UMA VERDADE COMPRIMIDA

Estranhamente, a situação de Assange (o rosto do Wikileaks) faz-me lembrar um outro traidor que viu a vida feita num harmónio a partir do momento em que meteu a boca no trombone.

Falo-vos de Alfredo Pequito, um delegado de informação médica que forneceu provas inequívocas da ligação promíscua entre um grande laboratório farmacêutico e os muitos médicos que aceitavam mais generosidade ainda do que as viagens aos congressos em cidades históricas ou em paraísos tropicais.

E só me vem à memória o nosso pequeno mártir local dos medicamentos porque temo que tal como ao Pequito nenhum colega de profissão uniu a voz para expor uma verdade incómoda mas necessária, também os jornalistas parecem mais empenhados em divulgar as interrogações (provavelmente forjadas) acerca do carácter do homem que os embaraça pela atitude do que em utilizarem o meio ao seu alcance precisamente para o efeito contrário.

 

(Já agora: o que é feito do Pequito?)

publicado por shark às 21:22 | linque da posta | sou todo ouvidos