A POSTA NO ET EM CADA UM/A DE NÓS

No fundo, quando percebemos que a nossa interacção com os outros expõe um fenómeno qualquer de loucura colectiva que torna normais alguns comportamentos que antes tínhamos por bizarros e indicadores de um parafuso a menos ou de uma excentricidade excessiva (fiquemos por aqui), resta-nos o sentido de humor como último bastião de defesa da sanidade mental que somos, inevitavelmente, levados a questionar.

 

Eu oscilo, confesso, na adopção do melhor critério a utilizar perante a confrontação com a loucura alheia ou com a minha.

Isso acontece não porque tenha perdido a capacidade de rir de mim próprio ou de perceber a irracionalidade inexplicável dos outros mas porque nem sempre sou apanhado com o estado de espírito adequado à mais correcta descodificação desse tipo de situação que nos espanta, nos intriga ou apenas nos leva a concluir que tá tudo doido e tudo quer dizer isso mesmo: estamos todos (ou quase) metidos no mesmo saco e boa parte de nós reagem nessas circunstâncias como gatos/as assanhados/as...

 

Existem poucas dúvidas em mim acerca do facto de o sentido de humor ser mesmo a melhor receita para contrapor às agressões que o quotidiano nos impõe à tendência para racionalizar. É um desperdício de inteligência, a tentativa de decifrar a lógica nos actos e nas palavras dos outros como na nossa própria atitude em momentos menos bons do funcionamento dos mecanismos de protecção contra a maluqueira assumida.

Muito mais prático e agradável é aplicar essa mesma inteligência (quem a possua) ao enquadramento cómico dos factos da vida em apreço, aligeirar as conclusões reduzindo à mínima expressão comum a lógica e as emoções e atribuir às bizarrias, às insanidades temporárias ou, de uma forma geral, a todas as manifestações ou revelações incompreensíveis a tolerância própria do pressuposto de que não se deve contrariá-los/as. Sem nos descartarmos enquanto membros efectivos desse colectivo, claro...

 

Qualquer alternativa ao humor implica um sacrifício qualquer, nomeadamente imposto pela amizade, pelo vínculo profissional/outro ou pelo amor, obrigando-nos a engolir em seco e sem explicações, ou a um esforço mental sobre-humano de tentativa frustrada de racionalização ou de simples contestação que para além de não nos levarem a lado algum implicam menos uma volta na rosca do próximo parafuso a desaparecer.

Rir é mesmo o melhor remédio e a ausência de seriedade na abordagem é o seu pilar fundamental. A opção ideal consiste sem margem para dúvidas na reacção cada vez mais instintiva de protecção de uma espécie de equivalente à camada do ozono na nossa tola, ou algo parecido que nos poupa aos efeitos nocivos da (ir)radiação de absurdo com que nos bombardeiam os emissores que ocupem o nosso micro-cosmos individual.

 

E nesses incluem-se os homenzinhos verdes que, no interior do vazio onde deveria situar-se o encéfalo, manipulam com gosto os nossos gestos e, muito a propósito do mote desta posta, se rebolam de riso com as consequências das nossas próprias reacções estapafúrdias.

publicado por shark às 11:54 | linque da posta