QUER MUDAR O DESTINO? FOQUE-O!

Se a um grupo de pessoas oferecermos a oportunidade de espalharem a vista sobre um dado horizonte cada uma dessas pessoas escolherá um ponto de focagem diferente, uma abordagem dependente da soma das suas características de personalidade mais os factores tão aleatórios como o seu estado de espírito na ocasião.

Alguns irão optar por concentrarem o foco da sua atenção nas questões de pormenor, nas realidades mais próximas e por isso mesmo mais fáceis de observar em concreto, enquanto outras sentirão o apelo do abstracto que a distância induz por não ser possível avaliar com rigor aquilo que se vê sem a muleta de uma definição.

E ainda existem subgrupos, separados por um facto tão simples como o de uns quantos fixarem o olhar nas nuvens negras sobre a linha do horizonte e outros se deliciarem com o azul de um céu grandioso e cheio de sol.

 

A vida que levamos é em boa medida determinada por essas escolhas que fazemos dos pontos de focagem em que nos fixamos, influenciando de forma determinante as conclusões e por tabela as decisões que traçam aos poucos a rota para o caminho a percorrer.

Virar à esquerda porque se receia uma ameaça potencial que a outra opção implica, ainda que capaz de encurtar a distância entre um ponto A e um ponto B, ou acreditar que a ameaça não se concretizará e aceitar a estatística que os caprichos da sorte e do azar entenderem aplicar-nos como consequência do optimismo ou apenas da coragem para enfrentar desafios.

Vitórias e derrotas, ambições concretizadas ou desfeitas, apostas aparentemente seguras que se revelam desastradas ou golpes de sorte inesperados que acontecem pela conjugação perfeita de um lote de coincidências, são tudo reflexos da passada que impomos em função da vida como a vemos, mais do que como gostaríamos de vivê-la.

E entretanto é mesmo isso que está a acontecer, uma vida para ver como formos capazes por entre a distorção da miopia que nos provoca o dia a dia mais a influência dos outros que o caminho nos ofereceu.

 

Cada fracção do tempo, cada momento que experimentamos, será impossível de repetir porque o tempo só grava e não sabe reproduzir tal e qual aquilo que se viveu, da mesma forma que nos permite sonhar mil futuros possíveis mas poucas pistas nos fornece para os podermos concretizar.

Basta uma escolha na forma de olhar quando a oportunidade nos é concedida para a realidade se transmutar na percepção e influenciar a próxima decisão que pode muito bem ser a mais importante de todas ou revelar-se irrelevante quando o próprio tempo lhe cobre de pó os contornos e de novo a olhamos mas sob a luz que o tempo decorrido nos ofereceu.

 

O ponto de focagem determina o tipo de imagem que recolhemos, a fotografia que tiramos num dado instante dos muitos de que uma vida se faz. Abstracto ou concreto, o olhar baço perdido na aridez do deserto ou brilhante pela tentativa de no horizonte adivinhar o que está longe da vista e sentir a vontade irreprimível de ir lá.

Ou mesmo concentrado numa flor selvagem ali mesmo à mão que decidimos observar com mais atenção e assim acabamos por ficar, condicionados pela forma como vemos a vida e definimos os pontos de chegada ou de partida com que traçamos às cegas o destino tal e qual o futuro nos revelará no álbum dos instantâneos que agora experimentamos mas um dia olharemos estupefactos pela diferença entre a imagem recolhida na altura e aquela em que a focagem amadurecida nos revela detalhes que poderiam ter feito, bem vistas as coisas, toda a diferença para melhor naquilo que se fez. Ou antes pelo contrário, pois diz o povo que aquilo que não sabes é como aquilo que não vês.

 

publicado por shark às 12:04 | linque da posta | sou todo ouvidos