A POSTA QUE TAMBÉM NÃO SOMOS A ALEMANHA

A extrema-direita, nem que seja por ficar em caminho no raciocínio da coisa, é tradicionalmente nacionalista. Por isso constitui-se uma ameaça séria para o conceito de uma união Europeia que roçou o federalista no tempo das vacas gordas e já se adivinham algumas surpresas eleitorais num futuro próximo em países como a França, a Áustria, a Holanda (a queda do actual Governo pode antecipar este caso em concreto) e vamos ver o que nos chega dos países mais a leste deste paraíso em acelerado processo de infernização.

 

O nacionalismo é um apelo lógico quando um país mergulha numa crise e esse apelo ainda faz mais sentido enquanto reacção instintiva quando as crises decorrem no contexto comunitário. Se o problema vem de fora é natural que nos queiramos fechar cá dentro…

O problema do nacionalismo é o descontrolo inevitável destas ideologias radicais quando levadas à prática, conduzindo as pessoas para comportamentos e para visões do mundo onde proliferam o racismo, a xenofobia e outras justificações de treta para o que corre mal e não dá jeito assumir como culpa dos próprios.

Contudo, o amor a uma Pátria é como o amor a uma pessoa: existem excessos na dosagem do ciúme, do instinto de posse e de outras emoções que podem ser explicadas pelo amor mas que o deterioram. Mas se entre pessoas pode apenas perder-se a relação, entre pessoas e a sua Pátria pode matar-se (alegadamente) por amor ou, pelo menos, com essa estima a servir de pretexto para formas indignas de se ser nação.

 

Por isso, e apesar de nunca ter simpatizado com a ambição federalista ou qualquer outra que transcendesse o plano económico de uma aliança entre Estados, receio o brotar dos papagaios que arrastam as hordas de skinheads, por tabela, as legiões de desempregados e de desencantados de uma forma geral que acreditam na salvação da Pátria por via da violência implícita (e muitas vezes explícita) em alguns pressupostos que são caros a quem ergue o estandarte do nacionalismo de direita por falta de comparência das versões menos hostis do mesmo ideal que, pegando de novo na questão amorosa, pode ser vivido de muitas maneiras.

 

No entanto, nem tanto ao mar nem tanto à terra, receio igualmente o efeito pernicioso da manifesta falta de emoção, chamemos-lhe assim, por parte de quem nos governa. Não inspiram, não agregam e acima de tudo não mobilizam.

Portugal definha em muito mais aspectos do que os directamente ligados a dívidas externas ou ratings marados que atrofiam as finanças ao ponto de gerirmos a nossa vida não ao mês mas à semana. Ou ao dia.

O país está a perder o amor próprio e só o facto de já terem percebido que os do lado não se estão a safar silenciou os bígamos iberistas que nesta altura já nos teriam devolvido a Castela que o feriado mais incómodo até já foi eliminado e tudo.

 

E da parte do Governo em funções, tão prestável e solícito a acatar e implementar todas as imposições estrangeiras sem olhar a danos colaterais, não emana qualquer tipo de sinal que se substitua à mensagem radical dos que por cá ainda não pintam nada mas só até ao dia, acabando na verdade por inspirar alguma vergonha por se ser português, algo que me repugna só de escrever, martelando sem cessar a única mensagem que disponibilizam como ponto de partida para reencontrarmos o orgulho hipotecado e a identidade nacional ameaçada ou pelo menos aparentemente muito desorientada:

 

Não somos a Grécia…

publicado por shark às 10:36 | linque da posta | sou todo ouvidos