Valupi a 15 de Agosto de 2011 às 17:02
O que escrevi não foi em defesa do meu par. Aliás, tendo em conta que esse par está no blogue há vários anos, uma das curiosidades é a de não encontrares nenhum escrito meu em sua defesa seja sobre que questão for (e ocasiões não faltaram). Pelo contrário, presumo que esse par é adulto e resolve os seus eventuais problemas sozinho, como os restantes colegas.
O que escrevi foi em defesa da responsabilidade dos comentadores, os quais estão usar um espaço onde não têm qualquer direito. Inclusive, não sabem o que será feito com os emails que deixam, pois a entidade onde os deixam não se comprometeu a respeitar qualquer tipo de sigilo. Eles até podem acabar por ser vendidos a chineses. Esta é uma chamada à realidade, para centrar a questão nos seus pressupostos principais.
Ora, no único blogue onde escrevo, o Aspirina B, nunca vi nenhum autor divulgar emails, e já lá passaram muitos e (a)variados marmanjos nos seus 6 anos de existência. Mais do que isso, caso algum autor divulgasse um email ele seria por mim imediatamente apagado e essa situação grave discutida entre a equipa, daí se retirando consequências. O mesmo a respeito de outros dados que pudessem dizer respeito à identidade civil de comentadores. Esta é a prática do passado, do presente e do futuro, pelo menos enquanto eu for autor na blogosfera.
Dito isto, constato que pegaste numa parte do que escrevi numa dada situação e apresentas uma interpretação enviesada do que lá aparece. A situação em causa nem é sequer por ti descrita, desconfiando eu que não perdeste muito tempo a perceber do que se tratava - nomeadamente, o facto da situação dizer respeito a um só autor e a um só comentador, os quais vêm dialogando a respeito do assunto ao longo de semanas ou meses, e comentador esse que pediu a minha intervenção, daí lá ter ido dizer umas banalidades.
O que te entusiasmou no episódio - e que não te suscitou a curiosidade, ou mera deferência, para me consultares primeiro em ordem a recolheres a minha opinião mais lata ou mais exacta acerca do que tinhas lido - foi a possibilidade de poderes escrever este ataque contra as "ditaduras de pacotilha", e logo a respeito de um blogue conhecido por ser um dos mais radicais (ou mesmo o mais radical adentro da esfera dos blogues políticos de referência) na defesa da liberdade de expressão nas caixas de comentários. Por exemplo, a censura é algo que só acontece em casos limite e ninguém tem de ver os seus comentários aprovados previamente.
A tua denúncia consiste em usares um comentador que tem estado genuinamente a gozar o prato a partir de um dos emails que vem deixando de cada vez que inventa um pseudónimo. Aparentemente, tu sabes que o email em causa é "verdadeiro", pelo que sabes que estamos perante uma grave violação da "privacidade" por se ter feito referência a um nome que lá consta. As coisas que tu sabes...
Nunca fiz o que o autor em causa fez, e o meu conselho, caso mo peçam, é para nunca tal ser feito. Mas ainda mais importante do que esta deontologia blogosférica básica, e admitindo a possibilidade de quem protesta o estar a fazer de boa-fé ou para ilustração dos eventuais leitores, considerei benéfico realçar a origem da situação: alguém decide colocar um email num blogue qualquer. Se descobre que não lhe respeitaram a participação, porque, por exemplo, usaram esse email para lhe atribuir um nome em público, então, o bom senso diz que o melhor será mandar esse blogue para o caralho ou apenas o autor responsável pela ocorrência, na hipótese de ser um blogue colectivo. Porém, se quem assim se diz lesado continua alegremente a explorar a situação, dela tirando partido e nela querendo ficar a captar dividendos de ocupação do espaço, então talvez o melhor seja mandar esse folião para o caralho mais a sua conversa de merda.
Tenho a certeza de que no tempo em que desafiavas comentadores para a porrada terias uma opinião mais vitalista a respeito do episódio que te levou para este assomo de coisa nenhuma.
shark a 15 de Agosto de 2011 às 19:03
Tu tens a noção de que quem leu as tuas intervenções, caso não seja visita habitual, vai tirar conclusões fáceis a partir do episódio e essas não abonam de todo a favor de tudo aquilo que sempre defenderam nos posts e o JCF fez questão de desmentir nas caixas.
Não me venhas com tretas, pois o teu parceiro de blogue não sabe lidar com trolls e as suas evidentes limitações tornam-no num alvo fácil para intervenções com muito acerto por parte da equipa instalada nos posts dele.
