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CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

28
Fev05

MESTRE ARLINDA

shark
Já tinha lido no Expresso uma peça acerca desta mulher extraordinária e o Luís Ene também já a escreveu. Ontem voltei a tomar contacto com esse fenómeno impar numa reportagem transmitida no noticiário da SIC.
Teve uma infância levada da breca e uma adolescência absolutamente infeliz. Trilhou caminhos que conduzem a maioria das pessoas à mais absoluta das degradações. Foi vítima de constantes abusos sexuais, apaixonou-se pelo homem errado e acabou presa em Tires durante dois anos da sua conturbada existência.
Hoje é uma mulher bem sucedida, fotógrafa de renome em França, e não esconde ao mundo que conseguiu a pulso conquistar a felicidade que a vida lhe tentou roubar.

Arlinda Mestre é um ser humano especial. Pela volta que conseguiu dar aos diversos obstáculos e amarguras que o crescimento lhe deu a provar, pela alegria de viver que se sobrepõe a qualquer dos seus atributos e pelo olhar irresistível que a natureza lhe ofereceu.
Sensual e arrojada, não esconde que é uma mulher de paixões. Tem três filhos de três dos seus muitos amores. O seu estilo é o das pessoas que sabem o que querem e onde e como o conseguem obter. A Arlinda é uma vencedora incontestável e desse mérito derivam as suas glórias e ambições.

Todos os entrevistados foram unânimes num ponto: é uma mulher inteligente e tenaz. Aos 45 anos de idade, Arlinda incendeia os olhares à sua passagem. Também é atraente e destaca-se da multidão pela sua energia inesgotável. Os atributos acumulam-se e explicam a reviravolta que esta mulher conseguiu dar a partir do nada que tinha para ponto de partida. Venceu quando tudo nela indiciava um perfil perdedor. Venceu porque lutou e porque soube agarrar as oportunidades que procurou até encontrar.

Arlinda Mestre é uma artista de sucesso, abastada, desejada, dona do seu mundo e com parte do mundo dos outros aos seus pés. É uma mulher com um percurso que justifica o reconhecimento que lhe dão. Corresponde ao que entendo como uma portuguesa de que este país se pode e deve orgulhar. Corresponde a um dos modelos de pessoa que sempre mereceram o meu respeito e a minha admiração.
É o que designo por uma mulher fora de série.
26
Fev05

O PONTO DE EXCLAMAÇÃO

shark
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Corro o risco de me tornar maçador, mas o tema está na ordem do dia e não há como lhe fugir nesta altura. Sim, o sexo. Esse assunto que sempre deu e dará pano para mangas, quanto mais não seja por sermos todos diferentes (todos iguais) na nossa sensibilidade à questão.
Foi no blogue da Maria Árvore que veio à baila um dos aspectos que me fascinam e sobre o qual sempre gostei de me debruçar: o ponto G. E em resposta a uma interrogação do Super Tongue, achei que não faria mal abordar a coisa numa posta. Porque acho importante e porque me apeteceu.

No meu comentário relativo ao ponto G eu afirmei o seguinte: “O ponto G é como o Natal”. E foi esta a afirmação que o Super Tongue manifestou interesse em ver esclarecida.
Pois bem, o ponto G é mesmo sempre que um homem quiser. E porquê?
Boa parte do conhecimento científico deriva de trabalhos de pesquisa bem mais entediantes e com pontos de partida bem menos consistentes. O ponto G existe, disso parece não restarem dúvidas, e é uma espécie de Santo Graal nas ânsias de quem entende o sexo numa perspectiva saudável (para mim, consiste na noção de que não se pode reduzir um acto sexual a um mero agitar de ancas com duração indeterminada).
Por outro lado, a respectiva busca pode muito bem revelar-se a parte mais interessante e memorável de um momento a dois. Será no cotovelo? Coloca-se a hipótese e passa-se à fase da experimentação. Se sim, boa! Vamos por aí. Se não, formula-se outra teoria. E por aí adiante, e assim a malta está entretida mais um bocado e contribui simultaneamente para o acréscimo do saber, para o aumento do prazer e, em boa medida, para uma rotunda machadada na monotonia e na falta de animação.

