PARQUE JURÁSSICO

 

PALAVROSSAVRVS REX a 13 de Agosto de 2010 às 00:50

 

Vocês dois são uns completos cromos infantilóides. Por que não vão para um mictório comparar os pirilaus?

 

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Este comentário, que encontrei no Pegada, prendeu a minha atenção por ser o comentário do mês (pelo menos do meu mês) porque conseguiu em meia dúzia de palavras levantar diversas questões da mais distinta natureza. Ou nem por isso, porque ainda há gajos que não acham natural essa cena de medir a olho as gaitas dos outros. Mas já vamos a essa importante temática.

 

A primeira coisa a saltar à vista é a espontaneidade absoluta da intervenção do nosso colega com nick jurássico, homem para espetar a sua trollitada muito bem identificada e isso não é coisa que encontremos todos os dias neste mundo virtual onde é tão fácil jogar às escondidas. Esteve bem, ao assumir a sua identidade virtual que aqui é a única de facto.

Depois há o tom seco e cru mas refinado. Notem o pormenor do mictório. Mictório não é palavra para qualquer um, denota o cuidado de quem dá a pancada à bruta mas não deixa de o tentar com luvas de pelica (sempre protege mais as unhas). E isso fica sempre bem, que nós somos gente civilizada, quase todos doutores, e a malta aprecia algum adorno no varapau.

 

E por falar em varapau salto já para o segmento do comentário que mais me suscitou a euforia mal contida que, por norma, acaba por resultar em postas sem jeito nenhum, como esta.

Pergunta então o nosso colega comentador porque não vão os dois cromos infantilóides (pelos vistos na perspectiva do REX a caderneta blogueira tem cromos repetidos) para um mictório comparar os pirilaus. E esta sugestão fez-me divagar acerca da estafada polémica do tamanho que conta mas afinal até nem conta muito porque o que interessa é o que se faz com ele (o pirilau, só para manter a coisa, o coiso, no contexto) e respectivas repercussões no desfecho final de uma contenda masculina.

Na verdade, qualquer homem sabe que o oponente pode não dar uma para a caixa ou ser um meia leca que não se aguenta com um atesto de porrada, mas se sacar de um pirilau de dimensões africanas ganha logo seja o que for que esteja em causa. O adversário sucumbe fulminado na hora, com o amor próprio nas ruas da amargura.

O REX, que é gajo, conhece a importância desse instrumento de medição da nossa capacidade enquanto homens. Claro que aqui levanta-se uma questão que não parece de todo irrelevante à primeira vista: o REX não equacionou a hipótese de estarem em causa dois pirilaus com exactamente o mesmo tamanho e isso, no contexto de um confronto másculo, deixa os contendores numa situação extremamente complicada pois todos sabemos, mesmo as moças que não frequentam esses espaços, que num mictório a rede é quase sempre péssima e nem a banda larga engrossa.

 

Contudo, apesar do sentido ser figurado, o desabafo do REX é pertinente porque toca com o dedo na ferida que é a mania de muitos blogueiros investirem o seu talento e a sua inteligência em ataques e contra-ataques cheios de linques, fulano disse AQUI aquilo que antes desdisse ALI e eu até já tinha escrito ALÉM algo que desmente o que podemos ler ACOLÁ. E uma pessoa vai seguindo os linques e às tantas já não há cu que aguente e vale mesmo a pena confirmar o calibre dos pirilaus para ver se é aí que reside o problema.

 

É disso que trata o dito comentário que não deu resposta mas já inspirou posta e por isso já deixou de ser um comentário qualquer. Claro que a profundidade deste escrito jamais roçará sequer a que conseguem atingir os detentores desse bacamarte verbal que eu próprio, na infância blogueira, me vi obrigado a manusear (leia-se palavrear).

 

Mas no meu caso concreto é porque a malta intui, e muito bem, que não vale a pena desafiar-me para certos comparativos e tive sempre que expor neste meio alternativo a potência, a dureza e, claro, a dimensão XXL do meu aríete intelectual.

publicado por shark às 17:06 | linque da posta | sou todo ouvidos