhar para o palácio, sff)
publicado por shark às 19:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

DIAS ESPECIAIS...

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Foto: sharkinho

...despedem-se assim.
publicado por shark às 14:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

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