O ponto G, ao que sei, pode situar-se nas zonas mais insuspeitas do corpo de uma pessoa. E da cabeça, também. Ora, isso amplia as áreas de investigação até ao limite do razoável (que é a nossa capacidade física e mental para variar nas abordagens ao fascinante tema). Dito de outro modo, são quase ilimitadas as hipóteses a colocar e só com uma grande fezada é que se alcança a revelação logo à primeira tentativa. E tem que ser uma tentativa em condições, ou não há grande margem estatística para euforias.
Assim sendo, a busca do ponto G constitui um excelente pretexto para um trabalho de equipa muito compensador. E tanto mais bem sucedido quanto o empenho dos(as) intervenientes nessa pesquisa do outro que, afinal, até torna cada momento mais especial.

Claro que isto não passa da minha opinião. Mas mais de duas décadas de investigação nessa área específica do conhecimento se não me conferem uma licenciatura, oferecem-me no entanto alguma legitimidade para a exprimir desta forma sem correr o risco de me julgarem armado aos cucos.
O ponto G é quando uma pessoa quiser pela simples lógica de que mesmo não o encontrando, é muito possível que se descubram outras letras do alfabeto que só dão à costa se a gente tiver a persistência necessária e a atenção imprescindível para as descortinar e lhes conferir a verdadeira utilidade para a qual foram incorporadas em cada um de nós. E a malta nem liga se for um H ou um Z, desde que seja um ponto com elevado potencial...
Portanto, mesmo a relação custo (qual?)/ benefício (qual deles?) é favorável nesse investimento a dois que acredito ser rentável para a esmagadora maioria dos interessados(as) nesta cruzada pelo que de melhor os nossos corpos e as nossas mentes têm para nos oferecer.
Claro que como em tudo na vida, a busca do ponto G não deve transformar-se numa obsessão. Mas parece-me adequada para boa parte das nossas incursões por essa maravilhosa e sempre renovada actividade “laboratorial”. E o progresso só se atinge com uma boa dose de curiosidade, de espírito de iniciativa e, sobretudo, de muita motivação e disponibilidade para reinventar, para aperfeiçoar os mais delicados (e dos mais importantes) mecanismos da nossa realização pessoal.

Nota: o Guê que utilizei para decorar esta posta pertence à Gotinha e não pedi autorização para usá-lo. Mas pressinto que ela não se vai zangar por causa disso...
24
Fev05

A POSTA ERÓTICA

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A Hipatia falou do assunto. A Vague falou do assunto. E a Catarina também.
Eu, que não viro as costas a um bom desafio, entendi que a coisa estava a tornar-se num feudo "delas" e que seria importante uma perspectiva masculina no contexto dos postes eróticos de que cada uma delas falou.
E então, senhoras e senhores, o melhor que consegui na minha estreia absoluta no género é o que vos dou agora a ler. Espero conseguir representar dignamente a minha classe. Mas se assim não for, digam. Eu tento outra vez...

Terá sido a luz que se reflectiu no olhar dela, terá sido o som da sua voz. Imaginei-me a tocar-lhe o rosto ao de leve, sem pedir, e a aguardar a sua reacção. Na minha imaginação ela sorriu e pediu-me em silêncio para passar de novo os dedos pela pele cujo toque me agradou.
E eu repetia a passagem, mais suave, mais lenta, com desvios de amante nos caminhos que lhe percorria, que lhe aprendia. E ela, num arrepio, fixava o olhar na minha boca e dizia-me tudo o que eu precisava de saber. O que fazer, depois. Depois de uma mão a aproximar, de a puxar, sem pressa, mais para junto de mim. Depois os meus lábios nos seus e as mãos aflitas, sem saberem para onde convergir naquela imensidão de mulher, que as mulheres tornam-se imensas quando se entregam à paixão.

