A POSTA QUE O TUBARÃO NÃO TOSQUIAM

Eu sei que isto da política é algo de maçador e quem me lê até nem mostra particular entusiasmo pela insistência no tema, mas o país também está a acontecer lá fora e eu temo que no meio do barulho das luzes a malta se esqueça de que vem aí mais uma oportunidade de pensarmos pelas nossas cabeças e, pelo menos, baralharmos as contas dos que cada vez mais parecem convictos da noção de que sabem tudo o que vai na alma da carneirada em que nos deixamos transformar.

 

Como a maioria, e mesmo os que votem Cavaco, preferia um naipe de candidatos melhorzinho e uma campanha eleitoral com o sangue fervente de outros dias.

Contudo, as coisas evoluíram para contornos surrealistas nos quais os fracos políticos da nossa praça parecem querer dar razão aos que os apelidam disso mesmo: fracotes. E essa verdade anda estampada nos escaparates dos sucessivos episódios que descredibilizam não apenas as figuras de proa mas, por tabela, todas as que lhes sejam próximas.

No meio disto tudo ficamos na dúvida acerca de um Primeiro-Ministro a quem ninguém pode negar ter tido a vida passada a pente fino em busca de algo que pudesse entalá-lo e, até ver, népia, e agora começam a surgir as minhocas a cada cava(ca)dela nos negócios simples e singelos, quase pueris, como o actual e provável próximo Presidente desta república os tenta pintar.

De repente damos connosco prestes a ter que ir votar para, de acordo com as sondagens, apenas confirmarmos a reeleição de um político que renega essa condição e que se recusa a explicar de viva voz e com a confiança dos inocentes todas estas coelhadas bancárias em que a sua participação não pára de meter as orelhas de fora.

 

É por isso que ainda acho valer a pena insistir em maçar-vos, pois acho que com a mesma prontidão com que (quase) toda a gente se apresta para substituir o suspeito do costume por uma verdadeira incógnita julgo que na mesma linha de actuação deveria estar (quase) toda a gente desertinha por afastar o insuspeito da treta e arriscar em quem, pelo menos até ver, ainda tivesse o cadastro político irrepreensível (na medida do possível, claro, pois tenho consciência de que estou a roçar perigosamente o reino da utopia) e não fosse arrogante como parece ser pecado nuns e não ser defeito mas feitio quando aplicada a supostos imaculados e só por isso intocáveis.

 

É por isso e mais umas coisitas que vou mesmo cumprir com gosto a minha obrigação moral, votando em conformidade com a minha forma de ver e de querer as coisas e não misturando alhos e bugalhos pois as legislativas são outro campeonato do mesmo futebol, e tento alertar-vos para a necessidade de assumirem de uma vez por todas de que lado está a vossa forma de ver o mundo.

Sim, devia já estar disponível a terceira via.

 

Mas por enquanto só temos mesmo dois lados para escolher.

publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos