SIM, HOJE É SEGUNDA-FEIRA. E ESTAMOS EM AGOSTO...

Já aqui referi que não gosto de trabalhar e logo na altura fiz a ressalva indispensável para que ninguém confundisse esta afirmação comuma declaração de preguiça.

As pessoas não trabalham porque gostam mas porque é assim que tem que ser.

E aos meus olhos será hipócrita quem diga o contrário e só aceito a excepção de um gajo a quem ofereçam um cruzeiro nas Caraíbas e ele dispense o presente por preferir assentar tijolo numa empreitada qualquer.

 

Admiro essas pessoas-formiga, valiosas, excepcionais, pela sua opção corajosa. São autênticos guerreiros, dotados de enorme espírito de sacrifício e crentes de que a uma morte honrosa no campo de batalha corresponde um óbito inesperado em plena função, de preferência com a última tarefa devidamente completada para a pessoa não ter que passar pela vergonha póstuma de ter deixado algo por fazer.

Admiro e estimo, pois para além de serem as únicas que garantem o funcionamento de qualquer realidade colectiva não fazem parte da indesejável multidão que nos atafulha a praia do costume no pico do Verão.

Sim, eu que trabalho para viver sou um fã sincero de quem vive para trabalhar.

Contudo, na minha qualidade de pessoa-cigarra jamais tentarei sequer entender os contornos desse mecanismo que nos distingue uns dos outros no que toca ao espírito de missão necessário para uma pessoa normal abdicar voluntariamente de férias e de feriados ou ocupar esses dias preferencialmente a fazer algo que eu até nos dias ditos úteis evitaria. A vergarem a mola de alguma forma, para se sentirem vivos, alguns, enquanto eu desandaria de imediato para um paraíso tropical se a coisa dependesse apenas da vontade de uma pessoa.

 

Não depende, como facilmente se depreende de eu estar aqui a intervalar o meu papel profissional com esta posta temática (o tema é segunda-feira) em vez de marcar a minha ausência blogueira numa bela esplanada a limpar de sal a garganta com uma imperial bem fria enquanto espalho a vista pela flora local.

A vida, esse espaço de tempo que se reduz a ontem já foi, agora felizmente ainda é e daqui a nada será o que Deus quiser, é difícil de enfrentar, para um móinas como eu, é como um pastel de Belém. Sempre boa, mas infinitamente melhor se devidamente polvilhada com a canela da paixão e o refinado açúcar do prazer.

E nada disso consigo encontrar nestas horas a fio a cumprir o calendário social que me impõem para poder fazer parte disto tudo que a malta, os que trabalham, constrói todos os dias até ao da reforma ou o de uma pseudo-invalidez de cariz fraudulento das que rebentam com o sistema da Segurança Social como um cancro que toda a gente conhece e sabe existir mas ninguém quer saber onde deposita as suas metástases.

 

E é aqui que me aflige a contradição: respeito muito mais os que abraçam a labuta de forma honesta e se privam assim da boa vida dos que preferem fazer o que eu gostava de estar a fazer agora.

Todavia, e que se flixem os pruridos, se na questão da admiração e do respeito a minha escolha está feita continuo sem saber afinal a quem devo elogiar pelo bom senso...

publicado por shark às 15:57 | linque da posta | sou todo ouvidos