AQUELA PESSOA
Aquela pessoa deitada, pela multidão ignorada, é uma pessoa que não aceita que lhe estendam a mão.
Aquela pessoa prefere ficar no chão, tenaz, para poder acreditar que é capaz de sobreviver sem a ajuda de alguém.
Aquela pessoa levanta-se sozinha e a mão não será a minha que poderá ser estendida em algum momento da vida daquela pessoa cujo tempo esculpiu na expressão resistência e na vontade determinação, persistência, num caminho que não admite alguém possa traçar a seu lado ou ainda menos em seu lugar.
Aquela pessoa sacode, orgulhosa, o pó. E acredita que mais vale só, mesmo deitada, do que mal acompanhada por quem se arrogue interferir na sua forma de agir perante as coisas que a atormentam.
Aquela pessoa é daquelas que tentam inventar pretextos para justificar toda a dor reprimida, todos os silêncios de uma vida ao leme da sua condição e em função da sua consciência, pois é uma pessoa sem paciência para se discutir.
Aquela pessoa já seguiu o caminho que pretende iluminar com a sua luz, pelo seu pé.
Aquela pessoa já escolheu um destino que sem vacilar construiu, pois só assim conduz a sua própria fé.
