PESOS E MEDIDAS

Como no espaço, flutuando, celebrando a ausência de gravidade naquele lugar distante, imaginário, isolado de um outro onde a responsabilidade assumida se ameaça incumprida e aos pés de chumbo não é permitido perder o contacto com o chão.

A mente em pós-ebulição, arrefecida de forma artificial naquele refúgio, naquele local inexistente onde nada acontecia que pudesse prejudicar directamente a realidade da situação.

Flutuando em cima de uma bóia de sinalização dos perigos afiados, a tormenta dos rochedos por cartografar, armadilhas daquele mar revolto, desassossegado pelo sopro forte do vento no cenário construído pela vida a acontecer onde a sorte pode morder, raivosa, pintada cor de rosa para nos enganar e afinal ser mesmo um azar daqueles que não existem no mundo faz de conta.

Como no espaço, à deriva, a mente prisioneira, cativa do medo que a leva a fugir para um sítio que não pode existir em paralelo com a verdadeira dimensão da ameaça concreta ou do simples papão que por instantes assusta a lucidez e a intimida o bastante para se fazer esquecida da necessidade de sentir o chão sob os pés. De chumbo, para não poder flutuar sem rumo na insensatez. Ou para bater mais depressa no fundo.

 

Para poder recomeçar outra vez.

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publicado por shark às 15:55 | linque da posta | sou todo ouvidos