A POSTA QUE MATAR ALGUÉM NÃO É COISA DE GENTE BOA

Fui, durante alguns anos, colega do Carlos Castro na revista Eles & Elas. Dessa experiência não retenho boas recordações. Eu não gostava do CC e ele não gostava de mim e claro que isso não criava o melhor dos ambientes quando se passavam horas numa redacção.

Continuei, mesmo depois de abandonar a carreira, a acompanhar o percurso dele por via do que na Comunicação Social e pela boca de relacionamentos comuns se ia sabendo de uma pessoa que era tudo menos discreta e continuei a não gostar do cromo, tal como não me entusiasmava a sua forma de ser ou de estar.

Contudo, agora que tomei conhecimento disto e apesar de achar que na triste sucessão de acontecimentos que culminaram na sua morte não existem inocentes, percebo o quanto é fácil ignorar que se não houve inocentes ninguém pode negar que existiu uma vítima e essa foi um sexagenário com pouco mais de metro e meio assassinado por alguém com a força de um corpo jovem e com a crueldade ou a loucura necessárias para ficar entretido na mutilação de um cadáver ao longo de cerca de uma hora.

 

Só os próprios conhecerão a verdade dos factos que conduziram ao desfecho brutal. E insisto que seria hipócrita se assumisse alguma espécie de emoção provocada pela perda de alguém a quem não reconheci no passado como não reconheço agora qualquer mérito em especial e que até me indignava por fazer parte de uma faceta do mundo que desprezo, a da promoção de pessoas por amizade em vez de pela sua reconhecida capacidade.

De acordo com o que se vai sabendo, o teor da ligação entre a vítima do crime hediondo e o seu algoz assentava precisamente numa dessas relações por interesse (provavelmente mútuo) e por isso não posso alhear-me do papel do CC na caminhada até ao que seria o seu cadafalso.

Da mesma forma seria absurdo virar a cara ao facto de quem o matou, qualquer que tenha sido o seu passado de bom rapazinho, ser um assassino e essa é uma condição que nenhuma atenuante pode lavar. Tirando a legítima defesa e em condições extremas, nada poderá branquear a indignidade de tirar a vida a outrem.

 

Aqui entra a questão da pena a aplicar ao criminoso confesso, sendo óbvio que o velho gaiteiro e maricas (como será fácil pintar o defunto) sairá sempre mal no boneco por confronto com o jovem cheio de futuros promissores e de passados imaculados de quem, provavelmente, aproveitou o excesso de ambição.

Mas porra, o Carlos Castro, homem que ainda hoje detesto, não merecia morrer por nada do que fez. Foi brutalmente assassinado por um fulano que ainda entendeu mutilar o corpo depois. Não foi outra pessoa, foi aquele rapazinho de Cantanhede quem o fez e já o confessou.

 

Entre a prisão perpétua possível e que priva a sociedade da presença de alguém que pode no futuro voltar a meter-se em situações complexas e que possam despoletar de novo o seu dark side e os 25 anos pelos quais torcerão os protagonistas do tal cordão humano depois da missa para defender a imagem do filho da terra, eu acabo sempre por assentar a minha atenção num homem que morreu antes do seu tempo às mãos de um rapazola que de repente ficou possesso.

 

E esse tipo porreiro é um assassino. Confesso.

 

 

 

publicado por shark às 10:14 | linque da posta | sou todo ouvidos