Depois uma pausa, um instante de silêncio sem saber o que virá a seguir, olhos nos olhos em busca das respostas às perguntas que ninguém necessita colocar. Excepto com o olhar. E os corpos à espera, ansiosos, ofegantes, esclarecidos. Impacientes por uma nova degustação do sabor a prazer. As bocas de novo coladas e as mãos descontroladas na vertigem das sensações.
Os seios e os ombros, o pescoço e as costas, o ventre e as coxas, mais acima, e o calor de um vulcão nos dedos em fogo. E os cabelos na boca, o cheiro na alma e a vontade indómita de oferecer e de possuir.

A roupa a mais. O esforço de contenção, para amainar a emoção e deslizar com graciosidade o tecido na pele e os lábios também, aqui e além. Os primeiros gemidos a beijarem os ouvidos e a certeza absoluta de dois se transformarem num, as contas acertadas com o desejo naquele instante mágico em que o tempo cessa de existir. As bocas à procura do mais incandescente prazer, do gosto daquela pessoa que nos pede como nos dá. O mundo inteiro de uma só vez, no poder avassalador de uma carícia feita faísca que provoca uma explosão. Da cabeça aos pés.

O paraíso logo ali. E eu sobre ela, pernas entrelaçadas, beijos sem parar. E eu dentro dela e os seus dedos crispados e a mais bela melodia no som que uma mulher nos dá nesse momento tão especial. E a vontade de nunca mais parar. De sentir e de observar, de gravar na memória cada pormenor daquela pessoa tão importante, tão próxima, daquele instante precioso que apenas dois poderão relembrar. Cumplicidade bonita na intimidade infinita, para sempre o sorriso de uma estimulante e agradável recordação.
E os corpos que se moldam, ardentes, em novas e cada vez mais agradáveis posições. E as coisas que se gritam para se ouvirem no céu e as palavras que se sussurram, faladas pelo amor que se faz. E a vontade de nunca mais parar.

O abraço apertado quando ambos partimos para o espaço, ao mesmo tempo, e nos sentimos felizes pelo sucesso alcançado, pelo momento desejado de partilha da mais intensa satisfação. Olhar meigo, olhar maroto, a mão que passa pelo rosto, outra vez, e os corpos cansados mas preparados, pouco tempo depois, para reiniciar algo que afinal nunca acabou. De outra maneira, aposta certeira, as ancas dela nas minhas mãos. O amor que ficou por fazer. E eu homem que domina e ela mulher que se deixa dominar. E depois o contrário. Até embarcarmos de novo no foguetão. Ainda melhor, a viagem, ainda mais doce, a aterragem, corpos desfalecidos, molhados os dois pelas marcas deixadas pelo bem que nos aconteceu. A recompensa devida pela entrega total.

Sigo o meu caminho, desta vez. Mas adivinho no beijo de despedida, inocente, a promessa de um reencontro onde a imaginação será figurante e a paixão protagonizará.
A vontade de nunca mais parar...
22
Fev05

A POSTA A TRÊS

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Aqui há dias estive a conversar com pessoas amigas acerca de uma das fantasias mais recorrentes entre a rapaziada, a do trio maravilha.
O assunto é mais desconfortável de discutir do que eu pensava, sobretudo quando na conversa participam mulheres. É que nós homens trocamos impressões nesta matéria com a leviandade machona que caracteriza a generalidade das nossas abordagens ao sexo. Fazemos e acontecemos, é tudo muito natural, não custa nada e venha a oportunidade que nenhum garanhão a desperdiçará.
Pois, pois. Mas as raparigas não olham a coisa com a mesma displicência e tocam com o dedo nas feridas mais expostas dos atrevidos, nomeadamente quando se fala no trio um com duas e elas carecas de saber que a maior parte dos parceiros nem de uma conseguem dar boa conta...

