Quinta-feira, 14.07.05

GANDA BARRACA

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Não me peçam para colocar os linques agora (maybe later), mas esta cena tá cheia de blogueiragem. Assim de memória: o Luís Raínha e o Zé Mário (conotados com a esquerda que bloga), o Leonel Vicente do Memória Virtual, as Estórias da Ruiva com representação da própria, a Maria Árvore do Chez Maria, o Eufigénio (Apenas Mais Um), a Susana e a Isabel do Afixe, o Paulo Querido do blogue formerly known as O Vento Lá Fora.
Como quem não quer a coisa, ainda apareceram os penetras de serviço: o PN do Fumos, a Mi do Ilegal, a Catarina do 100nada, a Lisa do 28, fjkezkdezl4ot (esta foi uma intervenção em directo do Fred) e ainda ando a contar carolas. E ainda estou eu, mais a Mar (claro) e o próprio ruinoso (cada vez mais lindo, o cabrão).
O livro, toda a gente concorda, é uma merda. mas o autor é um bacano e a gente tem que o apoiar, né? O gajo anda agarrado à caneta, armado em artista, mas ninguém lhe liga pevas.
publicado por shark às 19:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

O AUTOR CHEGOU E DISSE

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E eis a primeira imagem do sensacional evento que estamos a cobrir em directo da capital do país. João Pedro da Costa, o magnífico, cumprimenta todos os seus amigos, visitantes e comentadores.
Respira-se um ar de vitória no seu semblante e está expressivo como nunca, tal como a foto documenta.
publicado por shark às 18:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

RUÍNAS EM DIRECTO

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Numa iniciativa inédita (pelo menos neste blogue), é com toda a satisfação que vos informo que hoje, a partir aí das 18:30h (pouco mais ou menos) será transmitido em directo no charco o lançamento do livro d'As Ruínas Circulares, da autoria do grande João Pedro da Costa.
Esta transmissão pioneira (ainda um dia falarão disto como falam da inauguração das emissões da RTP na antiga - extinta - Feira Popular) visa conferir ao evento a dignidade blogueira que uma porra destas justifica.
Irei deslocar para o Bar do Teatro A Barraca os meios técnicos necessários para o efeito, nomeadamente um carro de exteriores com estúdio móvel e frigobar incorporados.
Dado tratar-se de uma estreia e porque desconheço até este momento as condições de trabalho (é um bar, pelo que presumo que não faltarão as condições bem frescas), apelo à vossa compreensão para algum pormenor que possa escapar à Produção desta grandiosa iniciativa.
publicado por shark às 14:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Quarta-feira, 13.07.05

A POSTA NA INTIMIDADE

Mais cedo ou mais tarde, isto da blogosfera transforma-nos nuns cuscos. A malta gosta de "espreitar" as cenas uns dos outros, de acumular informação para melhor traçar um perfil ou simplesmente para arranjar tema de conversa com toda a gente menos o visado.
É um tique muito comum, mais previsível numa comunidade fechada sobre si própria como esta se está a tornar. O que está a dar é meter o bedelho, sacar nabos da púcara, criar um ambiente que nos faz sentir... lá fora cá dentro.

Muitos dos visitantes que não blogam evitam arriscar um comentário e estou certo de que poucos regressam. Sentem-se estranhos, marginais aos núcleos que (inevitavelmente) se criam e se traduzem numa linguagem cada vez mais cifrada nas caixas de comentários. Ninguém percebe pevas das nossas referências blogueiras, dos nicks que se convertem em alcunhas, dos episódios que partilhamos aqui ou das ocasiões em que nos encontramos no outro lado da vida que nos uniu em torno disto.
Somos cada vez mais um grupo de grupos herméticos, impermeáveis, desconfiados. E este tipo de congregação tende para a cuscovilhice, claro está, e acabamos por dar connosco a comentar (mesmo em off) os casos e as pessoas (as imagens?) que a blogosfera produz. É o problema dos amores à distância que a Vieira abordou aqui há dias...

A Mar lida com o assunto na sua posta mais fresca, com a novidade de a blogosfera começar a ser também uma espécie de miradouro para os de fora. Como se estivéssemos em pequenos compartimentos vidrados e a malta fosse passando para apreciar o peep show.
Também sinto na pele esse fenómeno e às vezes dá-me vontade de me fechar em copas, sem veia de macaco amestrado para divertir a populaça (à borla, ainda por cima). Ou de cobaia para os pseudo-intelectuais que aproveitam o que escrevemos para nos tentarem dissecar a tola como se faz às rãs. O Eufigénio parte a tola à conta destes problemas da exposição às claras.
Mas servimos também de tema para as conversas da rapaziada, a de dentro e a de fora, o trombone no teclado e o mirone no monitor. "Deixa-me cá explorar os pontos fracos desta pessoa que bloga". E sai mais um comentário anónimo, cobarde, insultuoso, só para nos dizerem "olá, estou aqui de naifa afiada e tu que blogas estás à mercê dos meus devaneios e das minhas taras doentias".

