UMA ESPÉCIE COM ORIGEM NO SÍTIO DO COSTUME

O novo Secretário de Estado da Cultura, nosso colega blogueiro, costuma participar num programa da TVI no qual exibe todo o seu talento enquanto comunicador que, aliás, terá em muito contribuído para a respectiva nomeação para tão importante cargo (sobretudo depois da desastrada extinção do Ministério).

 

Eu não sou candidato a ministro de coisa alguma, sou apenas um leigo que gosta de usufruir da liberdade, nomeadamente a de opinar. Isso não invalida, contudo, que goste de pensar acerca do que representam esses cargos tão importantes para um país.

Percebo de imediato que a responsabilidade inerente é imensa, tamanha a relevância das decisões tomadas para o funcionamento de pessoas, de instituições, de todo um país. Não invejo quem tenha que se ver submetido às gigantescas pressões que uma função governativa acarreta, embora tenha consciência de que só se sente pressionado quem não vista a camisola da Pátria enquanto interesse superior a qualquer outro.

 

As pressões que um responsável máximo pela Cultura em Portugal pode sofrer podem vir de muitos interesses instalados onde se movimente o dinheiro suficiente para justificar a tentativa de ingerência.

Uma forma simples de deixar clara a impermeabilidade a esses poderes é precisamente o aproveitar das oportunidades públicas, mediáticas, de vincar a independência, a incorruptibilidade e, acima de tudo, o amor à Pátria que é exigível a todos mas sobretudo aos escolhidos para governarem a nação.

Nesse contexto, não respeito um Secretário de Estado da Cultura a quem é concedida a oportunidade de recomendar a compra/leitura de um livro na televisão e em vez de aproveitar o ensejo para lançar um dos muitos talentos nacionais sem hipótese de promoção pelas grandes editoras prefere promover um autor e uma obra estrangeiros, mesmo sabendo que dessa forma só há um interesse claro que sai defendido.

 

E esse até pode ser português (na maioria da quota accionista), mas tem, na perspectiva que aqui me interessa, muito pouco de cultural.

publicado por shark às 19:10 | linque da posta | sou todo ouvidos