Esta foi a primeira armadilha que a conversa proporcionou a alguns. As mulheres são implacáveis no seu discurso e são pouco dadas a excitações verbais, fazendo aterrar os sonhos eróticos mais bem elaborados no domínio do real (onde as coisas não são exactamente como se teorizam). Elas falam com a plena consciência de que é tudo muito bonito, mas na verdade existem limitações e perigos de que nós homens só damos conta depois da bronca acontecer. E isto porque são raras as pessoas capazes de lidarem com as repercussões, como algumas das que uma relação a três (mesmo ocasional) podem acarretar quando os intervenientes param para pensar um bocado sobre o assunto, à posteriori.

Se é verdade que em dadas circunstâncias as coisas até podem conjugar-se para correrem bem, quando brotam de surpresa entre parceiros(as) que nem mantêm qualquer tipo de ligação sentimental, a coisa pia mais fino quando um casal se deixa arrastar para o vórtice do furacão. O problema, naturalmente, reside no inevitável ciúme e no instinto de posse que as pessoas desenvolvem, quer o aceitem como real ou não. Não é pêra doce enfrentar o outro depois de uma sessão de cama com outra pessoa, qualquer que seja o seu género. Se era uma amante adicional, a parceira fica de pé atrás relativamente aos futuros contactos do SEU homem com a dita cuja. E se é de um amante adicional que se trata, o macho da espécie até engole em seco quando recorda algumas passagens do imbróglio em que se meteu. A veia liberal definha aos poucos perante a fotografia do evento que antes parecia tão espontâneo e natural. O dele era maior do que o meu e ela gostou mais e raciocínios do género. Acaba por dar pró torto, claro está...

Por essas e por outras é que as pessoas devem medir bem os passos que dão, sopesando com lucidez os factores a ter em conta nestas aventuras à partida tão aliciantes. Mas arriscadas, como as aventuras devem ser. Se não faltam exemplos de casais bem sucedidos nas práticas sexuais mais arrojadas, mesmo quando envolvem terceiros(as), é igualmente verdade que para a maioria essas incursões por território bravio acarretam danos irreversíveis na estrutura de uma relação. E esse é sempre um preço demasiado alto para compensar umas horas de prazer.
Essa foi a principal conclusão que extraímos do nosso diálogo e note-se que apenas dois dos presentes assumiram que já haviam experimentado essa versão trifásica que preenche os imaginários de muitos de nós e nem seriam esses os mais entusiastas na respectiva defesa.
A intimidade não é um conceito, é uma realidade factual. E não reside apenas na simples troca de fluidos e de carícias, como as componentes femininas do grupo fizeram questão de salientar, para desgosto dos sonhadores mais incautos (e comprometidos) que participaram na conversa.

Desenganem-se os que concluam que a minha perspectiva acerca do assunto é conservadora. Chamo a vossa atenção para o facto de eu ter frisado que são os casais com uma relação a preservar que devem medir as consequências das farras em que decidem meter-se, sob pena de estragarem o que têm de melhor. A título individual, a minha perspectiva é radicalmente oposta e assenta nas experiências que, digamos, vivi de perto ao longo de meses num país do norte da Europa, culturalmente menos condicionado do que o nosso nessa sensível matéria. Contudo, e como a lucidez feminina deixou bem presente na interessante conversa em que participei, uma coisa é teorizar acerca das potencialidades de determinadas extravagâncias quando se desconhecem ou não estão em causa as suas repercussões nas tolas de cada um(a). A outra é arriscar no escuro, sem avaliar previamente as consequências (quase sempre imprevisíveis) das nossas leviandades e excitações.