É um lado menos bom desta onda que nos consome algum tempo precioso e que justificaria da nossa parte um esforço para recentrar as atenções naquilo que temos para dizer nas nossas postas, com palavras e/ou imagens, em vez de nos fecharmos em circuitos de relações conversadas até à exaustão.
Gostava que investíssemos outra vez nas ideias, nos talentos, nas coisas que possam interessar a quem gasta o seu tempo a apreciar o que fazemos.

Contudo, ideias e talentos é mais com quem possui disso à brava. Eu defendo-me como posso e se do que o povo gosta é de uma boa espreitadela, dei início com as duas postas anteriores (com a vista da minha casa a denunciar onde moro) a um ciclo alternado de exposição de coisas minhas, a minha vida (parte dela) e a minha pessoa (também aos bocadinhos) aqui postadas para gáudio de quem me quiser conhecer melhor. Basta observar e tirar conclusões. Sem problema nenhum, desde que seja mantido aquele nível de respeitinho que é muito bonito (mesmo quando, na apoteose final, eu exibir uns nus integrais - naturezas mortas - para completar o puzzle).

Claro que não vou maçar-vos com postas sucessivas em torno do meu precioso umbigo pois vai sempre havendo outras cenas para vos mostrar, na periferia. Mas prometo que alimentarei com regularidade o bichinho da curiosidade mórbida em vós. Como o demonstra a foto abaixo, tirada bem no interior do meu wc e que expõe o viveiro das melhores ideias do tubarão.
É até pedirem clemência e (então e só então) eu voltar a esgalhar postas como deve ser...


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Foto: sharkinho
publicado por shark às 14:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (30)

DA MINHA CASA VEJO...

vista de casa.JPG
Foto: sharkinho

...uma ligação.
publicado por shark às 14:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

E TAMBÉM VEJO...

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Foto: sharkinho

...a luz.
publicado por shark às 14:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Terça-feira, 12.07.05

A POSTA NO BOM HUMOR

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Foto: sharkinho

Sempre admirei as pessoas inteligentes e com sentido de humor. É uma fraqueza minha, responsável por alguns dissabores. Fico desarmado perante gente assim, capaz de reunir dois atributos tão importantes, e acabo por ceder aos encantos desses(as) fulanos(as) irresistíveis. E claro, às vezes lixo-me. A combinação em causa pode esconder uma personalidade mesquinha que, enquanto eu durmo no ponto, aproveita para me espetar as bandarilhas. Por isso me vejo obrigado a controlar as minhas emoções sempre que me surgem estas criaturas tão atraentes, tentando evitar ser traído pelo canto da sereia...

Contudo, não me é fácil negar ao instinto a firmeza das suas convicções acerca das pessoas. Ele empurra para o lado que julga certo e eu, teimoso, toca a contrariar-lhe a tendência, a vergá-lo pela razão (mesmo quando não me assiste nenhuma). É uma dualidade que me rasga por dentro, como uma faca regada com cicuta. Envenena-me o espírito e tolda-me a capacidade de discernir. Fico vulnerável ao livre arbítrio da minha especulação. Reajo mal, admito-o, e nem sempre me safo com o arrependimento posterior.

Pessoas como eu, facilmente impressionáveis, emprenham com muita frequência pelos ouvidos (e pelos olhos também). Gravidezes não desejadas que nos abortam algumas ambições e nos afastam do diálogo sincero com quem, afinal, nos poderia evitar a desdita. Mas essa é a punição dos que ignoram os conselhos nas entrelinhas e se deixam tentar pela fúria machona (quase sempre descontrolada e sem qualquer protecção). Não será o caso, pois eu, conhecedor de factos que interferem nesse tipo de decisão, protejo-me como posso e benzo-me ainda por cima. Os riscos que corro, calculados, são apenas os que considero de alguma forma valerem a pena por esta ou por aquela compensação. E o critério que sigo é o de optar sempre pelo caminho mais iluminado, às claras, preto no branco para evitar um parto auditivo que qualquer pessoa adivinha atroz.

Isto não invalida algumas revelações, como a constatação de que afinal somos todos uma caixinha de surpresas, capazes do melhor e do pior. Sempre bem intencionados, em teoria, mas susceptíveis de alinhar nas maiores parvoeiras. Faz parte da nossa natureza, tanto como a capacidade intelectual que desenvolvemos e nos permite rir de nós próprios quando os outros têm o condão de nos fazerem abrir a pestana. O sentido de humor funciona como uma gazua para nos desviar a tampa (quando ela não nos salta) e enfiar pela moleirinha as verdades que costumam ficar de fora por causa dos condicionalismos que gostamos de inventar. Às vezes é como uma bóia sorridente que nos lançam para impedir que nos afoguemos no péssimo clima que se gera com uma cara de pau. Às vezes, claro.

