A POSTA FEMININA

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Foto: sharkinho


Toda a minha existência foi marcada pela presença do feminino no topo das prioridades que, instintivamente, defini. As mulheres, criaturas que personificam o melhor (e o pior) que a vida me ofereceu, constituem a condição obrigatória no conjunto de elementos que compõem a felicidade tal como a concebo.
São o meu tema preferido dentro de todos os temas que me fascinam e, admito, sempre condicionaram a minha forma de ser e de estar. Parte importante do que sou é fruto da minha vontade de corresponder às expectativas criadas pelas mulheres que o (feliz) acaso atravessou no meu caminho para me permitir experimentar as delícias da amizade e, acima de tudo, do amor.
É aquilo que sou e não me envergonho desta dependência assumida, a única que me permiti ao longo de quatro décadas de vida.

Sonho um mundo no qual as mulheres disputem as batalhas da vida em absoluta igualdade de circunstâncias connosco, os machos de uma espécie mal educada em matéria de equilíbrio entre géneros. É um facto inegável e reflecte-se com maior preponderância nos meios onde a inteligência não impera ou onde a decência não corresponde à minha perspectiva.
Mas sente-se em todo o mundo, em qualquer dimensão da sociedade, essa diferença que se sobrepõe a todas as diferenças que nos distinguem. Existe um défice de igualdade que o texto acima denuncia e que por isso me abstenho de enumerar nesta circunstância.

Assim, opto por aproveitar o ensejo para render homenagem, para prestar vassalagem a esse grupo heterogéneo que me estimula e que representa o centro do mundo como o sinto. Um mundo que desejo mudar para melhor integrar essa falange de ganhadoras que as regras absurdas e mesquinhas limitam na progressão.
O mundo melhor para a minha filha, a razão bastante para me empenhar nessa alteração necessária que está a acontecer mas precisa de ser acelerada.

A bem do futuro que anseio, marcado pela transição para a efectiva partilha dos direitos como dos deveres. Sem distinção dos cromossomas, tão patética como a baseada no tom da pele de uma pessoa ou em qualquer outra característica que não sirva para hierarquizar por inerência, para subalternizar com displicência, sem olhar ao mérito ou à capacidade de cada um(a).

Um futuro a meias. Com tudo o que isso implica.
publicado por shark às 11:27 | linque da posta | sou todo ouvidos