O DESAFIO DOS PONTOS DE INTERROGAÇÃO

Seria fácil aceitar qualquer uma das explicações mais ou menos rebuscadas, mais ou menos científicas, para os vários mistérios que envolvem o surgimento das pirâmides de Gizeh. De resto, as respostas em falta criaram terreno fértil para a especulação e a necrópole mais famosa deste planeta começou a surgir no firmamento de alguns ilustres pensadores como a estrela do Norte para as teorias que envolvem gente de fora.

Muito de fora.

 

Começo por recordar a minha referência ao agnosticismo que pauta um estilo pessoal de abordagem aos imensos mistérios e deuses e outras paranormalidades que existem ou a malta inventou. Não contem com isenção, sinto-me no direito de pender mais para este ou aquele lado, mas igualmente não esperem certezas absolutas ou convicções firmes.

Até prova em contrário, coisas por provar não fazem nem farão parte das minhas crenças ou fés.

E neste contexto, as Pirâmides só me servem como ponto de partida para raciocínios elementares acerca de tudo quanto se vai sabendo (ou especulando) acerca daquele prodígio tão impressionante que às tantas até começaram a questionar-lhe a autoria.

 

Sempre que determinada teoria ou hipótese desencadeia reacções de fúria ou de pânico por parte de sumidades ou de instituições fico de imediato de pé atrás, pois a História ensina-nos que essas reacções só acontecem quando as ideias têm pernas para andar e constituem alguma espécie de ameaça para poderes vários e interesses obscuros.

No caso concreto das Pirâmides o simples facto de uma delas ter sido o edifício mais alto do mundo durante mais de quatro mil anos bastaria para, no mínimo, deixar alguém curioso por dar uma vista de olhos nos registos deixados por quem planeou e executou tão brilhante obra da engenharia e da arquitectura.

E é aqui que entra em jogo a minha primeira interrogação: alguém faz acontecer algo que não é superado por mais de quatro milénios, milhares de pessoas esgravatam ao longo do tempo as entranhas dos edifícios e o solo adjacente, encontram múmias, encontram artefactos, encontram tudo menos qualquer referência a como a coisa se fez?

 

Enquanto uns, mais realistas, se desdobram em cálculos que comprovam possibilidades mecânicas ao alcance dos egípcios da época (mas não possuem qualquer confirmação de corresponderem à realidade do que se passou), outros mais arrojados reparam em coincidências em catadupa que são um facto em si e por isso sustentam ainda melhor as suas teorias que para os outros não passam de fantasias.

Mas a verdade é que ninguém explica, como ninguém pode desmentir, a realidade (a coincidência) do paralelo no alinhamento das três pirâmides principais com o das estrelas no cinturão da constelação de Orion. Tal como surpreende um nadinha a sintonia perfeita das esquinas na base dos monumentos com os pontos cardeais, isto numa altura em que não existiam bússolas. E depois ainda temos a curiosidade de aparecerem estruturas similares num ponto bem distante do planeta, a América Central, quando ainda não havia net para estas coisas se propagarem nem retroescavadoras para a sua concretização.

 

A ausência de registos acerca daquele milagre nascido no meio do pó, com calhaus acima das duas e até às vinte toneladas trazidos de locais distantes há milhares de anos atrás, é mesmo uma motivação pertinente para tentarmos descobrir o que se passou afinal.

Bem vistas as coisas, as respostas em falta podem desmentir uma caterva de pressupostos e demolir milénios de deturpações.

publicado por shark às 10:35 | linque da posta