AQUILO QUE TIVER QUE SER

Aquilo que sou e aquilo que pareço. Aquilo que dou e aquilo que mereço.

O balanço da balança no desequilíbrio entre as diferentes dimensões quando se apura o seu peso relativo. Nos outros também. Faço mal ou faço bem e de pouco interessam as intenções, mesmo sem capas ou subterfúgios para camuflar as emoções desabridas.

Motivo à vista, liquidação total, o fiel da balança no balanço final, as contas de cabeça sem prova dos nove, as marcas do passado que o futuro não remove com uma simples esponja oferecida, um presente envenenado por contingências da vida que não servem de desculpa seja a quem for.

 

Aquilo que sonho e aquilo que faço. Aquilo que tenho e aquilo que peço.

O ponteiro sem pontaria na marcação do tempo, desencontrado com o momento certo para acontecer o que deveria. A vida que nunca adia nem antecipa, tudo acontece na hora certa, marcada, a sorte predestinada em função de decisões circunstanciais ou de evoluções naturais para os factos em curso. A ambição desmedida, toda a que transcende o agora e o já, frustração garantida por querer aquilo que não há ou pode mesmo nunca chegar a haver. Tudo o que pode ser, realismo, e não sentir como um cataclismo a impossibilidade de ir mais além seja no que for.

 

Aquilo em que fico e aquilo por que passo. Aquilo que lembro e aquilo que esqueço.

A história da vida que me compete escrever, o rasto e o resto, a memória pintada como preciso de a ver, colorida pela verdade da vida real ou apenas esboçada pela vontade de que o mal não faça parte da paleta. Espertalhão ou pateta, aquilo que me faz é tudo o que for capaz de transmitir a quem observa, pois desta curta passagem apenas se conserva a imagem que possamos deixar. Mas tudo aquilo que espero salvaguardar é a certeza do que quero recordado: é que vivi para amar.

 

E para ser amado.

publicado por shark às 14:45 | linque da posta | sou todo ouvidos