A POSTA QUE O CANECO AFRICANO PODE VIR CÁ PARAR, SIM SENHORES!

Só mesmo a tradicional tendência pessimista pode levar os portugueses, nomeadamente aqueles que envergarão a camisola nacional na África do Sul, a não se acreditarem favoritos para o próximo Mundial de Futebol.

 

Nunca achei que a coisa passasse por bandeiras na janela, embora ache que qualquer pretexto para isso é bom.

A coisa passa sobretudo pela capacidade, pela vontade e pelo talento dos rapazes que mandamos para representar a Pátria com quase o mesmo fervor com que enviávamos soldados para lutarem por um solo qualquer.

Sim, contra factos não há argumentos e o futebol conquistou um espaço que nada nem ninguém parece conseguir disputar-lhe neste dias. Gostamos muito de ver a nossa selecção brilhar e até ficamos magoados quando isso não acontece, precisamente porque sabemos que os nossos até têm mais jeito do que a maioria.

E esse é apenas um dos argumentos de que dispomos para acreditar que nem o Brasil que nos deu chapa seis conseguirá travar mais uma jornada épica dos nossos heróis possíveis em tempo de paz.

 

Temos aquele que é considerado pela maioria o melhor do mundo. Cristiano Ronaldo é um monstro sagrado e coloca qualquer adversário na contingência de jogar com menos um, só dois (e nem sempre) conseguem controlar o virtuoso madeirense. Em dia sim é meia vitória contar com ele em campo.

Mas isso seria desvirtuar o conjunto que pode, com a experiência de um treinador campeão mundial, fazer acontecer a magia que levou um dia a Dinamarca repescada a vencer um Europeu contra todas as expectativas.

Sim, o Ronaldo não joga sozinho. Temos mais um conjunto de jogadores habituados aos maiores palcos mundiais, com tarimba para não se deixarem impressionar com ambientes ou pressões. E têm alma de campeões, gostam de ganhar e sabem ser possível tudo ao longo dos noventa minutos de um jogo de futebol.

 

Bem vistas as coisas, e apesar da fraca figura da fase de qualificação, todos os convocados por Carlos Queiroz sabem que nenhuma glória obtida nos seus clubes algum dia rivalizará com a conseguida ao serviço de uma selecção nacional. Mesmo os três naturalizados, Pepe, Liedson e Deco, percebem a dimensão de uma participação no evento desportivo mais importante do mundo, os Jogos Olímpicos que me perdoem...

É isso que pode fazer toda a diferença de cada vez que onze dos nossos pisarem o relvado para o desafio a seguir, a convicção de que podem (sim, mesmo sem o Mourinho) ganhar todos os jogos que disputarem nesta competição. Nem todos podem sonhar assim.

 

Por isso não entendo que sejamos pobres a pedir. Até os rankings destas coisas, como o da FIFA, colocam Portugal no trio mais pontuado e logicamente mais habilitado a reclamar para si o mais famoso dos canecos.

E até um Raposeira ou um asti manhoso bebido por aquilo deve saber ao melhor champanhe francês, rapaziada!

publicado por shark às 22:21 | linque da posta | sou todo ouvidos