O sexo, vivido entre desconhecidos ou entre pessoas sem vínculos emocionais, pode cingir-se a uma fascinante e divertida experiência ao nível sensorial. Mas no âmbito de uma relação amorosa a dois, e há até quem procure parceiros(as) em anúncios de jornal, os entusiasmos de ocasião podem ser como fósforos acesos nas mãos de crianças de colo. E ninguém se arvore de bombeiro nessas condições: depois de ateado, é fogo que arde sem controlo e nunca é bonito de se ver...
22
Fev05

SE EU FOSSE POETA

shark
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A Esquerda ganhou. O Benfica ganhou. E no sábado fui ao Tokyo e aquela catedral do rock alfacinha continua a passar gandas malhas, igual a si própria, e um gajo sente-se mesmo em casa enquanto abana a carola.
Estas sequências são devastadoras para qualquer assomo de tristeza, de melancolia ou de simples má disposição.
Se eu fosse poeta, estava desgraçado...
21
Fev05

O HOMEM QUE EU GOSTAVA DE SER

shark
Nunca na minha vida fui tantas vezes questionado e confrontado com as minhas limitações como desde que aderi a este fenómeno da blogosfera.
Nunca tive que pedir desculpa tantas vezes, nunca fui alvo de tantas acusações e nunca tive indicadores tão óbvios de que a bota das minhas convicções não joga com a perdigota das opiniões dos outros a meu respeito.

A ninguém é fácil assumir-se como parvalhão, sobretudo a partir de esquemas introspectivos e carregados da subjectividade inerente à maioria das pessoas. Só os de fora conseguem descobrir em nós alguns defeitos que nem nos passava pela cabeça constarem da pessoa que nos julgamos. E após uma sequência infindável de episódios que nos confrontam com uma realidade que desejaríamos negar torna-se difícil não levar a sério os sinais de alerta.

Já por diversas vezes referi que ambiciono ser uma pessoa de bem e é essa a imagem que tenho conseguido manter na minha vida ‘analógica’. Contudo, na blogosfera as coisas não correm da mesma forma e vejo-me demasiadas vezes na contingência de apresentar justificações para actos de que não me julgava capaz. Pior ainda, vejo virarem-me as costas pessoas que prezo e perante as quais nunca imaginei ser possível dar tão má conta de mim e da minha personalidade ao ponto de tornar irremediável o dano causado nas relações com essas pessoas. Confesso que me desorienta esta constatação e que me deixa na dúvida acerca da minha verdadeira natureza, pois se é certo que anseio ser um tipo de confiança e susceptível de merecer a estima dos outros, não é menos verdade que nem sempre o meu comportamento reflecte a boa índole das minhas intenções.

Nesta fase em que estou de novo a ser questionado por um conjunto de pessoas, torna-se particularmente difícil escrever estas palavras pois sou vulnerável às críticas que me fazem e não consigo esconder a minha incapacidade para reagir à pressão subsequente. Estou sem saber qual é a atitude mais correcta a tomar, pois sinto-me a perder a fé em mim próprio e não posso ignorar os sinais que me chegam dos que me avaliam com base no que faço e no que digo e isso reflecte, afinal, a essência do que sou. E não estou a ser quem desejaria, nessa avaliação que fazem de mim. Estou a ser um personagem odioso, muito distante do homem que sempre me acreditei, e com isso estou a afastar algumas pessoas e não consigo conviver com essa nova dimensão que até hoje desconhecia.

