EUCARISTIA DOMINICAL PAGÃ

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Já aqui afirmei repetidas vezes o quanto adoro mulheres. E isso não faz de mim um machão das dúzias, pois igualmente assumi a minha quota de flopes e o facto de isto (eu) não ser o da Joana.
Isso seria interpretável dessa forma se algures eu tivesse reduzido essas criaturas soberbas a algum papel específico na minha existência, nomeadamente a satisfação de algumas necessidades primárias. Não reduzo. Porque representam para mim um dínamo, um gerador de toda a energia vital para o normal funcionamento do conjunto que formam as minhas partes.

Boa parte de mim funciona pelo amor. E é aqui que entro no âmbito desta posta dominical, mais ligeira. Tentei perceber o porquê de estas duas maravilhas do mundo, o amor e as mulheres, constituírem a principal atracção do espectáculo da vida tal como a experimento. E encontrei alguns paralelos que podem explicar esta minha apetência para os dois temas em apreço.

O amor surge na nossa vida de rompante. Nunca estamos à espera. E nunca sabemos o que esperar dele e de nós quando aliamos o desnorte emocional à euforia sem controlo.
O amor apodera-se da nossa vontade, conduz-nos pelos caminhos que lhe interessam, manipula-nos a acção.
O amor pode ser a fonte das mais agradáveis emoções ou a origem dos mais graves dilemas. É caprichoso nos humores.
O amor é sempre belo e arrebatador. Pode seduzir-nos para uma viagem ao céu ou arrastar-nos pelas orelhas, enganar-nos, até ao mais duro padecimento dos pecadores. Porém, nunca questionamos o destino final da viagem e avançamos sem freios até darmos de trombas com um precipício bem fundo ou com um paredão qualquer.
E nem mesmo aí deixamos de amar as memórias…

Por outro lado, apesar de um amor poder destabilizar na boa todo o sistema (imuno)lógico que nos protege das doenças do coração em sentido figurado (como sede romantizada da paixão), é também a melhor vacina contra todos os males que nos possam afectar na mona. Enquanto se ama, tudo à nossa volta sorri. Flores e passarinhos, estrelas e foguetões, de tacha arreganhada aos nossos olhos apaixonados num mundo intenso e feliz.

Mas também chega a mostarda ao nariz deste sentimento que equiparo a uma manifestação de Deus tal como o concebo no agnosticismo que benze a minha ignorância em matéria de fé. Um amor atraiçoado, em crise ou acabado é devastador como um imenso temporal. Do oitenta ao oito em milésimos de segundo. E vice-versa também.
Imprevisível, adorável, insubstituível, mais uma porradona de argumentos para o tornar num vício que metadona alguma consegue substituir.

E as mulheres?

Bom, considerando na minha liturgia o amor como Deus, as mulheres são como Jesus.
Representam na terra o Senhor.

E os senhores personificam a sua cruz.
publicado por shark às 18:42 | linque da posta