CUECAS DE IR AO MÉDICO

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Como já devem ter percebido, eu evito meter-me em assuntos acerca dos quais considero não ter voto na matéria. Fico caladinho a aprender e se, apenas se, considero ter uma noção fiável do tema em apreço debito então um palpite acerca da coisa.
O sexo, esse tema fascinante que tanta gente tem arrastado para o Charquinho, é um dos tais assuntos onde eu só falo depois de devidamente apalpado o terreno em que me proponho caminhar. O sexo e, por inerência, as mulheres que de imediato me ocorrem à ideia quando incido o pensamento sobre essa intrigante actividade humana. Em ambos os casos, as minhas dúvidas superam largamente as tremidas certezas que logrei consolidar.
E de política, todos sabem, não percebo coisa nenhuma.

Aqui há dias escutei por acaso uma conversa entre duas senhoras, sexagenárias, a propósito da compra de umas peças de lingerie. Mea culpa, bem sei que deveria ter orientado as antenas noutra direcção. Não fui capaz. Fiz de conta que procurava na prateleira de cima um sugestivo wonderbra e tentei apanhar com nitidez o papo das duas marias.
Uma delas já havia escolhido a mercadoria que se propunha comprar. A outra, atenta ao monte de caixas que a amiga escolheu, deu pela falta de uma componente essencial.
- Então mas tu não me disseste que tens consulta marcada para amanhã?
- Pois tenho, às nove da manhã...
- E só compraste cuecas baratas? Pró dia-a-dia ainda vá, mas para ir ao médico não sei...

E a amiga comprou umas cuecas melhores e mais caras. Fiquei a saber que para as mulheres de uma certa idade as cuecas ‘de ir ao médico’ são uma compra que nunca podem descuidar.
De resto, esta reverência à classe médica, tal como a temática da roupa interior, voltaram ao meu contacto noutra conversa que me caiu por acaso no monitor. No 100nada, a Catarina e sus muchachas debatiam animadamente as cuecas de um pediatra muito popular e tive oportunidade de conhecer a perspectiva das piquenas de outra geração.
Neste caso, o problema que se levantava era o método mais adequado para tirar as cuecas ao doutor ( o George Clooney, na série ER – Serviço de Urgência). Com os dentes, alguém avançou para minha surpresa. E depois era à bruta ou devagar, consoante as preferências e fantasias de cada uma.
Nas urgências das mulheres destes dias, as prioridades são as mesmas mas varia bastante a estratégia a seguir. Se nas mulheres às compras cuja conversa escutei a questão residia nas cuecas a mostrar, nas senhoras dos comentários o problema era como as haviam de retirar ao protagonista da consulta.

Fiquei a saber mais um pouquinho sobre estes dois insondáveis mistérios, mas continuo a preferir um silêncio observador. Constato, porém, com agrado que as mulheres da minha geração têm uma perspectiva que se coaduna mais com a minha no que concerne à medicina e respectiva relação com a roupa interior. E essa foi a única conclusão que me atrevo a garantir. Sob reserva moral, não vá ter sido confusão minha...
publicado por shark às 11:58 | linque da posta | sou todo ouvidos