A POSTA NA DEMOCRACIA DE TELENOVELA

Confesso-me saturado deste jogo do descrédito entre socialistas e social-democratas. A cada dia a Comunicação Social confronta-nos com uma nova suspeita, uma nova acusação, um novo aditamento à lápide da credibilidade das principais alternativas para um país em aflição.

Vejo os principais candidatos a Primeiro-Ministro de Portugal aproveitarem o único debate para se provarem mentirosos, algo de prever desde o desabafo de Passos Coelho quanto às negociações com Sócrates sem a presença de testemunhas e que nos deixou apenas com a certeza de que um dos dois é um mentiroso.

 

Claro que é fácil apontar de imediato o dedo ao suspeito do costume, mas confesso que me basta ficar com a certeza de que tenho cinquenta por cento de hipóteses de contribuir para eleição de um fulano sem honra e sem palavra, algo inerente à condição de aldrabão seja de quem for, para me sentir desconfortável.

Além disso, não é difícil encontrar mentiras (ou omissões, ou incoerências ou o que quisermos chamar-lhes) no percurso e no discurso do oponente mais destacado ao líder socialista. Basta estarmos atentos ao que os jornalistas nos oferecem para percebermos que não há inocentes nesta forma corrente mas nem por isso correcta de fazer política.

É perturbador assistir ao esforço permanente de emporcalhamento recíproco que se adivinha para os próximos dias pelo que já se vê, algo que no mínimo afasta as prioridades sérias do centro das atenções numa altura em que os indecisos são às centenas de milhar.

 

E ainda mais assustador o cenário se torna quando olhamos com mais atenção as restantes alternativas ao nosso dispor...

publicado por shark às 20:30 | linque da posta | sou todo ouvidos