Hoje enfrentei no escritório uma dessas pessoas irresistíveis. Um gajo com o qual sempre embirrei, mesmo sem motivo plausível. Apenas por instinto e por ouvir dizer mal. Em causa estavam mais os meus interesses que os dele, mas eu embiquei para o despique na mesma. Só pela pica que isso me dá, pela adrenalina que me viciou algures nas cenas de porrada no bairro (em miúdo) ou nos papos fora de horas na vida académica que frequentei. Em poucos minutos, o tipo aplicou-me um golpe de judo mental e eu senti-me estatelado de costas pelo poder da sua argumentação. Recebi-o com um ar sisudo e despedi-me dele às gargalhadas, depois de uma anedota que me contou que mais parecia um trocadilho do Confúcio. Até engoli em seco, depois de o acompanhar à porta de saída. Só não vos conto porque, como é costume, nunca consigo lembrar-me delas (anedotas) depois.
Mas podem ter como certa uma coisa: depois de uma atitude como a do fulano, vou ver-me grego para algum dia reprimir um sorriso sempre que o receber. Até lhe dei o número do meu telemóvel, quando mo pediu, para combinarmos mais tarde um café por aí (uma excelente oportunidade para trocar impressões).

Bem vistas as coisas, sou capaz de ter naquele cliente que abominava um amigo para a vida. À cautela, porém, vou ficar à coca para me certificar das suas verdadeiras intenções. Como um gato escaldado por água a ferver. Sem vontade de me enfiar no duche às cegas, mas incapaz de resistir à sede enquanto fruto de um impulso tão natural. A do Luso, já agora e por associação de ideias, é a minha preferida.
De resto, das coisas que se bebem só não gosto que me dêem chás. Mas sou homem para degustar uma boa infusão de ervas ou uma postura bem humorada...
publicado por shark às 16:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

A POSTA NA VAGA

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Esta semana acontecem ou aconteceram coisas importantes na vida de alguns blogueiros da minha preferência. São três pessoas que entraram na minha vida pela blogosfera, conheço-as pessoalmente e qualquer delas, à sua maneira, impressionou-me o bastante para não serem irrelevantes para mim as suas ocasiões especiais.

O primeiro foi o Jota, o meu antigo parceiro na Casa de Alterne. Completou mais um aniversário no dia 7 e fica aqui expresso o meu agrado pela fragilidade do seu invólucro não o ter impedido de completar mais um ciclo do calendário.

O terceiro será o João Pedro da Costa, o Ruinoso, que lançará em Lisboa o seu livro e eu gostaria que ele tivesse presentes no evento muitos amigos que blogam, como eu estarei. Podem consultar os pormenores no blogue do tripeiro mais móinas que conheci.

Mas é a segunda que merece hoje honras de destaque e toda a minha atenção. A doce Vague faz hoje anos e isso é uma alegria para o amigo tubarão. Esta blogueira a quem elogio a musicalidade do estilo de comunicação é uma pessoa que tem dado gosto conhecer. É afável mas rezingona. É simpática mas melancólica (só às vezes, eu sei). É uma data de coisas que não vou aqui postar, pois as oportunidades têm surgido para lhe transmitir as minhas opiniões.
Gosto muito dela e fica aqui registado o meu desejo de que conte muitos e felizes como o de hoje.
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publicado por shark às 10:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Segunda-feira, 11.07.05

A POSTA ANÚNCIO II

Hoje deu-me práqui.
E não será a última vez...
publicado por shark às 19:32 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA MARADA

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Fico sempre surpreso com as manifestações de evidente insanidade mental que me confrontam na blogosfera e na sua componente analógica, o mundo lá fora (que às vezes me entra pela porta).
Eu protagonizo umas quantas e sinto-me por isso legitimado para falar com propriedade acerca do tema. Convivo bem com os meus instantes de loucura, com aquelas “travadinhas” que me dão e justificam alguns episódios que me podem fazer transitar da imagem de algo excêntrico para a de completamente chanfrado da mona.

Contudo, não me preocupa muito esta constatação. À minha volta, os sinais da doideira dos outros (os outros são importantes nestas coisas) multiplicam-se e assumem as mais variadas formas. Por isso não me sinto destoar da multidão, sempre que dou comigo a cometer um acto irreflectido ou perco as estribeiras. Pelo contrário, sinto o prazer único da plena integração. Sinto que pertenço ao mundo que me rodeia, na maluqueira também.

Talvez por isso insista em manter um blogue, em frequentar com assiduidade a blogosfera e mesmo em andar à solta pelas ruas, por mais pancas que a malta revele nas suas exposições públicas das flagrantes lacunas dos seus mecanismos de auto-controlo. E das suas obsessões mesquinhas, qué las hay.
Mas a loucura é necessária para conviver com a sociedade que temos, com o estilo de vida que a vida nos impõe. Até os governos sabem disso e hoje anda cá fora muita gente que antes do 25 de Abril não escaparia a um internamento no Júlio (de Matos, claro), rotulada com um nome moderno para o seu distúrbio e abananada com uma dose cavalar de anti-depressivos para lhes alegrar cada dia.
Nada de preocupante, afinal.

Eu cultivo a minha falta de um parafuso ou dois e tolero essa falta nos outros também. Desde que não se manifeste contra os meus interesses ou de forma hostil à minha pessoa, ciente que estou da minha inimputabilidade no caso de me saltar a tampa numa reacção instintiva de defesa. Não se pode contrariá-los, bem sabemos, mas temos que ter em conta o bom ou o mau feitio dos malucos que nos observam. Aos mais pacíficos, inofensivos e por isso merecedores da maior compreensão, devemos acarinhar-lhes as cenas maradas. Aos outros, os que exibem um olhar ou um discurso manhoso, devemos dedicar-lhes outro tipo de atenção e estarmos alerta para qualquer indicação perturbadora. E devemos ser firmes na nossa actuação.
Nunca se deve cruzar os braços ou virar-lhes as costas.

