O QUE É QUE VOSSA ALTEZA COAXOU?

Na ressaca da exposição mediática global do casamento real britânico, muitos analistas referiram o quanto de positivo tal enlace traria para a causa monárquica tão fustigada por eventos e personagens trágicos (Lady Di, família real nepalesa), escabrosos (Lady Fergie, Princesa Stephanie) ou apenas patéticos (não preciso de citar nomes), julgo ser oportuno prestar atenção a esses mesmos analistas quanto ao mais recente matrimónio com sangue azul, no Mónaco dos iates e da Fórmula Um.

 

A questão só se coloca quando tentamos fazer um paralelo entre as duas cerimónias acima. Se de um lado temos uma espécie de conto de fadas moderno que até inclui a transformação de uma plebeia em candidata a rainha, do outro temos algo de parecido mas com contornos um nadinha menos favoráveis à tal causa que um simples casamento parece servir.

 

O problema da monarquia moderna reside precisamente nas comparações: a realeza arrasta desde há séculos o fardo de estar à altura dos contos de encantar instalados no imaginário dos súbditos e mesmo dos que não o sendo formam o tal poder invisível e que todos os outros poderes tentam manipular chamado opinião pública.

É difícil olhar para as imagens do casamento real monegasco e vislumbrar ali uma pitada sequer do tal final feliz onde tiveram muitos infantezinhos e viveram felizes para sempre num palácio com jardim e cheio de assoalhadas, tal como não se distingue a diferença entre aquele casório e o do filho primogénito de um qualquer milionário nascido no Mónaco, em Andorra ou noutro país de fantasia para gente de brincar.

 

Por outro lado, neste plebeu desencantado não encaixa o perfil deste príncipe regente do Mónaco.

É que para o transformar num cinquentão careca, sem piadinha nenhuma e com filhos bastardos não valia a pena ter beijado o batráquio, pois não?  

publicado por shark às 20:18 | linque da posta