Não gosto e não quero vestir a pele de mau da fita. Repugna-me essa hipótese porque colide com tudo aquilo em que sempre acreditei. Também não quero ser o bombo da festa, mas tudo me indica que estou na origem dessa fraca figura e isso provoca-me uma sensação extremamente desagradável. Esta posta, que me coloca à mercê dos que me questionam, é absolutamente necessária para que entendam que não estou alheio ao que se passa em meu redor e que estou a tentar perceber o que se passa de errado comigo para se multiplicarem as críticas e as acusações. Não quero ser uma besta de quem os outros desejem afastar-se e arrependo-me de todas as circunstâncias que me empurram para esse triste papel.
Na origem das recentes reacções hostis de que fui alvo está (mais) um comentário deselegante da minha parte e essa realidade não posso escamotear. Eu podia e devia manifestar a minha opinião com termos que não implicassem uma falta de respeito a quem não a justificou perante mim. Ao ignorar essa regra elementar da boa educação, expus-me ao que se seguiu. Reagir como uma virgem ofendida foi apenas mais uma etapa infeliz, mais um tropeção na minha alegada e assim desmentida postura de bom rapaz.
Se voltar a repetir este tipo de comportamento terá chegado a hora de reconhecer que não tenho lugar na blogosfera, por não saber moderar os meus entusiasmos infantis e os excessos que ficam mal a qualquer pessoa. É este o compromisso que assumo e sei que não faltará quem mo recorde quando e se eu voltar a exibir esta propensão para a asneira. E se não faço de imediato é porque ainda acredito na minha capacidade de discernir o que é certo e o que é errado (ou não escreveria esta posta) e porque preciso de o provar a mim mesmo e a quem me conhece por esta via.
Desta vez não irei pedir desculpas a quem ofendi, pois não creio que isso faça qualquer diferença. A diferença terei que a fazer todos os dias até ao dia em que não restarem dúvidas de que aprendi de uma vez por todas a lição que estes embaraços me proporcionam. As desculpas não são como esfregonas para limpar as consequências da merda que se faz. As acções é que definem, em qualquer circunstância, quem as pratica. Terei isso na devida consideração e tudo farei, na prática, para recuperar a credibilidade que as minhas patetices atraiçoam. Convosco por minhas testemunhas e, em última análise, como juizes da minha conduta.
21
Fev05

DAR O LITRO

shark
Este é o meu primeiro dia no país que virou à esquerda. Tenho esperança e tenho vontade de fazer mais e melhor nas funções que desempenho, pois não basta afirmarmos o nosso apoio nas urnas: temos que dar o nosso contributo para um Portugal mais produtivo, mais combativo e melhor.
Se calhar nem é preciso mais do que acreditarmos na capacidade portuguesa de dar a volta por cima das crises para que estas desapareçam do nosso horizonte imediato. Eu tenho fé neste país e quero sentir que farei o meu papel na reviravolta que ontem começou.
Vamos dar o litro, rapaziada!
19
Fev05

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

shark
Portugal2100.jpg
Faltam apenas dez anos para que os danos provocados na nossa atmosfera atinjam o ponto sem retorno. Isto quer dizer que no nosso tempo de vida e, pior ainda, na juventude dos nossos filhos, o planeta estará irremediavelmente condenado a uma lenta e cataclísmica extinção.
Alguns teóricos advogam mesmo uma relação causa-efeito entre as alterações climáticas já verificadas e a periodicidade e violência dos sismos. Se repararmos na destruição associada ao fenómeno El Niño, torna-se natural a associação de ideias à mais recente das tragédias e uma pessoa tem mesmo que abrir a pestana.

Há quem preconize para o Alentejo o mesmo destino do Sahara. A seca prolongada que estamos a enfrentar vai repercutir-se sobretudo nessa região mais árida do país, servida por um rio paupérrimo e com o caudal a oscilar em função das necessidades espanholas.
Paradoxal: quando a calota polar ceder de vez, boa parte do território acabará submersa como preconiza a ilustração acima.

Dez anos é daqui a nada.
Vamos ficar na História como a geração que o permitiu, a que assistiu impávida ao mais dramático e irreversível dos desmazelos. Entregamos aos mais novos um legado envenenado e sem esperança de um futuro tranquilo para os que lhes sucederão.
Por este caminho, com o nosso quinhão de indiferença, talvez as consequências terríveis deste erro colossal que partilhamos nos poupem a embaraços muito prolongados...
19
Fev05

O MÉTODO SICILIANO

shark
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Tempos atrás cometi um excesso de linguagem e um abuso de confiança relativamente a uma blogueira chamada rititi. Pedi desculpas no meu blogue, reconhecendo-me parvalhão, depois de algum(a) anónimo(a) me ter destacado o pormenor que esteve na origem do problema.
Fui também deixar pedidos formais de desculpa nos blogues da tal rititi e da sua amiga inseparável, que dá pelo nick de vieira do mar e em ambos os casos fui tratado com a desconsideração que lhes mereci e o meu arrependimento não logrou atenuar.
Mesmo assim, dei o assunto por encerrado e não mais voltei a citar qualquer dessas pessoas num contexto desfavorável.