Felizmente, a maior parte dos malucos que conheci não eram parvos. Sabiam bem quando deviam achantrar, adivinhavam em mim os limites que não deviam transpor sob pena de acicatarem algum desvio não medicado. E por esse motivo, a falta de um parafuso (ou dois) raramente se reflectiu nalguma atitude tresloucada de índole, digamos, mais agressiva. Até pela minha essência de gente boa, incapaz de reagir mal sem provocação (uma característica habitual nos humanos doidinhos com manias de esqualo).
Um paz de alma, como se classificam os mais discretos ou bonacheirões na exibição do seu descontrolo mental. Os que apenas querem estar na sua, felizes e numa boa.

Tenho toda a confiança que conseguirei assim adiar por mais uns tempos a excursão (a que muitos escapam de forma indevida) aos corredores mais compridos do Hospital Miguel Bombarda.
Tenham vocês todos(as) uma excelente semana!
publicado por shark às 10:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Domingo, 10.07.05

A POSTA NO SILÊNCIO

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Foto: sharkinho

Hoje, um homem desesperado confidenciou-me a sua maior angústia. Tinha conhecido a que julgava ser a mulher da sua vida.
E eu avancei logo: "Porreiro, pá, sorte a tua!"
Mas não, o tipo estava inconsolável. Ao fim de meses de uma relação amorosa com a magnífica, surgiu-lhe a oportunidade que tanto ansiava.
Desta vez calei-me e esperei que ele dissesse mais. E disse.
Disse que finalmente pudera experimentar sexo com ela. "Óptimo", pensei eu em silêncio. "Mas então qual é o teu problema?", continuei eu a pensar.

E ele, coitado, em voz alta o bastante para que todos em volta pudessem conhecer a sua desdita partilhou comigo o âmago da sua tristeza. Correu mal. Tanta promessa, tanta palheta e afinal na hora da verdade não ergueu a fala. Nem o falo.
"Ganda bronca", leu-me ele no olhar.

E prosseguiu com a lamentação, patético, referindo que ela não lhe deu segunda oportunidade. Largou-o da mão e até já anda com um outro que parece não lhe faltar com nada. E eu a tentar serená-lo: "Deixa lá, se calhar foi coincidência...". Na verdade, podia bem ser que ela tivesse percebido nesse instante que não o amava ou coisa assim (às vezes só se descobrem essas coisas nos momentos mais inesperados). Mas ele recusava-se a acreditar, insistia. Dizia-me até que não conseguia esquecê-la, mesmo apesar de ela fornecer indicações claras de que queria mais era obliterá-lo da memória.

O rapaz não queria acreditar numa realidade tão dura e eu não fazia ideia de como o animar. Olhei em volta, em busca de uma solução (sim, porque me dá pena ver um homem humilhar-se dessa forma).
Mas não me ocorreu nada, confesso. E agora sinto-me mal, pois acabei por deixá-lo abandonar a gelataria de Porto Covo (onde estou a curtir o fim-de-semana) sem conseguir dar a volta ao seu desgosto e acabar com a sua obsessão.

É nestes momentos que mais aprecio poder recorrer ao meu blogue para desabafar. Um blogue é uma ferramenta excelente para um gajo despejar as mágoas (como para debitar uns rancores). Eu gosto de ajudar os outros a carregarem a sua cruz, de lhes aliviar os pesos que os atormentam. Mas não sou um santo, nem faço milagres. E isso custa-me muito, nestas situações tão dramáticas.

No fundo, o infeliz ficou a chuchar no dedo mas a culpa não é minha. São coisas que acontecem a qualquer um e quando assim é, há que seguir em frente e partir para outra. Foi isso que consegui recomendar-lhe, quando me fartei de o ouvir. Que partisse para outra, pois a insistência em casos perdidos só pode resultar em agravamento do desgosto que se sente quando se leva uma tampa, sobretudo em tão melindrosas circunstâncias.
Não sei se ele me levou a sério, mas espero mesmo que sim para lhe evitar consequências ainda mais graves da sua alucinação. Um homem não deve, mesmo em situações extremas, abdicar da sua dignidade.
E às vezes, basta alguma contenção verbal e poder de encaixe para evitar vergonhas desnecessárias...
publicado por shark às 02:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Sexta-feira, 08.07.05

A POSTA DE ONTEM II

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Foto: Mar

Era um dia especial. Os meus dias especiais passo-os com as pessoas que têm o condão de os tornarem assim, diferentes para melhor.
Por isso mesmo, trajei a rigor. Segui a recomendação de um amigo cujo bom gosto não oferece discussão, um homem fora do comum cujos conselhos muito aprecio e acato sem hesitações.
É uma espécie de farda para os dias assim, em que as distâncias desaparecem da equação. Galgam-se quilómetros de intimidade nos caminhos da paixão, quando nos move a proximidade que ansiamos (conjugada com a saudade que nos impele a procurá-la). Em busca de nós, afinal.

