A QUINTA DO GIL

Claro que todos somos presumíveis inocentes e não me quero adiantar ao inquérito e aos tribunais que deixarão passar impune, em havendo, qualquer crime que venha a ser provado, tal como vem sendo hábito nos casos de maior dimensão nos figurantes e na projecção mediática.

Contudo, a suspensão de Gil Martins (que peca por tardia) não constitui uma surpresa para mim neste contexto de crise de toda uma pátria que deveria acarretar para quem o rouba uma pena proporcional à verdadeira traição cometida mas provavelmente, por este pretexto ou por aquele, acabará por alimentar mais um pouco uma noção popular pervertida da Justiça.

 

Ao responsável máximo de uma organização tão importante como a Protecção Civil só pode exigir-se uma postura a todos os títulos irrepreensível, tão imaculada que nem possa passar pela cabeça de alguém a ideia de suspeitar da idoneidade de tal figura.

Não parece ser o caso deste licenciado em Protecção Civil (antigo Inspector Nacional de Bombeiros) que alegadamente terá desviado cerca de 100 mil euros para bens tão úteis à nação como uma consola Nintendo...

Esta suspeita, com indícios suficientemente claros para provocarem uma suspensão, constitui mais um (mau) exemplo daquilo que o povo sintetiza numa só frase: anda tudo a roubar.

 

E ninguém parece ter vergonha, acrescento eu.

publicado por shark às 22:35 | linque da posta | sou todo ouvidos