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Pode ser um olhar perdido, pousado num ponto difuso qualquer. Ou a forma graciosa como enrolam o cabelo com as pontas dos dedos, o tique emblemático do feminino que as marca diferentes, o toque nas coisas como se tudo fosse feito de seda ou de algodão.
As coisas que nos dão. Beleza, certeza, confiança, lembrança de uma vida recheada de belos momentos que a sua presença adjectivou.

Também pode ser a melodia de um tom de voz, espalhado por uma sala onde as paredes parecem florir à passagem de cada som. E as flores cheiram tão bem…
Perfume de mulher, hipnotizador, ergue-nos pelo olfacto num tapete mágico que desliza pelo céu em silêncio, levitação. E o poder do amor que suscitam, pelas coisas em que acreditam e pelo sentido que a sua vida nos dá. Filhas ou mães, amantes, criadoras. A força das senhoras que nos vergam numa vénia espontânea ao fascínio que a sua passagem provoca.
Um horizonte de estarrecer, quando um corpo de mulher se apropria do espaço e tudo se transforma num fundo em seu redor. Para compor a fotografia do instante de magia a brotar daquela visão arrebatadora. Adereço, o mundo inteiro que a enquadra como uma moldura quando a contemplamos em plena adoração.

E as coisas que nos proporcionam, mais bonitas à partida pelo milagre da transformação, a jarra sobre a mesa, o culto do pormenor, a vela já acesa pela sensibilidade menina no interior de cada mulher que connosco partilha uma refeição. Momentos especiais, preparados com carinho, todos e cada um. Sentimentos sublimados pelos portentos romanceados a partir da mais pequena emoção. Condimento, especiaria, o suplemento de poesia na arte de bem refinar. Aquele tudo-nada que toda a diferença faz.

Assumo-me fanático, dependente, dessa figura presente em cada um dos meus arquétipos do prazer. E anseio entender, tarefa inglória, as mulheres que me fazem a história da existência que deixarei para contar.
Para poder louvá-las com maior rigor. E amá-las de uma forma melhor.

Sinto-me grato à vida por me ser permitida a respiração do mesmo ar. E o privilégio de as pensar, no que dizem, no que fazem, no que representam e no que são.

À altura da sua espantosa semelhança com todas as imagens que me ocorrem quando busco no universo (o que alcanço) um ícone da perfeição.
publicado por shark às 11:06 | linque da posta