MATCH POINT

Existem, a meu ver, duas coisas indispensáveis para conseguirmos vencer na argumentação em defesa seja do que for: razão e inteligência. Tudo o resto, todas as vantagens competitivas e/ou dividendos teóricos que possamos recolher numa discussão ou num conflito verbal (ou pior), derivam dessas duas pedras basilares.

E toda a conversa desperdiçada sem o seu sustento natural é pura perda de tempo ou simples exercício típico de uma mentalidade malabarista.

 

Por razão, como acima a refiro, entendo a absoluta certeza da bonomia, da validade, da pertinência, da veracidade e, acima de tudo, do cariz irrefutável da mesma à luz dos nossos padrões mas também tendo em consideração o das pessoas que connosco se confrontem em ambiente de antagonismo.

Melhor dizendo: temos que estar convictos da nossa razão mas sem abdicarmos do bom senso e da lucidez que nos permitam definir com a clareza possível as razões dos outros e aquilo que os motiva.

E aqui entra em campo a inteligência, esse recurso valioso em quase tudo o (pouco, quase nada) que podemos decidir pelas nossas cabeças a respeito seja do que for.

 

A inteligência é o único filtro capaz de nos permitir um raciocínio susceptível de garantir a razão numa qualquer disputa.

Se partimos para a contenda sem a armadura da inteligência de pouco nos vale a espada de madeira de uma razão mesquinha ou, pior ainda, de razão alguma. A teimosia, por si só, é ainda menos eficaz do que a superior qualidade dos argumentos apresentados e o investimento nessa ou noutras estratégias (com a mentira à cabeça) constitui por si só um insulto ao conceito subjacente.

Ou seja, invocarmos uma razão sem fundamento é uma prova de falta da inteligência suficiente para darmos pela sua falta.

E aqui entra em jogo a razão, essa causa pela qual achamos que vale a pena lutar até que a inteligência nos confirme que não vale a pena o esforço.

 

Por norma, quando a inteligência não nos atraiçoa (ou nós a ela), esse momento mágico produz-se sempre que constatamos a sua ausência na argumentação e/ou na atitude dos oponentes de circunstância.

Agora, e para garantirmos a compreensão do fenómeno na sua plenitude, basta vestirmos as suas peles (sim, as dos outros) quando a razão não nos assista e a inteligência (se tentarmos argumentar nessas condições é mais do que certo) não esteja presente ou nem exista.

 

Ou simplesmente não nos possa valer.

publicado por shark às 18:50 | linque da posta | sou todo ouvidos