A NICE PIECE OF HASSE

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Foto: sharkinho

O gajo bloga há mais tempo do que eu e se calhar até já tínhamos partilhado alguma caixa de comentários algures. Como já partilhámos uma cama e outros recursos ao nosso alcance para desbundarmos as delícias da boémia ao longo de um percurso académico que primou pelo andamento rasgativo.
Nessa altura formávamos os vértices de um triângulo amoroso (sim, existem momentos na amizade entre homens que assumem contornos de um verdadeiro amor) que também incluía outra surpresa que encontrei neste mundo dos blogues. José de Ícaro, a nossa identidade literária, (re)produziu em palavras uma parte da loucura e da inspiração que de nós se apoderava quando atacávamos a noite como um trio de predadores do prazer.

Como ele me referiu ontem, num jantar que nos reuniu, apanhámos correntes distintas do grande rio da vida e os nossos caminhos afastaram-se durante anos em que, admito, senti e muito a falta daqueles dois pedaços de mim, daqueles dois homens extraordinários e absolutamente singulares que amei como é possível amar dois gajos sem assumir uma reprimida costela gay.

Comecei o dia exactamente como muitos dos que nasceram após grandes noitadas de farra com ele, a chamar pelo gregório como um adolescente. Fiquei em casa, naturalmente, a ressacar os excessos que sempre pautaram a minha relação com este Paixão intenso que reconheço intacto nas características que o tornaram numa referência minha em matéria de amizade sem travões.

Esta posta é como um guronsan que me trata dos sintomas deixados pela bebedeira e pela moca de amizade que ontem apanhei com um fulano chamado Paulo Hasse Paixão. O nosso outro irmão, incansável perseguidor de utopias, não esteve presente com o seu corpo flagelado pela vida sem fronteiras e com a sua mente alucinada pela busca de um nirvana feito de luz e de amor. Esteve connosco na partilha de memórias onde a sua presença é incontornável.

A ambos dedico estas palavras que reconhecem o seu papel determinante numa das fases mais intensas da minha existência, onde a liberdade e a irreverência imperaram a par com o desejo permanente de uma proximidade que ontem senti outra vez.

Preciso de vocês. E agora que tive a oportunidade de o constatar na presença física isolada de cada um percebi a falta que me fazem e o quanto me trazem de bom.

Tenho saudades de nós.
publicado por shark às 14:31 | linque da posta | sou todo ouvidos