Ontem, o meu Mar esteve sereno, azul e muito feliz.
Ontem, as águas em que me movi reflectiam a luz poderosa do sol no brilho de um olhar.
Não vale a pena esconderes-te lá atrás.

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Foto: sharkinho

Todos sabem que é a ti que me dirijo, sempre que as minhas palavras descrevem a alegria do reencontro e quando as histórias que aqui conto são crónicas do bem que isso me faz.
Os relatos de um tubarão que se sente como peixe na água. Arrastado pela corrente mais forte do seu elemento natural.
publicado por shark às 15:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

A PUBLICIDADE FAZ DE MIM O QUE QUER II

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Foto: sharkinho

Depois de a mensagem do anúncio que afirma existirem milhares de pilhões no país (e ninguém os vê) entrar na minha cachimónia, admito que tenho procurado com atenção.
Ontem, finalmente, e para gáudio da minha paupérrima consciência ecológica, encontrei o meu primeiro pilhão. E tirei-lhe uma fotografia (a de cima), para perpetuar esse momento magnífico que a publicidade institucional me proporcionou.
Os pilhões existem e parece que evitam, quando utilizados, uma das péssimas consequências do nosso lixo na natureza que tanto nos esforçamos por arrasar.

O George, esse cretino, insiste em reafirmar a sua aversão ao Tratado de Quioto. Eu, nem que seja para lhe contrariar a intolerável estupidez dessa (re)afirmação, vou usar o pilhão. A minha vontade era dar-lhe com o pilhão na testa até ele acordar. E depois enfiava-lhe o pilhão (com pilhas duracell) pela via mais rápida até ao local onde se produzem estas suas magníficas ideias e intenções.

Hoje estou sem pachorra para os imbecis. Haja quem me ature... ;)
publicado por shark às 15:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA DE ONTEM

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Foto: sharkinho

Ontem, o meu Mar estava assim.
publicado por shark às 14:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 06.07.05

TRAMPA BUILDINGS

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Foto: sharkinho

Às vezes, quando não sei por onde começar uma posta, dou comigo a revistar o arquivo fotográfico em busca de soluções. Hoje encontrei a que podem observar acima, para marcar o abismo que me separa das pessoas que construíram tais habitações.
Sim, trata-se de casas onde vivem pessoas (por gosto e por tradição). Construídas apenas com dois materiais que se encontram com facilidade no local: galhos de árvores e merda de vaca. Exactamente, galhos de árvores. Eu sabia que iam estranhar.

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Foto: sharkinho

Também estranhei um dado curioso: quem constrói estes “condomínios” dos Masai são as mulheres da tribo. Só elas possuem o segredo de como erguer um edifício com base nos materiais que referi. E eles, sábios, entregam-se ao pastoreio e a uma vida passada em serena meditação (pelo menos enquanto não aparecer um predador para fazer a “tosquia” do rebanho ou a "folha" à manada).

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E nós andamos num badanau para aguentarmos a prestação do frigorífico mais a do carro e a do crédito à habitação. Estoiramos, pela tensão que nos é imposta, tornamo-nos menos simpáticos, mais individualistas, gente com pressa e sem tempo para desperdiçar nas coisas boas que a vida nos dá. Como o contacto com a natureza, os seus cheiros intensos e aquela sensação magnífica de conseguirmos inspirar a plenos pulmões.

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Foto: sharkinho

E eu imagino-me a chamar o cão (o animal ia adorar esse novo esquema de vida) e a partir para os campos mais as ovelhinhas, as cabras, uma vaca ou duas, para me estender ao comprido debaixo de uma árvore até ao momento de assistir, queixo no cajado, ao mais belo ocaso. Tudo isto enquanto alguma fêmea recolhia com carinho os melhores excrementos para as obras de ampliação do apartamento para acolher os oitavo e nono filhos das minhas mulheres, grávidas em simultâneo.

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Foto: sharkinho

Mas não. Em vez disso, levo com o despertador número um à hora a que gostaria de me deitar todos os dias. E com o despertador número dois, minutos depois. Toca a levantar, por norma atrasado, e bute na pirisga para uma seca de ofício qualquer. Papelada, telefonemas, gente neurótica em volta de mais uma mesa de reunião. No fim do mês, um só dia, lá pinga a maravilhosa retribuição. A paga que merecemos pelo desperdício evidente das vidas que esbanjamos a concretizar planos sem nexo e a satisfazer as mais absurdas ambições. Uma merda, e nem sequer possível de se tornar num bom material de construção. Merda no sentido restrito da coisa, como se a maior parte do nosso tempo consistisse numa permanente obrigação de defecar.