Se queres frontalidade é isso que tens: não há forma de negar que o JCF utilizou de facto os emails para obter vantagens competitivas e isso é golpe baixo e não me venham com o busto de que o que não será revelado serão os emails propriamente ditos, pois qualquer uso dos mesmos resvala naquilo que as regras do jogo deveriam salvaguardar.
Se ele o fez, não devia. Devia sim ter a classe ou o estofo necessários para dar a volta aos seus trolls com base na capacidade de argumentação (estou a ensinar a missa ao padre) e nunca com base num expediente que tu próprio jamais usarias (quero acreditar).
Se os nomes e os géneros invocados por "intuição" (vão gozar com o caralho, agora digo-to eu) são verdadeiros ou falsos é irrelevante e tu sabes isso tão bem como eu pois não és o JCF mas apenas um gajo inteligente que, a meu ver, incorre num erro de casting cujo mérito é unica e exclusivamente o de justificar caixas animadas e que fazem parte da essência do vosso blogue.
A questão dos princípios não é menor e é esse o assomo que está patente nesta posta como no comentário que lá deixei.
Se alguém não sabe gerir as emoções e tem uma conduta imprópria (quem começou a insultar comentadores foi o JCF, eu acompanho aquilo todos os dias há anos), mesmo quando é apanhado em contrapé nas suas múltiplas falhas e equívocos e tu avanças com definições como a de que nos ofereces o direito a comentar acabas por subscrever esses desvios colossais ao espírito que o Aspirina sempre representou para mim e para muitos como eu.
É isso que está em causa para mim e se tu não parares um pouco para repensar as consequências do que ali sucedeu acabarás por matar o Aspirina por teimosia como aconteceu, por exemplo, no Afixe.
Toma-me por oponente, ou mesmo aos que pugnam por linhas tortas por um Aspirina livre de estuchas sem jeito algum, sem teres em conta o efeito prático dessas tuas definições da liberdade de expressão oferecida e já estarás a apontar certeiro para o próprio pé.
Valupi a 15 de Agosto de 2011 às 19:33
Se tens algo para dizer ao José do Carmo Francisco, tal não me diz respeito e não te faltarão meios e oportunidades para o fazeres. Também não estou interessado em discutir contigo nas presentes circunstâncias supostos "erros de casting", muito menos as tuas interpretações dos mesmos. No passado, teria muito gosto, agora não faz mais sentido. O que aqui fizeste corresponde, para mim, a uma quebra de lealdade que reduz a minha comunicação contigo ao estritamente necessário para esclarecer o caso do meu ponto de vista.
Do meu ponto de vista, no Aspirina B não se divulgam emails e não se divulgam dados das identidades civis, só, eventualmente, das identidades blogosféricas. Mesmo neste último caso, terá de haver uma boa justificação. Escuso-me de elencar todas as possíveis situações comuns em blogues que o justifiquem, mas realço que não será fácil encontrar exemplos disso no Aspirina B.
Também do meu ponto de vista tu estás a usar um caso que envolver um autor, e nenhum outro, e um comentador, e nenhum outro, relativamente uma única ocorrência, sem repetição. Esta é a base factual que te permitiu o objectivo de disparares contra mim, por isso centras a raiz da tua indignação em ideias que apresentei numa intervenção a pedido do referido comentador. São essas ideias que, depois de serem por ti deturpadas, te levam para variados considerandos que difamam o blogue. Não por acaso, na réplica que acabas de publicar não entras em diálogo com o que te explico, partes para um ataque ao José do Carmo Francisco à mistura com disparates acerca do que pensará não sei quem e os riscos que o blogue corre por causa não sei do quê.
A mim só me interessava, ao vir aqui dialogar contigo, chamar a tua atenção para a possibilidade de te teres enganado na leitura que fizeste da situação. Missão cumprida.
shark a 15 de Agosto de 2011 às 19:39
Ficamos então conversados, embora só o futuro possa confirmar o acerto e as consequências da tua tomada de posição acerca do assunto e até da parte em que ele me envolve.
sinhã a 15 de Agosto de 2011 às 21:26
às tantas são os meus olhos que são cegos da maldade. de qualquer forma, dialogar e perceber o outro não é sequer um esforço mas um imperativo no que é, quando queremos, comunicar.
shark a 15 de Agosto de 2011 às 23:59
Comunicar é fácil quando não existem divergências, Sinhã. Depois sobrepõem-se sempre as vontades de reclamar a razão no imediato e de silenciar o outro para o garantir.
