A POSTA NOS DEJECTOS À VISTA DESARMADA

O assunto é tão melindroso e fétido que uma pessoa até hesita em pegar-lhe pelo medo do contágio que estas coisas parecem acarretar, tantos os maus exemplos que se vão descobrindo quando se zangam as comadres ou simplesmente quando alguém cai em si na verdadeira dimensão destes golpes baixos que não só conspurcam um sistema democrático como, pedaço por pedaço, o desacreditam aos olhos da população e acrescentam à abstenção mais uns trocos que já reduzem os votantes habituais a menos de metade, numa queda livre da participação democrática que estes capítulos vergonhosos ajudam a acelerar.

 

Se há coisa que exigimos tanto aos políticos como aos jornalistas é uma ética irrepreensível. Tudo o que fique abaixo disso constitui uma brecha potencial por onde se infecta um sistema que (sobre)vive da confiança nele depositada.

Além disso, essas fissuras personificadas pela falta de rigor de uns e de carácter de outros tendem a alastrar com base nas teias de cumplicidades inevitáveis e de silêncios imperdoáveis nos quais a Comunicação Social não pode reclamar inocência.

 

O exemplo que o Valupi publica hoje no Aspirina é irrelevante no que concerne à sua origem, a baixeza inerente sujaria aos olhos de qualquer pessoa de bem os respectivos intervenientes, activos ou passivos, qualquer que fosse a respectiva cor partidária.

Contudo, não é tão irrelevante no que respeita à exposição clara de uma acção concertada de desacreditação de um homem para nele destruírem o candidato político.

Perante factos não há argumentos e ninguém tente agora desmistificar a ideia de que José Sócrates tem sido o alvo permanente da conjugação de esforços entre os seus oponentes e uma classe de jornalistas que começa a bater tão no fundo em termos de imagem como a classe política a quem amplifica estas atoardas.

 

Se aos políticos capazes de descerem tão baixo na ânsia pelo poder chamo crápulas com as letras todas, aos jornalistas que lhes dão voz acrescento-lhes lorpas e por mim nem uma letra poderiam voltar a escrever depois de identificados na sua condição de porta-vozes deste esterco partidário sem cor.

Ou melhor, sempre com a mesma cor: a daquilo que não queremos pisar sem querer quando circulamos nas ruas.

publicado por shark às 12:28 | linque da posta | sou todo ouvidos