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Já cheira mal esta conversa, eu sei. Florinha de asfalto a descobrir os encantos do campo onde nunca seria capaz de morar. Desabafos de quem de nada sente a falta excepto das coisas que não fazem falta a ninguém. Com tudo à mão de semear, a casa, o carro, a mobília e até um charro de quando em vez. Dias de festa, está claro, que a vida não abranda e dá pica assapar num veículo sem travões. Assistência médica em condições, hospital privado, de luxo, para atender às macacoas inventadas por um corpo saudável amarrado a uma mona vitimada pela lucidez. Falsos alarmes de uma potencial intrusão. Da morte que levou de repente o vizinho trintão. O que morava no segundo andar.
Sem causa provável ou qualquer justificação. Ataque de coração. Não fumava como eu, ginástica de manutenção num health club baril, bom nível de vida e montes de coisas marcadas para amanhã. E para todos os dias da semana a seguir. Não cumpriu.

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Foto: sharkinho

E eu olho para a vida e apetece-me sorrir. De escárnio, também, pela sua evidente estupidez. Importante é sentir-me feliz, mesmo entalado no povo apressado que apanhou, na hora de ponta, o mesmo comboio que eu.

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O que nos interessa, afinal?
Amor e alegria, parabéns à tia, um sorriso rasgado de quem nos quer bem.
Abraços amigos, prazeres sentidos, pedaços de uma vida em festa no melhor que ela tem.
Sexo selvagem, mais uma viagem, os filhos que amamos, o carinho de que precisamos, os meios adequados para atingirmos o melhor fim. Felicidade total.
Parece poesia, escrito assim, mas é prosa afinal. E a gente com os rostos virados noutra direcção, pura ilusão, alheios ao facto de a vida um dia se esgotar, de vez. A nossa e as dos outros, os que devemos estimar. Aliados numa missão. Derrotar a solidão que este ritmo nos impõe. Recuperar o sentido que o progresso desfez.

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E eu olho para a vida e só me apetece desbundar. Recuso aceitar a corrosão das minhas fundações, edificado sobre o arame, equilibrado de forma precária e sem rede para me sossegar, mais abaixo, acaso me ocorra cair. Exijo a liberdade para o corpo e para o coração. Imponho-me reagir. À custa, se necessário, das facturas que nos cobra esta selva de betão.
A minha casa é o mundo inteiro que anseio conhecer. A minha fantasia é cada livro que começo a escrever, o último capítulo de uma história qualquer. A minha vontade de tomar uma decisão. Radical. Revolução. Já está a acontecer, em redor de mim, no meu interior. Cabeça formatada num duplo mortal, pirueta. Conversa da treta em vias de extinção. Apenas a tesão, para enfrentar com galhardia os desafios que me oferecem a Liberdade e o Amor.
Em paz comigo próprio, sem remorsos ou temor. A aprender.

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Sentado na praia, com o sol a nascer.


Nota: Esta posta é uma cópia descarada (tipo cassette-pirata) do estilo adoptado pelo artista formerly known as Jota Quê. (Eu depois pago-te uma bifana para acertarmos as contas dos direitos de autor. E as agulhas, rapaz...)
publicado por shark às 12:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Terça-feira, 05.07.05

A POSTA ANÚNCIO

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É só pra dizer que quem quiser prosa fresquinha do tubarão pode encontrá-la AQUI.
publicado por shark às 17:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 04.07.05

A POSTA QUE GOSTAVA DE SER

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Gostava de ter sempre a certeza de cumprir o meu papel no caminho para um mundo mais próximo da perfeição. Gostava de me saber, a todo o instante, capaz de acreditar e de contagiar os outros com a minha fé.
Gostava até de me sentir homem bastante para vergar o mal sob todas as suas formas, sempre que ele se cruza com o meu caminho (comigo mesmo) e com o das poucas pessoas que amo ou alguma vez consegui amar. Um homem forte, imune à corrosão das merdas que nos estragam, que nos tornam inferiores ao modelo que desenhamos nos dias em que o sonho nos conduz.
Mas não sou capaz.

Há sempre algo que me prova o contrário, que me ensina a desacreditar na capacidade de dar a volta por cima das inúmeras barreiras que a realidade do que somos e de tudo quanto nos rodeia consegue criar. Existe sempre um senão.
E eu sinto-me mirrar nesses momentos em que colido contra os muros das coisas tal como elas são, sinto-me aquém do melhor de mim e definho perante a desilusão que me dou e a que dou a quem me consegue acreditar.

Não abdico desta permanente exigência de ser uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, de me moldar à imagem do gajo capaz de alcançar objectivo que tracei. E não me concedo qualquer forma de perdão quando me revejo numa pele distinta da que ambiciono, a pele ideal para mim. Não tolero o fracasso das ilusões nessa matéria porque são expectativas que me imponho, arrastando quem me rodeia para um patamar elevado e mal sustentado pela minha natureza irregular.
Depois, é maior o trambolhão.

Às vezes as coisas correm bem e permito-me ser estupidamente feliz, sobretudo pela felicidade que inspiro nas outras pessoas. E é este o segredo dos meus dias melhores. Os dias em que me sei na origem dos sorrisos, da beleza, da magia, da confiança, da alegria e de todas as emoções positivas marcadas pela minha presença nas existências de quem me quer bem. Só assim consigo apreciar o homem que sou. Só assim me considero merecedor.
Mas nem sempre é assim.

