O PAI, O MENINO E A ETERNA IGNORADA

Em Outubro já havia quem o desejasse feliz. E abastado, também.
Nesta altura, ninguém vê outra coisa diante dos olhos. Anda o povo na rua, olhar alucinado, lista de compras de última hora na mão, falta a do Manel, a da Francisca tá pobrezinha. E não damos nada à vizinha do segundo andar?
Na blogosfera multiplicam-se os votos de um Natal feliz. Encontra-se de tudo, mas uma coisa ainda não encontrei: uma palavrinha que seja acerca da desgraçada dos bastidores que lhe lava e engoma a fatiota, embrulha as prendas todas, trata da manutenção do trenó e ainda cuida das renas enquanto ele recebe os créditos todos, abancado no sofá.
Já não faltava o facto de o menino Jesus não ser uma menina, ainda temos um Natal que é Pai. Só mesmo as renas representam o feminino e toca-lhes andar com a tralha atrelada, mais o velhote que não tem pinta de quem desdenha umas boas feijoadas à transmontana.
De resto, é só iconografia machista. Já tem barbas, esta postura, e nem a coca-cola teve coragem para a barbear.

Contudo, no Charquinho não se admitem discriminações. Façam o que entenderem. Mas eu sei que se ela lhe falha, bem podem olhar para a chaminé e para o sapatinho que nada acontecerá. (Des)Esperem sentados.
Por esse facto, a minha posta de Natal (A posta e não O poste, note-se) é inteiramente dedicada a essa grande figura que é a verdadeira responsável por toda esta alegria que hoje podemos viver.

Assim, resta-me desejar-vos uma FELIZ NATÁLIA para respeitar a coerência a que este blogue vos habituou.

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A NATÁLIA, FELIZ... (conceito gentilmente cedido pelo Monty, do Afixe)
publicado por shark às 16:29 | linque da posta | sou todo ouvidos