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Preferia falar-vos do aquecimento global do corpo na sequência de uma noite intensa na cama. Porém, os factos entram pelos olhos e distraem-nos com a dureza das conclusões a extrair.
O ciclone Larry, que atingiu a Austrália com ventos próximos dos trezentos quilómetros/hora, é apenas um de entre os sinais que se multiplicam ao ponto de já nem constituírem notícia de abertura nos telejornais.

Já nem podemos virar a cara para o outro lado, pois tanto derrete o Pólo Norte como o Pólo Sul. E as marcas visíveis da ameaça que pende sobre o nosso futuro fazem-se sentir em todo o planeta. Em Portugal, e apesar de os optimistas considerarem normal (com base na análise das estatísticas de períodos longos que, naturalmente, diluem nas médias a quantidade e a dimensão das catástrofes da última década – a negação “política” que evita o alarmismo tão pernicioso para a sacrossanta economia), a seca recente e os tornados espontâneos cada vez mais frequentes constituem o nosso quinhão da factura worldwide.

Uma enxurrada de inundações, um rodopio de furacões, animais a alterarem hábitos milenares ou a lançarem-se, como as baleias e os golfinhos, para a morte e assim contrariarem um dos instintos mais básicos com que a Natureza os dotou. Mas também nós, humanos idiotas, parecemos ter perdido algures o gosto pela sobrevivência e envenenamos o clima com a nossa estupidez por omissão.
Omitimos o bom senso na forma como nos comportamos, como permitimos que crápulas como o Mister Danger boicotem os tratados que podem salvar-nos da hecatombe (ou apenas adiá-la). E este não é um termo bombástico, quando se fala em seis ou sete metros de aumento do nível do mar e passamos a conceber um litoral em conformidade. Em Serpa, ou em Mangualde…

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El Niño, recordam-se? Entretanto fez-se um “homenzinho” e continua a fazer estragos na temperatura dos oceanos e na comunicação destes com a atmosfera. O processo não desacelera, como o comprovam os números da última década e as tempestades de nível cinco em catadupas.
Ardem florestas no mundo inteiro (até no interior do Alasca…). Espécies com milhões de anos de evolução extinguem-se, sucumbem às alterações climáticas que lhes destroem o habitat e forçam a fuga para zonas livres do calor ou as tornam vulneráveis a maleitas que antes enfrentavam com as suas defesas naturais.

É o caso de várias espécies de sapo, cerca de dois terços das variedades existentes na América Central e do Sul, desaparecidas devido a doenças que parecem mais tenazes a afectarem os anfíbios do planeta. E de muitas outras, condenadas pelos efeitos desta insanidade de proporções industriais que já se faz sentir nos sistemas respiratórios da espécie humana. E nas consequências da exposição ao sol (a camada de ozono, recordam-se?). E nem sabemos ainda em quantas outras surpresas que os cientistas não conseguem explicar e ainda menos combater com eficácia.

Temos mesmo que levar a sério esta questão. O aquecimento global não é um papão do futuro dos nossos filhos ou netos, é uma realidade presente que está a dar cabo de tudo o que nos rodeia.
Se não conseguimos moderar a nossa intervenção negativa individual, que sejamos no mínimo capazes de pressionar os vários poderes que possuem meios para uma imposição coerciva das restrições e das obrigações dos que mais poluem. E para a aposta feroz nas energias alternativas.

Não vêem, pelas falinhas mansas e pelo discurso “ecológico”, que até as petrolíferas já acordaram para o problema?

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publicado por shark às 12:37 | linque da posta | sou todo ouvidos