IMPLOSÕES

Como um barril de pólvora, num canto escuro de um armazém qualquer, parado a observar o seu próprio rastilho a queimar a um ritmo incerto, sem conseguir avançar com uma estimativa para o momento de explodir, sozinho naquele depósito de munições à espera de respostas, de soluções, para os problemas que o consumiam naquele rastilho em sentido figurado a queimar e quem aparecia fingindo soprar apenas ateava a chama e assim antecipava a conclusão do processo inexorável, a explosão inevitável que haveria, talvez hoje, talvez num outro dia, de oferecer todas as respostas por omissão das perguntas que aquele barril de pólvora, isolado num canto do paiol, se colocava, pouco iluminado através das frinchas pelo sol poente, parado a observar o seu próprio rastilho a queimar, conformado, desistente.

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publicado por shark às 11:50 | linque da posta