COMO COMBATER INCÊNDIOS COM A ÁGUA DO CAPOTE

Confrontado com o panorama em matéria de incêndios no nosso país, o Ministro da Administração Interna respondeu que sim, que este ano foi pior que os dois anteriores mas foi melhor do que os de 2003 e 2005.

 

Eu nem sei o que dizer perante este tipo de argumentação por parte de um dos fulanos a quem confiamos a gestão dos nossos interesses individuais e colectivos. Então agora é assim? Se o ano for mau em algum aspecto basta recuarmos até um ano pior e tudo bem como dantes? A coisa agora vai lá por comparação com o passado tão distante quanto necessário para encontrar pior e não se fazer tão má figura?

Para mim isto não passa de serradura mandada para os nossos olhos e com um desplante que me fascina pela candura na expressão com que o dito Ministro recitou a ladainha preparada por um dos seus assessores.

Ah, caíram dez edifícios por erros de planeamento e de construção? Não há problema, em 1976 e 1988 caíram doze.

Ah, o crime violento aumentou em relação ao ano anterior? Mas em 1864, se a memória não me falha, aumentou mais zero vírgula não sei quantos.

E pronto, ficamos todos mais descansados com base na velha filosofia do foi mau mas podia ter sido ou, neste caso, até já foi pior.

 

Já várias vezes aqui me afirmei pouco entusiasmado com a ideia de correr com Sócrates e o seu Governo, precisamente por não encontrar em nenhuma das alternativas chão firme para sonhar com melhorias. Porém, isso não me condiciona em termos de coerência quando me deparo com estes exemplos de mediocridade que podem vir do actual Executivo socialista como de qualquer outro, de qualquer cor.

E falo de mediocridade intelectual, de falta de estrutura, de arcaboiço, de frontalidade para lidar com situações que tresandam a uma soma de fracassos na aplicação das medidas que o tal passado recente de 2003 e 2005 recomendava e os factos comprovam na respectiva ineficácia ou ausência.

É isto que está em causa, seja qual for o governante em funções.

 

Ardeu mais? Temos que tomar medidas imediatas para que não se repita o problema, penalizar os responsáveis ineptos, punir com severidade os culpados directos e nunca, de modo algum, chutar para o canto da estatística o problema que se quer escamotear.

 

É feio, é triste. E deixa-me preocupado a sério com o futuro desta realidade colectiva que parece só atrair para os seus comandos gente que só serve para a abandalhar cada vez mais.

 

Mesmo que tenham abandalhado mais ainda em mil novecentos e picos...

publicado por shark às 11:40 | linque da posta | sou todo ouvidos