(MÁS)CARAS

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Interrogo-me aonde quererá chegar toda esta gente.
Quantos silêncios existem atrás de cada rosto?
Do lado de fora sorriem, movem os lábios. Andam como um grande rebanho abandonado no cimo da colina, que já náo sabe o que fazer (...)
Todos são peças dentro desse conjunto a que chamam "massa": a família, a povoação, a colectividade.

É preciso assumir demasiadas máscaras para se integrar no conjunto e, quando alguma coisa falha, dá-se o caos.

Karla Suarez, in Os Rostos do Silêncio



Lembraste-me, com as tuas últimas postas, este excerto, que fixei particularmente, de um livro cru e objectivo, a partir da visão de uma mulher analítica. Desassombrada, sem paninhos quentes no que toca a retirar conclusões sobre a vida.
Por vezes, na grande maioria das vezes, é assim que sinto as pessoas e o mundo.
Praticamos variações de nós próprios, consoante o rebanho ou matilha em que nos integramos para prosseguir determinado objectivo.
O rosto profissional umas vezes, noutras o rosto de vizinho, de amigo, de pai ou mãe, de passageiro do banco ao lado, ou então o rosto de líder, de subordinado, de amante, de amado.
É o preço da sociedade, que nos torna actores.
Os melhores vivem várias vidas numa só e, às vezes, até se safam.
Os outros, que gostariam de não ter que afivelar, tantas vezes com cola de fraco poder, tanta máscara distinta e que optam por não o fazer, são olhados de lado, peças fora da engrenagem, alvos de suspeição e temor. São originais de ser humano, esses. Reversos do verso aceitável. Côncavos do convexo impresso no molde. Felizes, simplesmente.

Mar
publicado por shark às 15:17 | linque da posta | sou todo ouvidos