Gostava de estar sempre à altura do melhor que espero de mim. E nunca me arrependerei de manter a fasquia tão alta ao ponto de passar a vida a repetir o salto, vezes sem conta, até ter a certeza de que a consigo transpor em cada instante. Até ao dia em que morte me impeça de tentar.
publicado por shark às 18:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

A POSTA NA CONCHA

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Ela não me grama nem à lei da bala (e a culpa é toda minha) e acha que não sei escrever (e a culpa é toda minha, também). Temos perspectivas antagónicas em barda e divergências várias que nos colocam nos antípodas um do outro.
Contudo, seria uma arrogância da minha parte fazer de conta que não lhe reconheço o mesmo mérito que assumi na versão original do charco, quase um ano atrás: ela escreve muito bem e tem um estilo raçudo na defesa dos seus pontos de vista. Para o bem e para o mal é uma das minhas blogueiras de referência.

Hoje, dia do seu aniversário, entendi que seria uma boa oportunidade de lhe render homenagem e de lhe endereçar os parabéns que estou inibido de colocar na caixa de comentários do Controversa Maresia (de onde me baniu).
A vida é mesmo assim e a gente tem que aceitar as coisas como elas são. Porém, o talento nada tem a ver com as diferenças nos feitios ou com as turras que se geram entre as pessoas. E a Vieira, no meu modesto entender, possui o dom e faz falta a uma blogosfera cada vez mais precisadinha de gente capaz.

Parabéns para ela. Que conte muitos. E de preferência, sempre a blogar.
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publicado por shark às 16:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (46)

A POSTA GRRAURR

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Foto: sharkinho

“A monarquia já deu o que tinha a dar. O Sporting não sai da cepa torta. O Totta foi parar às mãos dos espanhóis. Os Masai têm a panca de que só se fazem uns homens quando substituem o meu dentista e tentam fazer-me a folha a toda a hora. Alguns europeus ainda acham piada à caça grossa de espécies ameaçadas de extinção. Os jardins zoológicos são cada vez menos. Os circos com animais também.
Ninguém liga cartuxo ao rei da selva (cada vez há menos selva) e a única coisa que me salva o pelo é a excitação dos turistas nos seus safaris.
Não sei porque insisto em dar esta pala de soberano. Mais parvo só o Sharkinho, convencido de que ainda há quem ligue alguma importância à merda do seu blogue...”
publicado por shark às 12:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (20)

A POSTA DE BONS DIAS

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Já é tarde comó caraças, mas não resisto a esticar o Domingo até onde o bom senso me permite. Admito que não sou um adepto ferrenho de segundas-feiras. E nisso não sou original, sem dúvida.
Mas uma pessoa precisa de desabafar estas coisas e afinal de que nos serve um blogue se a malta não aproveita para destilar as suas ansiedades e incertezas?
Eu fico ansioso com a iminência de um novo ciclo de cinco dias a vergar a mola. Chamam-lhes os dias úteis e nunca percebi porquê. Na minha perspectiva, úteis são aqueles dias que chegam ao fim com a gente a ter a certeza de que foram bem passados. E os dias bem passados, como os bifes, são aqueles que não se cozinham em lume brando mas sim os que passam na brasa, plenos de cenas fixes. Daquelas que dificilmente acontecem nos dias a que chamam úteis, mas ao longo dos quais nos vemos forçados a levar com uma data de filmes que nunca passariam nas nossas salas de cinema de fim-de-semana.

Sei que este papo não é animador e em nada contribui para estimular seja quem for a enfrentar a utilidade intrínseca de uma segunda-feira. Porém, há coisas que uma pessoa não consegue guardar dentro de si próprio. E tendo um blogue, claro está, um gajo sente-se no direito de maçar os outros com estas merdas, mesmo sabendo enquanto as escreve que mais valia enfiá-las no sítio mais recôndito e afastado do alcance de outras vistas que lhe fosse possível.
Mas não há nada a fazer. As palavras brotam na folha em branco e eu sou incapaz de censurar-me, tanto como sou incapaz de exercer a censura relativamente ao que os outros escrevem. Mesmo que me desagradem algumas coisas que acabo por ler. É a porra da liberdade de expressão, esse conceito valioso que funciona como uma faca de dois gumes quando temos que optar entre a franqueza inconveniente e o silêncio hipócrita.

Claro que tenho plena consciência da necessidade de existirem segundas-feiras. Até compreendo a premência dos restantes quatro dias ditos úteis. E acabo por amochar em cada um desses dias, mesmo sentindo que a minha existência seria bem mais simpática se lhes pudesse conferir uma utilidade mais própria de um feriado ou coisa assim. Dias úteis...
A economia é uma cena muito importante. E arbeit macht frei, perdoem-me esta alusão sinistra.
Ainda assim, raios me partam, não consigo deixar o fim-de-semana ir-se embora sem uma estranha sensação de perda. E de vos transmitir o meu desconforto perante essa desconcertante impressão.
A tipos como eu não deveria ser permitido o acesso a estas insidiosas ferramentas de propagação da preguiça.
Como é que vamos construir um dia um mundo melhor enquanto houver fulanos capazes de questionarem as coisas realmente importantes da vida?
publicado por shark às 02:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Domingo, 03.07.05