Agora, no Afixe, manifestei num comentário ao post ‘O Expresso da Blogosfera’ a minha falta de apreço por outra componente deste grupo de amigas (a bomba inteligente) e levei de imediato com a reacção à bruta da tal vieira do mar. Passo a citar a sua intervenção a meu respeito:

É nestas pequenas frases escondidas que as pessoas, por vezes, se revelam, descarregando as suas frustrações enquanto colunistas, opinion makers e escritores wannabe. É o caso de um tal de Sharkinho, por exemplo, indivíduo cuja escrita (?!) é absolutamente medíocre e vulgar (a anos-luz da dos outros bloggers aqui do Afixe) e cuja carapaça de "gajo porreiro" volta e meia lhe escorrega dos ombros, como se pode ver. Não é fácil ser-se gente decente vinte e quatro horas por dia e saber criticar de forma honesta a substância do trabalho dos outros, até porque a vontade de estarmos no lugar deles é por vezes tão forte, que nos tolda o discernimento, verdade?
A senhora dona vieira do mar (controversa maresia), que não me conhece de lado algum, tem todo o direito de não gostar do meu estilo de escrita. Mas isso não lhe permite o abuso inerente ao resto das suas apreciações a meu respeito. A senhora em causa não sabe nada acerca de mim e, no entanto, entendeu que a defesa da amiga justificaria desenterrar os ódios antigos que nunca encerrou e decidiu provocar-me nos termos que acima reproduzi.
Tenho muita pena que a falta de bom senso a conduzisse a esta baixeza de carácter que deixa a minha alegada ‘carapaça de gajo porreiro’ menos mal no boneco, por comparação com a capa de mãe extremosa, esposa amorosa e amiga dedicada que não lhe disfarça o azedume, a arrogância e a falta de sensatez.

Se quanto à pessoa basta-me o que já sei, quanto ao seu trabalho passarei a observá-lo com os olhos de quem quer aprender como se faz e não deixarei de salientar os aspectos que possam fundamentar uma opinião menos leviana do que a sua (pois não cuidou de referir quais as lacunas que me tornam menos digno do que os restantes bloggers do Afixe).

A senhora vieira do mar é a primeira inimiga declarada deste blogue e do seu autor. Quem a preze deverá ter isso na devida conta. Quem me preze, também.
17
Fev05

VENTO DE AMIZADE

shark
Muitas vezes a vi chorar pelo seu menino, sobretudo quando a doença mais temida por qualquer mãe o amarrou a uma cama do IPO.
Chorava pelo seu menino nos minutos antes da visita, pois diante dele apenas revelava a alegria e a boa disposição que sempre caracterizavam a sua forma de estar na vida.
Filho único, ele constituía a principal luz do olhar daquela mãe e ela rezava nos bastidores e secava as lágrimas e compunha todos os dias o melhor sorriso que tinha para lhe oferecer. Ele só via a mensagem de esperança e era essa a que interessava transmitir. E resultou, como um milagre.

Acabaria ela, anos mais tarde, por se ver a braços com uma versão diferente do mesmo terror, como se o destino aceitasse a troca impossível que qualquer mãe propõe nos momentos de desespero e de aflição.
E ontem vi, pela primeira vez, o menino a chorar pela sua mãe, enquanto os funcionários da câmara a enfiavam pelo chão.

O menino é hoje um homem e foi o melhor amigo que a vida me concedeu. Há anos que lhe desconhecia o paradeiro. Não foram as circunstâncias ideais para o reencontro e para o abraço que tanto ambicionei dar-lhe, mas pude fazê-lo e pude chorar com ele uma senhora da qual só guardo excelentes recordações. Pude fazê-lo porque houve alguém que não se esqueceu de mim na hora de comunicar a triste perda.

De todo o meu coração e de lágrimas nos olhos por uma dívida de gratidão que dificilmente poderei saldar um dia: muito, muito obrigado, minha querida Mushu.

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