A POSTA QUE OLIVENÇA É MESMO NOSSA

A questão de Olivença é das que mais me incomodam desde que tomei consciência de mim próprio enquanto português e assumi a minha interpretação pessoal do que isso implica. Entendo esse tema, que muitos desejariam encerrado sem ondas nem perturbações, como uma ferida aberta na percepção que tenho do meu país e das regras do jogo que definem uma nação e os limites do respectivo território.

 

Em causa está acima de tudo o respeito pelo Direito Internacional e tudo o que dele emana para salvaguardar a integridade dos países em caso de conflitos que possam ameaçar a soberania, por exemplo, em função do uso da força por parte de uma outra nação.

É o caso do que se passou em Olivença, tendo os espanhóis assinado dois tratados internacionais que entenderam não respeitar, fazendo tábua rasa de pressupostos que são caros a qualquer patriota (como a posição oficial espanhola relativamente a Gibraltar curiosamente confirma).

E não serve de argumento o facto de no presente Olivença já estar noutra. Quando os chineses concluírem o seu processo de assimilação do Tibete a questão morrerá por aí, pelo fim da resistência à ocupação? Isso não implica que vale a pena invadir, desde que aguentemos as posições durante o tempo suficiente para a malta ficar habituada à ideia?

 

Olivença constitui um mau precedente pelo que implica de desrespeito pelas regras do jogo que salvaguardam a existência de cada nação ao longo do tempo e sem interferências resultantes de um circunstancial maior poderio militar. É isso que está em causa, para lá do facto de estarmos perante uma ocupação militar cujo sucesso se deveu apenas a factores conjunturais e à violação de princípios que ainda hoje regem a política internacional, a visão do mundo que se entende por mais universal e correcta.

Nessa perspectiva, e se tivermos em conta a assinatura de tratados como algo de vinculativo e não apenas uma fantochada para desviar atenções, Olivença é formalmente território português ocupado e o assunto não ficará jamais encerrado com base no laxismo dos poderes transitórios ou na conveniência daqueles a quem esta matéria constitui uma pedra no sapato de uma ilusão ibérica que, na prática e enquanto a questão não for enfrentada, será sempre impossível de concretizar.

publicado por shark às 16:40 | linque da posta | sou todo ouvidos