A POSTA NOS PÚBICOS MAIS PRIVADOS

Uma das mais arcaicas sumidades laranja entendeu dar uma pala bloquista a meio de uma entrevista à SIC Notícias, libertando a alma e o discurso até ao nível da mesa de café.

Certamente os analistas saberão dissecar a questão sob o prisma da política, tal como os mais conservadores social-democratas, chocados, já procuram de entre as múltiplas opções preconizadas no seu manual ilustrado de saídas airosas para figuras incómodas e obstáculos de qualquer cor (sem excepções) a mais adequada para Catroga, faltando-lhes apenas decidirem-se entre o exílio partidário temporário ou o asilo político definitivo.

Contudo, a expressão lançada pelo cromo para apimentar o caldo eleitoral (nem o Nobre conseguiria fazer melhor) com a malagueta da sinceridade na língua oferece outras abordagens que não são à direita nem à esquerda mas em pleno cerne da questão.

 

A primeira polémica directamente associada ao que ficará talvez na história do vernáculo mediático ao mesmo nível dos cornos na Tourada do Fernando Tordo (e talvez até na do Manuel Pinho) consiste na própria grafia da coisa: pentelho para uns, mais puristas, pintelho para outros.

Ainda não tive oportunidade para me debruçar sobre a fonética do termo pela boca de Catroga mas assumo-me desde já integrado na corrente que prefere o ponto no “i”. E a avaliar pelo contexto em que o ex-Ministro parecia cuspir a palavra será essa versão popular (a que mais enche a boca quando pronunciada) também da sua preferência.

 

Quiçá por esta hipotética proximidade entre as vogais das nossas pintelhices, quase me sinto tentado a desculpar o homem, pegando pela espontaneidade tão rara e assim.

Até porque, bem vistas as coisas, Catroga acaba por introduzir com o seu arrojo uma ligação directa entre a política (cada vez mais enfadonha) e o sexo (cada vez mais), pois é sabida a rapidez de associações de ideias da malta e puxam sempre para a paródia.

Claro que se nestas coisas pela boca morre o peixe, calhou ao Eduardo fugir-lhe a dita precisamente para um termo que remete as mentes mais libidinosas para a oralidade da coisa. Se calhar, maroto, até fez de propósito, conhecedor das tropelias que um simples pelo encaracolado pode provocar num outro domínio que não o da política partidária.

 

Se calhar, saturado de ter que falar tanto acerca de factos não consumados, promessas, entendeu deixar escapar uma mensagem subliminar para o eleitorado nas entrelinhas e que não poderia arriscar de forma ainda mais frontal, dentro da mesma onda pintelheira:

 

Eles (PS) só querem falar de pintelhos para vos apanharem distraídos, mas connosco (PSD) não é só conversa. Vão ser mesmo bem fodidos…

publicado por shark às 11:48 | linque da posta | sou todo ouvidos