UM PAR DE PRESSÕES DE AR

Agora que começou o previsível tiroteio entre o candidato (mais ou menos) de direita e o candidato (dizem as sondagens) melhor colocado à esquerda, a campanha presidencial dá um ar da sua graça e quase acreditamos que irá mobilizar o eleitorado de forma decisiva para o plebiscito que se aproxima.

Porém, à fisga dos Davides de uma campanha alegre mas pobrezinha que abraçou o BPN e as (boas ou más) acções de Cavaco que parece terem rendido uma soma apreciável ao candidato sucede-se a pólvora seca da publicidade assinada pelo Manuel caçador onde um desabafo acerca da cobiça de um par de armas xpto terá valido um cheque de 1500 euros ao único barbudo deste tango que se mostra cada vez mais uma tanga para nos dar baile.

 

O que os mentores das campanhas de Alegre e de Cavaco ainda não perceberam é que os seus tiros estão a acertar tão fora do alvo (se de facto tiverem um) que mais parecem utilizar balas bumerangue.

Na prática, estes atiradores estrábicos que aparentemente presumem criar uma vaga de interesse popular quanto a uma eleição que tresanda a abstenção estão a disparar para os próprios pés. Senão vejamos: quem, de direita ou mesmo indeciso, deixará de votar Cavaco por o saber hábil na obtenção de lucros à conta da gestão de influências que, todos sabemos, é the portuga way de fazer as coisas? E quem, de esquerda ou assim-assim, renegará o poeta por lhe conhecer a ingenuidade extrema de permitir a publicação de um texto seu enquanto adorno (engodo) publicitário e depois ainda devolver (ou tentar ou logo se vê) ao anunciante aquilo que lhe foi pago, no fundo apenas mais uma confirmação da falta de jeito da malta de esquerda para lidar com os melindres que o capitalismo induz?

 

Fica tudo na mesma, sabemos todos, depois de confirmadas a presumível inocência de Cavaco e a provável ignorância de Alegre. Os sistemas em causa, o político e o financeiro, já deram provas no passado deste país e de outros da sua capacidade de baralharem as contas com o fogo de artifício que não mata pássaros mas apenas assusta os passarões que se vêem na mira dos desastrados caçadores de macambúzios que acabam por no final espantarem a caça com a barulheira inconsequente dos seus disparos comprometedores da imagem pública dos candidatos no seu todo, pois o povo tem dedo leve no gatilho quanto a generalizações e está farto de escândalos sem crime nem castigo.

 

No final de toda esta autêntica caçada à raposa (porque saem todos chumbados) restará apenas a conclusão do costume quanto à eficácia dos mentores das campanhas eleitorais que muitas vezes atrapalham mais do que ajudam pois é cada tiro, cada melro.

E no caso em apreço cada melro abatido representa menos uma data de gente que não irá dar-se ao trabalho de procurar o cartão de eleitor para poder contribuir nesta cada vez mais fácil, porque menos concorrida, e cada vez mais patética, porque menos esclarecida, contagem de espingardas.

publicado por shark às 10:00 | linque da posta