AS VOLTAS TROIKADAS

Depois de tanto folclore em torno do buraco que se esperava (ansiava, a avaliar pela visível desilusão de alguns) e que iria ser revelado depois do rastreio dos inspectores do FMI (cuja capacidade ninguém questionou até ver), a hecatombe não vai acontecer com a dimensão que até a Comunicação Social, na sua especulação desenfreada, tentou empolar.

 

Nem o subsídio de férias, nem o subsídio de Natal, nem as pensões dos mais desfavorecidos. Só uma réplica bastante aproximada do tal PEC que a oposição em bloco rejeitou (fazendo agora, se as contas não me falham, figura de burra).

Deve ter sido um rude golpe (mais um) nas ambições laranja de poderem entrar em cena como os salvadores da Pátria em face do tal buraco que chegou a mais de 100 mil milhões (afinal o que são pouco mais de 20 mil milhões de erro num cálculo senão um mero detalhe, não é?) que passou a 78 mil milhões e sem uma única tragédia a que a malta do PSD mais o jornalismo fatalista se possam agarrar.

 

Aos poucos vão caindo por terra os mais sólidos argumentos de uma oposição pateta e, a confirmarem-se estes factos inconvenientes, irresponsável que se deixou embarcar numa sanha persecutória a um fulano com o qual não conseguem ombrear, o culpado do costume, de uma forma tão intensa que acabaram convencidos de um qualquer apelo quase unânime da sociedade civil no sentido de correrem com o mau da fita.

Um tiro no pé do Bloco de Esquerda, cada vez mais enterrado no trambolhão eleitoral que as sondagens prenunciam, outro no pé do CDS/PP que só agora começa a revelar o tino que na altura lhe faltou, mais um na muleta do PSD (os pés já eram, transformados em passadores) que bem pode preparar-se para uma aflição na hora do acerto de contas nas urnas e mais uma grande vitória da esquerda democrática para o PCP que afinal agiu na defesa dos interesses dos trabalhadores, dos reformados e da tradição comunista de ser do contra.

É isto que se desenha no flope que constitui a brandura das tais medidas terríveis que afinal, e em face das catástrofes anunciadas com base nuns esqueletos e mais não sei o quê, pariram um rato.

Dos pequenos.

 

Se até hoje mantive uma prudente reserva quanto à realidade dos factos por conhecer, a que poderia desmentir um Governo alegadamente aldrabão (e afinal nem um embustezinho como o dos gregos, uma falcatrua nas contas ou assim se arranjou) e confirmar o acerto da tal oposição unidos demitiremos que nos teria salvo de uma outra suposta hecatombe que o FMI não validou com o calibre das suas medidas, agora parece-me lógico e razoável tirar conclusões que não favorecem nada a quadrilha que nos obrigou a envolver estrangeiros na implementação das mesmas medidas recusadas, peito feito, pelos arautos da desgraça que não conseguiram provocar com o espalhafato que melhor os serviria nas estratégias eleitorais.

 

Por tudo isto parece-me óbvio que as favas contadas serão apenas uma: a que saiu, azar do camandro, logo ao republicano mais conotado com o seu gosto voraz pelo bolo-rei.

publicado por shark às 23:33 | linque da posta | sou todo ouvidos