Aí a comunicação perde-se pelo canal...
sinhã a 16 de Agosto de 2011 às 00:19
é isso mesmo - a comunicação não vai para o caralho: vai para o canal. fico triste.
jorge,
é possível fazer uma figura mais triste que esta, é sempre possível, evidentemente.
mas só aqui entre nós: olha que é difícil...
deixa lá, haverá dias melhores, talvez.
porque este é para esquecer, definitivamente.
onde tinhas tu a cabeça, méne?
shark a 16 de Agosto de 2011 às 00:05
Fica-te tão bem a manifestação de solidariedade implícita como te fica mal o excesso na formulação do teu ponto de vista.
Tenho a cabeça dispersa por muitas coisas que podem até afectar-me o discernimento e levar-me a figuras tristes involuntárias.
O problema é que ainda não tomei consciência de ser o caso, depois de tudo o que li.
E isso dificulta o fairplay que tanto facilitaria esse teu papel de avaliador das figuras dos outros à luz da tua interpretação dos factos.
E já agora, para ter valido a pena a tua intervenção à matador, seria óptimo que me explicasses exactamente onde distingues os contornos do meu alegado desacerto. É que eu gostava de poder não justificá-lo mas no mínimo entender o que está errado no filme que vês a preto e branco mas eu vejo a cores.
jorge,
não me parece que cheguemos a lado algum contigo nesse registo, por isso respondo-te desta vez por mera manifestação de delicadeza, pura cortesia (que duvido que tu distingas neste momento) mas sem intenção de argumento.
Repara que começas logo mal e por isso aqui acabo: vens pelo atalho que se esperava neste tipo de raciocínio viciado como acredito seja o caso: 'a manifestação de solidariedade implícita..'. Não vás por aí, sharky, não tem nada a ver, não só não tenho procuração para defesa nem (muito menos) capacidade ou competência para defender quem dispensa defesas parolas como seria esta minha... se o fosse, claro, que não é...
Digo-te só duas ou três palavras/expressões soltas que me ocorreram ao ler-te no post, tal como me bateram, sem acrescentos de espécie alguma para que penses nelas, se achares que vale a pena, evidentemente; e amanhã, ainda e sempre se achares que vale a pena desenvolvemos ou não os raciocínios, ok? Cá vai alho, então:
-. jactância, soberba; bater no ceguinho: moralismo balofo; bater no ceguinho; oportunismo, cagança, bater no ceguinho; caricato, perorar, acinte; ah, sim, já terei talvez referido 'bater no ceguinho', não?
fico por aqui, por duas razões, a saber:
- por mais que não vejas de momento, não há acinte nas minhas palavras ou muito menos na sua intenção;
- não quero, detesto bater no ceguinho;
aceita um abraço, shark, de quem já fez figuras tristes mais que uma vez, infelizmente.
shark a 16 de Agosto de 2011 às 01:03
Vês? Começas com delicadeza e cortesia e acabas solidariedade de classe.
Ainda há esperança para a evolução deste debate acerca daquilo que me melindrou. E disso ainda há muito por dizer, depois de acertados os registos e de esclarecidas as variáveis.
Ah, Rui, e de analisadas as coisas à luz de mais do que uma perspectiva. É aí que julgo ser possível obtermos se não o consenso quiçá uma iluminação mais adequada sobre o que realmente está em causa.
Sabes que como qualquer protagonista de figuras tristes possuo a capacidade inata para me oferecer ao mea culpa. Mas só depois de transitar em julgado...
sinhã a 16 de Agosto de 2011 às 09:51
Rui, há alturas em que se não queremos apagar o fogo mais vale ficarmos em casa a apreciar a beleza, pela janela, das lavaredas.
há outra coisa que te quero dizer nisto do mês que dizes ser de tonterias: essa mania que tens de dizer aos outros que fazem figuras tristes torna-se redundantemente infeliz - é que as pessoas, sendo pessoas, têm diferentes pontos de vista, diferentes vivências, diferentes formas de estar e quando nos propomos a escrever em público, não significando que temos de concordar com elas, lá teremos de aceitá-las. e dizer o que pensamos e/ou sentimos, quando estamos a ser honestos, nunca é mau. péssimo é quando brincamos ao faz de conta com emoções. e digo-te isto porque já nos debatemos lá no sete vidas precisamente por dizeres que estaria a fazer uma triste figura apenas por interpretar e comentar um texto teu diferente de todos os outros.
sim, é isso: cada um é como é e há espaço para todos e, basta querermos, a liberdade não é nem para ficar no canal nem para andar a mandar o2 para o fogo que está a queimar a mata.