INCONFESSÁVEL

ilha dos amores.JPG
Foto: sharkinho

Apenas o sol testemunhou aquilo que te sussurro. Ouve o segredo que grito mas apenas os teus olhos conseguem decifrar. (re)Vê com o coração as imagens que as minhas palavras não podem contar a ninguém.
Estive lá agora mesmo e tu não faltaste à minha chamada.
Sente na alma aquilo que te recordo e confessa em silêncio a saudade que só eu saberei adivinhar.
publicado por shark às 02:46 | linque da posta | sou todo ouvidos

A CERCA AOS CASTELOS

castelo cercado.JPG
Foto: sharkinho

Cercadas pelo tempo, as criações do Homem e da Natureza apenas adiam a inexorável confirmação do seu cariz efémero.
publicado por shark às 01:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Sábado, 02.07.05

A POSTA NOCTURNA

noite em praga.JPG
Foto: sharkinho

Eu amo a noite. Ergo os meus braços às estrelas e entrego-me à magia da escuridão rasgada pela luz prateada do luar que me ilumina as mais intensas paixões.
Amo a noite pela memória do melhor que vivi e ofereço-lhe na penumbra o penhor emocionado da minha gratidão.
publicado por shark às 21:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Sexta-feira, 01.07.05

A POSTA DO LIXO

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A vingança não é uma atitude bonita. Pois não. E eu nem costumo exercer com frequência esse direito à retaliação que todos, ou quase, sentimos pelo menos uma vez ao longo da vida.
Contudo, o facto de eu preferir olhar-me no espelho e ver um homem de bem não implica que me predisponha a cruzar os braços perante algumas situações que me revoltam ou repugnam. E isto aplica-se também às injustiças que vejo cometer relativamente a outras pessoas, com especial preponderância quanto às pessoas que estimo.
A injustiça é sem dúvida a razão das minhas mais tristes reacções para com terceiros.

Por norma, quem é capaz de lesar os interesses dos outros sem justificação não possui a maior parte das características de uma pessoa em condições. A coragem, por exemplo, costuma estar ausente das personalidades menos recomendáveis. Cobardes, apontam as baterias a quem pressentem mais vulnerável e menos capaz de agir em legítima defesa. E fazem-na pela calada, para limitarem ainda mais a hipótese de se verem confrontados com o troco merecido para as suas baixezas.
Odeio gente assim e sou capaz do pior, acumulei alguns exemplos pouco abonatórios da minha bonomia ao longo da vida, para lhes fazer sentir na pele o desconforto ou mesmo o medo que suscitam aos outros.

Não me orgulho desta minha prerrogativa, nem a louvo enquanto regra de conduta. Mas não consigo reprimir-me quando as más acções dos sacanas afectam alguém, sendo a minha resposta proporcional aos danos causados e à vulnerabilidade das pessoas afectadas. É feio, bem sei, mas reajo por instinto e só depois me arrependo.
Assumo esta mácula perante vós por não querer criar uma imagem de santo que não corresponda à verdade dos (meus) factos tal como a tenho revelado neste blogue.

O pretexto para esta posta é idiota. Há meses que um vizinho anónimo despejava no patamar de entrada do edifício, por cuja limpeza assumi a responsabilidade dado tratar-se de um acesso ao meu escritório, todo o lixo que encontrava na sua caixa de correio.
É uma treta sem jeito nenhum, mas irritava-me pela repetição e pela impunidade.
Hoje, finalmente, alguém apanhou o suíno em flagrante quando ele deitava para o chão de forma displicente a propaganda e outros detritos que lhe atafulhavam a caixa.
Ainda por cima trata-se do “moralista” de serviço (todos os edifícios têm um), daqueles gajos que pegam por tudo e por nada para chatearem a cachimónia da vizinhança.
Agradeço ao destino não me ter cruzado com ele na hora desta revelação, para não transformar uma coisa de nada num problema mais sério.

E eis a minha confissão. Tudo quanto ele despejou na escada, mais todo o lixo que consegui reunir na altura encafuei na caixa do correio do bacano. Enquanto o fazia repeti várias vezes em voz alta que era eu o autor da proeza (sabia que ele estava em casa na altura), para que não lhe restassem dúvidas da porta a que poderá bater se quiser pedir satisfações. Que peça, eu dou-lhas...
Um disparate pegado, pois é, e nem faz sentido servir de mote a uma posta. Mas nós pessoas somos feitos destes pormenores e nem todos correspondem às nossas melhores intenções.

Por outro lado, já vos dei a saber de mim o bastante para que não me tomem por arruaceiro, não sendo de forma alguma um anjinho como gostaria. E assim aproveito para fazer passar a mensagem de que por muito porreiro que eu seja quando me tratam com respeito e cortesia, não me inibo de reagir em conformidade (e nem sempre na proporção) quando me pisam os calos ou a quem me seja próximo.
Mea culpa. Tenho mais de tubarão do que de peixinho dourado. Mas só tem a temer quem faça de conta que não percebeu o recado que aqui deixo, disfarçado por entre o meu desabafo pseudo-“ambientalista”...
publicado por shark às 16:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (20)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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